DEPOIS DOS NAVIOS NEGREIROS, OUTRAS CORRENTEZAS
12 de fevereiro de 2014

Escravos

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há pouco tempo, um menino preto & pobre, acusado de furtos/roubos no flamengo, bairro de classe média/média alta carioca, foi posto nu & preso num poste por uma tranca de bicicleta no pescoço, com parte de uma orelha cortada, como “lição” aos demais “marginaizinhos”, a fim de que os furtos/roubos cessem ou diminuam consideravelmente na região.

parte da população aprova a ação, realizada por cidadãos comuns, assim como eu.

o que fizeram ao menino preto & pobre no flamengo, bairro de classe média/média alta da zona sul do rio de janeiro, deixando-o nu & preso num poste por uma tranca de bicicleta no pescoço, com parte de uma orelha cortada, em plena via pública, no fundo, é resquício do que mostram, do que revelam, os versos & o videoclipe que seguem.

o brasil ainda é, infelizmente, um país moldado em relações escravocratas.

no rio de janeiro, a mim & a muitos amigos (conversamos sobre o assunto antes mesmo do episódio em questão), isso se evidencia nas relações, por exemplo, entre empregadas domésticas/motoristas particulares & seus patrões, entre babás & mães contratantes, entre porteiros/faxineiros & condôminos.

o outro (a empregada doméstica, o motorista particular, a babá, o porteiro, o faxineiro) não está ali como prestador de serviço. não. o outro (a empregada doméstica, o motorista particular, a babá, o porteiro, o faxineiro) é praticamente uma mercadoria da qual se pode dispor para diversas outras funções & tarefas que não aquelas relacionadas às suas funções trabalhistas.

o que fizeram ao menino preto & pobre no flamengo, bairro de classe média/média alta da zona sul do rio de janeiro, deixando-o nu & preso num poste por uma tranca de bicicleta no pescoço, com parte de uma orelha cortada, em plena via pública, no fundo, é resquício do horror apresentado nos versos & no videoclipe que seguem.

o menino preto & pobre & marginalizado é fruto direto das situações retratadas nos versos & no videoclipe que seguem, situações que, nos dias atuais, perduram de modos diferentes (muitas vezes nem tão diferentes, como no episódio em questão), porque o brasil, infelizmente, é um país moldado em relações escravocratas.

o menino preto & pobre & marginalizado, deixado nu & preso num poste por uma tranca de bicicleta no pescoço, com parte de uma orelha cortada, em plena via pública, é fruto direto da desigualdade sócio-econômica que plantamos neste país, através das relações escravocratas que ainda existem & insistem.

a parte da população que apóia esse tipo de ação alega que tal ação se trata de “defesa”.

“defesa”? população desarmada “defendendo-se”?

então deixar um menino num poste, nu, exposto, preso pelo pescoço, com parte da orelha cortada, é modo de “defender-se”?

“defender-se”? não, sinto muito, mas isso não tem nada a ver com “defesa”. se o menino estava assaltando/furtando alguém & conseguiu ser imobilizado, a defesa já ocorreu. o que vem a partir da imobilização (que é: prendê-lo a um poste com uma tranca de bicicleta no pescoço, nu, com parte da orelha cortada) já não é “defesa”, isso tem outro nome: trata-se de requinte de crueldade, resquícios de navio negreiro, trate-se de raiva, intolerância, indiferença.

o que eu acho engraçado é que ninguém quer dar-se o trabalho de pensar, profundamente, as razões para que um menino esteja, nas ruas, furtando/assaltando.

o caso do menino preto & pobre deixado nu & preso num poste por uma tranca de bicicleta no pescoço, com parte de uma orelha cortada, em plena via pública, evidencia, a todos (até para os que preferem não enxergar), que o brasil, infelizmente, é um país moldado em relações escravocratas.

depois dos navios negreiros, outras correntezas…

beijo todos!
paulo sabino.
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(do livro: Antologia dos poetas brasileiros — Poesia da fase romântica. organização: Manuel Bandeira. autor: Castro Alves. editora: Nova Fronteira.)

 

 

TRAGÉDIA NO MAR

(O NAVIO NEGREIRO)

 

‘Stamos em pleno mar… Doudo no espaço
Brinca o luar — dourada borboleta —
E as vagas após ele correm… cansam
Como turba de infantes inquieta.

‘Stamos em pleno mar… Do firmamento
Os astros saltam como espuma de ouro…
O mar em troca acende as ardentias
— Constelações do líquido tesouro.

‘Stamos em pleno mar… Dous infinitos
Ali s’estreitam num abraço insano…
Azuis, dourados, plácidos, sublimes…
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?

‘Stamos em pleno mar… Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares
Como roçam na vaga as andorinhas…

Donde vem? onde vai? Das naus errantes
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?…
Neste saara os corcéis o pó levantam,
Galopam, voam, mas não deixam traço…

Bem feliz quem ali pode nest’hora
Sentir deste painel a majestade!…
Embaixo — o mar… em cima — o firmamento…
E no mar e no céu — a imensidade…

Oh! Que doce harmonia traz-me a brisa!…
Que música suave ao longe soa!
Meu Deus! Como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa!

Homens do mar! Ó rudes marinheiros
Tostados pelo sol dos quatro mundos!
Crianças que a procela acalentara
No berço destes pélagos profundos!

Esperai! Esperai! Deixai que eu beba
Esta selvagem livre poesia…
Orquestra — é o mar que ruge pela proa,
O vento que nas cordas assobia…

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Por que foges assim, barco ligeiro?
Por que foges do pávido poeta?…
Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira
Que semelha no mar doudo cometa.

Albatroz! Albatroz! águia do oceano,
Tu que dormes das nuvens entre a gazas,
Sacode as penas, Leviatã do espaço!
Albatroz! Albatroz! dá-me estas asas…

Que importa do nauta o berço,
Donde é filho, qual seu lar?…
Ama a cadência do verso
Que lhe ensina o velho mar!
Cantai! que a morte é divina…
Resvala o brigue à bolina
Como um golfinho veloz.
Presa no mastro da mezena
Saudosa a bandeira acena
Às vagas que deixa após.

Do Espanhol as cantilenas
Requebradas de langor,
Lembram as moças morenas,
As andaluzas em flor.

Da Itália o filho indolente
Canta Veneza dormente
— Terra de amor e traição —
Ou do golfo no regaço
Relembra os versos de Tasso
Junto às lavas do Vulcão.

O Inglês — marinheiro frio
Que ao nascer no mar se achou —
(Porque a Inglaterra é um navio
Que Deus na Mancha ancorou),
Rijo entoa pátrias glórias,
Lembrando orgulhoso histórias
De Nélson e de Abuquir…
O Francês — predestinado —
Canta os louros do passado
E os loureiros do porvir…

Os marinheiros Helenos,
Que a vaga iônia criou,
Belos piratas morenos
Do mar que Ulisses cortou,
Homens, que Fídias talhara,
Vão cantando em noite clara
Versos que Homero gemeu…
… Nautas de todas as plagas!
Vós sabeis achar nas vagas
As melodias do céu…

Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!
Desce mais, inda mais… não pode o olhar humano,
Como o teu mergulhar no brigue voador…
Porém que vejo aí… que quadro de amarguras!
Que canto funeral!… que tétricas figuras!
Que cena infame e vil!… Meu Deus! meu Deus! que horror!

Era um sonho dantesco… O tombadilho,
Que das luzernas avermelha  o brilho,
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros… estalar do açoite…
Legiões de homens negros como a noite
Horrendos a dançar…

Negras mulheres suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães.
Outras, moças… mas nuas, espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas
Em ânsia e mágoa vãs.

E ri-se a orquestra irônica, estridente…
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais…
Se o velho arqueja… se no chão resvala,
Ouvem-se gritos… o chicote estala
E voam mais e mais…

Presa nos elos de uma só cadeia
A multidão faminta cambaleia
E chora e dança ali…
Um de raiva delira, outro enlouquece…
Outro, que de martírios embrutece,
Cantando geme e ri…

No entanto o capitão manda a manobra…
E após, fitando o céu que se desdobra
Tão puro sobre o mar,
Diz, do fumo entre os densos nevoeiros:
“Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar.”

E ri-se a orquestra irônica, estridente…
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais!…
Qual num sonho dantesco as sombras voam…
Gritos, ais, maldições, preces ressoam
E ri-se Satanás!…

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura… se é verdade
Tanto horror perante os céus…
O’ mar! por que não apagas
Coa esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?…
Astros! noite!! tempestades?
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!

Quem são estes desgraçados,
Que não encontram em vós,
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?…
Quem são? Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala,
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa…
Dize-o tu, severa musa!
Musa libérrima, audaz!

São os filhos do deserto
Onde a terra esposa a luz,
Onde voa em campo aberto
A tribo dos homens nus…
São os guerreiros ousados,
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão…
Homens simples, fortes, bravos…
Hoje míseros escravos
Sem luz, sem ar, sem razão…

São mulheres desgraçadas…
Como Agar o foi também,
Que sedentas, alquebradas,
De longe… bem longe vêm.
Trazendo com tíbios passos
Filhos e algemas nos braços,
N’alma — lágrimas e fel.
Como Agar sofrendo tanto
Que nem o leite do pranto
Têm que dar para Ismael…

Lá nas areias infindas,
Das palmeiras no país,
Nasceram — crianças lindas,
Viveram — moças gentis…
Passa um dia a caravana
Quando a virgem na cabana
Cisma da noite nos véus…
… Adeus! ó choça do monte!…
Adeus! palmeiras da fonte!…
Adeus! amores… adeus!…

Depois o areal extenso…
Depois o oceano de pó…
Depois… no horizonte imenso
Desertos… desertos só…
E a fome, o cansaço, a sede…
Ai! quanto infeliz que cede
E cai pra não mais s’erguer!…
Vaga um lugar na cadeia,
Mas o chacal sobre a areia
Acha um corpo que roer.

Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob a tenda da amplidão…
Hoje o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar…
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar…

Ontem plena liberdade!…
A vontade por poder…
Hoje… cúm’lo de maldade!
Nem são livres pra… morrer!…
Prende-os a mesma corrente
— Férrea, lúgubre serpente —
Nas roscas da escravidão…
E assim roubados à morte
Dança a lúgubre coorte,
Ao som do açoute… Irrisão!…

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se eu deliro… ou se é verdade
Tanto horror perante os céus!
Ó mar! por que não apagas
Coa esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?…
Astros! noite! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!

E existe um povo que a bandeira empresta
Pra cobrir tanta infâmia e cobardia!…
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de Bacante fria!…
Meu Deus! Meu Deus! Mas que bandeira é esta
Que impudente na gávea tripudia?!…
Silêncio!… Musa! chora, chora tanto,
Que o pavilhão se lave no teu pranto…

Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra,
E as promessas divinas da esperança…
Tu, que da Liberdade após a guerra
Foste hasteado dos heróis na lança,
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!…

Fatalidade atroz que a mente esmaga!…
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu na vaga
Como um íris no pélago profundo!…
… Mas é infâmia demais… Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo…
Andrada! arranca esse pendão dos ares!…
Colombo! fecha a porta de teus mares!…

(São Paulo, 18 de abril de 1868.)
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(do site: Youtube. áudio extraído do cd: Livro. gravadora: PolyGram. canção: O navio negreiro [excerto]. artista & intérprete: Caetano Veloso. participação especial: Maria Bethânia. poema [excerto] de Castro Alves musicado por Caetano Veloso.)

ETERNO EM MIM
31 de janeiro de 2014

Ipanema_Rio de Janeiro_Brasil

Paulo Sabino_Pés no mar

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não há nada no mundo que possa fazer: eu deixar de cantar (o canto da poesia) ou deixar de gostar de você (você: o céu, o mar, o sol, a pessoa, a pedra, o bicho, o mato: a vida).

não há nada no mundo — nem nunca haverá.

de mais alto (feito o céu) ou mais fundo (feito o mar): o meu canto (de poesia) é meu céu & você (vida) é meu mar: céu & mar, poesia & vida: duas coisas que, dentro de mim, não podem ter fim.

céu & mar, poesia & vida: dois azuis no mesmo azul (apesar de dois azuis distintos, um, o do céu, e o outro, o do mar, os dois azuis estão contidos, a quem os observa, num mesmo plano azul, como se interligados — o horizonte).

céu & mar, poesia & vida: dois azuis no mesmo azul: meu horizonte sem nuvem nem monte que possa atrapalhar tudo aquilo que vislumbro à minha frente & que desejo alcançar.

em mim o eterno é música (a música dos versos de um poema, a música dos versos de um poema-canção) & amor (pelo céu, pelo mar, pelo sol, pela pessoa, pela pedra, pelo bicho, pelo mato: pela vida).

eu deixar de cantar (o canto da poesia) ou deixar de gostar de você (vida): não há nada, no mundo, que possa fazer.

não há nada no mundo — nem nunca haverá.

em mim, o eterno é música & amor.

beijo todos!
paulo sabino.
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(do encarte do cd: Âmbar. gravadora: EMI. artista: Maria Bethânia. autor dos versos: Caetano Veloso.)

 

 

ETERNO EM MIM

 

Não há nada no mundo que possa fazer
Eu deixar de cantar
Ou deixar de gostar de você
Não há nada no mundo, nem nunca haverá
De mais alto ou mais fundo
O meu canto é meu céu
E você é meu mar
Duas coisas que dentro de mim
Não podem ter fim
Dois azuis no mesmo azul
Meu horizonte sem nuvem nem monte
Em mim o eterno é música e amor

Eu deixar de cantar
Ou deixar de gostar de você
Não há nada no mundo que possa fazer
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(do site: Youtube. áudio extraído do cd: Âmbar. gravadora: EMI. canção: Eterno em mim. artista & intérprete: Maria Bethânia. autor da canção: Caetano Veloso.)

A AÇÃO DOS BLACK BLOCS NESTA HORA
10 de setembro de 2013

Caetano Veloso_Black Bloc

Paulo Sabino_Black Bloc

(Nas fotos, o poeta-compositor Caetano Veloso & o poeta Paulo Sabino.)
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Ah, é? Então quer dizer que você SOFREU na ditadura militar, APANHOU, VIU os maiores absurdos?

Ah, é? Então quer dizer que, à época da ditadura militar, você SENTIU dor, REVOLTOU-se, CLAMOU por justiça?

Pois é, mas tudo isso no passado… Todos os verbos (que denotam AÇÃO), aqui, estão no pretérito.

Vamos parar de legitimar o que pensamos HOJE (que é o que REALMENTE importa) com ações do passado.

Ferreira Gullar também LUTOU & SOFREU na ditadura militar & hoje vai aos jornais para dizer que os empresários são, na área econômica, uma espécie de artistas no modo de conduzir o modelo econômico vigente…

Aí me dá uma tristeza imensa… Artistas?! Empresários?! Só se forem do terror, do horror, das recessões econômicas, das mazelas sociais!

O jornalista Marcelo Rubens Paiva escreveu um texto para o jornal “Estadão” no qual legitima a sua postura anti-black blocs apoiado em ações suas que ficaram no passado. Acho isso o fim.

Mobilização social, por conta de violências praticadas pelo Estado, possui uma dose de violência. Isso tem a ver com aquele conhecimento mais antigo que a vovó: gentileza gera gentileza; e violência, obviamente, violência. Não se pode esperar protestos com flores & bandeiras brancas, por parte de toda a massa que vai às ruas, quando muitos são tratados com extrema violência nos seus cotidianos, quando, TODOS, vivemos num Estado ESCROTO & FILHO DA PUTA como o Brasil em diversos aspectos.

O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), como bem escreveu um leitor do texto do Marcelo Rubens Paiva, “com seu pleito por terra (até certo ponto muito justo), invade propriedades privadas levando nas mãos foices e enxadas e, algumas vezes, depredam a propriedade e o plantio ali feito. Isso é legítimo.”

Fico pensando: possivelmente os que bradam, veementes, contra as ações dos black blocs, se moradores do campo, ficariam indignadíssimos com a postura do campesinato ligado aos movimentos sociais em prol de uma distribuição de terras mais igualitária. Portanto, a “depredação” & o “quebra-quebra” incomodam porque acontecem do ladinho das suas confortáveis residências urbanas. É muito mais bacana apoiar a causa do MST ou a dos índios, quando também reagem de forma violenta aos abusos cometidos por grandes latifundiários, porque tais formas de protestos acontecem lááááááá no “fim do mundo”, sem o perigo & a ameaça de que o sangue jorrado respingue nos belos apartamentos da zona sul do Rio de Janeiro.

Escreve, ainda, o leitor que bem responde ao texto do Marcelo Rubens Paiva: “colocar uma máscara não é sinônimo de vandalismo. Nem todos os mascarados são vândalos. Muitos usam máscaras pra se proteger da pimenta, do gás e do FICHAMENTO CLANDESTINO feito por policiais e militares sem identificação e com seus rostos cobertos.”

Sabemos das ações pra lá de ARBITRÁRIAS, seja no campo, seja na cidade, utilizadas pelas milícias do Estado, demasiadamente VIOLENTAS.

Eu quero a paz. Eu prefiro a paz. Sou um homem de delicadezas, portanto, um homem pacífico. Mas acho a indignação extrema extremamente proporcional ao estado de violência gerado pelo Estado.

A cada ação, a sua devida re-ação.

A população é maltratada pelo Estado (ação) & isso, naturalmente, evidentemente, pode gerar, em alguns, uma re-ação na mesma medida.

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(do livro: Poemas escolhidos. autora: Sophia de Mello Breyner Andresen. seleção: Vilma Arêas. editora: Companhia das Letras.)

 

 

NESTA HORA

 

Nesta hora limpa da verdade é preciso dizer a verdade toda
Mesmo aquela que é importante neste dia em que se invoca o povo
Pois é preciso que o povo regresse do seu longo exílio
E lhe seja proposta uma verdade inteira e não meia verdade

Meia verdade é como habitar meio quarto
Ganhar meio salário
Como só ter direito
A metade da vida

O demagogo diz da verdade a metade
E o resto joga com habilidade
Porque pensa que o povo só pensa metade
Porque pensa que o povo não percebe nem sabe

A verdade não é uma especialidade
Para especializados clérigos letrados

Não basta gritar povo é preciso expor
Partir do olhar da mão e da razão
Partir da limpidez do elementar

Como quem parte do sol do mar do ar
Como quem parte da terra onde os homens estão

Para construir o canto do terrestre
— Sob o ausente olhar silente de atenção —

Para construir a festa do terrestre
Na nudez de alegria que nos veste

ESTATÍSTICAS DO “PEmP”: AGRADECIMENTOS
17 de maio de 2013

Estatística do PEmP

(Na foto, o número de visualizações do blog “Prosa em poema” em 1 mês. Para melhor visão da foto, clicar em cima dela.)
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Coisa boa!

A foto acima mostra o número de visualizações do blog “Prosa em poema” em 1 mês.

A barra vertical aponta o número de visualizações & a barra horizontal, os dias correspondentes às visitas.

Notem que, em 1 mês de análise do desempenho da página, apenas 2 dias o “PEmP” não registrou a marca das mais de 100 visualizações diárias (no dia 4 de maio, com 85 visualizações, e no dia 11 de maio, com 95 visualizações).

Em todos os outros dias, nesse 1 mês, o site obteve mais de 100 visualizações, chegando, em alguns dias, a quase 200 visitas!

Delícia! Orgulho!

Fico muito feliz vendo o “PEmP” decolando, ganhando asas mais possantes…

Sabe, senhores, por mais doido que possa soar, poesia, para mim, também é qualidade de vida.

O verso é o que pode lançar mundos no mundo, já disse o Caetano. A poesia melhora tudo: o pensamento torna-se mais aguçado, mais afiado, mais antenado. Acho que consigo fazer melhor todo o resto por causa da poesia, por causa dos mundos que ela lança em mim.

E como não vejo a menor graça estar sozinho nessa viagem poética (gosto de muita gente viajando comigo!), desejo que isso aconteça com o maior número possível de pessoas.

Por essas razões batalho tanto para que as pessoas COMAM poesia, para que a poesia sirva inúmeras mesas, para que a poesia seja o prato principal de muitas bocas.

Disseminar a boa poesia, nessa escala, é um presente que a vida me dá. Sinto-me fazendo um trabalho em prol da língua portuguesa, em prol do Brasil, em prol de uma melhor educação.

Agradeço imensamente a existência de todos os poetas, poetas-compositores, e o fato de muitos poetas, poetas-compositores, permitirem que o “PEmP” divulgue suas obras juntamente aos meus textos de apresentação. Satisfação enorme.

Vamo comê, vamo comê — POESIA!

Beijo todos!
Paulo Sabino.

DECLARAÇÃO: AS PALAVRAS SÃO NOVAS
16 de abril de 2013

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(Na foto, a partir do primeiro plano: Jorge Amado, José Saramago & Caetano Veloso.)

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 declaração: não, não há morte.
 
nem esta pedra é morta, nem morto está o fruto que tombou: o abraço dos meus dedos — na pedra, no fruto que tombou — dá-lhes vida, (a pedra, o fruto que tombou) respiram na cadência do meu sangue, (a pedra, o fruto que tombou) respiram na cadência do bafo que os tocou.
 
também um dia, quando esta mão secar, quando, um dia, não mais estiver entre os senhores esta mão a abraçar com os dedos a pedra & o fruto que tombou, dando-lhes vida, na memória de outra mão perdurará; na memória da mão tocada, afagada, acarinhada, esta minha mão perdurará quando estiver secado (sem gota de sangue que a anime), perdurará à prova de tempo, assim como a boca guardará, caladamente, o sabor das bocas que beijou.
 
também um dia, quando esta mão secar & não mais falarem as palavras por meio dela, que perdurem na memória de quem as lê as palavras aqui dispostas.
 
as palavras, mesmo velhas, são novas: nascem quando as projetamos em cristais de macias ou duras ressonâncias, nascem quando as projetamos em cristais de brandas, suaves, ou de árduas, rígidas, repercussões sonoras.
 
as palavras, mesmo velhas, são novas, porque novas as disposições, novos os encaixes, das palavras na frase ou no verso (as tantas disposições & os tantos encaixes possíveis das palavras na frase ou no verso é o que lhes confere o caráter de “novidade”), e, dependendo da intenção de quem as escreva ou pronuncie, as palavras projetam cristais de reverberações sonoras macias (brandas, suaves) ou reverberações sonoras duras (árduas, rígidas). 
 
somos iguais aos deuses (que, segundo a mitologia, inventaram os homens): inventamos, na solidão do mundo (pois o mundo nada nos diz, nada nos revela: o mundo segue cego & mudo a sua jornada rumo ao nada), estes sinais (os sinais: as palavras, criadas por nós na tentativa de compreender & explicar o mundo), que nos servem de pontes (entre entre a nossa profunda ignorância & o que está fora de nós), pontes que arcam as distâncias; inventamos, na solidão do mundo, estes sinais — as palavras — que nos servem de pontes (entre a nossa profunda ignorância & o que está fora de nós) que tentam nos dar acesso a isto a que chamamos: mundo, o nosso entorno, aquilo que nos cerca — com as palavras, a tentativa (errante) de compreendê-lo, de conhecê-lo, de desvendá-lo.
 
as palavras são pontes que arcam as distâncias: as palavras não encurtam as distâncias entre a nossa profunda ignorância & o que está fora de nós (o mundo, o nosso entorno, aquilo que nos cerca), as palavras mudam as distâncias de perspectiva, as palavras tornam as distâncias mais curvas: apesar de parecer que damos conta, na verdade, não damos conta de muitas coisas — não damos conta da maioria das coisas — com a linguagem: as palavras não solucionam uma série de coisas: mais desconhecemos que conhecemos: fadados — por conta da nossa pequenez & insignificância frente à grandeza do mundo — a uma ignorância atávica abismal.
 
ainda assim, nas nossas tentativas errantes, às palavras devemos muito o pouco que alcançamos. 
 
beijo todos!
paulo sabino. 
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(do livro: Poesia completa. autor: José Saramago. editora: Alfaguara.)
 
 
 
DECLARAÇÃO
 
 
Não, não há morte.
Nem esta pedra é morta,
Nem morto está o fruto que tombou:
Dá-lhes vida o abraço dos meus dedos,
Respiram na cadência do meu sangue,
Do bafo que os tocou.
Também um dia, quando esta mão secar,
Na memória doutra mão perdurará,
Como a boca guardará caladamente
O sabor das bocas que beijou.
 
 
 
“AS PALAVRAS SÃO NOVAS”
 
 
As palavras são novas: nascem quando
No ar as projectamos em cristais
De macias ou duras ressonâncias.
 
Somos iguais aos deuses, inventando
Na solidão do mundo estes sinais
Como pontes que arcam as distâncias.

LIVROS
12 de abril de 2013

Real Gabinete Português de Leitura

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o poema — digamos — “livresco”, o poema exclusivamente encontrado em livros, eu conheci & tomei gosto a partir da canção popular.
 
foi a partir de maria bethânia, que não só grava os grandes poetas-compositores (caetano, gil, chico, gonzaguinha, roque ferreira) como também interpreta poemas de grandes poetas, que tive o meu primeiro contato com a poesia (no sentido amplo da palavra), ainda bem menino.
 
portanto, a primeira estrela a luzir no céu poético que me comporta, distraidamente, foi a estrela da canção popular.
 
e, até hoje, sou louco, alucinado, morro de amores, pela canção popular.
 
quem acompanha o meu trabalho, sabe que não faço distinção de tipos, cores & sabores: neste espaço, a poesia livresca convive muitíssimo bem com os versos do poema-canção.
 
chico buarque, gilberto gil, alceu valença, djavan, adriana calcanhotto, péricles cavalcanti, lenine, caetano veloso, são alguns nomes do nosso cancioneiro popular que convivem, muitíssimo bem, aqui neste espaço, com carlos drummond de andrade, armando freitas filho, antonio carlos secchin, nelson ascher, josé almino, eucanaã ferraz, e tantos outros — sem contar, por exemplo, aqueles que transitam entre o poema-canção & o poema-livresco: vinicius de moraes, waly salomão, antonio cicero, arnaldo antunes, alice ruiz s, francisco  bosco, paulo césar pinheiro.
 
a canção popular foi a primeira estrela a luzir no meu céu poético, distraidamente, porque eu amei a canção popular ouvindo-a despretensiosamente, ao lado da minha mãe, a minha cabocla jurema, a grande responsável, pessoa apaixonada — desde que me entendo por gente — pela tradição do cancioneiro popular.
 
a canção popular, na minha existência, foi a estrela entre as estrelas.
 
foi a partir dela que me brotou, que vi nascer, o desejo agudo de conhecer mais & mais tanto o poema-livresco quanto o poema-canção.
 
a canção popular: a estrela entre as estrelas.
 
meus pais nunca tiveram biblioteca em casa. quase não tínhamos livros em casa & o bairro onde cresci não tinha livraria.
 
mas os livros que, já na infância, em minha vida entraram (lembro-me do “círculo do livro” batendo à porta de casa) são como a radiação de um corpo negro apontando para a expansão do universo.
 
a radiação de um corpo negro apontando para a expansão do universo: sabe-se que a teoria mais difundida sobre a criação do universo (big bang) declara que este nasceu a partir da explosão, num tempo passado finito, de uma matéria altamente condensada, a uma temperatura elevadíssima. a radiação produzida pela explosão foi tão absurdamente & absolutamente forte que tal energia ainda desdobra-se espaço afora, produzindo a contínua expansão do universo. o corpo negro — espaço onde cabe o nosso mundo & mais — aponta para a expansão do universo, dilatando-se & lançando, com a sua expansão, novos sistemas, novas galáxias, novos corpos celestes.
 
os livros que em minha vida entraram são como a radiação de um corpo negro apontando para a expansão do universo: porque a frase, o conceito, o enredo, o verso (e, sem dúvida, sobretudo o verso), é o que pode lançar mundos no mundo.
 
a força contida na condensação inteligente de poucas palavras — que é o que forma um verso — é tamanha, que o verso, assim como a matéria altamente condensada que formou o universo & que continua em expansão no corpo negro espacial, é o que pode lançar mundos no mundo.
 
ao me referir ao verso como aquele que, sobretudo, pode lançar mundos no mundo (tal & qual a radiação de um corpo negro), refiro-me tanto ao verso-livresco quanto ao verso-canção, sem distinção de tipos, cores & sabores.
 
a canção popular, estrela primeira a reluzir forte, intensa, no meu céu poético, tropeçava nos astros — revistas livros enciclopédias filmes — desastrada, lúdica, onírica, sem saber que a aventura da ventura (da boa fortuna, da boa sorte) & da desventura (da má fortuna, da má sorte) dessa estrada que vai do nada ao nada (a estrada que vai do nada ao nada: a existência, a vida: não sabemos exatamente de onde viemos & muito menos para onde iremos) são livros & o luar contra a cultura.
 
(os livros são responsáveis por boa parte do conhecimento adquirido nessa estrada que é a vida & que vai do nada ao nada, sem teoria ou ponderação que a justifique claramente. sobretudo aqueles que põem à prova, que questionam, que discutem, o status quo do meio social, sobretudo aqueles que nos fazem pensar os valores culturais que nos são incutidos através das normas & convenções sociais.)
 
os livros são objetos transcendentes, os livros são objetos que ultrapassam a natureza física das coisas (é justamente essa característica que possibilita que o verso, sobretudo, possa lançar mundos no mundo), mas podemos amá-los do amor tátil (amor sem valor transcendental, amor ligado ao tato, ao que é palpável) que votamos, por exemplo, aos maços de cigarro.
 
amando os livros — que são objetos transcendentes, objetos cujo valor não é tangível, não é palpável, valor que possibilita o verso lançar mundos no mundo — com o amor tátil que votamos aos maços de cigarro (amor ligado ao tato, ao que pode ser materialmente aferido, apalpado), acabamos por domá-los, por domesticá-los, amando os livros com o amor tátil que votamos aos maços de cigarro, acabamos por cultivá-los em aquários, em estantes, em gaiolas, acabamos por aprisioná-los & deixá-los à mercê de uma visitação fria, distanciada, de quem os cultiva apenas por causa do amor tátil, apenas por causa do amor ao objeto-livro, ao objeto palpável, material — o que importa, nesse caso, não é o conteúdo que o livro abriga (que é o que confere ao livro o seu caráter transcendental) & sim o “objeto-livro”, o livro enquanto “material palpável”, enquanto mero “enfeite de casa”.
 
amando os livros — que são objetos transcendentes, objetos cujo valor não é tangível, não é palpável, valor que possibilita o verso lançar mundos no mundo — com o amor tátil que votamos aos maços de cigarro, além de domá-los, além de domesticá-los, podemos lançá-los — os livros — para fora das janelas, podemos jogá-los às traças, podemos mandá-los ao lixo, assim como quando amassamos um maço de cigarro que não nos serve mais.
 
lançando os livros para fora das janelas, tendo, pelos livros, apenas o amor tátil, isso, certamente, nos livra do exercício (difícil, complicado) de lançarmo-nos, destemidos, à existência. lançando os livros para fora das janelas, tendo, pelos livros, apenas o amor tátil, isso nos livra de lançarmo-nos ao mundo com as tantas descobertas & achados que nos trazem o conhecimento adquirido através dos livros (porque a frase, o conceito, o enredo, o verso — e, sem dúvida, sobretudo o verso, é o que pode lançar mundos no mundo), ou — o que é muito pior — por odiarmo-los, por odiarmos os livros (odiá-los amando-os do amor tátil, cultivando-os em estantes & gaiolas & fogueiras), podemos, simplesmente, escrever um: encher muitas páginas de vãs palavras, encher páginas & mais páginas de palavras que não acrescentam nada, para, assim, conseqüentemente, encher as prateleiras — das livrarias — de mais confusão, de papo furado, de conversa fiada, de livros que não dizem nada de relevante.
 
pois a grande questão com a leitura é que não devemos nos preocupar somente com a atitude de ler. acima de tudo, temos que nos preocupar com o tipo de literatura que procuramos ler.
 
o tempo todo, o ser humano gaba-se do fato de que cada ser é um, ímpar, único, singular,  o tempo todo, o ser humano gaba-se do fato de que cada ser possui as suas especificidades,  o tempo todo, o ser humano gaba-se do fato de que ninguém é igual a ninguém. e, no entanto, esse ser humano, que se gaba o tempo inteiro do fato de ser um, único, ímpar, singular, busca, em livros, fórmulas gerais — como se fossem receitas de bolo, bulas de remédio —de como alcançar a felicidade, de como obter sucesso no trabalho, 8 dicas para conseguir amigos, 15 passos rumo à felicidade conjugal, 10 maneiras infalíveis de conquistar a pessoa amada, conselhos para bem educar os filhos.
 
isso é, em si, uma enormíssima incoerência: fórmulas & tratados gerais, sobre como obter sucesso & felicidade, para seres únicos, ímpares, singulares, cheios de especificidades?  
 
os livros devem lançar mundos no mundo: eles não trazem respostas prontas; eles incitam a buscas, a descobertas.
 
por amá-los (os livros) de um amor tátil, por domá-los em aquários, estantes, gaiolas & fogueiras, por lançá-los para fora das janelas, ou — o que é muito pior — por odiarmo-los, podemos simplesmente escrever um: encher de vãs palavras muitas páginas & de mais confusão as prateleiras…
 
apesar de todo amor & toda gratidão que possuo pelos livros, no meu céu poético a canção popular foi, é & será, sempre, a (grande) estrela entre as estrelas.
 
eu sou louco, alucinado, morro de amores, pela canção popular. foi ela que, distraída, desastrada, tropeçando nos astros, me abriu as portas da poesia (no sentido amplo da palavra).
 
eternamente grato & em dívida com os nossos poetas-compositores.
 
salve a canção popular!
salve a poesia!
salvem os livros!
 
beijo todos!
paulo sabino. 
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(do livro: Letra só. autor: Caetano Veloso. editora: Companhia das Letras.)
 
 
 
LIVROS
 
 
Tropeçavas nos astros desastrada
Quase não tínhamos livros em casa
E a cidade não tinha livraria
Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando pra expansão do Universo
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo
 
Tropeçavas nos astros desastrada
Sem saber que a ventura e a desventura
Dessa estrada que vai do nada ao nada
São  livros e o luar contra a cultura
 
Os livros são objetos transcendentes
Mas podemos amá-los do amor táctil
Que votamos aos maços de cigarro
Domá-los, cultivá-los em aquários
Em estantes, gaiolas, em fogueiras
Ou lançá-los pra fora das janelas
(Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)
Ou — o que é muito pior — por odiarmo-los
Podemos simplesmente escrever um:
Encher de vãs palavras muitas páginas
E de mais confusão as prateleiras
 
Tropeçavas nos astros desastrada
Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas
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(do site: Youtube. áudio extraído do álbum: Livro. artista & intérprete: Caetano Veloso. canção: Livros. autor da canção: Caetano Veloso. leitura em francês de um trecho do livro: O vermelho e o negro. autor do livro: Stendhal. gravadora: PolyGram.)
 

UMA ALEGRIA EXCELSA PRA VOCÊ: ABRAÇAÇO, O SHOW
25 de março de 2013

Caetano Veloso_Abraçaço

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O show da nova turnê do Caetano, Abraçaço, realizado sábado (23/03), no Circo Voador (Rio de Janeiro), foi do caralho!

No palco, continua cheio de vigor & disposição. É bom, bonito, feliz, ver o homem velho feito um menino, desferindo suas novas & antigas canções.

O show, vigoroso em sua possança, não esconde o estado emocional atual do poeta-compositor — na verdade, a minha leitura do espetáculo diz que Caetano, no fundo, ainda que intuitivamente, quer demarcar, definir, afirmar, com suas composições, este seu momento.

Não podemos esquecer que dona Canô, mãe & mulher de primordial importância na sua formação (sob todos os aspectos), faleceu há pouquíssimo tempo.

Então, ainda que haja espaço garantido à alegria excelsa (tudo mega-bom, giga-bom, tera-bom!), o espaço à melancolia & tristeza não foi poupado.

Um dos momentos mais emocionantes, ao meu ver, é quando Caetano canta Mãe, pungente canção gravada por Gal Costa em 1978 para o álbum Água viva, canção que soa, diretamente, como uma homenagem à mãe, à falta dela em sua existência. Chorei baixinho, no meu re-canto escuro.

Outro momento muito emocionante (e emocionado) é quando Caetano canta Reconvexo, canção lançada por Bethânia (feita para Bethânia) no seu álbum Memória da pele. Ao entoar o verso: “quem não rezou a novena de dona Canô”, uma lindíssima enxurrada de palmas era lançada ao poeta-compositor.

Um terceiro momento de bastante emoção é quando o poeta-compositor dispara Um índio em homenagem à aldeia Maracanã. Todos nós — o público — estávamos /estamos muito tocados com todo aquele absurdo ocorrido na desocupação do espaço onde moravam os índios da aldeia, bem próximo ao estádio Maracanã, absurdo envolvendo a polícia militar do estado do Rio de Janeiro & sua truculência, tratando a população civil, completamente desarmada, fosse índio, fosse manifestante, fosse pessoa que simplesmente passava na rua, à base de porrada, cacetete & spray de pimenta. Então, quando Caetano entoa Um índio, esse desbunde de poema-canção, dizendo, antes, o que ele disse sobre a aldeia & o Brasil, com aquela lucidez, cantei a música inteira todo arrepiado, embargando a voz.

Caetano, apesar de passar por um momento difícil de perda, apesar da sua tristeza, está feliz com seu canto, eu sei. Esta turnê, de alguma maneira, com a receptividade & o acolhimento dos espectadores, funciona como um afago, um carinho, do público, àquele com quem cantamos tantas lindas & emblemáticas canções. Um abraçaço da platéia. Isso é muito bonito.

Parti para o abraçaço de peito aberto. O público do Circo Voador também. Show memorável para todos os envolvidos.

Caetano segue firme & forte, cravado no centro da minha sensibilidade, como sempre foi, como sempre será.

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(do livro: Letra só. autor: Caetano Veloso. editora: Companhia das Letras.)

 

 

MÃE

 

Palavras, calas, nada fiz
Estou tão infeliz
Falasses, desses, visses, não
Imensa solidão

Eu sou um rei que não tem fim
E brilhas dentro aqui
Guitarras, salas, vento, chão
Que dor no coração

Cidades, mares, povo, rio
Ninguém me tem amor
Cigarras, camas, colos, ninhos
Um pouco de calor

Eu sou um homem tão sozinho
Mas brilhas no que sou
E o meu caminho e o teu caminho
É um nem vais, nem vou

Meninos, ondas, becos, mãe
E, só porque não estás
És para mim e nada mais
Na boca das manhãs

Sou triste, quase um bicho triste
E brilhas mesmo assim
Eu canto, grito, corro, rio
E nunca chego a ti
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(do site: Youtube. áudio extraído do álbum: Água viva. artista & intérprete: Gal Costa. canção: Mãe. autor da canção: Caetano Veloso. gravadora: PolyGram.)

O IMPÉRIO DA LEI
19 de dezembro de 2012

O império da lei

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O império da lei há de chegar no coração do Pará! O império da lei há de chegar lá!

Quem mata uma pessoa, obviamente, tem que pagar. Porém, tem que pagar ainda mais aquele que mandou matar. Porque, em casos assim, de morte por encomenda, só existe o matador porque há, por detrás do matador, o mandante do crime.

Quem mata & quem manda matar têm que pagar pelo crime cometido.

Brasil de impunidades alarmantes: aqui, mata-se a troco de muito: os políticos que roubam os cofres públicos são responsáveis diretos pela morte das pessoas em postos de saúde & hospitais públicos, pessoas que, pagando os seus impostos & os impostos embutidos nos produtos que consomem, não conseguem ter o devido atendimento & morrem.

Os políticos ladrões são, ao mesmo tempo, matadores & mandantes dos crimes.

A fim de dar um fim nessa triste realidade que nos cerca, ter o olho no olho do jaguar: jaguar: o mesmo que onça-pintada: o maior felino das Américas, também encontrado na região norte do país: ter o olho no olho do jaguar: observar com atenção a maneira do jaguar olhar, observar com atenção o modo que o jaguar tem de mirar aquilo que lhe interessa: maneira de olhar forte, firme, incisiva, sem vacilos, na intenção de analisar calculadamente o objeto observado.

Ter o olho no olho do jaguar para que se possa virar um jaguar: aos olhos confrontantes do jaguar nada escapa, nada foge; o jaguar, por ser o maior felino das Américas, nada teme.

Nós, como cidadãos, deveríamos enfrentar com mais ímpeto as impunidades alarmantes que assolam o Brasil. Precisamos ter o olho no olho do jaguar, precisamos virar jaguar.

O império da lei há de chegar no coração do Pará! O império da lei há de chegar lá!

(No Pará, o império da lei, um dia, parará.)

Lá (no coração do Pará), e aqui, e aí, e ali, e acolá: o império da lei há de chegar no coração do Brasil!

(Que assim seja.)

Beijo todos!
Paulo Sabino.

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(autor: Caetano Veloso.)

 

 

O IMPÉRIO DA LEI

 

O império da lei há de chegar no coração do Pará
O império da lei há de chegar no coração do Pará
O império da lei há de chegar lá

Quem matou meu amor tem que pagar
E ainda mais quem mandou matar
Ter o olho no olho do jaguar
Virar jaguar

O império da lei há de chegar no coração do Pará

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(do site: Youtube. áudio extraído do cd: Abraçaço. artista & intérprete: Caetano Veloso. canção: O império da lei. letra & música: Caetano Veloso. gravadora: Universal Music.)

ELIS: A PRIMEIRA DAMA DA CANÇÃO
17 de janeiro de 2012

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O meu QUERIDO amigo & TALENTOSÍSSIMO poeta-compositor PÉRICLES CAVALCANTI me apresentou este BELÍSSIMO texto, escrito por CAETANO VELOSO, sobre a GRANDE DIVA, a SOBERANA ELIS REGINA.

Este ano a maior cantora do Brasil de todos os tempos completa os seus 30 anos de morte.

Seu desenlace existencial se deu em 19 de janeiro de 1982.

Minha mãe, a minha cabocla Jurema Armond, conta que o Brasil parou para chorar a sua partida. Ela mesma diz que ficou muitíssimo triste, abalada, com a notícia.

Eu, como toda & qualquer pessoa com o mínimo de percepção musical, sei que ELIS REGINA foi a MAIOR.

Todos sabem da minha IMENSA ADMIRAÇÃO & PREDILEÇÃO por outra diva, MARIA BETHÂNIA. Mas se pensarmos, em termos acadêmicos, o que é o canto, o que pode a voz, se pensarmos nos estudos que envolvem o instrumento vocal, Elis foi a cantora que abrigou TUDO em seu timbre, com maestria de GÊNIOS profundamente talentosos: ninguém conseguiu, até hoje, condensar tão PERFEITAMENTE técnica & emoção. Quando a ouço, tenho certeza: ela, Elis, não foi, ela, Elis, É A MAIOR.

As linhas do Caetano são LINDAS, e merecem ser lidas.

Ele fala sobre a sua relação de encontros & desencontros com Elis, salientando, sempre, os seus ENORMES carinho & admiração: “eu via Elis cantar exclusivamente para me sentir bem”, declara.

Ao final do seu texto uma frase-chave, com a qual Caetano acaba por ratificar o tom (acertado, afinado, limpo) do ser de Elis: “ela me escreveu um bilhete pedindo perdão pelo que fez com ‘Gente'”.
 
Em seu livro “Sobre as letras” (ed. Companhia das Letras), o poeta-compositor explica o episódio envolvendo a (sua) canção “Gente”:
 
“No show Transversal do tempo, Elis Regina cantava ‘Gente’ como se estivesse debochando da canção, com o arranjo servindo ao deboche, e aparecia ‘Beba Gente’ escrito atrás, como se fosse Coca-cola. (…) Um pouco antes de morrer, ela me escreveu uma carta dizendo que aquilo que ela tinha feito com a minha música em Transversal do tempo tinha sido idéia dos diretores do show, que ela não queria, que, por ela, não faria aquilo, e me pediu desculpas”. 
 
Logo após o texto de Caetano, uma das gravações de Elis que conheci ainda moleque & que me fisgou pelo pé (da cabeça) – rs.
 
Lembro-me do arrepio ao ouvi-la (a referida gravação) pela primeira vez, lembro-me da minha emoção, da beleza que se revelava.
 
Os versos contam a história duma mulher que “aparece” ao mundo, que “surge” à vida, depois de uma grande desilusão amorosa. Mulher que cresceu olhando a vida sem malícia, sem maldades, até que um cabo de polícia despertou seu coração. O policial, cabo (sua patente), fê-la apaixonar-se, para, em seguida, soltá-la na rua, abandoná-la, desprezada como um cão. Depois disso, desiludida, machucada, ferida, a mulher caiu na “orgia” (termo, antes, muito utilizado para noitadas de muita farra, de muita cantoria & bebedeira, sem a forte conotação sexual que ganhou nos dias atuais).
 
Mulher “da virada” (boêmia, mulher que apronta na noite, mal vista, inclusive, por outras mulheres), esquecida por Deus, mulher que irá cada vez mais se esmolambando, cada vez mais arrastando os seus molambos (os seus farrapos) , mulher que seguirá sempre cantando na batucada da vida.

A ela, Elis, pimenta boa de ser degustada, os meus PROFUNDOS carinho & respeito!

SALVE ELIS REGINA, a PRIMEIRA DAMA da canção!
 
Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(do site: Conteúdo Livre. autor do texto: Caetano Veloso.)

 

QUEM ENTENDE DE MÚSICA SABE QUE ELA (ELIS) É UMA DAS MAIORES QUE JÁ HOUVE


Ouvi Elis pela primeira vez vendo-a na televisão. Foi em Salvador — e nós, os baianos que chegaram ao eixão na esteira da estreia de Bethânia no Opinião, já tínhamos um esboço de visão da música popular numa perspectiva brasileira. Tive reação semelhante à que muitos tiveram: finalmente uma cantora moderna, em pleno domínio de seus recursos aparecia na cena profissional — e já embalada para alcançar massas de ouvintes. Era indubitavelmente um largo passo dado. Éramos todos, Elis e nós, esforços de criação dentro do universo exigente que foi o imediato pós-bossa nova.

Sempre conto que, na minha imaginação, Bethânia, Gal, Gil e eu faríamos algo marcante. Dos quatro, Gal e eu éramos os mais radicalmente joãogilbertianos. E eu talvez mais do que Gal. Bethânia tinha um temperamento e um talento que a levavam para além das marcas estilísticas do supercool de João. Gil, por ser o que mais era capaz de apreender os acordes e as levadas de violão do mestre, sentia-se livre para cruzar a fronteira. Gal desejava entrar cada vez mais fundo no mundo desdramatizado da bossa pura. Eu, que me julgava um observador útil, capaz apenas de contribuir com acompanhamento crítico e conversas teóricas (o que não me impedia de fazer umas musiquinhas), tinha João como paradigma e, por isso, interessava-me pelo desvelamento do ser da canção como forma. Assim, o canto e violão dele se opunham, dentro de mim, ao samba-jazz dos grupos instrumentais (ou voco-instrumentais) que se desenvolveram no Beco das Garrafas. Elis, cantando na TV, num videotape dos que chegavam de avião às províncias (ainda não havia televisão em rede), era a realização brilhante do estilo que me parecia oposto ao de João.

Mas a evidência de competência, talento e desenvoltura era mais forte do que meus esquemas críticos. O fato bruto de que alguém estivesse dominando divisões complicadas das frases rítmicas e exibindo com espontânea segurança o entendimento de cada nota cantada (o modo como ela instintivamente cuidava da afinação) era em si mesmo um acontecimento na cena brasileira, um acontecimento que me obrigava a pôr tudo em novo patamar. Bem, tudo o que eu imaginava para meus três amigos era algo que tivesse esse poder — mas por outras vias, a partir de outros elementos, sempre nascidos da atenção a João. Assim, vi uma tensão natural entre nosso projeto e o acontecimento Elis. Tive quase um sentimento de ciúme. Sobretudo me senti com maiores responsabilidades e excitado por desafios mais altos.

Nada disso nunca se desmentiu. Depois de Elis, teríamos que fazer algo mais radical. Bethânia esteve sempre fora da questão, já que ela tinha um estilo assombrosamente desenvolvido e totalmente independente da estética da bossa nova. Mas ela mal tinha se decidido pela música: havia sonhado em ser atriz, escrevia e fazia joias de metal. Sua voz e sua intensidade pessoal é que a puxaram para o canto, através do interesse despertado em quem a ouvia. O modo extrovertido, o tom expressionista, que contrastava com a sobriedade da bossa nova, tudo isso ela tinha em comum com Elis. Mas eram figuras opostas. Pôr as duas em comparação, dentro da cabeça, era como contrapor Sarah Vaughan a Edith Piaf. Mas o que acontecia era que, com Elis, eu era levado a pensar assim, em termos mundiais, considerando figuras nascentes de nossa canção com divas do grande mundo.

Bem, o ambiente de criação de música popular no Brasil estava se diversificando. Era a época de Edu — e Nara tinha aberto o leque do repertório, saindo das salas sofisticadas e indo ao morro e ao sertão. Mas, fosse Edu, Nara ou nós, todos parecíamos treinados em ambientes de teatro, cineclubes e diretórios acadêmicos. Elis era uma menina que gostava de Ângela Maria e se tornara um fenômeno infantojuvenil em Porto Alegre. A evidência de seu talento chamou a atenção de produtores que sonharam em fazer dela uma nova versão de Celly Campello, o que resultou em quatro LPs que, depois do estouro de “Arrastão”, foram banidos de sua discografia oficial — não tão diferente assim do que aconteceu com o 78 RPM de João, gravado no início dos anos 50. Seja como for, Elis vinha do mundo da música comercial, enquanto Nara , Edu e nós vínhamos dos ambientes intelectualizados.

O Beco das Garrafas e Armando Pittigliani compuseram a Elis genial que, logo formatada por Solano Ribeiro, veio a ser aquela espantosa explosão de “musician ship” que eu vi na TV.

Todos os encontros e desencontros que tive com Elis tiveram esse histórico como pano de fundo. Rogério, seu irmão, me deu de presente os quatro LPs pré-“Arrastão”, numa época em que eu, deslumbrado pelo prazer que dava assistir aos shows dessa cantora que nunca estava fora de sintonia com a música, via mais de uma vez seus espetáculos. Desde que voltei de Londres (coincidindo, em parte, com o período em que ela mostrou sua versão do cool), eu via Elis cantar exclusivamente para me sentir bem. Ela influenciou gerações de cantores, lançou multidões de autores, briguei com a “Veja” por causa do modo como essa revista publicou a notícia da sua morte (briga que nunca mais achei jeito de desfazer), e hoje a gente sabe que Björk a admira, que quem entende de música no mundo sabe que ela é uma das maiores que já houve. Ela me escreveu um bilhete pedindo perdão pelo que fez com “Gente”. E saúdo sua memória com um amor muito pessoal, particular e cheio de conteúdos peculiares.
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(autores: Ary Barroso / Luiz Peixoto.)
 
 
NA BATUCADA DA VIDA
 
 
No dia em que eu apareci no mundo
Juntou uma porção de vagabundo
Da orgia
De noite teve samba e batucada
Que acabou de madrugada
Em grossa pancadaria
 
Depois do meu batismo de fumaça
Mamei um litro e meio de cachaça
Bem puxado
E fui adormecer como um despacho
Deitadinha no capacho
Na “Porta dos Enjeitados”
 
Cresci olhando a vida sem malícia
Quando um cabo de polícia
Despertou meu coração
E como eu fui pra ele muito boa
Me soltou na rua, à-toa
Desprezada como um cão
 
E hoje que eu sou mesmo da virada
E que eu não tenho nada, nada
Que por Deus fui esquecida
Irei cada vez mais me esmolambando
Seguirei sempre cantando
Na batucada da vida
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(do site: Youtube. canção: Na batucada da vida. autores: Ary Barroso / Luiz Peixoto. intérprete: Elis Regina. áudio extraído do álbum: Elis (1974). gravadora: Universal Music.)

RIO: TEMPO DE ESTIO
28 de janeiro de 2011


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rio de janeiro:

tempo de estio: é o calor, é o verão, é a cidade.

o amor brota no olhar, diante da claridade que tudo ilumina e que tudo põe na mais alta evidência: paisagens de mar, de montanha, de flores, de pássaros no corpo azul celeste, paisagens de corpos bonitos, de dorsos desnudos, transeuntes, que o nosso olhar carregam longe…

rio: tempo de estio: é o amor no meu coração.

rio: tempo de estio: eu quero as suas meninas. eu quero os seus meninos.

rio: eu quero todos os seus filhos que compõem a paisagem de luz & calor.

rio de janeiro: quero sonhar felicidade.

quero sonhar: feliz cidade.

beijo calorosso em todos!
paulo sabino.

(após o poema-canção, vídeo com a canção “tempo de estio”, de caetano veloso, com belas paisagens da cidade de são sebastião do rio de janeiro.)
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(do livro: Letra só. seleção e organização: Eucanaã Ferraz. autor: Caetano Veloso. editora: Companhia das Letras.)

 

TEMPO DE ESTIO

Quero comer
Quero mamar
Quero preguiça
Quero querer
Quero sonhar
Felicidade

É o amor
É o calor
A cor da vida
É o verão
Meu coração
É a cidade

Rio, eu quero
suas meninas

O Rio está cheio de Solanges e Leilas
Flávias e Patrícias e Sônias e Malenas
Anas e Marinas e Lúcias e Terezas
Glórias e Denises e luz eterna Vera

Rio, tempo de estio
Eu quero suas meninas
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(vídeo com a canção: Tempo de estio. cantor & autor: Caetano Veloso.)