SABER-SE UM NÃO SABEDOR 2

pessoas,
 
sobre o fato de sabermos que não sabemos inúmeras coisas, foi publicado um post, o “saber-se um não sabedor”, com um poema-canção sobre o assunto, em 25/11/2009.
 
acho realmente bonita a constatação de sermos eternos aprendizes. essa certeza me causa uma espécie de fome pela vida, fome por viver. adoro aprender, conhecer coisas.
 
(você precisa saber o que eu sei e o que eu não sei — mais. olhos nos olhos: enxergue as nuanças das manobras, as mudanças e tranformações ocorridas no caminho.)
 
e reitero a afirmação, claro: neste breu, neste escuro que é a vida, busco o rumo, sem um ao certo, e vou seguindo, vou insistindo, sigo partindo, capaz de captar sinais, decifrar mensagens que me chegam, daqui e dali, durante as curvas da estrada.
 
viver é bom — partida e chegada!
 
beijo em todos,
o preto,
paulo sabino / paulinho.
______________________
 
(extraídos do livro: Vestígios. autor: Affonso Romano de Sant’Anna. editora: Rocco.)
 
MISTERIOSO CONJUNTO
 
          Me defino como um hombre razonable
              no como professor iluminado
              ni como vate que lo sabe todo.
                                                            Nicanor Parra
 
 
Não sei muitas coisas.
 
Às perguntas que minhas filhas fazem
respondo com dificuldade.
 
Por isto há tempos fujo
da verdade cega e absoluta e admito
certa equivalência
entre o que afirmo
e o outro que nega.
 
Separados ou juntos
somos apenas parte
de um misterioso conjunto.
 
Está cheia de vazios e elipses a nossa fala.
Por nós uma luz cortante passa
nos diversifica
e se dispersa nos objetos mínimos da sala.
 
 
A PRIMEIRA VEZ QUE ENTENDI
 
A primeira vez que entendi do mundo
alguma coisa
foi quando na infância
cortei o rabo de uma lagartixa
e ele continuou se mexendo.
 
De lá para cá
fui percebendo que as coisas permanecem
vivas e tortas
que o amor não acaba assim
que é difícil extirpar o mal pela raiz.
 
A segunda vez que entendi do mundo
alguma coisa
foi quando na adolescência me arrancaram
do lado esquerdo três certezas
e eu tive que seguir em frente.
 
De lá para cá
aprendi a achar no escuro o rumo
e sou capaz de decifrar mensagens
seja nas nuvens
ou no grafite de qualquer muro.

2 Respostas

  1. Paulinho,

    nunca mais me entendi : os outros me compreendem melhor!

    Grande escolha – adorei os poemas escolhidos!

    Abração,
    Adriano Nunes.

    • maravilha, bonito!

      fico sempre feliz com as suas incursões.

      e saiba que faço as minhas no seu blog-abrigo (rs).

      beijo grande!

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