OCUPAÇÃO POÉTICA — TEATRO CÂNDIDO MENDES (3ª EDIÇÃO) — VÍDEOS: PAULO SABINO & BRUCE GOMLEVSKY

Ocupação Poética_3ª edição 20

(Paulo Sabino)

Ocupação Poética_3ª edição 19

(Bruce Gomlevsky)
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Aos interessados, 5 vídeos da 3ª edição do projeto “Ocupação Poética”, ocorrido no dia 24 de fevereiro (quarta-feira), no teatro Cândido Mendes (Ipanema – RJ), com a participação de um elenco estelar: Geraldo Carneiro, Bruce Gomlevsky, Tonico Pereira, Vitor Thiré, Maria Padilha, Camilla Amado, Luiza Maldonado, Luana Vieira, Danilo Caymmi & Alice Caymmi.

Em todos os vídeos desta publicação, poemas do grande homenageado da noite, o requintado poeta & querido amigo Geraldo Carneiro: nos 2 primeiros vídeos, este que vos escreve recita “A voz do mar” & “Juízo final”. Ao fim do segundo vídeo, anuncio o próximo convidado: o diretor artístico da noite (juntamente com o Geraldo Carneiro), o ator & diretor Bruce Gomlevsky, que, nos próximos 3 vídeos, recita “Ilíada”, “Como fazer florescer a flor?” & “O elogio das índias ocidentais”.

Mais vídeos chegarão!

Divirtam-se!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Paulo Sabino recita A voz do mar, poema de Geraldo Carneiro.)

 

A VOZ DO MAR  (Geraldo Carneiro)

 

na nave língua em que me navego

só me navego eu nave sendo língua

ou me navego em língua, nave e ave.

eu sol me esplendo sendo sonhador

eu esplendor espelho especiaria

eu navegante, o antinavegador

de Moçambiques, Goas, Calecutes,

eu que dobrei o Cabo da Esperança

desinventei o Cabo das Tormentas,

eu que inventei o vento e a Taprobana,

a ilha que só existe na ilusão,

a que não há, talvez Ceilão, sei lá,

só sei que fui e nunca mais voltei

me derramei e me mudei em mar;

só sei que me morri de tanto amar

na aventura das velas caravelas

em todas as saudades de aquém-mar
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Paulo Sabino recita Juízo final, poema de Geraldo Carneiro.)

 

JUÍZO FINAL  (Geraldo Carneiro)

 

amou três ou quatro sereias, sempre

marinheiro de primeiro naufrágio;

jurou em falso, disse meias verdades;

perambulou em busca do sublime,

sem nunca descobrir o Santo Graal;

andou atrás de um deus que fosse cômodo;

como esse deus não se desencantasse,

cantou a lua e outras deusas inconstantes;

refratário às ciências, desconfia

que o Sol gira ao redor da Terra

e o homem é um animal fadado à extravagância;

às vezes sofre acessos de grandeza,

supõe-se demiurgo e pandemônio,

mas o mundo sempre se rebela

contra suas mal fundadas esperanças

e o reduz à sua insigne insignificância.
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Bruce Gomlevsky recita Ilíada, poema de Geraldo Carneiro.)

 

ILÍADA  (Geraldo Carneiro)

 

nunca andei diante dos muros

…………………………………………de Troia

a não ser como parte do pensamento

de Zeus, que jamais dorme.

amei no entanto uma mulher que foi

morar do outro lado do Oceano

por quem chorei uns dois mediterrâneos

embora fosse um choro sem lágrimas.

 

não conheço a alegria do regresso.

meu coração perdeu todas as guerras.

meus navios partiram para nunca.

mas confio que os deuses são benignos

e os meus adeuses formam a cidade

em que ancorei meu barco:

e fico aqui na minha ilha-Ílion

enquanto eles desfilam em triunfo.
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Bruce Gomlevsky recita Como fazer florescer a flor?, poema de Geraldo Carneiro.)

 

COMO FAZER FLORESCER A FLOR?  (Geraldo Carneiro)

 

casar ou não casar, esta é a questão,

é assim aqui ou no Cazaquistão,

que eu chamaria de Casarquistão,

ou, se você quiser, Quiserquistão;

o que está fora de questão é amar-te,

mesmo que fosse em Vênus ou em Marte;

mas, se eu pudesse escolher, acredite,

escolheria o reino de Afrodite,

não sei se por qualquer superstição

vinda, sei lá, de algum Seilaquistão,

ou por amor de outras mitolorgias,

dos orixás da Grécia ou da Bahia;

não que lá em Marte fosse amar-te menos:

mas eu preferiria amar-te em Vênus

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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Bruce Gomlevsky recita O elogio das índias ocidentais, poema de Geraldo Carneiro.)

 

O ELOGIO DAS ÍNDIAS OCIDENTAIS  (Geraldo Carneiro)

 

ó cunhãs, ó indiazinhas em flor

quisera ser o vosso Pero Vaz

cronista das vergonhas saradinhas

naufragar nestas Índias do Ocidente

cheio de fantasias orientais

ser vosso fauno sem après-midi

cevado (ai de mim) a aipim e cauim

até me converter num querubim

e, numa patuscada bem pagã,

(Cubanacan ao fundo no atabaque),

oferecer o corpo em holocausto

para sentir, com a graça de Tupã,

os vossos dentes me mascando a carne

nhaque     nhaque     nhaque

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