LEITURA DRAMATIZADA — “BOCA DE OURO” (NELSON RODRIGUES)

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(Thiago Lacerda)

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(Paulo Sabino)

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(Gustavo Ottoni)

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(Juliana Martins)

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(Vanessa Gerbelli Ceroni)
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Um convite a todos, e podem divulgar/compartilhar: fui convidado pelo grupo de teatro “Queridos do Guilherme” para participar da leitura dramatizada da peça “Boca de Ouro”, do genial Nelson Rodrigues. Nesta leitura, dirigida pela talentosa atriz & diretora Rose Abdallah, farei um velho preto, que, por uma razão que vocês descobrirão assistindo à peça, o Boca de Ouro, personagem malandro barra pesada, possui algum respeito.

O “Boca de Ouro” será interpretado pelo ator Thiago Lacerda (foto). Também participam como convidados o ator Gustavo Ottoni (foto), no papel do repórter Caveirinha, e as atrizes Juliana Martins (foto), como dona Guigui, e Vanessa Gerbelli Ceroni (foto), no papel da grã-fina Maria Luísa.

A leitura será no dia 31 de outubro (segunda-feira), às 20h, no Gabinete de Leitura Guilherme Araújo (rua Redentor 157, Ipanema, esquina com a rua Garcia D’Avila).

DE GRAÇA.

Como aperitivo, deixo, nesta publicação, um trecho, extraído da biografia do Nelson Rodrigues escrita por Ruy Castro, que é um texto do grande intelectual Hélio Pellegrino sobre o personagem “Boca de Ouro”.

Minha estréia no teatro!

Venham todos à leitura dramatizada!
Paulo Sabino.
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(do livro: O anjo pornográfico — A vida de Nelson Rodrigues. autor: Ruy Castro. editora: Companhia das Letras.)

 

 

No seu hábitat natural, “Boca de Ouro” ganhou outra dimensão, que levaria Hélio Pellegrino a escrever uma ode sobre o personagem em “O Jornal”:

“Boca de Ouro, nascido de mãe pândega, parido num reservado de gafieira, tendo perdido o paraíso uterino para defrontar-se com uma realidade hostil e inóspita, sentiu-se condenado à condição de excremento”, escreveu Hélio. “Seu primeiro berço foi a pia da gafieira, onde a mãe, aberta a torneira, o abandonou num batismo cruel e pagão. Essa é a situação simbólica pela qual o autor, com um vigor de mestre, expressa o exílio e a angústia humana do nascimento, o traumatismo que nos causa, a todos, o fato de sermos expulsos do Éden e rojados ao mundo, para a aventura do medo, do risco e da morte. Boca de Ouro, frente a essa angústia existencial básica, escolheu o caminho da violência e do ressentimento para superá-la. Ele, excremento da mãe, desprezando-se na sua enorme inermidade de rejeitado, incapaz de curar-se dessa ferida inaugural, pretendeu a transmutação das fezes em ouro, isto é, da sua própria humilhação e fraqueza em força e potência.

“Essa alquimia sublimatória ele a quis realizar através da violência, da embriaguez do poder destrutivo pela qual chegaria à condição de deus pagão, cego no seu furor, belo e inviolável na pujança da sua fúria desencadeada. Ao útero materno mau, que o expulsou e o lançou na abjeção, preferiu ele, na sua fantasia onipotente, o caixão de ouro, o novo útero eterno e incorruptível onde, sem morrer, repousaria.”

Nelson leu isso com os olhos turvos pelas lágrimas. Apontou para Hélio Pellegrino e exclamou:

“É o nosso Dante!”

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