PERFIL MARIA BETHÂNIA À REVISTA UBC

prezadas & prezados,
 
foi-me solicitado, através da minha querida amiga vivi fernandes de lima, dona do espaço “chalé da vivi” (http://chaledavivi.blogspot.com/), um texto, publicado este mês, que fosse um perfil sobre uma das grandes divas da minha vida, a abelha-rainha, sobre aquela que deu início a tudo que hoje compartilho com vocês, sobre maria bethânia, para a revista da união brasileira de compositores (ubc).
 
evidentemente, esta não foi uma tarefa fácil para mim (rs). mas o texto saiu. deixo-o aqui, à apreciação de todos.
 
quem tiver interesse de conhecer o conteúdo da publicação, acesse: http://www.ubc.org.br/arquivos/download/pauta_extra/revistaUBC01-2010.pdf.
 
o mote para o perfil foi o lançamento dos dois últimos trabalhos de bethânia, os cds “tua” e “encanteria”.  
 
um beijo!
o preto.
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(texto extraído da revista ubc, publicação de janeiro de 2010.)
 
A RAINHA DA VOZ – Para Maria Bethânia, cantar é mais do que um ofício. É motivo de alegria.
 
(por Paulo Sabino)
 
“Não faço concessão na escolha do meu repertório. Só canto o que quero e o que gosto”, afirmou a cantora Maria Bethânia, em diversas entrevistas. Deve ser por isso que hoje, com 44 anos de carreira, a cantora coleciona grandes sucessos e muitos mitos em torno de sua vida. Ídolo de uma legião de seguidores fiéis, é considerada pelos fãs “a rainha que nunca perde a majestade”. E eles têm razão. Ao longo de sua extensa trajetória, a cantora é sempre reconhecida como artista de qualidade pelo público e pela crítica, mesmo quando seus discos não vendem muito.
 
Em outubro, ela lançou pela gravadora Biscoito Fino e pelo seu selo Quitanda, os CDs “Tua”, com canções românticas, e “Encanteria”, com composições festivas que remetem à cultura popular nacional. Os dois discos trazem canções dos compositores que estão no rol dos seus preferidos: Adriana Calcanhotto, Roque Ferreira (compositor-poeta conterrâneo da cantora), Paulo César Pinheiro, Vanessa da Mata, Arnaldo Antunes, J. Velloso, entre outros.
 
Dona de um timbre raríssimo, ímpar, começou a carreira com estreia à altura do seu enorme talento, substituindo a então famosa e musa da bossa nova, Nara Leão, num espetáculo do Teatro Opinião, ao lado dos compositores Zé Kéti e João do Vale. Sua voz grave e seu timbre rascante fizeram com que a canção de forte cunho político “Carcará” (“Carcará lá no sertão/ é um bicho que ‘avoa’ que nem avião…”), de João do Vale, se tornasse o seu primeiro grande sucesso nacional. De uma hora para outra, a menina de 17 anos, chegada de Santo Amaro da Purificação, cidade do interior do Recôncavo Baiano, tornou-se uma celebridade. De lá para cá, não parou de brilhar no cancioneiro brasileiro.
 
A cantora sempre afirmou que, desde muito nova, ainda criança, sabia que o seu destino seria traçado na ribalta: “eu, na verdade, dizia desde pequena que eu ia ser artista ou então ia ser trapezista. E o palco, para mim, é um pouco isso, é o trapézio. Sem a rede”, ri ao sentenciar no documentário “Maria Bethânia – Música é Perfume” (2005), de Georges Gachot.
 
Determinada, suas escolhas são tomadas de acordo com suas ambições artísticas. Assim, tornou-se não só uma grande intérprete de canções, como também da palavra falada. Bethânia sabia que o verso cantado não daria conta do que almejava no palco. Por isso, começou a levar textos, fossem prosa ou poesia, para os seus espetáculos, o que acabou se transformando numa marca registrada das suas apresentações.
 
Por ser uma “intérprete”, como ela mesma prefere ser chamada, não foi, nem é, uma cantora ligada à bossa nova, que primava por um canto mais contido e menos teatral. O seu caminho foi buscar refúgio nas grandes canções de cunho amoroso, anteriores ao gênero lançado por João Gilberto – samba-canções e boleros de fortes arroubos sentimentais –, nas canções de temas ligados ao interior do Nordeste e naquelas criadas por compositores da sua geração, carregadas de dramaticidade.
 
Bethânia canta o amor em todas as suas dimensões, o descaso político, a tristeza do mundo, do ser humano, o esplendor das forças da natureza, as festas do seu povo, a beleza de ser feliz, as suas crenças religiosas. Aliás, por orientação do candomblé, religião que escolheu já adulta, não veste roupas de cor preta ao apresentar-se em shows. E por acreditar profundamente no poder que as palavras carregam, recusa-se a pronunciar algumas delas: “Tem algumas palavras que eu não gosto de dizer e não digo. Pode ser a música de Chico Buarque de Holanda, que eu venero, mas se tiver uma palavra de que eu não goste, não há quem me faça dizer”.
 
Por esta qualidade tão cara, a de fazer só aquilo que deseja, a cantora afirma nunca se aborrecer com o seu ofício, que é o de interpretar as canções do seu repertório e os textos selecionados para leitura. Segundo Bethânia, cantar sempre foi motivo de muita alegria: seja na solidão do estúdio de gravação, depois que as bases e arranjos das músicas estão prontos para que a sua voz seja colocada, seja na situação inversa a essa, quando entra no palco e se depara com centenas de pessoas na plateia, à sua espera.
 
Fora do palco, a abelha-rainha – sua alcunha mais emblemática, uma referência ao período de imenso sucesso, em 1979, com o LP “Mel” – tem sua vida guardada a sete chaves. Bethânia nunca quis nem nunca gostou de falar publicamente sobre sua vida pessoal. Manteve-se sempre à parte das publicações e colunas de fofocas, ciente de que a mídia serve à divulgação do seu trabalho artístico, que é o que mais importa.
 
Esta discrição gerou em torno da sua figura uma série de “casos” a seu respeito, que se tornaram verdadeiras “lendas”. Como a história de que a artista mantém em sua casa uma espécie de santuário, onde ela “receberia entidades espirituais” e faria oferendas às tais entidades. Bethânia se diverte com tanta curiosidade acerca do seu quotidiano e, numa entrevista, atirou: “fora do palco não tem nada demais. Sou a Maria Bethânia, dona de casa, normal, comum, igual a todo mundo”.
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