OCUPAÇÃO POÉTICA — TEATRO CÂNDIDO MENDES (2ª EDIÇÃO): OS VÍDEOS II

Paulo Sabino_Ocupação Poética 2ª Edição 09 Set 2015

(Paulo Sabino)

Luis Turiba_Ocupação Poética_9 Set 2015

(Luis Turiba)

Cristiano Menezes_Ocupação Poética_9 Set 2015

(Cristiano Menezes)
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Aos senhores, 6 vídeos da 2ª edição do projeto “Ocupação Poética”, ocorrido nos dias 9 (quarta-feira) & 10 (quinta-feira) de setembro, no teatro Cândido Mendes (Ipanema – RJ), com a participação de 4 feras da poesia contemporânea: Luis Turiba, Cristiano Menezes, Mauro Sta Cecília & Claufe Rodrigues!

Nos vídeos que seguem, os participantes do primeiro dia do projeto, 09/09, os poetas Luis Turiba & Cristiano Menezes. Ambos recitam poemas da própria autoria.

Eu recito, no meu primeiro vídeo, um poema da minha autoria, e no meu segundo recito um poema que amo, do poeta paulista Fabrício Corsaletti, e faço um convite a todos: para o sarau do Largo das Neves, em Santa Teresa (Rio de Janeiro), que comando com a participação efetiva de grandes amigos, e que, de fato, como anuncia o vídeo, ocorrerá nesta quinta-feira (24/09), a concentração no largo a partir das 19h & as leituras a partir das 20h30. Teremos a honra das participações, nesse sarau, das feras que integram esta publicação! Oba!

Na próxima postagem, vídeos com os poetas do segundo dia do projeto, Mauro Sta Cecília & Claufe Rodrigues.

Divirtam-se com estes!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [2ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 09/09/2015. Paulo Sabino recita A certeza de uma incerteza, poema de sua autoria.)

 

A CERTEZA DE UMA INCERTEZA  (Paulo Sabino)

Hoje, que a noite pulsa tranqüila
Dentro do meu quarto,
Busco a pacacidade de coisa nenhuma, inerte, inanimada,
Por sentimentos de cores apagadas.
Este sol que mina em mim,
Propagando-se por todo o resto,
Faz-me sentir a necessidade inútil
Ao mundo, à humanidade —
Sou incapaz de evitar catástrofes
Nem, ao menos, de dar por elas.
Compreendo, mais do que nunca,
Que a vida é e sempre será
Uma parte do desconhecido,
Assentada em tudo que resta e rasteja.
A certeza de uma incerteza
Insolúvel, o ponto com nó.
Portanto, almejar a viagem
De poder debruçar à janela,
Condutor-passageiro fervoroso,
Do caminho a ser vislumbrado.
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [2ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 09/09/2015. Paulo Sabino recita Seu nome, poema de Fabrício Corsaletti.)

 

SEU NOME  (Fabrício Corsaletti)

se eu tivesse um bar ele teria o seu nome
se eu tivesse um barco ele teria o seu nome
se eu comprasse uma égua daria a ela o seu nome
minha cadela imaginária tem o seu nome
se eu enlouquecer passarei as tardes repetindo o seu nome
se eu morrer velhinho no suspiro final balbuciarei o seu
…………………………………………………………………..[nome
se eu for assassinado com a boca cheia de sangue gritarei o
…………………………………………………………………… [seu nome
se encontrarem meu corpo boiando no mar no meu bolso
…………………………………..[haverá um bilhete com o seu nome
se eu me suicidar ao puxar o gatilho pensarei no seu nome
a primeira garota que beijei tinha o seu nome
na sétima série eu tinha duas amigas com o seu nome
antes de você tive três namoradas com o seu nome
na rua há mulheres que parecem ter o seu nome
na locadora que frequento tem uma moça com o seu nome
às vezes as nuvens quase formam o seu nome
olhando as estrelas é sempre possível desenhar o seu nome
o último verso do famoso poema de Éluard poderia muito
……………………………………………….[bem ser o seu nome
Apollinaire escreveu poemas a Lou porque na loucura da
…………………….[guerra não conseguia lembrar o seu nome
não entendo por que Chico Buarque não compôs uma
………………………………………….[música para o seu nome
se eu fosse um travesti usaria o seu nome
se um dia eu mudar de sexo adotarei o seu nome
minha mãe me contou que se eu tivesse nascido menina
……………………………………………[teria o seu nome
se eu tiver uma filha ela terá o seu nome
minha senha do e-mail já foi o seu nome
minha senha do banco é uma variação do seu nome
tenho pena dos seus filhos porque em geral dizem “mãe”
…………………………………………………[em vez do seu nome
tenho pena dos seus pais porque em geral dizem “filha” em
……………………………………………………..[vez do seu nome
tenho muita pena dos seus ex-maridos porque associam o
……………………………………..[termo ex-mulher ao seu nome
tenho inveja do oficial de registro que datilografou pela
………………………………………….[primeira vez o seu nome
quando fico bêbado falo muito o seu nome
quando estou sóbrio me controlo para não falar demais o
……………………………………………………………[seu nome
é difícil falar de você sem mencionar o seu nome
uma vez sonhei que tudo no mundo tinha o seu nome
coelho tinha o seu nome
xícara tinha o seu nome
teleférico tinha o seu nome
no índice onomástico da minha biografia haverá milhares
……………………………………..[de ocorrências do seu nome
na foto de Korda para onde olha o Che senão para o
……………………………………………..[infinito do seu nome?
algumas professoras da USP seriam menos amargas se
………………………………………………….[tivessem o seu nome
detesto trabalho porque me impede de me concentrar no
…………………………………………………………….[seu nome
cabala é uma palavra linda mas não chega aos pés do seu
…………………………………………………………………….[nome
no cabo da minha bengala gravarei o seu nome
não posso ser niilista enquanto existir o seu nome
não posso ser anarquista se isso implicar a degradação do
………………………………………………………………..seu nome
não posso ser comunista se tiver que compartilhar o seu
……………………………………………………………………[nome
não posso ser fascista se não quero impor aos outros o seu
…………………………………………………………………… [nome
não posso ser capitalista se não desejo nada além do seu
…………………………………………………………………… [nome
quando saí da casa dos meus pais fui atrás do seu nome
morei três anos num bairro que tinha o seu nome
espero nunca deixar de te amar para não esquecer o seu
…………………………………………………………………… [nome
espero que você nunca me deixe para eu não ser obrigado a
………………………………………………..[esquecer o seu nome
espero nunca te odiar para não ter que odiar o seu nome
espero que você nunca me odeie para eu não ficar arrasado
………………………………………………..ao ouvir o seu nome
a literatura não me interessa tanto quanto o seu nome
quando a poesia é boa é como o seu nome
quando a poesia é ruim tem algo do seu nome
estou cansado da vida mas isso não tem nada a ver com o
………………………………………………………………..seu nome
estou escrevendo o quinquagésimo oitavo verso sobre o seu
…………………………………………………………………….nome
talvez eu não seja um poeta à altura do seu nome
por via das dúvidas vou acabar o poema sem dizer
……………………………………………[explicitamente o seu nome
______________________________________________________

(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [2ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 09/09/2015. Luis Turiba recita Ábsono, poema de sua autoria.)

 

ÁBSONO  (Luis Turiba)

sambo espalhafatosamente
para dentro como quem não quer nada
sambo parado
no espaço do meu corpo
com minhas vísceras
meus testículos
meus intestinos
minhas moléculas
minhas cartilagens
minhas células em permanente renovação rumo à morte
meus glóbulos brancos vermelhos desbotados
meus neurônios
minha aura vital
minhas correntes sanguíneas
no trânsito intenso e interno das veias e vácuos
sambo com meus buracos
descalço, nu como nasci
meio preso meio solto
ábsono e absorto
quase com sono
sambo meio grogue
minha apoteose
é iogue
de mãos no bolso
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [2ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 09/09/2015. Luis Turiba recita Ou a gente…, poema de sua autoria.)

 

OU A GENTE…  (Luis Turiba)

Ou a gente se Raoni
Ou a gente se Sting

Uma metade passa fome
Outra metade faz regime

Minha vida é uma novela
Minha casa um tele-cine

No meu quarto tem uma cama
Que às vezes vira um ringue

Quem não sabe cala a boca
Quem não conhece só finge

Você só pensa em tarô
Mas meu caso é com I-Ching

O teu corpo é escultura
Minha alma sua vitrine

Uns preferem a linha reta
Outros vão pelo suingue

No amor somos sinceros
Na morte somos esfinges

Ainda me mando pros ares
Vou montado no estilingue

A vida não dá replay
Aproveite e não se vingue

Ou a gente se Raoni
Ou a gente se Sting
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [2ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 09/09/2015. Cristiano Menezes recita Palavras, poema de sua autoria.)

 

PALAVRAS  (Cristiano Menezes)

Que não nos faltem as palavras
palavras faladas
ou no papel
palavras ao léu
palavras
contato

Palavras sem tato
palavras claras
fanhas
loucas
ou roucas

Palavras aflitas
palavras medidas
palavras soltas
nas línguas ferinas
ou afogadas no batom
de bocas carnudas

Palavras confete,
desnudas
envoltas em serpentinas
palavras purpurina
na festa da carne

Palavras sapecas
atrevidas
cintilando
nas rimas do meu samba na avenida

Palavras signos
do código que nos decifra
alegorias dos enredos
marolas do rio
que me leva ao mar

São as palavras que me fazem amar
ou brigar

Palavras excitam
palavras hesitam
e me lançam
como flecha
nos corações desavisados

Palavras
que não nos faltem as palavras
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [2ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 09/09/2015. Cristiano Menezes relata um ocorrido entre ele & o poeta amazonense Thiago de Mello. Depois, recita Trilha, poema de sua autoria.)

 

TRILHA  (Cristiano Menezes)

O que será que há
depois daquela curva

O que será
ao fim deste caminho
que se oferece
e me instiga
a seguir
passo a passo
hesitante
atento ao estalo
de cada galho
em que piso
neste caminho
que se estende
entre verdes
e esperanças

O que será
ali à frente
quando vira
parece que desce
não sei pra onde
e mais adiante
segue morro acima

O que será que há
depois daquela ladeira

Onde vai dar este caminho
que agora vejo
não tem volta
este caminho
que não conheço
mas a cada passo
enfim percebo
é meu este caminho.

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