AS ONDINAS

Ondinas (Heine)_Adriano Sousa Lopes

[Tela do artista português Adriano Sousa Lopes: “Ondinas (Heine)”]
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dia 02 de fevereiro: dia de festa no mar: dia da rainha do manto azul líqüido: dia da sua deusa: dia de iemanjá.

muitas lendas cercam a vida das sereias que habitam as profundezas marinhas.

segundo estudos, o título do poema que segue mostra o conhecimento, por parte do autor, de uma lenda nórdico-germânica: a lenda das “ondinas”, sirenas que habitavam o rio reno (rio que corta a alemanha & deságua nos chamados “países baixos”) cujo canto mágico distraía os marinheiros no manejo da embarcação em trecho considerado perigoso (correspondente ao encontro do rio reno com o rio mosela, na alemanha), causando, assim, uma série de acidentes letais.

o mito da figura feminina habitante das águas, representante das forças da natureza & dotada de um poder sedutor que, ao mesmo tempo, atrai & afasta o elemento humano (afinal, tais seres fantásticos são responsáveis pela morte daqueles que se encantam com seu canto) encontra-se em diversas culturas espalhadas pelo mundo.

isso certamente se deve ao fascínio & à curiosidade que o mar & sua imensidão abissal despertam em nós.

eu, que sou um filho do mar, um amante da imensidão azul, ouço o seu canto porém não atendo ao seu chamado. cuidado & respeito para com as águas marinhas (nada de abusos!) não me faltam.

salve a sereia do mar!
salve dona iemanjá! 

beijo todos!
paulo sabino.
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(do livro: A poesia completa. autor: Machado de Assis. organização: Rutzkaya Queiroz dos Reis. editoras: Edusp / Nankin Editorial.)

 

 

AS ONDINAS
(Noturno de H. Heine)

 

Beijam as ondas a deserta praia;
Cai do luar a luz serena e pura;
Cavaleiro na areia reclinado
Sonha em hora de amor e de ventura.

As ondinas, em nívea gaze envoltas,
Deixam do vasto mar o seio enorme;
Tímidas vão,  acercam-se do moço,
Olham-se e entre si murmuram: “Dorme!”

Uma — mulher enfim — curiosa palpa
De seu penacho a pluma flutuante;
Outra procura decifrar o mote
Que traz escrito o escudo rutilante.

Esta, risonha, olhos de vivo fogo,
Tira-lhe a espada límpida e lustrosa,
E apoiando-se nela, a contemplá-la
Perde-se toda em êxtase amorosa.

Fita-lhe aquela namorados olhos,
E após girar-lhe em torno embriagada,
Diz: “Que formoso estás, ó flor da guerra,
Quanto te eu dera por te ser amada!”

Uma, tomando a mão ao cavaleiro,
Um beijo imprime-lhe; outra, duvidosa,
Audaz por fim, a boca adormecida
Casa um beijo à boca desejosa.

Faz-se sonso o jovem; caladinho
Finge do sono o plácido desmaio,
E deixa-se beijar pelas ondinas
Da branca lua ao doce e brando raio.

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