MUSEU NACIONAL DE BELAS ARTES — 80 ANOS
10 de janeiro de 2017

mnba

(Na foto, o prédio do Museu Nacional de Belas Artes, localizado no Centro da cidade do Rio de Janeiro.)

paulo-sabino_terno-e-gravata_____________________________________________________

Que barato, que honra!

O poeta, curador & intelectual CARLOS DIMURO, integrante da cúpula da instituição, por sugestão do poeta & amigo SALGADO MARANHÃO, me convidou para ser o mestre de cerimônia do evento em comemoração aos 80 ANOS do MUSEU NACIONAL DE BELAS ARTES(!), na sexta próxima (13/01).

Na comemoração, o ministro da Cultura, o atual prefeito da cidade do Rio de Janeiro, empresários, classe artística, os responsáveis pela administração do museu, entre outros, todos ouvindo o Paulo Sabino falar; imensas alegria & satisfação.

Bom começar o ano com esse convite, trabalhando, e abrindo frentes a partir desse acontecimento.

Por conta, um poema de minha autoria, leve, simples, desejando o que desejo para este 2017 que inicia.

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(autor: Paulo Sabino.)

 

 

NA TRILHA DO MEU MOMENTO

 

que este dia lindo
seja um dia bem vindo
(cheio de
acontecimentos
vazios de
aborrecimentos)
na trilha do
meu momento

REINAUGURAÇÃO — VÍDEO
29 de dezembro de 2015

Arpoador manhã & barco

Arpoador Pedras & 2 irmãos Gávea

(Das pedras do Arpoador, a inauguração de mais um dia.)
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“Meu prezado Paulo Sabino,

Gostei de conhecer sua postura de poeta que ama as palavras que emite e nos regala com elas.

O abraço afetuoso da

Nélida Piñon”.

(Nélida Piñon — escritora & membro da Academia Brasileira de Letras — ABL)

 

“Querido Paulo,

Que beleza o poema ‘Reinauguração’ na tua voz!

Confesso que nunca tinha prestado atenção neste poema do Drummond. Você o desentranhou, como diria o Bandeira, dos poemas reunidos e ele brilhou, novo em folha, na tua interpretação.

Tomara que no ano novo você faça muitas descobertas semelhantes e reinaugure muitos versos no céu da poesia brasileira.

Grande abraço, Geraldo”.

(Geraldo Carneiro — poeta, crítico literário & dramaturgo) 

 

 

 

Feliz Ano Novo!
Feliz Ano Todo!

Beijo renovado!
Paulo Sabino.
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(do site: Youtube. Paulo Sabino recita “Reinauguração”, poema de Carlos Drummond de Andrade. Em 26/12/2015.)

 

REINAUGURAÇÃO  (Carlos Drummond de Andrade)

Entre o gasto dezembro e o florido janeiro,
entre a desmitificação e a expectativa,
tornamos a acreditar, a ser bons meninos,
e como bons meninos reclamamos
a graça dos presentes coloridos.
Nossa idade — velho ou moço — pouco importa.
Importa é nos sentirmos vivos
e alvoroçados mais uma vez, e revestidos de beleza, a
exata beleza que vem dos gestos espontâneos
e do profundo instinto de subsistir
enquanto as coisas em redor se derretem e somem
como nuvens errantes no universo estável.
Prosseguimos. Reinauguramos. Abrimos olhos gulosos
a um sol diferente que nos acorda para os
descobrimentos.
Esta é a magia do tempo.
Esta é a colheita particular
que se exprime no cálido abraço e no beijo comungante,
no acreditar na vida e na doação de vivê-la
em perpétua procura e perpétua criação.
E já não somos apenas finitos e sós.
Somos uma fraternidade, um território, um país
que começa outra vez no canto do galo de 1º de janeiro
e desenvolve na luz o seu frágil projeto de felicidade.

AGRADECIMENTOS: 10ª EDIÇÃO DO SARAU DO LARGO DAS NEVES
24 de dezembro de 2015

Paulo Sabino_Sarau Lgo das Neves_Dezembro 2015 1

Largo das Neves_Igreja

Largo das Neves_Música Sarau Dez 2015
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“Parabéns pelo conjunto de incansáveis e qualificadas atividades em prol da poesia!”

(Antonio Carlos Secchin — poeta, tradutor, crítico literário & membro da Academia Brasileira de Letras — ABL)

 

 

 

Queridos,

Como descrever as minhas vivências, como definir o encerramento, neste 2015, do sarau do Largo das Neves, que coordeno & organizo com uma turma linda de amigos, no bairro de Santa Teresa (Rio de Janeiro), como agradecer devidamente toda a beleza da noite do evento, ocorrido em 22 de dezembro?…

Começo pela belíssima luz do fim do dia? ou pela dindinha lua, soberana no céu? ou pela quantidade de pessoas comemorando & celebrando a vida com poesia?

Eu realmente não sei… O que sei é que depois de ouvir tanta coisa linda sobre a importância do sarau na vida de algumas várias pessoas, a certeza de que devemos continuar aportou no meu coração, no meu sentimento, de maneira contundente.

Praça lotada, muita gente dizendo poesias lindas lindamente, a generosidade dos mestres do “tambor de crioula” (sim, também teve tambor de crioula!) que pediram a continuidade do sarau por mais tempo, a felicidade estampada nos sorrisos que recebi de cada participante da grande farra literária, o fechamento com o super grupo musical — formado por amigos — que tomou conta do largo fazendo da praça um grande salão de dança ao fim de tudo.

Eu, hoje, sou amor da cabeça aos pés.

Bem-vindos sempre, pessoas queridas, amigos pruma vida inteira, muitíssimo obrigado por fazerem da minha vida algo maior, por ter vocês & a poesia tão presentes.

Presente maior da vida!

Janeiro do ano que chega tem mais!

2015 contente para a poesia!

(Este ano, o “Prosa Em Poema” já alcançou a marca das mais de 103 mil — 103.000 — visualizações!)

O Sarau do Largo das Neves voltará em 2016 com a corda toda, é só aguardar!

No embalo desta alegria que me habita, aproveito para desejar, a todos que festejam, belas noites de festejos.

A minha mensagem aos senhores: mesmo o mundo sendo um grande bocejo, um grande tédio, de tanto que o homem já pesquisou & já apreendeu sobre as coisas mundanas, permitam chegar até vocês a impressentida essência do bem-estar & procurem uma alegria na flor do cotidiano, na beleza & no perfume do dia-a-dia: no vôo de um pássaro & de uma canção: Poesia!

Poesia: a arte, ao meu ver, mais capacitada a nos fazer voar, viajar!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(do livro: Receita de Ano Novo. autor: Carlos Drummond de Andrade. editora: Record.)

 

 

MENSAGEM

 

Todas as coisas foram pesquisadas,
Conferidas, catalogadas em séries.
Não resta mais nenhum prodígio
No seio da Terra, no seio do ar.
O mundo é um bocejo.
Entretanto (como explicar?)
Chega de manso, infiltra-se em nossas paredes
De casa, de carne,
Impressentida essência
(Melodia, memória)
E nos subjuga: Natal.

 

 

PROCURO UMA ALEGRIA

 

Procuro uma alegria
na mala vazia
do fim do ano
e eis que tenho na mão
— flor do cotidiano —
o voo de um pássaro
e de uma canção.

REINAUGURAÇÃO
26 de dezembro de 2014

Fogos de artifício sobre o mar______________________________________________________

entre o gasto dezembro, o dezembro desgastado, o dezembro usado, o dezembro que encerra o fim de um ciclo de doze meses, e o florido janeiro, o janeiro em flor, o janeiro repleto de desejos, o janeiro que inaugura o início de um ciclo de doze meses, entre a desmitificação (trazida pelo ano que finda, já gasto) & a expectativa (trazida pelo ano que começa, florido), tornamos a acreditar num futuro melhor, voltamos a ser bons meninos, e, como bons meninos, reclamamos a graça dos presentes coloridos, reivindicamos a dádiva dos presentes desejados.

nossa idade — velho ou moço — pouco importa.

importa é nos sentirmos vivos & alvoroçados mais uma vez, uma vez que ânimo & boa disposição são mais que necessários se se deseja enfrentar a cara feia do mundo cruel, importa é nos sentirmos revestidos de beleza, a exata beleza que vem dos gestos espontâneos, a beleza irretocável que vem dos gestos lhanos, dos gestos sinceros, dos gestos puros, dos gestos verdadeiros, e revestidos do profundo instinto de subsistir, de perdurar, de continuar a existir, enquanto as coisas em redor se derretem & somem como nuvens errantes no universo estável, enquanto as coisas em redor findam & somem — como as coisas têm de findar & sumir.

prosseguimos. reinauguramos. abrimos olhos gulosos a um sol diferente — prenhe de desejos luminosos — que nos acorda para os descobrimentos (“o futuro a deus pertence”, diz o dito popular).

esta é a magia do tempo, esta é a colheita particular, a colheita de cada um, a magia & a colheita que se exprimem no cálido abraço & no beijo comungante da virada do ano, a magia & a colheita que se exprimem no acreditar na vida & na doação de vivê-la em perpétua procura & perpétua criação: prosseguir, reinaugurando-se, reinventando-se, reavaliando-se, com olhos gulosos a um sol diferente, que nos acorda para os descobrimentos, para as conquistas, para as realizações.

assim, desse modo, já não somos apenas finitos & sós: somos uma fraternidade, somos um território, somos um país (tamanha força creditamos em nós & no outro), que começa outra vez no canto do galo de 1º de janeiro & desenvolve na luz o seu frágil, o seu delicado, o seu sensível, projeto de felicidade.

flui a vida como água, pois, como água, a vida se renova, a vida passa & não volta: assim como água, é sempre outra a vida a passar.

se a vida me foge, se de mim a vida parece afastar-se, afago-a em cada esperança nova: prosseguir, reinaugurando-se, reinventando-se, reavaliando-se, com olhos gulosos a um sol diferente, que nos acorda para os descobrimentos, para as conquistas, para as realizações.

sigamos bem. sigamos juntos.

um feliz 2015!

beijo todos!
paulo sabino.
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(do livro: Receita de Ano Novo. autor: Carlos Drummond de Andrade. editora: Record.)

 

 

FLUI A VIDA COMO ÁGUA

 

Flui a vida como água,
como água se renova.
Se a vida me foge, afago-a
em cada esperança nova.

 

 

REINAUGURAÇÃO

 

Entre o gasto dezembro e o florido janeiro,
entre a desmitificação e a expectativa,
tornamos a acreditar, a ser bons meninos,
e como bons meninos reclamamos
a graça dos presentes coloridos.
Nossa idade — velho ou moço — pouco importa.
Importa é nos sentirmos vivos
e alvoroçados mais uma vez, e revestidos de beleza, a
exata beleza que vem dos gestos espontâneos
e do profundo instinto de subsistir
enquanto as coisas em redor se derretem e somem
como nuvens errantes no universo estável.
Prosseguimos. Reinauguramos. Abrimos olhos gulosos
a um sol diferente que nos acorda para os
descobrimentos.
Esta é a magia do tempo.
Esta é a colheita particular
que se exprime no cálido abraço e no beijo comungante,
no acreditar na vida e na doação de vivê-la
em perpétua procura e perpétua criação.
E já não somos apenas finitos e sós.
Somos uma fraternidade, um território, um país
que começa outra vez no canto do galo de 1º de janeiro
e desenvolve na luz o seu frágil projeto de felicidade.

POEMA DE NATAL
24 de dezembro de 2013

Luzes de Natal

 

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eis outra vez o fim.

mais um ano que finda.

tudo termina & os meses só se mostram no final, no choro do menino ou da menina (pois somente depois de passados 9, os meses revelam o seu rosto, os meses revelam a sua forma: se 9 meses moldados em choro de menino ou se 9 meses moldados em choro de menina), e na roda de samba do natal, depois de passados 12.

ao final de 12 meses, o rosto, a forma, de 1 ano cumprido. o fim de um, início de outro.

portanto, tudo termina ou tudo recomeça? quem desvenda as imagens das horas, quem desvenda o que a vida nos desenhará de acontecimentos, no papel em branco? quem é capaz de nos traçar, no papel, os passos exatos que engendraremos ao longo dos 12 meses que moldam o rosto, a forma, de 1 ano?

como nada nem ninguém é capaz de nos traçar, no papel, os passos exatos que engendraremos ao longo dos 12 meses que moldam o rosto, a forma, de 1 ano, mais vale acompanhar a moenda do tempo (moenda: conjunto de peças, num engenho, que serve para moer ou espremer certos produtos, como a cana-de-açúcar, por exemplo), mais vale beber o caldo que a moenda do tempo nos oferece cotidianamente, dia após dia, mais vale decifrar o mel, descobrir o doce, existente no caldo que a moenda do tempo nos entorna cotidianamente, dia após dia, mais vale graduar, mais vale dosar, o álcool (aquilo que entorpece, aquilo que entontece, aquilo que embebeda) do líquido que nos entorna a moenda do tempo, que o tempo tem o seu jogo (de acasos & surpresas) & desabafa seu canto de mistério (com as tantas peças & artimanhas que nos prega) & canto pastoril (pois, com o seu canto de mistério, o tempo nos guia & nos leva, como o pastor que conduz o seu rebanho caminhos afora).

ao fim de mais 1 ano que finda, melhor será juntar os nossos cansaços, vestir o nosso lar de caracol, isto é, fazer do nosso lar a nossa concha, concha onde possamos estar bem, possamos estar protegidos, confortáveis, e acompanhar os íntimos compassos, compassos que vão dentro de nós, do que é, em nós, silêncio (quietude paz reflexão) & amor (dos sentimentos o mais nobre).

assim, até o azul — cor do meu delírio — que vem de dentro deste poema que vos ofereço como presente natalino, azul que vem de dentro da rima em “-ul” (formada pelo poema), será o vosso mundo, que já não tem centro (e que nem precisa de um centro. que, no vosso mundo, sejam muitos os focos & interesses), será o azul que vem de dentro deste poema o vosso caminho, já sem norte & sul (e que nem precisa de uma direção. que, no vosso mundo, sejam muitas as setas & os descaminhos).

aceitai o azul deste poema que vos ofereço & o desejo de 12 meses de realizações felizes, para que se revele, ao cabo desses 12 meses, o rosto bonito & sereno de 1 ano bem vivido.

beijo todos!
paulo sabino.
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(do livro: Melhores poemas. seleção: Luiz Busatto. autor: Gilberto Mendonça Teles. editora: Global.)

 

 

POEMA DE NATAL

A Joaquim Inojosa

 

Eis outra vez o fim. Tudo termina
e os meses só se mostram no final,
no choro do menino ou da menina
e na roda de samba do Natal.

Termina ou recomeça? Quem desvenda
as imagens das horas no papel?
Mais vale acompanhar sua moenda,
beber seu caldo, decifrar seu mel

e graduar seu álcool na garrafa
ou nas tábuas de cedro do barril,
que o tempo tem seu jogo e desabafa
seu canto de mistério e pastoril.

Melhor será juntar nossos cansaços,
vestir o nosso lar de caracol
e acompanhar os íntimos compassos
do que é silêncio e amor, sob o lençol.

Assim, até o azul que vem de dentro
deste poema e desta rima em -ul
será teu mundo, que já não tem centro,
e teu caminho, já sem norte e sul.