AVISO AOS NAVEGANTES: A IDA À ILHA – OS ILHÉUS

navegantes,
 
como na cidade do rio de janeiro teremos dois feriados seguidos (quarta-feira, dia 21, e sexta, dia 23), este que vos escreve decretará seu recesso (rs).
 
ficarei uns dias ilhado, num lugar onde a internet está longe de chegar, cercado por um belíssimo mar, com direito a rio & queda d’água, muito mato e grandes amigos.
 
segunda, dia 26, estamos na área.
 
aproveitando que a viagem será para uma ilha, deixo-os com este belíssimo poema do meu querido amigo, e filósofo e poeta e letrista e ensaísta, antonio cicero. 
 
nunca disse ao cicero, e aproveito para dizer-lhe: sempre que leio este seu poema, chegam-me, de assalto, os versos da belíssima canção “futuros amantes”, do mestre chico buarque. 
 
toda vez imagino os escafandristas das linhas do chico como os ilhéus dos versos do cicero, que pisarão as ruínas de nossas cidades-luzes (rs). vejo-os, os ilhéus, como os exploradores das neo-Atlântidas, como os vasculhadores da cidade submersa na qual o rio se transformará, procurando, esta nova civilização, os vestígios de outra, estranha (& remota).
 
assistam a esta película poética desenhada pela inventividade de antonio cicero! porém, antes, o trecho da canção que sempre me ocorre:
 
 
 
os escafandristas virão
explorar sua casa
seu quarto, suas coisas
sua alma, desvãos
 
sábios em vão
tentarão decifrar
o eco de antigas palavras
fragmentos de cartas, poemas
mentiras, retratos
vestígios de estranha civilização
 
(chico buarque, futuros amantes)
 
 
 
até a volta, benvindos!
beijo grande nocês!
o preto,
paulo sabino / paulinho.
_____________________________________________________________
 
(do livro: A Cidade e os Livros. autor: Antonio Cicero. editora: Record.)
 
 
 
OS ILHÉUS
 
Uma sombra pode vir do céu,
imponderável como as nuvens,
e cair no dia feito um véu
ou a tampa de um ataúde.
E nada impede que se afundem
neo-Atlântidas e arranha-céus
ou que nossas cidades-luzes
submersas se tornem mausoléus.
Em arquipélagos, os ilhéus
pisarão ruínas ao lume
do mar, maravilhados e incréus
e devotados a insolúveis
questões, espuma, areia, fúteis
e ardentes caminhadas ao léu.
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