A VALSA CONCRETA

adriano nunes, querido e talentoso poeta das alagoas,

recebi o “valsa para paulinho” com muita alegria e um certo assombro (rs). assombro por conta das belezas, das maravilhas descobertas no poema com uma leitura das linhas mais rigorosa.

na minha escrivaninha, destrinchei-o estrofe por estrofe, verso a verso fui escarafunchando seus espelhos d’água, esgaravatando as funduras das lagoas empoçadas em cada des-construção de palavra, para a ampliação de sentidos, para a amplificação dos significados possíveis. ei-las, algumas verificações, aqui:

este preto, pauta da mente, isto é, este preto como roteiro da mente, a linha que segue, vertical, ao raciocínio. este preto, prata, isto é, metal que brilha, este preto, proto, isto é, pão, alimento para quem quiser alimentar-se (“a poesia é para comer” – natália correia); a maneira de tê-lo, o preto/, perto: tela de computador. este preto, pele, pena, pé, tala (para, quando preciso, a ajuda na cura do pé – rs), pétala,  lendo-me em si, lendo-me em silêncio, lendo-me através do que escrevo (ou escondo – rs?), sentindo-me em síntese de sim, dizendo-me lenha, linho, pau, pedra, e perguntando-se: qual o foco? qual a forma? qual a fórmula?:

“vôo verve  envolvendo-o ?”  será (rs)?

para, enfim, o fim: depois do roteiro, depois de guiar-se pela linha preta (rs) que rasga de ponta a ponta o seu papel, o re-pouso; pouco a pouco, pausadamente, o pausar da mente, com pound, ali, no encalço: afinal, eis este preto como estímulo do que impulsiona, em você, o trabalho da sua sensibilidade.

absolutamente genial, adriano! nem sei como agradecer, nem sei como clarificar a minha alegria por receber estas linhas, tão lindas, que nem consigo afirmar se mereço…

muitíssimo obrigado por esta valsa, valsa concreta, por esta valsa avulsa, a valsa avulsa de além, ventada das alagoas e chegada à baía de guanabara.

beijo grande em você, poeta!

outro enorme em todos!

paulinho / paulo sabino.

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VALSA PARA PAULINHO (autor: adriano nunes)

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p a u s a
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(poema extraído do blog QUEFAÇOCOMOQUENÃOFAÇO http://astripasdoverso.blogspot.com/, de adriano nunes)

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7 Respostas

  1. Tudo sublime. O poema e a resenha.

    • concordo, mariano.

      tudo sublime: poema, resenha e poeta (adriano).

      beijo!

  2. Paulinho,

    Muito obrigado! Eu que não mereço todos esses elogios. Desvendar-me em si é dar-se ao poema inteiramente. Sou um simples poeta em busca de poesia. Queria só desvendar um pouco mais do poema para que outras luzes cheguem a quem o lê: prosa em poe (referência a Edgar A. Poe) prosa em poema (ao seu blog)… tala, talo, tela… lata lote tê-lo… perto/preto… prova (na vertical!)… ousadamente.

    Beijo imenso,
    Adriano Nunes

    P.S.: há um silêncio ululante, dançante, no poema, uma valsa… sim, para você.

    • adriano,

      você é um arraso! é um luxo com o qual quero contar sempre!

      não só este poema, como todos os seus outros, lidos por mim, são maravilhas, adoro todos!

      valeu a mensagem, valeu a contribuição! só fez enriquecer o que, por si só, já é uma grandeza.

      beijo grande!

  3. Posso me inserir nos elogios?

    Tanto ao querido Paulinho quanto ao, também competentíssimo, Adriano. Gente querida.

    E lembrar de quem nos proporcionou o encontro: mestre Antonio Cicero.

    • pois é, pax,

      quanta gente boa, quanta gente querida!

      só posso interpretar este ‘acontecimento’ (rs), o de nos conhecermos, como um presente da vida.

      que bom!

      beijo grande!

  4. […] lembro-me de quando recebi o seu poema concreto “valsa para paulinho”, dedicado a mim (https://prosaempoema.wordpress.com/2009/08/20/a-valsa-concreta/). li, reli, parei e pensei: “meu deus! isso é para mim?” olhava o poema na tela, lia […]

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