ANDAR DE BICICLETA

 
(Na foto, Orlando, meu camelo azul da cor do mar, meu animal mecânico, companheiro de pedaladas à orla marítima & de muitos pores-do-sol na praia.) 
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andar de bicicleta:
 
não somente pelo exercício físico, que adoro, mas pela vontade sem registros, vontade invisível, aérea, do vento contra os cabelos.
 
andar de bicicleta:
 
não pelo exercício físico somente, mas pela tentativa de manter-se em equilíbrio sobre os seus eixos, eixos que fazem girar, eixos que nos movimentam, que nos impulsionam adiante, que nos levam mais & além.
 
andar de bicicleta: 
 
andar neste “difícil” (porque complicada a sua estrutura) excesso de cabos & ligas metálicas que a moldam, difícil excesso de cabos & ligas metálicas que modelam seu corpo, excesso de cabos & ligas metálicas cirurgicamente soldados (cabos & ligas metálicas unidos com precisão) & sofisticamente esculpidos (falsamente esculpidos porque nem os cabos & nem as ligas metálicas são, de fato, “talhados”; os cabos & as ligas metálicas são encaixados & unidos por meio de solda).
 
andar de bicicleta:
 
andar nesta espécie de animal mecânico só carcaça, isto é, animal mecânico só estrutura, só arcabouço, só “ossatura” (seu difícil excesso de cabos & ligas metálicas cirurgicamente soldados), andar nesta espécie de animal mecânico sem miolo ou órgão a penetrar, neste animal que é pura exterioridade.
 
deixando a imaginação fluir, deixando a fantasia ditar o seu universo, penso:
 
se fosse o caso (impossível), este exímio animal (só carcaça) mecânico, de repente, não mais que de repente, por vontade própria, em arroubos de relinche (as correias desacatando as marchas), romperia com as rodas em lampejo de vida fantástica, sem rédeas ou guidom, e, de sua rústica engenharia, derrubaria-me:
 
um coice.  
 
andar de bicicleta:
 
equilíbrio sobre os seus eixos que me equilibram, equilíbrio sobre os seus eixos que me harmonizam, equilíbrio sobre os seus eixos que me congraçam.
 
andar de bicicleta é um grande barato. só benefícios.
 
salve orlando, meu camelo azul da cor do mar!
 
salve a sua vida na minha!
 
beijo todos!
paulo sabino. 
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(do livro: Mesmo poemas. autor: Renan Nuernberger. editora: Selo Sebastião Grifo.)
 
 
 
ANDAR DE BICICLETA
 
 
Não pelo exercício
físico somente mas
pela vontade sem
registros do vento
contra os cabelos,
 
pela tentativa de
manter-se em equilíbrio
sobre os eixos (difícil
excesso de cabos
e ligas metálicas:
 
cirurgicamente soldados
sofisticamente esculpidos).
 
Se fosse o caso
(impossível), este exímio
animal (só carcaça)
mecânico em arroubos
de relinche e correias
desacatando as marchas
romperia
com as rodas,
 
                             sem rédeas
ou guidom, em lampejo de
vida fantástica, de sua rústica
engenharia derrubaria-me
: um coice
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