FOTOS E O EVENTO — LANÇAMENTO “DO QUARTO” (SANDRA NISKIER FLANZER) + RECITAL DE POESIA (PAULO SABINO)
3 de agosto de 2017

(Paulo Sabino e Sandra Niskier Flanzer)

 

(Casa lotada)

(Nélida Piñon)

(Antonio Carlos Secchin e Antonio Cicero)

(Marcelo Pies)

(A dedicatória pra mim)
____________________________________________________________________

“Paulo, querido:

Sua presença, sua companhia, e mais especialmente sua voz, estão comigo neste lançamento.

Te encontrar foi um presente!

Que a gente lance, se lance, nesse lance, livre e livro, como a vida quer de nós.

Um beijo enorme e muito, muito obrigada!”

(Sandra Niskier Flanzer — 30/06/17)

 

 

A noite de segunda-feira, 31/07, com o lançamento do novo livro de poemas da psicanalista e poeta Sandra Niskier Flanzer, “Do quarto” (ed. 7Letras), na Casa do Saber, foi linda!

A poeta me convidou para fazer um recital de poesia que foi o meu primeiro vôo solo, a primeira vez que me apresentei sem dividir o palco, coisa que AMO fazer. Eu, chato que sou (acredito ser assim pra muita gente), acho que poderia fazer melhor, que não dei conta do recado de uma maneira satisfatória (pra mim). Mas, apesar dessa impressão (minha), recebi palavras muito carinhosas, muito generosas, de quem assistiu e veio falar comigo ao final. A Sandra também me contou que recebeu palavras muy elogiosas sobre o sarau que pensamos juntos e o meu desempenho com as palavras.

Para além disso, soube de uma história bacanérrima: de uma pessoa que não conheço e que estava no recital e que trabalha com um grande amigo meu e que por conta de uma foto do recital no celular do meu grande amigo comentou com ele que esteve nesse recital na segunda-feira (31/07) e que foi “sensacional” (palavra do meu amigo) e um tanto mais de palavras calorosas. Saldo pra lá de positivo. Por isso, por esse retorno do público, estou muito feliz com esta primeira apresentação sozinho.

A Sandra lotou o espaço merecidamente, porque o seu livro, “Do quarto”, é de uma beleza rara na poesia, muito sofisticado, e porque mesclamos as leituras com poemas de grandes autores (Adélia Prado, Drummond, João Cabral, Gullar, Pessoa, Antonio Cicero, Antonio Carlos Secchin, Armando Freitas Filho), desenvolvendo um papo poético bem bacana entre os versos. Por tanto, por tudo, aqui para agradecer demais demais demais o convite da Sandra, a oportunidade deste momento e a confiança depositada na minha voz. Agradecer demais demais demais a presença dos amigos, e, especialmente, dos mestres — também amigos — que lá estiveram: os membros da Academia Brasileira de Letras (ABL) Nélida Piñon, Antonio Carlos Secchin e Antônio Torres, o poeta, letrista e filósofo Antonio Cicero, o membro da Academia Carioca de Letras (ACL) Adriano Espínola e o figurinista de cinema, teatro e publicidade Marcelo Pies. A vontade pede mais momentos como o vivenciado na segunda 31/07.

Valeu demais!
Salve a Poesia!
Salve a sua existência na minha!

De presente, uma poesia incendiária da Sandra, que chama pela chama, pelo calor, pela luz, que a poesia alastra a quem desejar a sua chama, o seu calor, a sua luz.

Beijo todos!
Paulo Sabino.
____________________________________________________________________

(do livro: Do quarto. autora: Sandra Niskier Flanzer. editora: 7Letras.)

 

 

CHAMA POESIA

 

Tu estejas aí
Enquanto estiver aqui
Não arredarei pé
Atravessarei feriado
Os ócios do ofício
E o fim da semana
A produzir labaredas
Lavas que atiçam chamas
Centelhas a chamar fogueiras
Estarei no entre flamas,
Laboredas combustíveis
Incinerando o edredom
Queimando a cama parada
Em meio ao fogo cruzado
Assim, tu estejas aí,
Minha cara litera-dura
Segura-me com tua brasa
Aquece-me em minha casa
Pois te apago e a pago
Incendiária e sem diária.

LANÇAMENTO “DO QUARTO” (SANDRA NISKIER FLANZER) + RECITAL DE POESIA (PAULO SABINO)
25 de julho de 2017

(Na foto, o convite para o lançamento)
_____________________________________________________

Na próxima segunda-feira, dia 31 de julho, a partir das 19h, na Casa do Saber (shopping Leblon — av. Afrânio de Melo Franco, 290, loja 101, 1º piso), a poeta e psicanalista Sandra Niskier Flanzer lança o seu mais novo livro de poesia, “Do quarto”, pela editora 7Letras.

Recebi, da autora, o convite, que muito me honra e alegra, para fazer um recital, onde lerei poemas do livro entrelaçados a poemas de outros poetas que inspiraram a criação de algumas peças poéticas ou que conversam com as leituras da noite. Então, além dos novos poemas da Sandra Niskier Flanzer, teremos a leitura de Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Antonio Cicero, Armando Freitas Filho, Fernando Pessoa, entre outros.

O lançamento começa às 19h e o recital, às 20h. Todos mais que convidados.

De brinde, deixo, aqui, um dos poemas “Do quarto” da Sandra, um poema lindo, que fiz questão de selecionar para a leitura, que nos incita a aproveitar a vida, a gastá-la, a usá-la, a deixá-la escorrer, a roê-la, a raspá-la, a fincar as unhas no umbigo do mundo, a fim de que o tempo que nos cabe valha a pena, valha a dor, valha a lágrima, valha a risada, valha a alegria, valha o bem-estar; a fim de que o tempo que nos cabe, em sua inutilidade (pois a vida, em si, não possui sentido, a não ser o sentido que damos a ela de acordo com os nossos objetivos e desejos), seja satisfatório, a ponto de gostarmos da vida, a ponto de gostarmos das nossas experiências vidafora, almadentro.

(A vida gosta de quem gosta da vida, não nos esqueçamos nunca desta lição.)

Venham! Eu e a Sandra esperamos vocês!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
_____________________________________________________

(do livro: Do quarto. autora: Sandra Niskier Flanzer. editora: 7Letras.)

 

 

IN UTILIZAR

 

Gastar, gastar, usar a vida
Deixar que escorra, provar da bica
Gastar, roer, raspar do fundo
Fincar as unhas no umbigo do mundo.
Cravar as mãos, roçar, pegar,
Ir ao encontro de, ralar, ralar
Usar agora, desgastar, se engastar
No tempo breve que passa justo.
Perder, perder, ceder ao outro
O resto pífio desse plano torto
De achar que vivo é o que se encaixa
Quando é a morte que se guarda em caixa.
Porvir, puir, e por ir, desperdiçar
Do impossível, cruzar a faixa
Fuçar o real que no acaso sobrar
E torná-lo inútil a ponto de gostar.

OCUPAÇÃO POÉTICA — TEATRO CÂNDIDO MENDES (9ª EDIÇÃO) — ABEL SILVA E CONVIDADOS — O EVENTO & FOTOS
19 de maio de 2017

(Antes do início da apresentação, enquanto o público que não lotou, mas abarrotou a casa, se acomodava — Foto: Elena Moccagatta)

(O coordenador do projeto, Paulo Sabino — Foto: Chico Lobo)

(Foto: Rafael Roesler Millon)

(Foto: Elena Moccagatta)

(Foto: Elena Moccagatta)

(Foto: Elena Moccagatta)

(Paulo Sabino e Antonio Cicero — Foto: Elena Moccagatta)

(Antonio Cicero — Foto: Elena Moccagatta)

(Foto: Elena Moccagatta)

(Antonio Cicero e Tessy Callado — Foto: Elena Moccagatta)

(Foto: Elena Moccagatta)

(Tessy Callado — Foto: Elena Moccagatta)

(Foto: Elena Moccagatta)

(Christovam de Chevalier — Foto: Elena Moccagatta)

(Foto: Elena Moccagatta)

(Elisa Lucinda — Foto: Elena Moccagatta)

(Foto: Elena Moccagatta)

(André Trindade Silva — Foto: Elena Moccagatta)

(Foto: Elena Moccagatta)

(O grande homenageado da noite, o poeta e letrista Abel Silva — Foto: Elena Moccagatta)

(Foto: Elena Moccagatta)

(Abel Silva e Zé Carlos — Foto: Elena Moccagatta)

(Foto: Elena Moccagatta)

(Um dos grandes parceiros do homenageado, Geraldo Azevedo — Foto: Elena Moccagatta)

(Foto: Elena Moccagatta)

(Os participantes + o homenageado + o poeta-compositor Ronaldo Bastos, um dos ilustres da platéia — da esquerda para a direita: Paulo Sabino, Christovam de Chevalier, André Trindade Silva, Abel Silva, Elisa Lucinda, Zé Carlos, Antonio Cicero, Tessy Callado, Ronaldo Bastos e Geraldo Azevedo — Foto: Rafael Millon)

(Da esquerda para a direita: Paulo Sabino, Christovam de Chevalier, André Trindade Silva, Abel Silva, Elisa Lucinda, Zé Carlos e Antonio Cicero — Foto: Elena Moccagatta)

(Da esquerda para a direita: Abel Silva, Elisa Lucinda, Zé Carlos, Antonio Cicero, Tessy Callado, Ronaldo Bastos e Geraldo Azevedo — Foto: Elena Moccagatta)

(Após o evento: Geraldo Azevedo e Elisa Lucinda — Foto: Elena Moccagatta)

(Elisa Lucinda, Tessy Callado, Paulo Sabino e Christovam de Chevalier — Foto: Rafael Millon)

(Geraldo Azevedo e Paulo Sabino — Foto: Elena Moccagatta)

(Paulo Sabino, Geraldo Azevedo e Abel Silva — Foto: Elena Moccagatta)

(Paulo Sabino, Geraldo Azevedo, Abel Silva e Elisa Lucinda — Foto: Elena Moccagatta)

(Matéria de página inteira na revista “Zona Sul” do jornal “O Globo”)

(Destaque na página do “Rio Show”, caderno cultural do jornal “O Globo”)

(Destaque na coluna “Gente Boa”, caderno cultural do jornal “O Globo”)
_____________________________________________________

Caramba, caramba, caramba! Até agora meio zonzo, meio astronauta, depois da noite de 15 de maio, segunda-feira, na 9ª edição do projeto Ocupação Poética, no teatro Cândido Mendes de Ipanema, em homenagem ao poeta e letrista da música popular brasileira Abel Silva.

A casa não estava lotada; estava abarrotada de gente. Público quente, participativo, generoso, interessado e muito querido. Tanta coisa, tanta coisa, que nem sei… Agora, aqui no peito, só agradecimento e contentamento. A única coisa que desejo é produzir a próxima Ocupação Poética o mais rápido possível! Quero mais! Preciso de mais! Valeu por tudo!

Agradecer demais a todos que tornam possível este acontecimento que me é tão feliz: aos administradores do espaço, Fernanda Oliveira e Adil Tiscatti; ao meu super assessor de imprensa, que consegue nos colocar nos melhores espaços da mídia (jornais, rádios, sites), Rafael Millon; à fotógrafa do projeto, a querida Elena Moccagatta; ao artista plástico Chico Lobo, por fazer sempre as camisetas que utilizo nos meus projetos; ao técnico de som e luz, Pedro Paulo Thimoteo; a toda equipe do teatro; aos queridos e super participantes: Christovam de Chevalier, André Trindade Silva, Elisa Lucinda, Zé Carlos, Antonio Cicero, Tessy Callado e Geraldo Azevedo; ao grande homenageado da noite, o poeta, letrista e querido amigo Abel Silva. Ao público, que lotou a casa para nos prestigiar e prestigiar a poesia.

A vocês, de presente, um poema que, por problema de esquecimento do livro, não pôde ser lido na noite por mim.
_____________________________________________________

não é à base de instrumentos e ferramentas que demandem força, dor, susto, brutalidade, que armo a minha mão à feitura do poema. à feitura do poema, armo a minha mão a toque singelo, toque suave, delicado — um sopro de maresia, um susto de lucidez e luz no silêncio. pois é justamente o toque delicado, suave, singelo — um sopro de maresia, um susto de lucidez e luz no silêncio — que faz cantar na travessia, que é a nossa passagem pelo mundo, aquilo que é mudo, aquilo que não fala, que não diz, aquilo que apenas cala: o mundo, a realidade que nos cerca: a planta, o bicho, a água, a pedra, nenhum elemento natural nos diz, nos responde, nada sobre a existência, nada sobre o estar no mundo. ainda assim, cantamos — em verso e prosa — a existência, cantamos o mundo em poesia, crônica, conto, romance. eis a magia da palavra.

beijo todos!
paulo sabino.
_____________________________________________________

(do livro: poemAteu. autor: Abel Silva. editora: 7Letras.)

 

 

NASCIMENTO DO POEMA

 

Não é a esmeril
serrote ou formão
que armo a minha mão
à espera da poesia

nem a fórceps como nasci
placento de pavor
pra luz daquele dia

mas a toque singelo
sopro de maresia
susto no silêncio

que faz a ponte pênsil
do mudo em seu flagelo
cantar na travessia

OCUPAÇÃO POÉTICA — TEATRO CÂNDIDO MENDES (9ª EDIÇÃO) — ABEL SILVA E CONVIDADOS
9 de maio de 2017

(O convite para a próxima edição do projeto)

(O homenageado desta edição — Abel Silva)

(Antonio Cicero)

(Geraldo Azevedo)

(Tessy Callado)

(Paulo Sabino e Christovam de Chevalier)

(Elisa Lucinda e Paulo Sabino)

(André Trindade Silva)
______________________________________________________

“Conheço há bastante tempo o blog do Paulo Sabino e acompanho o entusiasmo, a competência e o conhecimento que ele tem das atividades literárias e musicais. Estou feliz em participar de um encontro com leitores e colegas poetas e compositores, num evento de respeito e amor pela literatura e pela música popular brasileira. Espero que haja surpresas com a presença de parceiros e amigos e dos desconhecidos que passarão a ser conhecidos.”

(Abel Silva)

 

 

Dia 15 de maio (segunda-feira), a partir das 20h, acontece a 9ª edição do projeto OCUPAÇÃO POÉTICA no teatro Cândido Mendes de Ipanema, que tem o prazer de receber como homenageado o grande poeta e letrista da música popular brasileira ABEL SILVA!

O Abel Silva, pra quem não sabe, é o letrista responsável por clássicos do nosso cancioneiro como “Festa do Interior” (música do Moraes Moreira e grande sucesso na voz da Gal Costa), “Simples Carinho” (música do João Donato e grande sucesso na voz da Ângela Ro Ro), “Quando o amor acontece” (música do João Bosco e sucesso na voz do próprio João), “Jura Secreta” (música da Sueli Costa e um super hit na voz da Simone), entre outros.

Na noite, leitura dos seus poemas além de algumas canções deste requintado poeta-compositor que serão apresentadas ao violão. Guardamos uma surpresinha pro público!

Para esta 9ª edição, a alegria de receber este timaço na homenagem ao Abel Silva:

– o filósofo, poeta e letrista ANTONIO CICERO (foto);
– o cantor e compositor GERALDO AZEVEDO (foto);
– a atriz, escritora e jornalista TESSY CALLADO (foto);
– o poeta e jornalista CHRISTOVAM DE CHEVALIER (foto);
– a poeta, atriz, cantora e dramaturga ELISA LUCINDA (foto);
– o violonista ANDRÉ TRINDADE SILVA (foto);
– o poeta e coordenador do projeto, PAULO SABINO (foto);
– e, é claro, o grande homenageado da noite, ABEL SILVA (foto).

Aguardamos vocês para esta festa de poesia e música!

SERVIÇO:
Ocupação Poética (9ª edição)
Coordenação: Paulo Sabino
Participantes: Abel Silva e convidados especiais
Teatro Cândido Mendes
Rua Joana Angélica, 63 – Ipanema
Tel: (21) 2523-3663
Data: 15/05 SEGUNDA-FEIRA
Horário: 20h
Entrada: R$ 20,00 (inteira) R$ 10,00 (meia)***
Vendas antecipadas na bilheteria
Classificação livre
Link do evento no Facebook: http://www.facebook.com/events/1824165584571094/
*** Deixe o seu nome nos “comentários” desta publicação e pague meia entrada (R$ 10,00)

______________________________________________________

(do livro: O gosto dos dias. autor: Abel Silva. editora: 7Letras.)

 

 

 

O GOSTO DOS DIAS

 

O tempo confere
o gosto dos dias
o tempo apura
o açúcar e o sal,
e remedia
o que não tem remédio
e lambe ou cura
a ferida a cal.

O tempo não tira
de mim um pedaço
mas soma e acresce
o que cabe a mim,
o tempo abastece
o que sou e o que faço
e vem sempre comigo
que me levo a pé.

O rumo, presumo,
segue indecifrado
às vezes labirinto
outras, avenida,
atento às pedras
e aos pedágios da vida,
a pouca bagagem
seu peso não sinto,
e o fim do caminho
não sei quando é.

OCUPAÇÃO POÉTICA — TEATRO CÂNDIDO MENDES (7ª EDIÇÃO) — HOMENAGEM A JORGE SALOMÃO — 70 ANOS DE POESIA PURA
23 de setembro de 2016

(Mais um participante confirmado para esta edição do projeto: é o filósofo, poeta & letrista Antonio Cicero.)

 

jorge-salomao_foto-elena-moccagatta

(O homenageado da noite, o poeta, letrista & agitador cultural Jorge Salomão — Foto: Elena Moccagatta)

roberto-frejat

(Roberto Frejat)

antonio-cicero

(Antonio Cicero)

christovam-de-chevalier_foto-elena-moccagatta

(Christovam de Chevalier — Foto: Elena Moccagatta)

patricia-mellodi

(Patrícia Mellodi)

ocupacao-poetica-16

(Sheila da Silveira)

paulo-sabino_jorge-salomao

(Paulo Sabino & Jorge Salomão)

ocupacao-poetica_jorge-salomao_caderno-zona-sul_o-globo

(Matéria do suplemento Zona Sul, do jornal O Globo, sobre a 7ª edição do projeto Ocupação Poética)
______________________________________________________

Anotem na agenda, espalhem a notícia, compartilhem esta publicação!

Dia 26 DE SETEMBRO (segunda-feira), às 20H: a 7ª edição do projeto OCUPAÇÃO POÉTICA, coordenado por PAULO SABINO, no teatro CÂNDIDO MENDES (Ipanema – Rio de Janeiro), em comemoração aos 70 ANOS DE VIDA do GRANDE poeta, letrista & agitador cultural JORGE SALOMÃO.

Na noite, prestaremos uma homenagem ao JORGE SALOMÃO lendo vários dos seus BELOS poemas da sua CONSAGRADA carreira.

Além da participação do poeta homenageado & da participação deste que vos escreve, o Paulo Sabino, o evento contará também com as participações para lá de especiais:

— do cantor & compositor ROBERTO FREJAT;
— do filósofo, poeta & letrista ANTONIO CICERO;
— do poeta & jornalista CHRISTOVAM DE CHEVALIER;
— da cantora & compositora PATRÍCIA MELLODI;
— da poeta SHEILA DA SILVEIRA.

 

26 DE SETEMBRO (segunda-feira), às 20H, no teatro CÂNDIDO MENDES (Ipanema – Rio de Janeiro): a 7ª edição do projeto OCUPAÇÃO POÉTICA.

Coordenação do projeto: PAULO SABINO.

Esperamos todos!

 

SERVIÇO

Ocupação Poética – Teatro Cândido Mendes

Coordenação: PAULO SABINO

Segunda-feira (26/09)

Participantes: PAULO SABINO, JORGE SALOMÃO, ROBERTO FREJAT, ANTONIO CICERO, CHRISTOVAM DE CHEVALIER, PATRÍCIA MELLODI, SHEILA DA SILVEIRA

Horário: 20h
Entrada: R$ 40,00 (inteira) / R$ 20,00 (meia)
Vendas antecipadas na bilheteria do teatro
End.: Joana Angélica, 63 – Ipanema, Rio de Janeiro. Tel.: (21) 2523-3663.

 

LISTA AMIGA (MEIA-ENTRADA):

Queridos & Queridas,

A lista amiga deste evento, a 7ª edição do projeto Ocupação Poética no teatro Cândido Mendes, em homenagem ao poeta, letrista & agitador cultural Jorge Salomão, dia 26/09 (segunda-feira), garante apenas o preço da meia-entrada (R$ 20,00), não garante o ingresso na bilheteria (em caso de lotação).

A lista amiga serve àqueles que:

1) não possuem CARTEIRA DE ESTUDANTE;
2) não possuem CARTEIRA DE PROFESSOR;
3) não possuem CARTEIRA DO CINE SANTA TERESA;
4) não possuem ACIMA DE 65 ANOS.

Se você se enquadra em algum dos quesitos acima (possui, ou carteira de estudante, ou a de professor, ou a do Cine Santa Teresa, ou possui acima de 65 anos), você NÃO PRECISA do nome na lista amiga.

Os que queiram pagar meia-entrada (R$ 20,00) & não possuem as carteiras citadas acima nem mais de 65 anos, por favor, deixem os nomes nos comentários desta publicação.

Até lá! Até já!
______________________________________________________

(autor dos versos: Jorge Salomão.)

 

 

PSEUDO-BLUES

 

Dentro de cada um
Tem mais mistérios do que pensa o outro
Uma louca paixão avassala a alma o mais que pode
O certo é incerto, o incerto é uma estrada reta
De vez em quando acerto
Depois tropeço no meio da linha

Tem essa mágica
O dia nasce todo dia
Resta uma dúvida
O sol só vem de vez em quando
O certo é incerto, o incerto é uma estrada reta
De vez em quando acerto
Depois tropeço no meio da linha
______________________________________________________

(do site: Youtube. áudio extraído do álbum: Virgem. artista & intérprete: Marina Lima. canção: Pseudo-Blues. música: Nico Rezende. poema: Jorge Salomão. gravadora: Universal Music.)

OCUPAÇÃO POÉTICA — TEATRO CÂNDIDO MENDES (2ª EDIÇÃO): OS VÍDEOS III
29 de setembro de 2015

Paulo Sabino_10 de Setembro 2015

(Paulo Sabino)

Claufe Rodrigues_10 Setembro 2015

(Claufe Rodrigues)

Mauro Sta Cecília_10 Setembro 2015

(Mauro Sta Cecília)
______________________________________________________

Aos interessados, mais 6 vídeos da 2ª edição do projeto “Ocupação Poética”, ocorrido nos dias 9 (quarta-feira) & 10 (quinta-feira) de setembro, no teatro Cândido Mendes (Ipanema – RJ), com a participação de 4 feras da poesia contemporânea: Luis Turiba, Cristiano Menezes, Mauro Sta Cecília & Claufe Rodrigues!

Nos vídeos que seguem, os participantes do segundo dia do projeto, 10/09, os poetas Claufe Rodrigues & Mauro Sta Cecília. Ambos recitam poemas da própria autoria.

Eu recito, no meu primeiro vídeo, um poema de um dos meus grandes conselheiros na poesia, o imprescindível Armando Freitas Filho, e no meu segundo vídeo recito um poema que descobri ter virado canção há pouco tempo, poema do querido amigo (participante da 1ª edição deste projeto) Antonio Cicero.

Mais vídeos chegarão!

Divirtam-se!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
______________________________________________________

(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [2ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 10/09/2015. Paulo Sabino recita A mão que escreve, poema de Armando Freitas Filho.)

 

(Armando Freitas Filho)

A mão que escreve
na mesa burocrática
não pode sonhar e
escrava, se arrasta
no deserto, ao rés do chão
através de resmas e lesmas
a léguas de qualquer relva
e só serve minutas
adendos e remendos
tudo em formato ofício
em papel-timbrado
enquanto o poema, ao longe
tenta, em cada entrelinha
levantar voo, a cabeça
como uma águia
feito uma onda.
______________________________________________________

(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [2ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 10/09/2015. Paulo Sabino recita Consegui, poema de Antonio Cicero.)

 

CONSEGUI  (Antonio Cicero)

eis o que consegui:
tudo estava partido e então
juntei tudo em ti

toda minha fortuna
quase nada tudo muitas coisas
numa

só:
eu quis correr esse risco antes de virar
pó:

juntar tudo em ti:
toda joia todo pen drive todo cisco
tudo o que ganhei tudo o que perdi

meu corpo minha cabeça meu livro meu disco
meu pânico meu tônico
meu endereço
eletrônico

meu número meu nome meu endereço
físico
meu túmulo meu berço

aquela aurora este crepúsculo
o mar o sol a noite a ilha
o meu opúsculo

meu futuro meu passado meu presente
meio aqui
e meio ausente

meu continente meu conteúdo
e além de todo o mundo
também tudo o que é imundo tudo

o medo e a esperança
algo que fica
algo que dança

o que sei o que ignoro
o que rio
e o que choro

toda paixão
todo meu ver
todo meu não

tudo estava perdido e aí
juntei tudo
em ti ______________________________________________________

(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [2ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 10/09/2015. Claufe Rodrigues recita Como reconhecer um poeta, poema de sua autoria.)

 

COMO RECONHECER UM POETA  (Claufe Rodrigues)

Nem todo sujeito estabanado é poeta

mas com certeza todo poeta é um ser estabanado.

Se senta sempre do lado errado

tropeça na peça mais cara da mobília

se bobear beija a mãe, a vó e a filha

está sempre em guerra com a braguilha

bebe cachaça  na taça de vinho

corteja a mulher do vizinho

sonha com um ninho de gatas

louras, ruivas e mulatas

mas acorda sempre sozinho.

O poeta só não é um desastre

…………quando escreve, quando fala,

……………………quando escala os altos cumes

……………………………….da língua.

Ali ele é o perito, o eleito,

o cara perfeito que toda sogra quer ter na família.

Até o rabisco é risco calculado

compasso de música, exato

como o símbolo do infinito.

Nas altas esferas, o poeta doma todas as feras,

domina a intensidade de cada grito.

Captura, em essência,

o que dizem as nuvens,

quando chovem no cio.
______________________________________________________

(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [2ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 10/09/2015. Claufe Rodrigues recita Todo poema, de sua autoria, que, depois de publicado em livro, foi rebatizado pelo poeta amazonense Thiago de Mello com o título Floresta.)

 

FLORESTA  (Claufe Rodrigues)

Todo poema grita

cada palavra é um pedido de socorro

na gruta infinita da boca

E há um adeus em qualquer sílaba

uma floresta

em festa

queimando dentro de nós.
______________________________________________________

(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [2ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 10/09/2015. Mauro Sta Cecília recita Ela, poema de sua autoria.)

 

ELA  (Mauro Sta Cecília)

A mulher loura, em pé no ponto
de ônibus, tira da bolsa o esmalte
vermelho e faz as unhas da mão
enquanto o ônibus não chega.

Ela não vai descansar.
A palavra descanso não faz
parte do dicionário de sua vida.
Ela pode algum dia atingir
quase o limite de suas forças.
Mas ela dorme, recupera as
forças e segue em frente.
E esquece a palavra cansaço.
Porque há muitos jovens que
já nasceram cansados e andam
cansados o dia inteiro. E porque
depois há toda a eternidade
que é um tempo que nem passa
pela sua cabeça.
______________________________________________________

(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [2ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 10/09/2015. Mauro Sta Cecília recita Por você, poema de sua autoria. Participação [guitarra]: Julio Santa Cecília.)

 

POR VOCÊ  (Mauro Sta Cecília)

por você, eu limparia os trilhos do metrô
eu iria a pé do Rio a Salvador
por você, eu roubaria uma velhinha
eu dançaria tango no teto da cozinha
por você, eu adoraria a disciplina japonesa
eu aprenderia a fazer cara de surpresa
por você, eu viajaria a prazo pro inferno
eu tomaria banho gelado no inverno
por você, eu hoje até deixaria de beber
eu enfrentaria um lutador de caratê
por você, eu ficaria rico em um mês
eu dormiria de meia pra virar burguês
por você, eu só sentiria essa febre
eu conseguiria até ficar alegre
por você, eu viveria em greve de fome
eu mudaria a grafia do meu nome
por você, eu pintaria o céu todo de vermelho
eu teria mais herdeiros que um coelho
por você, eu aceitaria a vida como ela é
eu desejaria todo dia a mesma mulher
______________________________________________________

(do site: Youtube. áudio extraído do álbum: Puro êxtase. artista & intérprete: Barão Vermelho. canção: Por você. música: Roberto Frejat / Maurício Barros. poema: Mauro Sta Cecília. gravadora: WEA.)

OCUPAÇÃO POÉTICA — TEATRO CÂNDIDO MENDES: VÍDEO (III)
25 de agosto de 2015

Adriano Espínola_Alex Varella_Paulo Sabino_Salgado Maranhão_Antonio Cicero_Antonio Carlos Secchin

(Os poetas participantes do projeto “Ocupação Poética”: Adriano Espínola, Alex Varella, Paulo Sabino, Salgado Maranhão, Antonio Cicero & Antonio Carlos Secchin.)

Paulo Henriques Britto_Paulo Sabino

(Na foto, os xarás: Paulo Henriques Britto & Paulo Sabino.)
______________________________________________________

(Um convite a todos: para a 6ª edição do Sarau do Largo das Neves, em Santa Teresa, Rio de Janeiro, em frente ao bar Alquimia, nesta quinta-feira, 27/08, concentração para uns drinques & um bom bate-papo a partir das 19h & as leituras dos poemas a partir das 20h30.)

Aos interessados, vídeo com algumas leituras realizadas durante o projeto “Ocupação Poética”, no teatro Cândido Mendes, em Ipanema (Rio de Janeiro), ocorrido nos dias 31/07, 01/08 & 02/08.

No vídeo abaixo, este que vos escreve recita dois poemas dos participantes da noite de domingo (02/08), Paulo Henriques Britto & Antonio Carlos Secchin, e, na seqüência, o poeta Paulo Henriques Britto recita os cinco sonetos que compõem a série — nada convencional, e genial, bem sacada — “Até segunda ordem”, de sua autoria.

Divirtam-se!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
______________________________________________________

(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 02/08/2015. Paulo Sabino recita Credo, poema de Paulo Henriques Britto, e O real é miragem consentida, poema de Antonio Carlos Secchin. Paulo Henriques Britto recita os cinco sonetos da série Até segunda ordem, de sua autoria.)

 

CREDO  (Paulo Henriques Britto)

 

Se cada coisa dada a perceber
impõe a crença em sua forma e peso
e cor, e impinge a supersticiosa
aceitação da causa de ela estar
ali e não noutro lugar qualquer,
e ainda mais – a cega convicção
de que esse estar ali é tão real
quanto o se estar aqui a perceber
e elaborar para consumo próprio
(e momentâneo) uma religião inteira
de cores, formas, pesos, causas – tudo
isso que é necessário crer – então
como exigir de nós, que a cada instante
cremos em tanta coisa, ainda mais fé?

 

(Antonio Carlos Secchin)

O real é miragem consentida,
engrenagem da voragem,
língua iludida da linguagem
contra o espaço que não peço.
O real é meu excesso.

 

ATÉ SEGUNDA ORGEM  (Paulo Henriques Britto)

 

(10 de outubro)

Até segunda ordem estão suspensas
todas as autorizações de férias,
viagens, tratamentos e licenças.
É hora de pensar em coisas sérias.

Deve chegar mais um carregamento
até o dia quinze, dezesseis
no máximo. Fui lá em Sacramento,
mas não deu pra encontrar o tal inglês –

será que alguém errou o codinome?
Confere aí com quem organizou
o negócio todo. Bem, amanhã

a gente se fala, que agora a fome
está apertando. (Ah, o padre adorou
o canivete suíço de Taiwan.)

 

(9 de novembro)

Tudo resolvido. O campo de pouso
até que é razoável. Mas o tal de
Carlão, hein, vou te contar. É nervoso,
não sei; parece que sofre de mal de

Parkinson, ou coisa que o valha. Mas isso
é o de menos. O pior é que o “Almirante”
desde terça tomou chá de sumiço.
Não sei que fim levou; é preocupante.

Chegou a encomenda de Lisboa.
O número é 318.
A senha: “O olho esquerdo de Camões

não vale uma epopéia”. (Essa é boa!)
Não agüento mais ter que jantar biscoito.
No mais, tudo bem. Aguardo instruções.

 

(21 de dezembro)

Sim, recebi a carta do João.
Só que o seu telefonema da sexta
já havia alterado a situação
completamente. É, o Bento é uma besta,

Mas você, também… Nessas horas é que se
vê que falta faz um profissional.
Você nunca vai ser como era o Alex.
Mas deixa isso pra lá. O principal

é que o negócio está de pé, ainda.
O que não pode é pôr tudo a perder
a essa altura do campeonato.

Não diga nada, nada, à dona Arminda.
Toma cuidado. Conto com você.
Aguarde o nosso próximo contato.

 

(12 de janeiro)

Por quê que ninguém me deu um aviso?
Pra que que serve essa porra de bip?
Assim não dá. Que falta de juízo,
de… de… sei lá! Eu lá em Arembipe

Dando duro, e vocês aí de pândega!
O deputado, é claro, virou bicho,
e não vai mais ajudar lá na alfândega.
Meses de esforço jogados no lixo!

E agora? E o alvará do “Três Irmãos”?
E os dez mil dólares do Mr. Walloughby?
Não vou nem falar com o doutor Felipe.

Vocês que agüentem o tranco. Eu lavo as mãos.
Se alguém me perguntar, eu tenho um álibi
perfeito: “Eu estava lá em Arembipe”.

 

(19 de janeiro)

Até esta chegar às suas mãos
eu já devo ter cruzado a fronteira.
Entregue por favor aos meus irmãos
os livros da segunda prateleira,

e àquela moça – a dos “quatorze dígitos” –
o embrulho que ficou com o teu amigo.
Eu lavei com cuidado o disco rígido.
Os disquetes back-up estão comigo.

Até mais. Heroísmo não é a minha.
A barra pesou. Desculpe o mau jeito.
Levei tudo que coube na viatura,

mas deixei um revólver na cozinha,
com uma bala. Destrua este soneto
imediatamente após a leitura.

OCUPAÇÃO POÉTICA — TEATRO CÂNDIDO MENDES: OS VÍDEOS II
18 de agosto de 2015

Paulo Sabino

(Paulo Sabino.)

Salgado Maranhão e Alexis Levitin

(Salgado Maranhão & Alexis Livitin.)

Adriano Espínola

(Adriano Espínola.)
______________________________________________________

Aos interessados, mais alguns vídeos de algumas leituras realizadas durante o projeto “Ocupação Poética”, no teatro Cândido Mendes, em Ipanema (Rio de Janeiro), ocorrido nos dias 31/07, 01/08 & 02/08.

Abaixo, este que vos escreve na companhia dos mestres Salgado Maranhão & Adriano Espínola, participantes do segundo dia do evento (01/08).

Divirtam-se!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
______________________________________________________

(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 01/08/2015. Paulo Sabino recita Um rio salgado, poema de Carlos Dimuro.)

 

UM RIO SALGADO  (Carlos Dimuro)

Para Salgado Maranhão

 

Apesar de navegar sereias,
não é doce
o rio que corta
o teu poema.

Sabem-se salgados
os escombros que se escondem
sob as escamas da tua escrita.
E o que em ti é peixe,
se debate em guelras e guerras
numa incansável
respiração boca a boca
com a palavra.

A salinidade ancestral
de tuas águas,
refinada pelos deuses,
tempera o profano:
o sagrado no salgado.

No rio que segue
o curso líquido dos mistérios
da linguagem,
um cardume de versos
anuncia o mar.
______________________________________________________

(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 01/08/2015. Salgado Maranhão recita Aboio, poema de sua autoria.)

 

ABOIO  (Salgado Maranhão)

 

Quem olha na minha cara
já sabe de onde eu vim
pela moldura do rosto
e a pele de amendoim
só não conhece os verões
que eu trago dentro de mim.

A vida desde pequeno
sempre cavei no meu chão
da raiz da planta ao fruto
fazendo calos na mão
eu aprendi matemática
descaroçando algodão.

Carcarás, aboios, lendas,
são minha história e destino
tudo que a vida me deu
é tudo que agora ensino
na quebrada do tambor
eu sou velho e sou menino.
______________________________________________________

(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 01/08/2015. Salgado Maranhão recita Amorágio II, poema de sua autoria.)

 

AMORÁGIO II  (Salgado Maranhão)

 

Fogo que desata os novelos da vontade. Ignora
o bem, desdenha da verdade. Ponte aérea do
………………………………………………..[Éden
à insanidade. Dança para um circo de anjos
embriagados onde, leão, é também o domador.
Que depois de alçar o trono do esplendor
………………………………………………..[entrega
a própria pele ao caçador.
______________________________________________________

(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 01/08/2015. Adriano Espínola recita Os poetas, poema do romeno Lucian Blaga, tradução de Luciano Maia.)

 

OS POETAS (Lucian Blaga / Tradução: Luciano Maia)

 

Não se espantem. Os poetas, todos os poetas são
um único, indiviso, ininterrupto povo.
Falando, são mudos. Pelas eras em que nascem
…………………………………….e morrem,
cantando, estão a serviço de uma fala perdida
…………………………………….há muito.

Profundamente, através de povos que surgem
…………………………………….e desaparecem,
pelo caminho do coração eles sempre vêm e passam.
Por som e palavra eles se separam e competem entre si.
São semelhantes pelo que não dizem.
Eles calam como o orvalho. Como o sêmen. Como
…………………………………….uma saudade.
Como as águas eles silenciam, caminhando sob
…………………………………….a seara,
e deplois sob o canto dos rouxinóis,
fonte se fazem na clareira, fonte sonora.
______________________________________________________

(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 01/08/2015. Adriano Espínola recita Praia, poema de sua autoria.)

 

PRAIA  (Adriano Espínola)

 

Se tu queres amar,
procura logo o mar.
Ali enlaça o corpo
salgado noutro corpo.

No azul esquecimento
das águas, vai sedento
beber a luz da carne,
o gozo a pino e a tarde.

Tenta imitar a teia
das ondas e marés.
Dança na branca areia.
Outro será quem és.

OCUPAÇÃO POÉTICA — TEATRO CÂNDIDO MENDES: OS VÍDEOS
11 de agosto de 2015

WP_20150802_21_19_20_Pro

(Os poetas participantes do projeto “Ocupação Poética”: Salgado Maranhão, Adriano Espínola, Antonio Carlos Secchin, Alex Varella, Antonio Cicero, Paulo Henriques Britto & Paulo Sabino.)
______________________________________________________

Aos interessados, alguns vídeos de algumas leituras realizadas durante o projeto “Ocupação Poética”, no teatro Cândido Mendes, em Ipanema (Rio de Janeiro), ocorrido nos dias 31/07, 01/08 & 02/08.

No dia em que foram feitos estes vídeos, no terceiro & último (domingo, 02/08), com a participação dos grandes Antonio Carlos Secchin & Paulo Henriques Britto, prestei uma homenagem ao maior poeta da língua portuguesa, o imensurável & incontornável português Fernando Pessoa. Recitei três poemas em sua homenagem & um poema de sua autoria sob o heterônimo de Bernardo Soares.

Além da homenagem a Pessoa, esta publicação traz o encerramento do projeto, com o mestre Antonio Carlos Secchin recitando um poema inédito de sua autoria, aprontado especialmente para o nosso recital. Poema de cem versos, todo em redondilha menor (versos de cinco sílabas).

Mais vídeos da nossa “Ocupação Poética” serão disponibilizados neste espaço. É só aguardar.

Divirtam-se!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
______________________________________________________

(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 02/08/2015. Paulo Sabino recita Dita, poema de Antonio Cicero.)

 

DITA  (Antonio Cicero)

Qualquer poema bom provém do amor
narcíseo. Sei bem do que estou falando
e os faço eu mesmo pondo à orelha a flor
da pele das palavras, mesmo quando

assino os heterônimos famosos:
Catulo, Caetano, Safo ou Fernando.
Falo por todos. Somos fabulosos
por sermos enquanto nos desejando.

Beijando o espelho d’água da linguagem,
jamais tivemos mesmo outra mensagem,
jamais adivinhando se a arte imita

a vida ou se a incita ou se é bobagem:
desejarmo-nos é a nossa desdita,
pedindo-nos demais que seja dita.
______________________________________________________

(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 02/08/2015. Paulo Sabino recita A Fernando Pessoa, poema de Antonio Carlos Secchin.)

 

A FERNANDO PESSOA  (Antonio Carlos Secchin)

Ser é corrigir o que se foi,
e pensar o passado na garganta do amanhã.
É crispar o sono dos infantes,
com seus braços de inventar as buscas
em caminhos doidos e distantes.
É caminhar entre o porto e a lenda
de um tempo arremessado contra o mar.
Domar o leme das nuvens, onde mora
o mito e a glória de um deus a naufragar.
______________________________________________________

(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 02/08/2015. Paulo Sabino recita Pessoana, poema de Paulo Henriques Britto.)

 

PESSOANA  (Paulo Henriques Britto)

Quando não sei o que sinto
sei que o que sinto é o que sou.
Só o que não meço não minto.

Mas tão logo identifico
o não-lugar onde estou
decido que ali não fico,

pois onde me delimito
já não sou mais o que sou
mas tão-somente me imito.

De ponto a ponto rabisco
o mapa de onde não vou,
ligando de risco em risco

meus equívocos favoritos,
até que tudo que sou
é um acúmulo de escritos,

penetrável labirinto
em cujo centro não estou
mas apenas me pressinto

mero signo, simples mito.
______________________________________________________

(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 02/08/2015. Paulo Sabino recita o fragmento 451, de Bernardo Soares, heterônimo de Fernando Pessoa.)

 

451.  (Bernardo Soares – heterônimo de Fernando Pessoa)

Viajar? Para viajar basta existir. Vou de dia para dia, como de estação para estação, no comboio do meu corpo, ou do meu destino, debruçado sobre as ruas e as praças, sobre os gestos e os rostos, sempre iguais e sempre diferentes, como, afinal, as paisagens são.

Se imagino, vejo. Que mais faço eu se viajo? Só a fraqueza extrema da imaginação justifica que se tenha que deslocar para sentir.

“Qualquer estrada, esta mesma estrada de Entepfuhl, te levará até ao fim do mundo.” Mas o fim do mundo, desde que o mundo se consumou dando-lhe a volta, é o mesmo Entepfuhl de onde se partiu. Na realidade, o fim do mundo, como o princípio, é o nosso conceito do mundo. É em nós que as paisagens têm paisagem. Por isso, se as imagino, as crio; se as crio, são; se são, vejo-as como às outras. Para quê viajar? Em Madrid, em Berlim, na Pérsia, na China, nos Pólos ambos, onde estaria eu senão em mim mesmo, e no tipo e género das minhas sensações?

A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos.
______________________________________________________

(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 02/08/2015. Antonio Carlos Secchin recita Translado, poema inédito de sua autoria.)

 

TRANSLADO (Antonio Carlos Secchin)

“o lado além do outro lado”

 

Tem um lado com

Tem um lado zen

Tem um lado zoom

Outro desfocado

Tem um lado chão

Outro lado alado

Tem um lado não

Tem um lado vim

Tem um lado voz

Tem um lado mim

Tem um lado algoz

Tem um lado sim

Tem um lado sou

Tem um lado quem?

Tem um lado zero

Tem um lado nem

Do lado de lá

Tem um lado além

Tem um lado lei

Toma então cuidado

Vem para apagar

O teu braseado

Tem um lado solto

Tem lado soldado

Esse lado aí

Te deixa confuso

Pronto pra arrochar

Feito um parafuso

O lado soldado

Me deixa lelé

Me imobilizando

Do pescoço ao pé

Frente à solda dura

Eu virei banido

Preso na armadura

Me senti fundido

Quero me sentir

Desencadeado

Com meu lado em

Tudo quanto é lado, a-

brindo um  contrabando na

Contramão da pista eu

Finjo que sou cego

Pra não dar na vista

Eu procuro enfim

Qualquer endereço

Que não me dê um  nó no

Meio do começo

Tem um lado aquém

Bem descontrolado

Tem um lado assim

Tem um lado assado

Um fermenta ali

Outro deste lado

Tem um lado sem

Mesmo acompanhado

Tem um lado tem

Com mais nada ao lado

No meu lado 1

Não fico à vontade

Ele só me dá o

Dobro da metade

Entre o não e o sim

Não quero o talvez, me-

lhor me embaralhar

Junto com esses três

Tem o lado 3

Lado bem  bacana

Desde que caibamos

Quatro numa  cama

Tem o lado light

Esse me seduz

Pois além de leve

Me cobre de luz

Lá no lado dark

Nada é tão festivo

Mas até no inferno

Eu me sinto vivo

Tem um lado mas

Que chega atrasado

Avisando a mim

Que tudo somado

Só resta a raiz

De um metro quadrado

Todo o resto é lero

Para o boi dormir

Múltiplo de zero

Pra me dividir

Entre o lado bom

E meu  lado B

Entre o aqui e o lá

Fico lá e aqui

Sem saber dizer

Onde vou chegar

Nem tentar saber

Que lado seguir

E neste translado

Eu só quero quem

Queira vir comigo a-

lém do verso 100.

OCUPAÇÃO POÉTICA – TEATRO CÂNDIDO MENDES: O EVENTO
4 de agosto de 2015

Poetas Ocupação Poética Cândido Mendes

(Os participantes do projeto “Ocupação Poética”: em pé: Salgado Maranhão, Adriano Espínola, Antonio Carlos Secchin, Alex Varella & Antonio Cicero; abaixados: Paulo Henriques Britto & Paulo Sabino.)

Ocupação Poética_Plateia 2

Ocupação Poética_Plateia

(Casa cheia — platéia do teatro Cândido Mendes.)

Adriana Calcanhotto e Paulo Sabino

(Na platéia, uma das minhas musas, a cantora & compositora Adriana Calcanhotto.)

Ocupação Poética_Geraldo Carneiro & Paulo Sabino

(Paulo Sabino & um dos grandes mestres da poesia, que estava na platéia, Geraldo Carneiro, rosados.)
______________________________________________________

Na primeira foto, o TIMAÇO de poetas escalado para o projeto “OCUPAÇÃO POÉTICA – TEATRO CÂNDIDO MENDES” (Ipanema – RJ), acontecido nos dias 31/07, 01/08 & 02/08.

Só CRAQUES! Bateram um bolão!

O projeto foi tão bonito, tão emocionado, tudo deu tão certo, que surgiu a idéia (e o mais bacana: a idéia partiu dos próprios poetas participantes!) de fazermos, neste mesmo formato, um fim de semana em SÃO PAULO!

Estou SUPER animado & vou batalhar para que este desejo (de todos nós!) se torne realidade!

Eu sou PURA GRATIDÃO! Só tenho a agradecer a TODOS OS MESTRES que confiaram em mim, de peito aberto, para a coordenação dos saraus, todos EXUBERANTES!

Vamos que vamos, porque, no que depender de mim, levaremos POESIA aos quatro cantos do mundo!

“A poesia sopra onde quer”, versejou Murilo Mendes. E eu concordo plenamente.

(Em breve, videozinhos com algumas leituras.)

Aos senhores, uma das poesias da seleção do poeta Alex Varella, poesia que fez bastante sucesso na sua leitura. E muito divertida, bem-humorada, leve, como foi todo o evento.

Beijo todos!
Paulo Sabino.

______________________________________________________

(autor: Décio Escobar.)

 

 

VICENTE

 

 

Dei à minha morte o nome de Vicente.
Anotei Vicente num cartão
e guardei Vicente no bolso do paletó.
Para cima e para baixo eu ando com Vicente;
Vicente é um silogismo, uma consumição, mas
não chega a ser a dor.
Encontro Vicente quando vou pegar o ônibus,
o lotação, a entrada para o teatro; Vicente
transita de um bolso para outro,
misturou-se com os meus papéis,
o meu passaporte, a minha identidade, o telefone
da Margarida… o diabo.
Vicente anda amarfalhado, apalpado, usado;
dobro e desdobro Vicente.
Um dia
eu perco Vicente
na rua, na praia, no escritório,
e vai e alguém acha Vicente — e pronto, e eu
fico ETERNO.