UM VERSO & A ESPERA

Azul

(Na rotina, na retina: luza a luz azul!)
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a vida é uma longa espera.
 
espera-se por tudo.
 
espera-se um amor, espera-se um melhor emprego, espera-se a viagem programada há tempos, espera-se um bebê, espera-se passar no concurso, espera-se terminar a dissertação, espera-se o ônibus passar no ponto, espera-se o amigo chegar ao bar.
 
junto à espera, indissociáveis, as expectativas.
 
eu, como todos, espero.
 
espero desde um telefonema — de amigos, do meu amor, da minha mãe — até um poema.
 
eu, como todos, espero. nem que seja um problema: um tema que eu não toco (uma música — cantilena — que eu não toco, que eu não executo), um tema que eu não toco (um assunto sobre o qual prefiro não falar), não porque tema, não porque tenha medo do tema (do assunto), não porque eu tema o tema, e sim porque o tema (o assunto, o problema) não entra em nenhum esquema, o tema-problema não encaixa em nenhum resumo, o tema-problema não encaixa em nenhuma estratégia minha de vida.
 
espero, dentro da noite, algo que faça com que eu gema.
 
espero. e tudo é espera nesta noite amena.
 
tudo é espera. menos teu nome (que chega rapidamente, sem demora, ao meu pensamento & pelo telefone). tudo é espera. menos meu telefone (que chega a mim através do toque & que me traz a tua voz & o teu nome à boca). tudo é espera. menos este verso (que sigo arquitetando nesta noite amena), ou será o verso já um poema?…
 
tudo é espera. menos este verso:
 
quero fazer um verso com todos os elementos: um único verso, verso-síntese, um único verso com todos os meus encantos (com aquilo que prezo em mim), com todos os meus lamentos (com aquilo que des-prezo em mim), quero fazer um verso que atravesse ares & mares, que atravesse um mundo, e te alcance (nome que, rapidamente, sem demora, chega à minha boca), e te arranque de todos os pensamentos que possas ter (nome que, rapidamente, sem demora, chega à minha boca).
 
no meu verso (com todos os elementos), minuto a minuto, quis um dia todo azul no teu dia.
 
(que, no teu dia, azul luza!)
 
meu querer (querido no verso) — quero crer! — azulou teu dia a dia, meu querer — quero crer! — azulou teu dia após dia, tudo o que podia (tua rotina, tua retina), meu querer (querido no verso) — quero crer! — azulou o máximo que pôde teu dia a dia (tua rotina, tua retina).
 
na rotina, na retina: luza a luz azul!
 
beijo todos!
paulo sabino.
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(do livro: Dois em um. autora: Alice Ruiz S. editora: Iluminuras.)
 
 
 
espero
desde um telefonema
até um poema
 
espero
nem que seja
um problema
esse tema
que eu não toco
não porque tema
e sim
porque não entra
em nenhum esquema
 
espero
dentro da noite
algo que faça
com que eu gema
 
espero
e tudo é espera
nessa noite amena
 
menos teu nome
menos meu telefone
menos este verso
ou será um poema?
 
 
 
quero fazer um verso
com todos os elementos
meus encantos
meus lamentos
que atravesse
ares e mares
e te alcance
e te arranque
de todos os pensamentos
 
 
 
minuto a minuto
quis
um dia
todo azul
no teu dia
 
meu querer
quero crer
azulou
teu dia a dia
tudo
que podia
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2 Respostas

  1. Muito interessante a leitura.Parabéns.

    • Obrigado, Benedito, pelas palavras!

      Venha sempre que quiser, a casa é nossa!

      Abraço grande!

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