AS HORAS

deixo o relógio em casa.

(não marco toca. não marco hora.)

saio procurando as horas, vou à sua cata, na vida. saio procurando as horas de esplendor & as horas de prazer, as horas de serenidade, as horas de amor à vida: as melhores horas da minha vida.

as manhãs esplêndidas. os serenos crepúsculos.

deixo o relógio em casa.

(não marco toca. não marco hora.)

saio procurando as horas. as horas de esplendor & as horas de prazer, as horas de serenidade, as horas de amor à vida: as melhores horas da minha vida, perdidas entre medos & desejos. horas vindas da memória, advindas da lembrança.

procuro as horas: na vida, na memória.

(a memória, é bom lembrar, se faz de vivências, a memória se faz de experiências.)

o poeta se move na direção do horizonte. sempre.

e, fitando o horizonte, um ruflar de asas anuncia a aurora.

as luzes se apagam aos poucos.

fitando o horizonte, o poeta percebe que o mistério do novo dia começa ali, em algum lugar entre o rochedo & o mar.

(a brisa & seu hálito de maresia…)

avista uma ilha ao longe, uma nuvem, uma gaivota.

(o sabor salgado de um novo dia…)

(quem sabe uma vida mais amena, ou mais veloz?…)

deixo o relógio em casa e saio procurando as horas.

os tambores da manhã estão rufando. e o meu coração é uma câmara de ecos.

beijo todos!
paulo sabino.
__________________________________________________________________________

(da revista: Inimigo Rumor. número: 18. autor: Eudoro Augusto. organização: Vários (comitê editorial). editoras: 7Letras / Cosac Naify.) 

 

AS HORAS

Deixo o relógio em casa e saio procurando as horas.
As horas de esplendor e as horas de prazer
as horas de serenidade as horas de amor à vida
as melhores horas da minha vida
perdidas entre o desejo e o medo.
As manhãs esplêndidas.
Um passeio bem cedo pelo mercado e pelo cais
na pequena cidade da memória.
Os barcos carregados de peixe
e aquela brisa cheia de cheiros.
Uma saia de seda acenando ao vento
como a bandeira mais alta da manhã.
Os serenos crepúsculos.
Vermelho na costa da Caparica
verde em Itaipava dourado no Arpoador
azul quase cinza na ilha de Santa Catarina.
Agora Brasília adormece em silêncio sépia
e o poeta se move na direção do horizonte.
Para longe da cidade proibida
com suas horas de néon
e seus salões de paixão e êxtase.

 

MARÍTIMO

Um ruflar de asas anuncia a aurora.
As luzes aos poucos se apagam
na casa quase enterrada na areia.
Na estreita trilha para o cais
conchas e algas e cascas
garras de crustáceos
duas garrafas vazias
um frasco de perfume.
Um cavalo-marinho
espectro e emblema de si mesmo.
O mistério do novo dia começa ali
em algum lugar entre o rochedo e o mar.
A brisa e seu hálito de maresia.
Uma ilha ao longe
uma nuvem negra
um albatroz
O sabor salgado de um novo dia.
Quem sabe uma vida mais amena ou mais veloz.
O coração é uma câmara de ecos
e os tambores da manhã já estão rufando.

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