COMO É QUE SE ESCREVE? MISTÉRIO…

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da mesma maneira que ela,
 
sei que não sei escrever, não obstante sei que escrevo, e que o realizo bem.
 
sou a pessoa que mais se surpreende de escrever.
 
(saber que não se tem, às claras, o processo de construção textual: o reconhecimento das ignorãças.)
 
a minha identificação com ela, com a escritora (que não se considera escritora), nesse sentido (no sentido da criação de um texto), é constatada através de linhas como estas que seguem.
 
o meu jeito de operar conexões é obscuro, é de difícil apreensão.
 
(como capturá-lo?…)
 
afinal:
 
como é que se escreve?
 
o que é que se diz?
 
como dizer?
 
como é que se começa?
 
o que se faz com o papel, defrontando-nos, tranqüilo?
 
mistério…
 
às vezes, imagina-se uma vereda para as palavras, e o percurso, ele mesmo, ao seu bel-prazer, vai traçando a trilha, desnudando um caminho inteiramente diferente daquele antes devaneado. 
 
(compartilho os sentimentos que ela descreve nas prosas abaixo; compactuo, no modo de criar, com sua resposta, suas dúvidas & suas constatações.)
  
(e que fique claro: isso tudo diz respeito, exclusivamente,
 
a mim & a ela.)
  
beijo bom em vocês!
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(do livro: A descoberta do mundo. autora: Clarice Lispector. editora: Rocco.)
 
 
COMO É QUE SE ESCREVE?
 
 Quando não estou escrevendo, eu simplesmente não sei como se escreve. E se não soasse infantil e falsa a pergunta das mais sinceras, eu escolheria um amigo escritor e lhe perguntaria: como é que se escreve?
 
Por que, realmente, como é que se escreve? que é que se diz? e como dizer? e como é que se começa? e que é que se faz com o papel em branco nos defrontando tranqüilo?
 
Sei que a resposta, por mais que intrigue, é a única: escrevendo. Sou a pessoa que mais se surpreende de escrever. E ainda não me habituei a que me chamem de escritora. Porque, fora das horas em que escrevo, não sei absolutamente escrever. Será que escrever não é um ofício? Não há aprendizagem, então? O que é? Só me considerarei escritora no dia em que eu disser: sei como se escreve.  
 
 
MISTÉRIO
 
‎Quando comecei a escrever, que desejava eu atingir? Queria escrever alguma coisa que fosse tranqüila e sem modas, alguma coisa como a lembrança de um alto monumento que parece mais alto porque é lembrança. Mas queria, de passagem, ter realmente tocado no monumento. Sinceramente não sei o que simbolizava para mim a palavra monumento. E terminei escrevendo coisas inteiramente diferentes.
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