POEMA DE NATAL

benvindos,
 
pois que mais um ano chega ao final. e, com ele, chega-nos também a lembrança da criança a nós anunciada, presente em nossas vidas para nos redimir de faltas e erros e culpas e ignorâncias e violências e maus humores e feridas.
 
como o poema, gosto de pensar numa existência assim, que seja a nossa verdadeira imagem e semelhança: uma criança bonita, robusta, nascida para o bem, capaz de gestos e atos de imaculados carinho e amor. é a mostra de que podemos muito mais, de que a existência pode dar-se de modo mais rico e sadio para todos nós. se fomos capazes de criar uma criança com tamanhos sentimentos de bondade para com a existência, podemos criar, conseqüentemente, outras tantas crianças — sejam jovens ou velhas, seja eu ou você — com este mesmo senso de cuidado amoroso.
 
tomem esta criança pressagiada para si, tenham-na no colo, mirem sua face boa & serena, embalem o seu sono. 
 
que a criança anunciada desperte a criança guardada no peito e que esta preencha as feridas nossas e melhore o estado das coisas que merecem ser melhoradas. preservemos o prazer supremo, que deveria — que deve! — ser o prazer de todo dia: idolatrar o que geramos verdadeiramente de mais comovente, de mais deleitoso, de mais formoso. apenas assim a vida se dará de maneira mais pródiga, de modo mais prodigioso. 
 
um ótimo natal e uma bela passagem de ano é o que espero para todos!
 
no mais, para o ano próximo, desejo o que almejo sempre, ano após ano: uma vida cheia de realizações bacanas.
 
beijo bom e festivo!
o preto,
paulo sabino / paulinho.
_____________________________________________________________________
 
(do livro: Tarde. autor: Paulo Henriques Britto. editora: Companhia das Letras.)
 
 
POEMA DE NATAL
 
Eis o prazer supremo, que não cansa
jamais: idolatrar o que criamos
à nossa vera imagem e semelhança.
 
Nada mais digno do mais puro amor
que essa anunciadíssima criança,
em berço ou pálio ou página ou o que for,
 
desde que seja nossa, e na medida
exata do desejo, nem maior
nem mais funda que a precisa ferida
 
que para preencher foi ela concebida.
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