O QUE DIZEM OS POETAS SOBRE O BLOG “PROSA EM POEMA”
10 de fevereiro de 2011

prezados,

abaixo,

depoimentos, de alguns dos poetas que mais admiro, poetas a quem, merecidamente, rendo as minhas loas, sobre o blog “prosa em poema”.

as palavras a seguir me enchem de satisfação e ânimo. sim, porque não é fácil a manutenção deste espaço. é muito prazeroso (afinal, poesia é das coisas mais importantes na minha existência), porém não é fácil.

escolher os poemas, pensar os textos de apresentação, tudo isso requer um tempo que, às vezes, é difícil de conciliar com as tarefas do quotidiano.

todavia, como a poesia é das mais importantes coisas na minha existência, este que vos escreve vai cavando tempo para dedicar-se a ela (não só à leitura como à preparação deste espaço).

portanto, quero compartilhar com os senhores palavras que me fazem não desistir, que me fazem crer que a poesia é importante e precisa de espaço, espaço para alçar vôos, espaço para acolhimento, espaço para divulgação.

linhas de poetas publicados ou citados neste espaço, de poetas a quem devo o meu respeito & a minha admiração GRANDES.

pelo apoio ao trabalho que venho desempenhando, o meu muitíssimo obrigado!

paulo sabino & o “prosa em poema” agradecem a todos vocês, poetas da minha vida, pessoas que transformam olhares & me ajudam trilhafora.

sempre digo que a poesia é, para mim, um barco de salvação em meio a tantas turbulências mundanas.

poesia: aufúgio seguro, embarcação uterina, logradouro aprumado.

continuemos juntos nesta grande aventura que é o universo poético!

beijo bom nos senhores!
um, mais que especial, em todos os poetas!
paulo sabino.
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O QUE DIZEM OS POETAS SOBRE O BLOG “PROSA EM POEMA”:

 

ANTONIO CICERO (poeta, letrista & filósofo):

Paulinho, é sempre um grande prazer e um grande luxo me encontrar no seu blog. Beijo, Antonio Cicero.

 

ARMANDO FREITAS FILHO (poeta):

Caro Paulo: muito obrigado por tudo. Por toda essa saudação que me acompanhará, e que me comove tanto. Muito obrigado pela sua presença tão calorosa e pela sua amizade nova em folha. Com o abraço e o aplauso do Armando.

 

FABIANO CALIXTO (poeta):

Muito gentil, da sua parte, em publicar os poemas em seu belo blog. Ficou muito legal! Muito obrigado. Fique com meu maior abraço de agradecimento, Calixto.

 

CARLOS RENNÓ (poeta & letrista):

Paulo, seu blog é ótimo! acho que eu é que vou ganhar alguns dias com você – lendo seu blog. espero que tenha tempo na maioria das vezes… ah como seria bom se o dia tivesse pelo menos + 2 horas, vai. grato. um abraço. CR.

 

CLAUDIA ROQUETTE-PINTO (poeta):

paulo, muito obrigada pelas suas palavras! adorei ter sido incluída no seu blogue. e de agora em diante pretendo visitá-lo sempre. um grande abraço!

 

PÉRICLES CAVALCANTI (poeta & compositor):

Oi Paulo, amigo, muito obrigado! É um prazer pra mim também tê-lo aqui nesta ”vizinhança”. Um beijo.

 

PAULA CAJATY (poeta):

fiquei encantada com o seu trabalho minucioso, de comparar poemas, inspirações e trabalhos. tomara que mantenhamos contato. um beijo grande, Paula.

 

CARLITO AZEVEDO (poeta):

Puxa, adorei o blog e fiquei honradíssimo com seu “post” sublunar! Vou passar o endereço para algumas pessoas bacanas. Parabéns e abraços, Carlito.

VIOLÊNCIA & SEXUALIDADE
9 de dezembro de 2010

prezados,

conversando com o meu QUERIDO & GRANDE amigo antonio cicero, concluímos que seria de grande relevância a divulgação do artigo que segue.

achamos que o texto merece ser publicado no maior número possível de blogues & sites afins. portanto, os que concordarem com a nossa constatação, por favor, ajudem na divulgação.

isto, porque tão lúcidas, tão inteligentes, como explicita o cicero na sua apresentação às linhas, apresentação feita para o seu blogue, o “acontecimentos” (http://www.antoniocicero.blogspot.com/), que a propalação destas deveria acontecer em LARGA ESCALA.

cicero me disse uma coisa com a qual concordo inteiramente: as escolas bem que poderiam colocar este artigo como LEITURA OBRIGATÓRIA para os seus alunos & professores. o mec (o ministério da educação), se se interessa, de fato, pela boa educação da população, tinha que tomar a frente em decisões como a sugerida aqui.

abaixo, um GRANDE & BELO serviço de utilidade pública.

o texto trata da enorme ignorância existente acerca de um assunto que deveríamos debater com a maior das naturalidades: a sexualidade. sempre fiz, e continuo fazendo, questão de bater nesta tecla. e quem fala sobre o assunto é uma AUTORIDADE na área da saúde: o médico drauzio varella.

deliciem-se com toda a LUZ, com todo o ESCLARECIMENTO, que emanam desta prosa clarificadora!

beijo em todos vocês!
paulo sabino.

(o artigo foi originalmente lançado pelo médico drauzio varella na sua coluna da revista  “ilustrada”, do jornal “folha de são paulo”, em 04/12/2010.) 
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VIOLÊNCIA CONTRA HOMOSSEXUAIS  (autor: Drauzio Varella)

A HOMOSSEXUALIDADE é uma ilha cercada de ignorância por todos os lados. Nesse sentido, não existe aspecto do comportamento humano que se lhe compare.

Não há descrição de civilização alguma, de qualquer época, que não faça referência a mulheres e a homens homossexuais. Apesar de tal constatação, esse comportamento ainda é chamado de antinatural.

Os que assim o julgam partem do princípio de que a natureza (leia-se Deus) criou os órgãos sexuais para a procriação; portanto, qualquer relacionamento que não envolva pênis e vagina vai contra ela (ou Ele).

Se partirmos de princípio tão frágil, como justificar a prática de sexo anal entre heterossexuais? E o sexo oral? E o beijo na boca? Deus não teria criado a boca para comer e a língua para articular palavras?

Se a homossexualidade fosse apenas uma perversão humana, não seria encontrada em outros animais. Desde o início do século 20, no entanto, ela tem sido descrita em grande variedade de invertebrados e em vertebrados, como répteis, pássaros e mamíferos.

Em alguma fase da vida de virtualmente todas as espécies de pássaros, ocorrem interações homossexuais que, pelo menos entre os machos, ocasionalmente terminam em orgasmo e ejaculação.

Comportamento homossexual foi documentado em fêmeas e machos de ao menos 71 espécies de mamíferos, incluindo ratos, camundongos, hamsters, cobaias, coelhos, porcos-espinhos, cães, gatos, cabritos, gado, porcos, antílopes, carneiros, macacos e até leões, os reis da selva.

A homossexualidade entre primatas não humanos está fartamente documentada na literatura científica. Já em 1914, Hamilton publicou no “Journal of Animal Behaviour” um estudo sobre as tendências sexuais em macacos e babuínos, no qual descreveu intercursos com contato vaginal entre as fêmeas e penetração anal entre os machos dessas espécies. Em 1917, Kempf relatou observações semelhantes.

Masturbação mútua e penetração anal estão no repertório sexual de todos os primatas já estudados, inclusive bonobos e chimpanzés, nossos parentes mais próximos.

Considerar contra a natureza as práticas homossexuais da espécie humana é ignorar todo o conhecimento adquirido pelos etologistas em mais de um século de pesquisas.

Os que se sentem pessoalmente ofendidos pela existência de homossexuais talvez imaginem que eles escolheram pertencer a essa minoria por mero capricho. Quer dizer, num belo dia, pensaram: eu poderia ser heterossexual, mas, como sou sem-vergonha, prefiro me relacionar com pessoas do mesmo sexo.

Não sejamos ridículos; quem escolheria a homossexualidade se pudesse ser como a maioria dominante? Se a vida já é dura para os heterossexuais, imagine para os outros.

A sexualidade não admite opções, simplesmente se impõe. Podemos controlar nosso comportamento; o desejo, jamais. O desejo brota da alma humana, indomável como a água que despenca da cachoeira.

Mais antiga do que a roda, a homossexualidade é tão legítima e inevitável quanto a heterossexualidade. Reprimi-la é ato de violência que deve ser punido de forma exemplar, como alguns países o fazem com o racismo.

Os que se sentem ultrajados pela presença de homossexuais que procurem no âmago das próprias inclinações sexuais as razões para justificar o ultraje. Ao contrário dos conturbados e inseguros, mulheres e homens em paz com a sexualidade pessoal aceitam a alheia com respeito e naturalidade.

Negar a pessoas do mesmo sexo permissão para viverem em uniões estáveis com os mesmos direitos das uniões heterossexuais é uma imposição abusiva que vai contra os princípios mais elementares de justiça social.

Os pastores de almas que se opõem ao casamento entre homossexuais têm o direito de recomendar a seus rebanhos que não o façam, mas não podem ser nazistas a ponto de pretender impor sua vontade aos mais esclarecidos.

Afinal, caro leitor, a menos que suas noites sejam atormentadas por fantasias sexuais inconfessáveis, que diferença faz se a colega de escritório é apaixonada por uma mulher? Se o vizinho dorme com outro homem? Se, ao morrer, o apartamento dele será herdado por um sobrinho ou pelo companheiro com quem viveu por 30 anos?

ENTREVISTA: ADRIANO NUNES / POR: MARCELO NOVAES
20 de agosto de 2010

queridos,
 
abaixo, linhas que mostram a inteligência, a simpatia, a perspicácia, o amor pela literatura e a dedicação do poeta que, desde sempre, percebi MAIS & MAIOR.
 
fico muito feliz vendo que a constatação do seu talento está ganhando mundo, correndo aos ventos.
 
lembro-me de quando recebi o seu poema concreto “valsa para paulinho”, dedicado a mim (https://prosaempoema.wordpress.com/2009/08/20/a-valsa-concreta/). li, reli, parei e pensei: “meu deus! isso é para mim?” olhava o poema na tela, lia alguns versos soltos, depois todo ele mais uma vez, e pensava: “que coisa linda! que trabalho cuidadoso, um primor!”
 
uma vez, pensando nas suas capacidades poéticas, pensando na sua obstinação em fazer o melhor, sempre, me ocorreu uma constatação a seu respeito: adriano nunes, meu poeta das alagoas, não pensa um “pensamento corrido”, isto é, um “pensamento em prosa”, um “pensamento-narrativa”. adriano nunes, e disto eu tenho certeza, pensa já em versos, já em estrofes. o seu pensamento é já estruturado de modo que, dele, surja um (belíssimo, como de costume) poema.
 
adriano pensa “pensamento-poesia”. 
 
a seguir, uma entrevista, feita pelo escritor marcelo novaes, e, primeiramente, publicada no seu blog “bloco de notas” (http://notaderodape-marcelo-novaes.blogspot.com/2010/08/marcelo-conversa-com-adriano-nunes.html), onde adriano nunes destila toda sua simpatia, sua amorosidade, sua competência e seus alicerces para com a poesia.
 
a entrevista é deliciosa, cheia de requintes — assim como o bardo —.
 
(eu fiquei todo prosa por ser citado nela! ADOREI!)
 
deliciem-se com as palavras deste poeta que vem chegando, e vem chegando para ficar!
 
(em mim, com sua amizade & seu trabalho cuidadoso, trabalho de pai e de médico — para quem não sabe, o bardo também é graduado em medicina — que desempenha ao burilar os seus “filhos/pacientes poéticos”.)
 
àqueles que desejam conhecer mais o trabalho do adriano nunes, por favor, conheçam o seu belíssimo blog, que super recomendo, o “quefaçocomoquenãofaço”: http://astripasdoverso.blogspot.com/
 
beijo bom em todos!
um outro, mais que especial, em você, meu poeta das alagoas!
o preto,
paulo sabino / paulinho.
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(do blogue: Bloco de notas. de: Marcelo Novaes. entrevistado: Adriano Nunes.)   
 
MN: Adriano, como é tratar as próprias letras como quem trata um filho, ou um paciente? As letras precisam ora de zelo, ora de cura?
 
AN: Marcelo, antes da conversa seguir qualquer vertente, devo dizer-lhe que estou muito feliz de poder fazer parte desse empreendimento intelectual. Agradeço-lhe pela oportunidade de aqui expor quem me sinto e penso e um pouco do meu ofício.
 
Pois bem: A Literatura é anterior à Medicina, em minha vida. Escrevo desde os cinco anos de idade. Quando eu era criança e pré-adolescente, as letras das canções eram poemas para mim e os meus poetas eram os compositores/cantores. A relação afetiva/efetiva que eu tenho com as palavras, com as letras, é de contemplação, de espanto, de susto, de milagre mesmo!
 
O primeiro poeta a entrar em meu mundo foi Fernando Pessoa, meu mestre maior. Com a vinda da Medicina, outros poetas invadiram o meu eu para sempre.
 
Aprendi, com todos os poetas que amo, a tratar os meus versos como um filho e como um paciente. Feito um filho, o meu verso precisa ser educado. Às vezes, rigidamente. Mas sempre amado, muito amado. Quando digo que trato um verso meu como um paciente, quero expressar o cuidado que tenho por ele, o carinho em expô-lo ao universo sem as amarras do tempo, sem o hermetismo da contemporaneidade, sem que a ferrugem, os estigmas, os dogmas caiam sobre ele, sem que o impregnem de classificação, rótulos. Não pertenço a nenhuma Escola e não me ponho em nenhum estilo. Cito Walt Whitman: “Sou amplo, contenho multidões”. Os meus poemas querem muito, eu sei. Mas querem a sua própria natureza: querem ser apenas poemas!
 
Quando inicio um verso, percebo/sinto/constato que a partir dali posso produzir um poema. A primeira palavra já vem carregada de uma grande responsabilidade estética, pois ela vai moldar as minhas idéias, vai ter que orientar-me feito bússola, terá que guiar-me, sem receios, até o fim do túnel, terá que acender todas as luzes ou mesmo criá-las, terá que me prender a atenção, terá que me oferecer, de imediato, uma direção: ou por seu número de sílabas poéticas, ou pelo seu significado, ou pelo impacto que pode causar visualmente, ou pela possibilidade de ofertar-me figuras de linguagem… Metáforas, aliterações, anáforas, oximoros, deslocamentos silábicos, quebras silábicas… Ou imprimir um ritmo em minha mente. Daí, essa rigorosidade retorna para mim como veneno/vício: Não aceito o poema pronto, não o vejo concebido para o público ainda, sem que o mesmo passe pelo crivo da minha razão crítica. Tento fazer o melhor para o poema. Nunca o melhor poema! Waly Salomão me conforta: “O poema-miragem se desfaz desconstruído como nunca houvera sido”. Zelo é loucura do meu ego. Cura não persigo – FUGA(Z)ELO.
 
MN: Eu, como você, também trabalho os textos no papel [folhas soltas de sulfite, geralmente; vez por outra, um caderninho, ou agenda…], antes de colocá-los na tela. Explique o seu processo e o seu prazer específico neste trânsito.
 
AN: Sou compulsivo. Escrevo todo dia. A todo momento. Sou muito ansioso. Quero mostrar o poema rapidamente aos meus amigos mais íntimos. Geralmente, o meu amor é o primeiro a ver… E, em um assalto de risos e ironia, diz: “Arre, aquele que você fez quando tinha 18 anos era melhor! Que David Copperfield convenceu o seu espírito de que você é poeta?” Volto ao papel, ciclicamente. O papel. Sim, o papel. O grafite. Sempre por perto. Sempre à mão. Agora, o celular ajuda-me a guardar as idéias. Não deixo nenhum fio de Musa virar meada sem fio. O papel me salva de tudo.
 
Os meus poemas concretos, por exemplo, têm vida ali no infinito da folha em branco. Quando vou torná-los midiáticos, todo o percurso, todo o esquema já foi traçado no papel. Posto muito pouco os meus poemas concretos-visuais em meu blog. Só os mais simples. Os mais complicados que exigem formatação de vídeo, movimento de palavras, esses não.
 
Escrevo tanto que meu amigo Dr. Mariano, médico, blogueiro (vide Poeira de Sebo) e produtor musical (fez a produção do show mais recente do Jorge Mautner em Belo Horizonte/MG) chama-me de “poeta-dínamo”. Por que escrevo? Porque a Poesia é a coisa mais importante da minha vida!
 
MN: Você é um cara bastante sociável, e percebe-se que os letristas de MPB são referências importantes pra você. Fale-me o que aprendeu com estes poetas que casam seus versos com a música [Adriana Calcanhoto, Péricles Cavalcanti, Antonio Cícero, Arnaldo Antunes, entre outros]. Estes poetas estão mais próximos ao acesso [inclusive por serem contemporâneos]? Você já vivenciou boas trocas com tais escritores/ letristas? E quanto aos poetas contemporâneos que têm os seus trabalhos independentes da música: sente alguma diferença e/ ou dificuldade no acesso a eles? Acha, em geral, os poetas acessíveis às trocas e contatos?
 
AN: Que alegria você considerar que eu sou um cara sociável! Os grandes compositores/letristas me impressionam, são referências para mim. Quando eu era mais jovem, a influência era altamente perceptível e eu amava tudo que me encantava os olhos, os ouvidos, o coração. Hoje, é diferente: letra de música é letra de música. Poema é poema. Algumas letras de música são tão bem escritas que funcionam como belos poemas. Alguns poemas se adaptam à música e podem ser musicados. Mas há um abismo entre tudo isso: Uma letra de música tem uma necessidade complementar, tem uma finalidade explícita. O poema não. O poema não busca nada, só quer ser o que se é – poema e só.
 
Sim, eu vivencio boas trocas com alguns letristas, principalmente duas pessoas que amo muito e tenho grande admiração: Antonio Cícero e Péricles Cavalcanti. Considero-os irmãos. Através de Cícero, um novo mundo se abriu para mim. O Cícero é um cara muito rigoroso com o que escreve, com o que publica dos outros em seu blog Acontecimentos, tem disciplina em seus estudos e em tudo que faz. Quando tive dois poemas meus publicados em seu blog, fiquei tão emocionado que precisei tomar ansiolítico para dormir, pois queria estar ali vendo que aquilo ali era verdade. Cícero só publica algo que ama em seu blog. Foi uma honra! Cícero é referência obrigatória para quem quer entender Arte e Filosofia.
 
Péricles Cavalcanti é um ser muito inteligente e amável. Conheci-o através do seu blog. Ficamos amigos, vez ou outra trocamos emails. Admiro-o muito. Certo dia, volto de uma viagem e deparo-me com um envelope dos Correios vindo de São Paulo. Abro e surpresa: o CD “O Rei da Cultura” autografado, com dedicatória – “Para o amigo poeta Adriano Nunes”. Ganhei o dia! Sou muito emotivo, gosto de falar também do que eu sinto.
 
Eu não conheço a Adriana Calcanhoto pessoalmente e nem mantenho contato com ela, mas sei que ela sabe da minha existência, sei que sabe da minha obra.
 
O Antonio Cícero é um dos melhores amigos da Adriana. O Péricles também.

Quando do lançamento do CD “Maré”, eu fui um dos primeiros no Brasil a explicitar o valor daquele disco, o quanto era belo e importante. Falei em uma conversa informal para o Antonio Cícero que eu tinha escrito uma crítica antes dos críticos anunciarem que “Maré” era o melhor lançamento do ano. Enviei a crítica para o Antonio Cícero que repassou para a própria Adriana. No outro dia, no site da Calcanhoto, a minha crítica estava na seção de notícias. Felicidade máxima!
 

Eu só comecei a mostrar os meus poemas para o público a partir de 2008. Ora, sou intimista. Tenho muitos e infinitos medos. Não tenho acesso a nenhum outro poeta contemporâneo. Só interajo com Cícero. Com Glauco Mattoso, vez ou outra, troco emails. Nélson Ascher foi uma vez ao blog da Cecile Petrovisk (heterônimo meu) e disse que tinha gostado de um dos meus poemas (“Outra Canção”). Fora isso, tudo é breu… Mas todo poeta gosta de poeta. Todo grande poeta é acima de tudo humilde. Sendo assim, creio ser acessíveis trocas e contatos.
 
MN: Defina-me poesia concreta [poesia concreta para Adriano Nunes], e diga da importância dela na formatação do teu modo expressivo. Fale-me do legado dos irmãos Campos [Haroldo e Augusto] na formação do leitor e poeta Adriano Nunes.
 
AN: Poesia Concreta, para mim, resulta em/de impacto. O signo/significado visto múltiplo, amplificado, mais que disperso. Vejamos:
 

“sim
o poeta
infin
itesi
(tmese)
mal
(em tese)
existe
e se mani
(ainda)
festa
ani
(triste)
mal
espécie
que lhe é
funesta”

In Campos, Augusto de; “Viva Vaia”, página 83.

É como se o poema pudesse deixar de ser fixo, estático, como se adquirisse pernas, braços, esqueleto, músculos, tronco encefálico, que voasse, que se movimentasse, pensasse por si, fosse além… “Verbivocovisual”. Como Décio Pignatari expõe: “POETC.”.
 
Amo o Concretismo. Identifico-me com seus matizes. A sua importância, para mim, reside em que posso unir a minha Expressão Clássica com o que a Vanguarda me proporcionou. Digo “proporcionou” porque não há mais Vanguarda. Todas as portas e janelas poéticas já foram abertas. Misturo tudo. Gosto de tudo que for Poesia. Toda forma de pensar o poema ficou mais plausível, leve, colorida, mágica. Isso é o que representa a Poesia Concreta para o meu ser poeta.
 
Tenho um respeito e uma admiração gigantescos pelos irmãos Campos. Amo Haroldo. Amo Augusto. Depois deles, a Poesia passou a ter um outro nível, para mim. O meu coração concreto tem quatro cavidades: Os Campos, Décio, Gullar e Arnaldo Antunes.
 
MN: O que é ser Avis Rara nas letras? Seu olhar já captou algum desses espécimes? E mais importante [muito mais] o que é ser Avis Rara na vida?
 
AN: Quando se é autêntico (não precisa ser inventor, gênio…) no fazer, isto é, quando se imprime a sua marca d’água, o seu âmago, tudo brilha. Quem pode ser eu a não ser eu mesmo? Não existe raridade maior que a expressão da própria alma… “Por isso melhor se guarda/O voo de um pássaro/Do que um pássaro sem voos.”
 
Além de mergulhar fundo na Literatura dos livros impressos, sinto-me um verdadeiro escafandrista –internauta. Conheço muita gente que escreve coisas fantásticas, poemas de alto valor estético, artístico e que só publicam em seus blogues, para os amigos. Há muitos Drummonds, Pessoas e Bandeiras por aí, anonimamente. Como capturá-los? Não sei, ao certo. Citar um seria cometer injustiça com tantos outros. Amo todos. Visito todos os blogues que me indicam e que conheço. Leio tudo. Às vezes, comento. Mas isso é raro. Os meus amigos sabem. Entretanto, estou atento a tudo. Quando um poema me toca fundo, elogio. Na vida, o que é precioso, o que vale mesmo é ter amigos. A amizade é a Rara Avis da Vida.

 

MN: No seu blog se vê, logo de cara, um poema em forma de ampulheta homenageando “mainha e vovó”. Talvez vovó tenha sido sua mainha, mas isso você explica se achar conveniente. Minha pergunta fica por conta do correr da areia na ampulheta do tempo, e do girar das horas no catavento da vida. Como é para Adriano registrar a passagem das coisas no tempo?
 
AN: O meu poema “Tic-tac” foi feito há mais de dez anos. Ora, quando eu o fiz, eu ainda tinha a minha avó. Ela não era a minha mãe. Morava distante de mim, no interior de Alagoas. Depois que adoeceu, veio morar conosco. Cuidei dela, mas talvez não tenha cuidado como devia. O poema é sobre o tempo, sobre o que o tempo quer de mim. Previsão? Não se vive para sempre. O tempo corrói até as esperanças! Observe que a métrica é mantida em cada verso após cair na parte inferior da ampulheta. Sou um apreciador de métrica e ritmos. Gosto do poema trabalhado, pensado, levado a sério. Todo poema precisa de tempo. “Meu tempo é quando.” – Salve Vinícius! O meu tempo é… Quando mesmo? Registro-me em mim. O tempo é metafísico em minha alma. Há o tempo de ser subjetivo em minhas objetividades externo, o tempo exterior a tudo e a mim, e há o tempo intrínseco, preso ao que me penso e ao que sinto. Este se perpetua em mim e realmente me eterniza, faz com que eu faça versos, que eu ame, tenha medos, angústias, alegrias, tristezas profundas, fraquezas, fracassos, perdas… Meu amigo e inimigo juntos, num só corpo invisível. Sempre estou “grávido” do tempo.
 
MN: Falando de crítica musical, suas observações sobre CDs de Adriana Calcanhoto parecem se dar por “um prazer irrefreável” que você sentiu e queria compartilhar com alguém. Ou seja: acaba sendo uma crítica-exclamação, uma homenagem-em-voz-alta. Como você já se aproximou de Antonio Cícero a ponto de entrevistá-lo, e dialogar com ele no “Acontecimentos” [o blog do filósofo/ letrista], pergunto: já conseguiu expressar estas observações para a própria compositora/ intérprete? Adriana Calcanhoto já tomou ciência de suas análises-homenagens? Isso, naturalmente, complementa minha terceira pergunta. Em caso negativo [por exemplo, no caso de sites administrados pelo “staff” do artista, e não pelo próprio], não poder fazer sua homenagem ser lida pela destinatária te trouxe alguma frustração? Como Waly Salomão já trabalhou com Adriana Calcanhoto, e alguns de seus “totens culturais” [num sentido light e positivo, não pejorativo nem idólatra] estiveram próximos um dos outros, você sente esses artistas contemporâneos [não importa que Waly já tenha falecido…] como que representando uma “segunda família”?
 
AN: Sim, a Adriana Calcanhotto tem noção e sabe o que escrevi sobre ela em sites, jornais, blogues, mas não mantenho contato com ela. A minha ligação com ela é via Antonio Cícero, como já expliquei. Obviamente, fiquei muito feliz em ver uma crítica minha no site dela.
Tenho planos com a Marina Lima de compormos uma canção. Talvez, algo para a Adriana cantar, mas são só planos. Planos tecidos via email. A Marina está ocupada demais com o novo disco e com o projeto de um livro. Amo-a muito também.
 
Considero Cícero, Péricles, Glauco Mattoso, Adriana, Marina, Mariano, Paulinho Sabino e muitos amigos da blogosfera como uma família cujo liame mais forte é o nosso amor pela Arte.
 
MN: O que significa “ser um escritor”, na sua perspectiva? E o “tentar ser”? São coisas muito próximas? A escrita dos clássicos [Pound, Mallarmé, Rilke] que você tanto preza, encoraja ou assusta? Se você tivesse que sugerir leituras para um amante da poesia bastante jovem [15, 16 anos] optaria por sugerir-lhe qual contato com a palavra escrita?
 
AN: Ser escritor é ter consciência da responsabilidade do poder da palavra, do peso e da importância que um escrito tem na vida das pessoas, na dinâmica do mundo. Ser escritor é ter o poder de lançar cosmos no mundo. Tentar ser escritor é lançar-se à perspectiva de que tudo é possível. O limiar é: “Entre a taça e o lábio muitas coisas acontecem.”.

Ler os clássicos para mim é uma obrigação. Desconheço um grande poeta que não tenha estudado muito, que não tenha lido os clássicos, que não tenha se embriagado de poética. Cito os poetas que são os meus pilares: Antonio Cicero, Arnaldo Antunes, Augusto de Campos, Baudelaire, Drummond, Eucanaã Ferraz, Fernando Pessoa, Ferreira Gullar, Haroldo de Campos, Horácio, Kant, Manuel Bandeira, Nietzsche,Nelson Ascher, Pound, Paulo Leminski, Rilke, Shakespeare, T.S. Eliot, Walt Whitman, Waly Salomão, Wilde, Yeats… E outros que a pressa em lembrá-los faz-me esquecê-los.
 

Para quem quer começar a trilhar pelo mundo fascinante da Poesia, recomendo a obra completa, de Manuel Bandeira, “Estrela da Vida Inteira”. Com certeza, será um excelente começo!
 
MN: Carlos Rennó fez um trabalho de compilação de letras do Gilberto Gil, apresentando até os rascunhos de muitas das canções [as modificações até a formatação final]. Quando se pega o trabalho de “obra crítico-retrospectiva” de um grande letrista como Gil, não se tem um estilo literário importante e pouco explorado em nossas letras? Não acha que textos assim poderiam constar das aulas de português de ensino médio? Só vejo o Professor Pasquale Neto explorar este tipo de análise [e de forma pontual] na televisão, para efeito de análise sintático-gramatical. Penso neste uso para fins de aprimoramento na compreensão semântica dos textos, além de análise sintática. Expus este ponto de vista aqui, porque você é o tipo de interlocutor para quem eu pensaria esta ideia em voz alta, se tivéssemos batendo papo num bar. Gostaria de ouvir sua opinião a respeito.
 
AN: Sim. Concordo. Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque e muitos outros compositores deveriam ser ensinados em sala de aula, nas aulas de Literatura. Creio existir um certo preconceito quanto a isso ainda.
 
Quanto ao livro do Carlos Rennó, possuo a primeira edição autografada pelo Gilberto Gil. Coisa de fã… Era um show dele aqui em Maceió (Maceió Jazz Festival)… Às vezes, sou muito menino!
 
MN: Se a literatura de hoje quase não tem “movimentos”, mas tem “nichos” [portais como o Cronópios e sites coletivos nos moldes do “Escritoras Suicidas”, para ficar só nesses dois exemplos], o que isso significa? As dicções hoje são mais pessoais, ou estão mais diluídas, a ponto de nem haver a possibilidade de se encontrar “a espinha dorsal de qualquer direção coletiva”? Existe algo, minimamente “esboçado”, que se possa chamar de “poesia brasileira contemporânea”, ou quase que só podemos falar de “poetas brasileiros contemporâneos”?
 
AN: Marcelo, a Vanguarda abriu infinitas portas. Não há como voltar atrás. Tudo agora é possível. Não há como classificar coisa alguma, rotulá-la, pois há um hibridismo vigente, os genes estão todos ativos e misturados. Não há mais Vanguarda. Meus contemporâneos são todos vocês que estão aí escrevendo os seus poemas, que estão lançando à luz da vida o que a alma quer, o que o cérebro fabrica. Tudo é válido. Somos milhões de loucos, de vândalos, de gênios, de medíocres, de românticos, de simbolistas, de concretistas, de ansiosos, de tristes e alegres, de revoltados, de revirados, dissecados. Somos milhões de eus dispersos por aí… De sonhos… Somos um grão de areia nesse deserto poético contemporâneo.
 

MN: Obrigado, Adriano.

AN: Muito obrigado!

APRENDIZAGEM
22 de março de 2010

prezados,
 
no poema abaixo, uma lição aprendida por mim:
 
palavra: feita de substância excêntrica, exótica, intrigante, pois que compacta, maciça, espessa a sua carne, digo: concreta (ao avistá-la no branco do papel), ao mesmo tempo em que é porosa, ventilada, esponjosa, digo: flexível, vaporosa, ao se pensar que, apesar da concretude, quando disposta na folha, os seus significados dançam, soltos, no ar da página. não há olho que dê conta de “abocanhar” todo o cardápio de achados — todas as metáforas e imagens possíveis — oferecido pelo sarcocárpio — pela polpa — duma palavra, visto as tantas maneiras de se interpretar um único texto, os diferentes tesouros poéticos desencavados pelos mais variados tipos de olhar.
 
(portanto, a ciência de que este espaço, o “prosa em poema”, propõe-se a desnudar um tanto do que o MEU olhar enxerga & capta nas linhas que me emocionam. não há a pretensão de dizer o que dizem as linhas. isso seria um despautério vindo de mim. não. o que quero, o que desejo, e faço, é compartilhar um tanto da minha visão. e só.) 
 
estes versos são dedicados a alguns bambas da palavra na minha existência (em ordem alfabética, não de importância. a de importância, em mim, inexiste):
 
antonio cicero
armando freitas filho
arnaldo antunes
caetano veloso
carlito azevedo
carlos drummond de andrade
clarice lispector
eucanaã ferraz
paulo leminski
waly salomão
 
um beijo em vocês!
o preto.
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APRENDIZAGEM  (autor: Paulo Sabino.)
 
Lição  aprendida:
palavra:
coisa  estranha
sua  carne
compacta
espessa
maciça e
ao  mesmo  tempo
porosa
ventilada
esponjosa
—  matéria  excêntrica  —
 
Não  há  modo  de
averiguar
constatar
dimensionar
o  que  encerra
seu  sarcocárpio
(cujo  cardápio
de  achados
não  se  abre
por  completo
a  nenhum  olho)
tantos  os  significados
soltos
no  ar
da  página

AVISO AOS NAVEGANTES – RECESSO DE CARNAVAL
12 de fevereiro de 2010

senhores,
 
devido à folia momesca que invade o meu brasil varonil de norte a sul, este espaço entra em recesso até a quarta-feira de cinzas.
 
aproveitarei um tanto da festa já que, como bem escreveu marcelo camelo, todo carnaval tem seu fim.
 
e, pensando nesse fim, lembrei-me de um poema-canção que adoro, onde uma mulher desatina e desaceita o término da falsa vida da avenida, desatina e desaceita os despojos da fantasia.
 
deixo os versos aqui, à apreciação de todos.
 
beijo grande!
divirtam-se! (ou aproveitem para descansar!)
o preto,
paulo sabino / paulinho.
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(do livro: Tantas Palavras. autor: Chico Buarque. editora: Companhia das Letras.)
 
 
ELA DESATINOU
 
Ela desatinou
Viu chegar quarta-feira
Acabar brincadeira
Bandeiras se desmanchando
E ela inda está sambando
 
Ela desatinou
Viu morrer alegrias
Rasgar fantasias
Os dias sem sol raiando
E ela inda está sambando
 
Ela não vê que toda gente
Já está sofrendo normalmente
Toda a cidade anda esquecida
Da falsa vida da avenida onde
 
Ela desatinou
Viu morrer alegrias
Rasgar fantasias
Os dias sem sol raiando
E ela inda está sambando
 
Quem não inveja a infeliz
Feliz no seu mundo de cetim
Assim debochando
Da dor, do pecado
Do tempo perdido
Do jogo acabado
 
Ela desatinou
Viu morrer alegrias
Rasgar fantasias
Os dias sem sol raiando
E ela inda está sambando

CAMINHO
15 de janeiro de 2010

moças & rapazes,
 
a poesia que segue, de minha autoria, é dedicada a um grande amigo pelo seu aniversário. ela vai para o responsável, em termos práticos, pela existência do “prosa em poema”. um menino lindo, inteligente, com quem adoro conversar, que sempre me diz muito com suas colocações. possuímos sentimentos grandes de carinho e de respeito mútuos. apesar do pouco tempo, a nossa amizade já mostrou que veio para ficar.
 
francisco ferraz, este post, hoje, é inteirinho seu (rs)!
 
gosto um bocado destas linhas porque elas traduzem um tanto do que espero de mim no meu caminho. é um hino à vida, um canto de resistência, de vigor, um elogio à existência, apesar dos seus perigos, apesar dos seus pesares. se há uma coisa que temo é a desistência de mim. isso eu não quero de jeito nenhum!
 
afirma clarice lispector:
 
Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma.
 
tudo o que é vida me incita, senhores. e me incita porque, nela, na vida, não existe um caminho “certo” a ser seguido. são muitas as maneiras de se fazer valer uma existência, são várias as verdades para se constituir uma rota. por isso, tento não me atropelar com as divergências, com as discordâncias, que são naturalmente geradas. assento, vivo o meu alento enquanto tenho tempo, enquanto é tempo, enquanto há tempo. querendo ou não, na trilha, tudo passa (para o bem e para o mal). e justamente porque tudo passa, que não me amassa a desgraça de nada. a graça da vida, para mim, reside nisto: as desditas, as desventuras, aprimoram-me para as conquistas, para as vitórias. através dos insucessos, ganho gana para correr atrás dos triunfos, dos êxitos.  
 
se o que há para viver é turbilhão, é a luz anêmica na escuridão, é a blusa com falta de botão, se o que se tem em mãos é um grande & robusto quisto, vamos que vamos, sem parar: conduzo-me pelo que foi e é dito a vocês — disse e digo: tudo o que é vida me incita / a desgraça de nada me amassa / tudo, um dia, passa —, pondo mais peito, mais garra, no que me insisto. é assim que atravesso quaisquer turbilhões, é assim que transponho a escuridão com sua luz anêmica, é desse modo que visto qualquer blusão com falta de botão.
 
cravo a minha vitória com ou sem gol, isto é, venço a todo custo, até mesmo quando fracasso. pois o fracasso muito me ensina, muito me mostra, sobre a arte de viver. não é bom, não é bacana fracassar, errar, contudo, faz parte do jogo. aceito, em mim, todas as nuances da aposta. 
 
assim eu sigo, assim eu vou, assim eu sou.
 
e espero contar com você, francisco!, nas venturas e desventuras, sempre disposto, disponível, sempre a fim de mais & mais & mais.
 
é com fome de vida que conseguimos mudanças efetivas.
 
beijo em todos!
um outro especial em você, chicão!
o preto,
paulo sabino / paulinho.
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CAMINHO  (Paulo Sabino)
 
tudo  o  que  é  vida
me  incita
—  à  sua  luz,
pele  pupila  papila  narina,
tudo  se  potencializa  —.
a  verdade  destituída
de  verdade:
no  fundo,  puro  embate.
por  isso  assento,
vivo  o  meu  alento
enquanto  há  tempo:
pois  que  tudo  passa,
e,  passando,  de  nada
me  amassa  a  desgraça.
 
(aí  está  da  vida  a  graça:
as  desditas
aprimoram-me
às  conquistas.)
 
o  que  há  para  viver?  turbilhão?
uma  luz  anêmica  na  escuridão?
a  blusa  com  falta  de  botão?
 
mas  a  minha  vida  é  isto!:
por  maior,  por  mais  robusto  o  quisto,
conduzo-me  pelo  que  foi  e  é  dito,
pondo  mais  peito  no  que  me  insisto.
sem  mais  história:
o  lance  é  cravar  a  vitória
com  ou  sem  gol.
assim  eu  vou.

PERFIL MARIA BETHÂNIA À REVISTA UBC
6 de janeiro de 2010

prezadas & prezados,
 
foi-me solicitado, através da minha querida amiga vivi fernandes de lima, dona do espaço “chalé da vivi” (http://chaledavivi.blogspot.com/), um texto, publicado este mês, que fosse um perfil sobre uma das grandes divas da minha vida, a abelha-rainha, sobre aquela que deu início a tudo que hoje compartilho com vocês, sobre maria bethânia, para a revista da união brasileira de compositores (ubc).
 
evidentemente, esta não foi uma tarefa fácil para mim (rs). mas o texto saiu. deixo-o aqui, à apreciação de todos.
 
quem tiver interesse de conhecer o conteúdo da publicação, acesse: http://www.ubc.org.br/arquivos/download/pauta_extra/revistaUBC01-2010.pdf.
 
o mote para o perfil foi o lançamento dos dois últimos trabalhos de bethânia, os cds “tua” e “encanteria”.  
 
um beijo!
o preto.
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(texto extraído da revista ubc, publicação de janeiro de 2010.)
 
A RAINHA DA VOZ – Para Maria Bethânia, cantar é mais do que um ofício. É motivo de alegria.
 
(por Paulo Sabino)
 
“Não faço concessão na escolha do meu repertório. Só canto o que quero e o que gosto”, afirmou a cantora Maria Bethânia, em diversas entrevistas. Deve ser por isso que hoje, com 44 anos de carreira, a cantora coleciona grandes sucessos e muitos mitos em torno de sua vida. Ídolo de uma legião de seguidores fiéis, é considerada pelos fãs “a rainha que nunca perde a majestade”. E eles têm razão. Ao longo de sua extensa trajetória, a cantora é sempre reconhecida como artista de qualidade pelo público e pela crítica, mesmo quando seus discos não vendem muito.
 
Em outubro, ela lançou pela gravadora Biscoito Fino e pelo seu selo Quitanda, os CDs “Tua”, com canções românticas, e “Encanteria”, com composições festivas que remetem à cultura popular nacional. Os dois discos trazem canções dos compositores que estão no rol dos seus preferidos: Adriana Calcanhotto, Roque Ferreira (compositor-poeta conterrâneo da cantora), Paulo César Pinheiro, Vanessa da Mata, Arnaldo Antunes, J. Velloso, entre outros.
 
Dona de um timbre raríssimo, ímpar, começou a carreira com estreia à altura do seu enorme talento, substituindo a então famosa e musa da bossa nova, Nara Leão, num espetáculo do Teatro Opinião, ao lado dos compositores Zé Kéti e João do Vale. Sua voz grave e seu timbre rascante fizeram com que a canção de forte cunho político “Carcará” (“Carcará lá no sertão/ é um bicho que ‘avoa’ que nem avião…”), de João do Vale, se tornasse o seu primeiro grande sucesso nacional. De uma hora para outra, a menina de 17 anos, chegada de Santo Amaro da Purificação, cidade do interior do Recôncavo Baiano, tornou-se uma celebridade. De lá para cá, não parou de brilhar no cancioneiro brasileiro.
 
A cantora sempre afirmou que, desde muito nova, ainda criança, sabia que o seu destino seria traçado na ribalta: “eu, na verdade, dizia desde pequena que eu ia ser artista ou então ia ser trapezista. E o palco, para mim, é um pouco isso, é o trapézio. Sem a rede”, ri ao sentenciar no documentário “Maria Bethânia – Música é Perfume” (2005), de Georges Gachot.
 
Determinada, suas escolhas são tomadas de acordo com suas ambições artísticas. Assim, tornou-se não só uma grande intérprete de canções, como também da palavra falada. Bethânia sabia que o verso cantado não daria conta do que almejava no palco. Por isso, começou a levar textos, fossem prosa ou poesia, para os seus espetáculos, o que acabou se transformando numa marca registrada das suas apresentações.
 
Por ser uma “intérprete”, como ela mesma prefere ser chamada, não foi, nem é, uma cantora ligada à bossa nova, que primava por um canto mais contido e menos teatral. O seu caminho foi buscar refúgio nas grandes canções de cunho amoroso, anteriores ao gênero lançado por João Gilberto – samba-canções e boleros de fortes arroubos sentimentais –, nas canções de temas ligados ao interior do Nordeste e naquelas criadas por compositores da sua geração, carregadas de dramaticidade.
 
Bethânia canta o amor em todas as suas dimensões, o descaso político, a tristeza do mundo, do ser humano, o esplendor das forças da natureza, as festas do seu povo, a beleza de ser feliz, as suas crenças religiosas. Aliás, por orientação do candomblé, religião que escolheu já adulta, não veste roupas de cor preta ao apresentar-se em shows. E por acreditar profundamente no poder que as palavras carregam, recusa-se a pronunciar algumas delas: “Tem algumas palavras que eu não gosto de dizer e não digo. Pode ser a música de Chico Buarque de Holanda, que eu venero, mas se tiver uma palavra de que eu não goste, não há quem me faça dizer”.
 
Por esta qualidade tão cara, a de fazer só aquilo que deseja, a cantora afirma nunca se aborrecer com o seu ofício, que é o de interpretar as canções do seu repertório e os textos selecionados para leitura. Segundo Bethânia, cantar sempre foi motivo de muita alegria: seja na solidão do estúdio de gravação, depois que as bases e arranjos das músicas estão prontos para que a sua voz seja colocada, seja na situação inversa a essa, quando entra no palco e se depara com centenas de pessoas na plateia, à sua espera.
 
Fora do palco, a abelha-rainha – sua alcunha mais emblemática, uma referência ao período de imenso sucesso, em 1979, com o LP “Mel” – tem sua vida guardada a sete chaves. Bethânia nunca quis nem nunca gostou de falar publicamente sobre sua vida pessoal. Manteve-se sempre à parte das publicações e colunas de fofocas, ciente de que a mídia serve à divulgação do seu trabalho artístico, que é o que mais importa.
 
Esta discrição gerou em torno da sua figura uma série de “casos” a seu respeito, que se tornaram verdadeiras “lendas”. Como a história de que a artista mantém em sua casa uma espécie de santuário, onde ela “receberia entidades espirituais” e faria oferendas às tais entidades. Bethânia se diverte com tanta curiosidade acerca do seu quotidiano e, numa entrevista, atirou: “fora do palco não tem nada demais. Sou a Maria Bethânia, dona de casa, normal, comum, igual a todo mundo”.

AVISO AOS NAVEGANTES – A GUIA
28 de dezembro de 2009

queridos navegantes,
 
por conta da passagem do ano, o “prosa em poema” ficará esta semana (29/12 – 03/01) sem atualizações.
 
para este espaço, em 2010, os planos continuam os mesmos: a publicação de textos com os quais consiga manter uma boa prosa.
 
estas linhas abaixo, as últimas do ano que finda.
 
fica o dito: a poesia me salvará. (me salva, sempre.) captar a mensagem pelo arauto, pelo ar, alto, pelo sopro que a musa venta, conforme sejam suas mãos e olhos.
 
ela, a poesia, que é a minha bagagem, me salvará.
 
(repito: me salva, sempre!)
 
o poema: o meu redentor, aquele que me redime de faltas quaisquer (rs).
 
uma ótima passagem, pessoas!
até 2010!
 
beijo grande!
paulo sabino / paulinho.
_________________________
 
(do livro: Bagagem. autora: Adélia Prado. editora: Siciliano.)
 
GUIA
 
A poesia me salvará.
Falo constrangida, porque só Jesus
Cristo é o Salvador, conforme escreveu
um homem — sem coação alguma —
atrás de um crucifixo que trouxe de lembrança
de Congonhas do Campo.
No entanto, repito, a poesia me salvará.
Por ela entendo a paixão
que Ele teve por nós, morrendo na cruz.
Ela me salvará, porque o roxo
das flores debruçado na cerca
perdoa a moça do seu feio corpo.
Nela, a Virgem Maria e os santos consentem
no meu caminho apócrifo de entender a palavra
pelo seu reverso, captar a mensagem
pelo arauto, conforme sejam suas mãos e olhos.
Ela me salvará. Não falo aos quatro ventos,
porque temo os doutores, a excomunhão
e o escândalo dos fracos. A Deus não temo.
Que outra coisa ela é senão Sua Face atingida
da brutalidade das coisas?

AVISO AOS NAVEGANTES – A BAHIA TEM UM JEITO…
19 de outubro de 2009

navegantes,

esta semana estou em salvador, na bahia, a trabalho. mas é claro que mesmo a trabalho se consegue tempo para diversão (rs). no mais, ao encerrarem-se as minhas atividades nesta terra maravilhosa, com pessoas e lugares tão parecidos com pessoas e lugares do rio de janeiro, pretendo ficar mais uns dias por aqui para aproveitar melhor a cidade de todos os santos, cidade lindíssima, que muito me encanta e emociona.

portanto, esta semana será difícil atualizar o prosa em poema. no máximo até domingo (rs!!) retorno à minha cidade maravilhosa, e já com os pés em solo fluminense as atualizações retornarão naturalmente.

beijo grande e axé para todos nós!

paulo sabino / paulinho.

OS MEUS AGRADECIMENTOS
25 de agosto de 2009

pessoas,

antes que seja tarde, antes que o tempo passe demais, deixem-me fazer alguns agradecimentos por conta da existência deste espaço, o “prosa em poema”.

este blog tem uma história interessante, porque ele nasceu das sugestões dos amigos, e não de uma intenção minha, primeira, de fazê-lo. o seu surgimento se deve a pedidos de pessoas importantes, pois eu me satisfazia com as mensagens que enviava aos e-mails desses amigos e de outrem (rs).

portanto, gostaria de agradecer aos tais amigos que, há um bom tempo, me “cantam a pedra” para a criação da página: clívia reis, ludmila curi, patrícia lima, césar guerra chevrand, antonio cicero, layne amaral, sabrina guerghe, chico lobo, fernanda nepomuceno, gabi scelza e anna marina; esses são amigos que me escreveram, falaram, dando a sugestão, insistindo para que ela, a página, saísse. agradeço também aos que sempre declararam prazer nas leituras, aos que já me emocionaram, muito!, com suas respostas. valeu, galera!

cristiano marinho, dj e um estudioso da música, da matéria som, síndico de uma festa da qual sou fã e assíduo freqüentador, o “baile curinga” (www.bailecuringa.com), este blog é um projeto nosso! muitíssimo obrigado por sua disposição em querer montar o site comigo, por seu carinho e sua atenção!

pax, pessoa querida, a você também segue o meu agradecimento, pelas ajudas com o site depois da sua veiculação.

francisco ferraz, recém-chegado na minha vida, pessoa bacana, do bem, que venho conhecendo, já querido amigo, responsável pelo processo de formulação do blog, um grande apoio, muito atencioso e solícito, além de bastante inteligente, o meu muito muito muito obrigado!

beijo grande em todos!

o preto,

paulinho / paulo sabino.