SONETO DE ANIVERSÁRIO

prezados,
 
hoje, 24 de junho, dia de são joão, este que vos escreve vence as suas 34 primaveras.
 
(todo ano, há bastante tempo, ouço, ao acordar, uma canção do caetano — veloso — que fala justamente sobre o santo do dia e sobre a sua festa, a festa que é em sua homenagem, a festa de são joão.) 
 
adoro, como se diz em espanhol, cumprir anos. acho essa expressão muito acertada. porque a vida é uma missão.
 
viver é quase um milagre.
 
viver é um exercício, e envolve uma série de coisas, uma série de relações desenvolvidas com o entorno, entorno sempre multifacetado e multidimensional.
 
muitas atribuições, muitas funções, muitas experiências a serem vivenciadas, a serem desnudadas, a serem re-veladas, muitas atribuições & funções & experiências que nos vão moldando dia-a-dia, mundo afora, alma adentro.
 
este preto aqui, somando as suas experiências, atribuições e funções, sente-se feliz por viver.
 
tenho grandes amigos, pessoas imprescindíveis na minha existência, uma bela família, um lar aconchegante, onde me sinto muitíssimo bem, e histórias boas para contar.
 
e o melhor: por mais que olhemos, e aprendamos, e saibamos, e falemos, a vida possui, em suas nuances tantas, um ineditismo inerente, que nos faz cantar & cantar & cantar a beleza de ser um eterno aprendiz.
 
acho muito bom saber-me um não-sabedor, acho muito bom perceber que, eternamente, até a morte, inacabado, inconcluso.
 
o inacabado, o inconcluso, é o que nos impulsiona à vida, é o que nos faz desejar a existência.
 
sei que possuo um monte de questões minhas, internas, a serem resolvidas e entendidas, um tanto de características a serem melhoradas e/ou extirpadas, mas isso não impede que eu repita:
 
no ar que eu respiro, eu sinto prazer. eu sinto prazer de ser quem eu sou, sinto prazer de estar onde estou.
 
também sinto saudades, uma espécie de melancolia, e não sou nada saudosista. a alguns essa minha frase pode parecer um paradoxo, um contrasenso, mas não o é.
 
o fato é que, sendo feliz, e eu o sou no hoje, no agora, no já, no neste instante, não há razões maiores para querer o retorno do que já passou. 
 
a todos que compõem a minha vida, que fazem dela o que é, o meu muitíssimo obrigado.
 
re-tenho a plena consciência de que, sem “o outro” (e neste “outro” incluo: pessoas, livros, lugares, artes, mares, céus, rios, flores, florestas & amores, e etc. etc. etc. etc.), o paulo sabino que se lhes apresenta não seria o mesmo paulo sabino.
 
a troca é a grande chave, é o grande negócio.
 
ninguém é muita coisa sem “o outro”.
 
(este meu amor de criatura, ele vê envelhecer, porém não envelhece…)
 
aos senhores, um belo soneto do poetinha maior que tanto admiro, vinicius de moraes.
 
beijo afetuoso em todos!
o preto,
paulo sabino / paulinho.
 
(a canção do caetano veloso, que religiosamente ouço neste dia, “são joão, xangô menino”, pode ser escutada na página do “youtube” abaixo do poema. é claro que “a voz” que a canta não faltaria à minha festa – rs.)
______________________________________________________________________________________________________
 
(do livro: Nova Antologia Poética. autor: Vinicius de Moraes. organização: Antonio Cicero e Eucanaã Ferraz. editora: Companhia das Letras.)
 
 
SONETO DE ANIVERSÁRIO
 
Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.
 
Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.
 
Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.
 
E eu te direi: amiga minha, esquece…
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.
__________________________________________________________
 
(autor da canção: caetano veloso. cantora: maria bethânia.)
 
 
 
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7 Respostas

  1. Paulinho do meu coração,

    (re)velo nossa amizade como quem leva o andor. “O que é o que é” deveria ser uma música obrigatória em todas as festas, não acha?

    Hoje li num livrinho interessante do Quintana (Da preguiça como método de trabalho) que a melancolia é a forma romântica de ser triste. Achei bonitinho e gostei ao lembrar que me chamam de melancólico.

    Xangô menino, o poetinha tem razão. O amor é um sentimento que só amadurece com o tempo. Pelo fato dos amantes perceberem ao longo da vida que o amor independe de quem o recebe. Por mais importantes que sejam estes, o amor é de quem ama – sentimento único que está diretamente relacionado à capacidade do ser que o expressa de abdicar de certezas e aceitar as diferenças. O amor é nosso, por mais importantes que sejam as pessoas e coisas amadas por nós.

    Com um amor profundo,
    parabenizo o homem lento de Olaria –
    elogio de Milton Santos que lhe descreveu sem o conhecer _ pela vida construída em cima do afeto,
    que aglomera pessoas,
    por mais diferentes e divergentes,
    pelo carisma que o faz querido por tantos,

    Flávio

  2. flavinho, meu menino lindo & benvindo,

    o que lhe dizer?, me diga (rs)!!

    TE AMO!!

    e estamos juntos, sempre!!

    beijO!

  3. Oi, Paulinho!!! Acho que nunca apareci por aqui, mas, neste dia especial, decidi dar uma passada e fiquei encantada! Mais um dia em que serei feliz e muito o devo a vc e ao que vc escreveu por aqui.
    Feliz aniversário!!!
    Bjos

  4. dani, amore mio,

    que maravilha!

    estou LOUCO para chegar no rio e beijar e acarinhar essa barriguinha que tem neném!

    agora que “aprendeu o caminho” (rs), venha sempre que quiser para uma visita.

    beijO!

  5. Paulinho,
    lembrei de vc logo de manhã cedo. E corri pra cá pra ver que surpresa vc nos preparou nesse dia tão especial! Que maravilha de post-poema!!! Parabéns hoje e sempre. Tenha um dia lindo.

    PS: Tenho um presentinho pra vc, a Dani vai te entregar.

    Bjs,
    Adriana.

    • adriana, minha lindeza,

      que GRATA SURPRESA encontrá-la aqui!

      muito obrigado por tudo!

      depois que li sua mensagem, lembrei-me dos nossos tempos de faculdade e estágio, quando chegava no laboratório de jornalismo e dizia-lhe sempre um poema, e conversávamos horas a fio… que coisa boa, que memória gostosa!…

      venha SEMPRE no “prosa em poema” para uma visita!

      beijO!

  6. Estou sempre por aqui, tenha certeza.
    Grande beijo.

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