COMEÇA O ANO — NADA COMEÇA: TUDO CONTINUA — EM BUSCA DOS DIREITOS À VIDA
5 de janeiro de 2017

ipanema_26-dez-2016

ipanema_26-dez-2016_por-do-sol

(Fim de 2016)

20161230_120757

20161230_135912

(Início de 2017)

20170101_140011

(Mas nada começa: tudo continua)
______________________________________________________

costumamos dizer: no dia primeiro de janeiro, começa o ano.

porém, nada começa: tudo continua.

onde estamos, que lugar do mundo ocupamos, que vemos só passar?…

costumamos dizer: a idade passa. o tempo passa. a vida passa. quando, em verdade, somos nós, seres humanos, quem passamos.

somos nós, seres humanos, quem passamos, porque somos nós os seres transitórios, breves, finitos, na rota das nossas viagens no escuro.

o dia muda, lento, no amplo ar; a água nua flui, múrmura (murmurante), em sombras.

o dia, as suas mudanças, o amplo ar, a água nua que flui em sombras: todas essas coisas vêm de longe; só nosso vê-las, só nosso ver essas coisas, teve começar.

em cadeias do tempo & do lugar, o começo é abismo (quanto mais mergulhamos na busca do começo do universo, ou mesmo do planeta terra, menos alcançamos tal “começo”, pois ninguém, nenhum de nós, esteve na gênese do mundo para afirmar categoricamente como foi que tudo começou) & o começo também é ausência (já que nunca alcançamos o começo do universo, ou mesmo do planeta terra, tal “começo” faz-se ausência aos nossos olhos & conhecimento). em cadeias do tempo & do lugar, o começo é abismo & ausência.

portanto, nenhum ano começa. todo ano é pura eternidade. tudo continua. agora, amanhã, sempre: a mesma eterna idade. a eternidade é o precipício, é o abismo, é o fundo inexplorável, de deus sobre o momento nosso de cada dia vivenciado.

e tudo é o mesmo sendo sempre diferente: na curva do amplo céu, o dia esfria, o dia finda, para a chegada da noite & posterior retorno do dia; a água corre mais múrmura — mais murmurante — & sombria no esfriar do dia.

nada começa: tudo continua & é o mesmo — sendo sempre diferente: e verbo (e palavra, e discurso) o pensamento, como sempre foi desde que começamos a habitar este mundo.

o mundo é mudo. precisamos do verbo, isto é, precisamos do pensamento, da palavra, do discurso, para poder nele — no mundo — habitar.

e precisamos também respeitar o direito à vida de todos que habitamos este planeta. precisamos respeitar as diferenças, respeitar as individualidades, respeitar as vontades. precisamos viver & deixar viver.

que este ano/momento nos venha menos árduo & mais apto a grandes & belas realizações.

beijo todos!
paulo sabino.
_____________________________________________________

(do livro: Poesia [1918 — 1930]. autor: Fernando Pessoa. editora: Companhia das Letras.)

 

 

COMEÇA HOJE O ANO

 

Nada começa: tudo continua.
Onde ‘stamos, que vemos só passar?
O dia muda, lento, no amplo ar;
Múrmura, em sombras, flui a água nua.

Vêm de longe,
Só nosso vê-las teve começar.
Em cadeias do tempo e do lugar,
É abismo o começo e ausência.

Nenhum ano começa. É eternidade!
Agora, sempre, a mesma eterna Idade,
Precipício de Deus sobre o momento,

Na curva do amplo céu o dia esfria,
A água corre mais múrmura e sombria
E é tudo o mesmo: e verbo o pensamento.

[1-1-1923]
______________________________________________________

(do livro: Poeta não tem idade. autor: Moraes Moreira. editora: Numa.)

 

 

CORDEL DOS DIREITOS HUMANOS

 

Há mais de sessenta anos
A grande declaração
Um dia foi proclamada,
Para cumprir os seus planos
Percebe cada nação
Que a luta é cerrada

Tivemos algum avanço
Na dança desses processos
Mudanças a passos lentos,
Mas não teremos descanso
Diante dos retrocessos
Até que soprem bons ventos

Desejos e utopias
Sonhos que não têm idade
Anseios que são antigos
Trafegam por estas vias
Lições de humanidade
Dispostas em seus artigos

Respeito e dignidade
Buscando em todos os pleitos
Nascemos livres, iguais
Nas mãos da fraternidade
Assim por Deus fomos feitos
Moldando o barro da paz

E temos capacidades
Pra gozar sem distinção,
E na condição que for,
Direitos e liberdades
De raça e religião
De sexo, língua e cor

Acima de tudo, a vida,
Que seja ela um troféu
Uma conquista incessante
E nunca submetida
A um tratamento cruel,
Desumano ou degradante

Cientes dos seus deveres
Perante a lei sendo iguais
Mesmo que a todo custo,
Que tenham todos os seres
Diante dos tribunais
O julgamento mais justo,

Que venham lá desses templos
As decisões que respondem
Com força e autoridade,
Que sirvam, sim, como exemplos
Para aqueles que se escondem
Nas sombras da impunidade

Queremos todos os elos
Formando a grande corrente
Da solidariedade,
Rumos assim paralelos
Queremos já, é urgente
A nova sociedade

Que, enfim, sentimentos novos
Formando laços estreitos
Estabeleçam a paz,
Guiando todos os povos
À luz dos nossos direitos
Humanos e universais!

AO NOSSO AMOR, UMA ETERNA ESTRÉIA
19 de outubro de 2016

paulo-sabino-jurema-armond

(Há pouco tempo, indo votar — ela, já desobrigada.)

figa

(A figa, antes do meu pai, agora minha.)
______________________________________________________

“PAULO SABINO, meu irmão,

Que lindo o seu poema para a ‘nossa mãe’! Desejo para a ‘CABOCLA JUREMA’ uma longa e boa vida, alegria e… Axé! Muito Axé! Com abraços, MARTINHO DA VILA.”

(Martinho da Vila — cantor & compositor)

 

 

Que alegria! Vê-la completar o seu septuagésimo quarto ano novo (74) lúcida, recém-recuperada de um problema no cérebro.

Em junho, há exatos 4 meses, me perguntava como seria este dia para ela & para mim, com o medo de que ela ainda estivesse doente.

Escrevi o texto que segue em itálico para amigos bem no início do mês de julho:

 

Queridos & Queridas,

Há quase 2 meses, a minha mãe, peça fundamental da minha existência, a grande responsável pelo meu amor à literatura e, mais especificamente, à poesia, a minha cabocla Jurema Armond, não anda bem da saúde.

Estamos na luta para diagnosticar o que, há quase 2 meses, vem causando nela uma fraqueza grande nas pernas & nos braços (precisa de ajuda para absolutamente tudo: para levantar, sentar, deitar, comer, tomar banho) & uns desnorteios de tempo & espaço (agora há pouco tive que consolá-la, ela estava aos prantos, desejando chegar em casa, chegar no lugar de onde ela não sai há quase 2 meses, não contando as saídas para consultas médicas & exames).

Tem sido bem difícil para mim. Sou filho único, meu pai já não está mais entre nós, e sou eu só a tomar as decisões sobre a saúde da minha cabocla, a gerir a casa & as contas. Cansaço emocional & físico imensos.

Hoje, procurando travessas & potes aqui em casa, a fim de organizar a cozinha para a pessoa que me ajudará com a casa duas vezes na semana, me deparei com esta figa de madeira do meu pai, de cuja existência nem mais me lembrava. Chorei tanto ao vê-la, ao tocá-la, tudo tão simbólico neste momento — encontrar na estante da sala uma figa, e que era do meu pai, de quem, pela sensibilidade & humor ímpar, sinto tanta falta, inda mais num momento como este…

Agora ela está na minha mesa de trabalho, acompanhada das minhas outras pequenas preciosidades. Está, na mesa, exatamente de frente para mim.

Tomara que esta figa, antes do meu pai, agora minha, me traga a sorte & o axé necessários na melhoria desta situação.

E conto com as preces & orações & energia positiva de quem acredita em preces & orações & energia positiva. Incluam a minha cabocla Jurema Armond em seus pedidos de saúde & recuperação. Torçam comigo.

E vamos que vamos. A vida urge, o tempo não pára.

 

Depois de muitos medos, muitas incertezas, muitas dificuldades, muitas lágrimas, e muitos exames, no início de agosto conseguimos o diagnóstico & desde então ela só faz melhorar.

O poema que segue, eu o escrevi para ela há muitos anos. Mais do que nunca, faz todo o sentido publicá-lo hoje, 19 de outubro, em homenagem à minha cabocla.

Mais do que nunca, depois deste mau tempo que atravessamos, o sol da saúde desponta com a sua luz & o seu calor, mostrando-nos que a vida renova-se a cada instante, que, por isso, a vida é uma eterna estréia. Nunca sabemos que momento da trama nos aguarda no próximo capítulo; o script/roteiro é escrito no decorrer de cada cena.  Com isso, o amor também faz-se & refaz-se a cada vivência nossa.

Mãe, depois de tanto, depois de tudo, eu só posso desejar que o céu aberto de dias azuis permaneça límpido, sem mudanças tão bruscas.

Mãe, depois de tanto, depois de tudo, a conclusão de que, aqui, o amor existe — firme, forte, em riste.

Graças!

Feliz aniversário! Feliz 74 primaveras vencidas!

Beijo todos & especialmente a minha cabocla Jurema Armond!
Paulo Sabino.
_____________________________________________________

(autor: Paulo Sabino.)

 

 

ESTRÉIA

 

te  escrevo  porque

te  mereço,

porque  és  diva,

a  dama  divina

—  mulher  maravilha

da  minha  ilha

cercada  de  carinhos

por  todos  os  lados —.

todos  os  cafunés,  todas  as  lágrimas  e  desabafos

é  onde  me  acabo  em  ti.

por  ti  meu  riso  ri,

por  isso  minha  prece,

minha  missa.

minha  oração  se  aquece

em  teus  escaninhos,  teus  desalinhos,  teus  achados.

assim  é  que  te  amasso,

te  acho,

te  cato.

porque  humana  sem  desacato.

eu  te  amo  e  é  outra  estréia,

sem  vida  histérica,

sem  amor  estéril.

pelo  contrário,  é  amor  de  império,

o  carinho  sem  enterro  e  cemitério,

a  poesia  livre  de  impropério.

és  o  meu  hemisfério,

o  meu  norte,

os  versos  sem  corte.

eu  te  amo  e  não  há  miséria,

há  beleza,  há  estética

—  revelação, reverberação

que  insiste

em  mostrar  ao  mundo  triste

que,  aqui,  o amor  existe:

firme

forte

em  riste —.

MANIFESTO
11 de outubro de 2016

ocupacao-poetica-7a-edicao-1

(Jorge Salomão — Foto: Elena Moccagatta.)

ocupacao-poetica-7a-edicao-2

(Paulo Sabino — Foto: Elena Moccagatta.)

paulo-sabino_jorge-salomao

(Paulo Sabino & Jorge Salomão)

manifesto_jorge-salomao
______________________________________________________

“SUBLIME !!! VIVA Paulo Sabino !!! Vc falou lindamente !!! Que respiração, que inflexão em cada curva / brincadeira do texto, que tempo maravilhoso de dizer cada frase !!! ESPETACULAR !!!”

(Jorge Salomão)

 

 

Aos interessados, um vídeo onde este que vos escreve declama uma prosa poética das mais lindas, que tomei para mim: texto intitulado “Manifesto”, do poeta, letrista & agitador cultural, além de querido amigo, Jorge Salomão.

No texto, o Jorge aponta as tantas razões de haver poesia no mundo. E alerta: se não for para causar o que dizem as linhas, a poesia não vale a pena, não vale a existência, não vale a leitura.

E eu sei dizer que este texto aqui vale a audição!

Logo abaixo do vídeo, a prosa poética na íntegra.

Divirtam-se!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
______________________________________________________

(do site: Youtube. texto: Manifesto. autor: Jorge Salomão. leitura: Paulo Sabino. data: 05/10/2016.)

 

(do livro: Sonoro. autor: Jorge Salomão. editora: Gryphus.)

 

 

MANIFESTO

 

os poetas devem existir para glorificar o melhor e o pior da vida.
para agitar, para mexer, para escandalizar com a ordem estabelecida das coisas, para instaurar novas.
para deflagrar, para revolucionar conceitos do que é belo, do ético, do social, do cultural.
se não for para isso não vale a pena a poesia.
para insuflar mudanças, para quebrar barreiras, para derrubar preconceitos, para espalhar luzes, para abrir caminhos, para queimar o que não presta, o que empata o aparecimento do novo.
se não for para isso não vale a pena a poesia.
um papel branco solto de um dos maiores edifícios do mundo, ao vento, ao ar do universo.
o que é poesia? ela é alimento, estrada, cama, mesa, o um, os muitos.
um pássaro voando de um lado para o outro.
um homem errante entre sons urbanos.
para mexer com a linguagem, para gerar atalhos, para provocar, para tonificar o sentido das palavras, para inflexionar o moderno, para ser a bomba-relógio no coração do mundo, para ser a sensação do explosivo, do mais caótico, do zero etc.
borboletas brancas numa área pútrida.
para rasgar os céus das coisas, para ser gente entre bichos, para trafegar entre as estações, para transformar o cotidiano, o possível e o impossível de tudo.
para elevar, para levantar, para fazer alianças vanguardistas, experimentais.
para cuspir sobre o lixo do hoje, para armar pontes, gerar poentes, para ser estraçalhadora, para não ser conformada com as estruturas atuais do pensamento.
para remexer na terra, para ser estourada, para ser o coração na garganta gritante.
para não ser cego com as injustiças, as desigualdades, o hoje.
para adiantar o tempo, para danificar o vácuo do presente.
se não for para isso, de que serve a poesia?
para dar informações, sinais.
para ser a pedra no sapato do não-pensamento, para ser performances entre surdos, para ser o berro entre montanhas.
para espalhar sua chama, para instaurar uma outra ótica geral, o gozo entre lerdos e impotentes, a humanidade entre homens, o desespero, a lama entre os dentes da civilização, para a podridão vir à tona, a ruptura entre as horas lentas do convencional, o choque, o estampido, a luz verão varando as trevas do tempo cariado de utopias.
para ser som, lapidação.
para martelar nas mesmas teclas do saber, para espantar a ignorância, para ser simples no desenrolar dos fios, para ser antenada, para ser desbloqueada, para ser plugada no que aparecer, para ser as cores vivas no estalo das descobertas.
para ser límpida, para ser maior, para ser universal.
para ser tudo, enquanto tudo, para fazer.
para ser poesia, senão não vale a pena.
para ser interrogação, para gerar apreensões, para ser maria-chiquinha na cabeça dos otários, para ser maria-sem-vergonha no jardim dos caretas.
para acelerar o normal, para provocar o riso, a galhofa, a respiração livre.
para ser silêncio entre ritmos, para ser dança entre e dentro das palavras.
para falar bastante, para ter algo a dizer.
para não colaborar com a cristalização e brutalização da sensibilidade do homem contemporâneo.
para ser reveladora, mesmo no que está mais escondido.
para ser um nó difícil de desatar, um portão de entradas sem portão.
para ser como a visão das estrelas a olho nu.
para ser como portas se abrindo infinitamente.
a poesia deve nos colocar à deriva.
deve nos tirar a sonolência, deve nos manter aceso.
por entre a grama no cimento entre paralelepípedos.
para nos alertar dos perigos a todo instante.

40 ANOS: CORAÇÃO NA BOCA, PEITO ABERTO — VOU SANGRANDO
24 de junho de 2016

Ocupação Poética_3ª edição 20

Ocupação Poética_4 edição_79

Ocupação Poética 2

20160110_181625

Sangrando_Gonzaguinha_Encarte
______________________________________________________

o fim de uma década, da década de 30, para o início de outra, da década de 40.

40 anos para chegar até aqui, para chegar onde cheguei.

e afirmo a quem me lê: começaria tudo outra vez se preciso fosse. a chama em meu peito ainda queima. saiba: nada foi em vão: nenhuma das tristes emoções, nenhuma das alegres emoções. 40 anos: nada foi em vão.

certamente foram necessárias todas as vivências para que o paulo sabino resultasse neste que aqui se apresenta depois de vencidas 40 primaveras.

40 primaveras: a fé no que virá & a alegria de poder olhar pra trás & ver que voltaria a viver neste imenso salão que foi & é a minha existência & seus acontecimentos.

neste imenso salão que foi & é a minha existência, a grande estrela, a musa maior, foi & é a poesia.

a experiência poética, para mim, é uma experiência existencial.

lendo poesia, interpretando os jogos semânticos criados nos, e entre os, versos, reinvento o homem que sou, e, reinventando-me, promulgo a minha constante atualização como homem, ao me perceber humano & mortal a cada ato, ao me perceber ser pensante & atuante na vida; é disso que vem a poesia.

pelo tanto que a poesia comporta, por tudo que a poesia pode, porque a poesia reinventa o homem em sua trajetória, a origem da poesia em nada difere da origem do homem, uma vez que, sem poesia, não há sequer a possibilidade do humano.

pois que a possibilidade do humano pulsa dentro da prática poética: não sabemos vivenciar o mundo sem poetizá-lo, sem mitificá-lo, sem criar metáforas & saberes fantásticos atribuídos a ele; não damos conta de tanto & criamos a poesia, os mitos & as lendas, que acabam por recriar o mundo.

em última instância: a experiência humana é experiência poética, é o modo que temos, que descobrimos, que inventamos, de viver, de experimentar, o mundo que nos cerca.

a poesia é uma condição — e condenação — do homem.

reinventando-me, a poesia me reafirma homem, mortal/ transitório/ inacabado, me reafirma ser pensante & pulsante entre as coisas.

sobretudo o verso é o que pode lançar mundos no mundo.

por ser o verso aquele que pode lançar mundos no mundo, a minha voz, a minha garganta, está sempre à disposição do canto que a poesia contém.

a possibilidade do humano pulsa dentro da prática poética: não sabemos vivenciar o mundo sem poetizá-lo, sem mitificá-lo, sem criar metáforas & saberes fantásticos atribuídos a ele: por isso faço da minha vida a minha melhor poesia.

vida & poesia, poesia & vida: duas coisas, em mim, entrelaçadas, unas, entremeadas: duas coisas que, dentro de mim, não podem ter fim: vida & poesia, poesia & vida: dois azuis no mesmo azul — meu horizonte sem nuvem nem monte.

quando eu soltar a minha voz, por favor, entenda que, palavra por palavra, eis, aqui, neste espaço, uma pessoa se entregando.

coração na boca, peito aberto — vou sangrando: são as lutas desta nossa vida que eu estou cantando: as belezas & as vilezas, as claridades & as escuridões, o caminho aberto & o muro armado.

quando eu abrir minha garganta, essa força tanta (força que carrego nas cordas vocais por cantar a vida, por cantar a poesia), tudo o que você ouvir, esteja certa de que estarei vivendo.

veja o brilho dos meus olhos & o tremor nas minhas mãos quando estou no palco do teatro, dizendo poesia, isto é, dizendo a vida através da poesia.

e se eu chorar & o sal — das lágrimas — molhar o meu sorriso, sorriso que sustento na boca com o pranto do olhar, não se espante; ao invés de espantar-se com o meu sorriso alinhado ao meu pranto, cante, que o teu canto é minha força pra cantar, que o canto de quem canta comigo é de onde extraio a minha força & vontade & coragem de cantar o meu canto: canto de vida — que é o canto da poesia.

40 primaveras vencidas & eu não me arrependo de nada nas 40 voltas em torno do sol: começaria tudo outra vez se preciso fosse, meu amor.

em mim o eterno é música (a música dos versos de um poema, a música dos versos de um poema-canção) & amor (pelo céu, pelo mar, pelo sol, pela pessoa, pela pedra, pelo bicho, pelo mato: pela vida).

eu deixar de cantar (o canto da poesia) ou deixar de gostar de você (vida): não há nada, no mundo, que possa fazer.

não há nada no mundo — nem nunca haverá.

em mim, o eterno é música & amor.

que venham mais 40 primaveras!

beijo todos!
paulo sabino.
______________________________________________________

(do encarte do álbum: De volta ao começo. artista: Gonzaguinha. autor dos versos: Gonzaguinha. gravadora: EMI.)

 

 

SANGRANDO

 

Quando eu soltar a minha voz
Por favor, entenda
Que palavra por palavra
Eis aqui uma pessoa
Se entregando
Coração na boca, peito aberto
Vou sangrando
São as lutas dessa nossa vida
Que eu estou cantando
Quando eu abrir minha garganta
Essa força tanta
Tudo que você ouvir
Esteja certa
Que estarei vivendo
Veja o brilho dos meus olhos
E o tremor nas minhas mãos
E o meu corpo tão suado
Transbordando toda raça e emoção
E se eu chorar
E o sal molhar o meu sorriso
Não se espante
Cante
Que o teu canto é a minha força
Pra cantar
Quando eu soltar a minha voz
Por favor, entenda
É apenas o meu jeito de viver
O que é amar
______________________________________________________

(do site: Youtube. áudio extraído do álbum: De volta ao começo. artista & intérprete: Gonzaguinha. canção: Sangrando. autor: Gonzaguinha. citação da canção: Começaria tudo outra vez. autor: Gonzaguinha. gravadora: EMI.)

LANÇAMENTO DO LIVRO “ÓPERA DE NÃOS”, DO POETA SALGADO MARANHÃO — O EVENTO (FOTOS & VÍDEOS)
10 de março de 2016

WP_20160307_21_38_08_Pro

WP_20160307_21_43_58_Pro

(Paulo Sabino)

20160307_221701

(O poeta Carlos Dimuro & a atriz & cantora Zezé Motta)

20160307_221859

11220881_10201311072654811_5075223641937315287_n

(A atriz Nathalia Timberg & o poeta & letrista Salgado Maranhão)
______________________________________________________

“Querido Poeta Paulo Sabino, você é o tipo de pessoa que sempre leva brilho aonde vai. Pelo seu talento e simpatia, pela sua enorme generosidade no primado do afeto. Super obrigado, irmão!”

(Salgado Maranhão — poeta & letrista)

 

 

Queridos,

Segunda-feira (07/03), mais uma noite de esplendor, onde a Poesia reinou absoluta:

Lançamento do “Ópera de nãos”, o mais recente livro de poemas do sofisticado poeta & letrista Salgado Maranhão, com direito a um recital “litero-musical” & as participações, entre outros, das grandes atrizes Nathalia Timberg & Zezé Motta, do músico Zé Américo Bastos, dos poetas (e grandes amigos) Cristiano Menezes & Luis Turiba & deste que vos escreve.

Algumas canções do poeta foram tocadas & cantadas & alguns dos seus poemas foram ditos pelos convidados do grande anfitrião da noite.

Muito me honrou ter dito, a pedido do Salgado, um mesmo poema que a grande diva da dramaturgia Nathalia Timberg também disse, um poema do poeta Carlos Dimuro (organizador de todo o evento) em homenagem ao Salgado Maranhão, e recebido um super elogio da atriz, pelo meu modo de utilizar a palavra, e do próprio autor do poema, Carlos Dimuro, que me disse que eu fui a pessoa que até hoje melhor disse o seu poema intitulado “Um rio salgado”.

Alegria & satisfação imensas.

Eu disse um total de quatro poemas: três poemas do “Ópera de nãos” (“Lacre 10”, “Lacre 11” & “Clivagem”) & um poema do Carlos Dimuro (“Um rio salgado”).

Amigos novos, projetos novos, trabalhos todos muito bonitos estão por vir — em breve vocês tomarão conhecimento do que se tratam esses trabalhos.

O que tenho hoje a fazer é, mais uma vez, agradecer à Poesia, Musa Maior da minha existência, tudo de maravilhoso que me tem acontecido.

Agradecer ao Salgado Maranhão a confiança, o respeito & o carinho em mim depositados. Agradecer ao poeta & organizador da noite Carlos Dimuro os tantos elogios que ouvi entre encabulado & orgulhoso. Agradecer às atrizes Nathalia Timberg & Zezé Motta as lindas palavras & o olhar doce que me lançaram durante todo o evento. Agradecer à presença de vários grandes amigos que ajudaram a encher o salão do Hotel Golden Tulip Regente, em Copacabana, onde aconteceu o evento. Agradecer à Vida a oportunidade de vivenciar esses momentos que me são tão caros.

Muita coisa bacana por vir, muita coisa bonita a realizar. Cabeça & coração a mil.

Valeu!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
______________________________________________________

(do site: Youtube. lançamento do livro “Ópera de nãos”, do poeta Salgado Maranhão. Paulo Sabino recita “Um rio salgado”, do poeta Carlos Dimuro. data: 07/03/2016.)


UM RIO SALGADO  (Carlos Dimuro)

Para Salgado Maranhão

 

Apesar de navegar sereias,
não é doce
o rio que corta
o teu poema.

Sabem-se salgados
os escombros que se escondem
sob as escamas da tua escrita.
E o que em ti é peixe,
se debate em guelras e guerras
numa incansável
respiração boca a boca
com a palavra.

A salinidade ancestral
de tuas águas,
refinada pelos deuses,
tempera o profano:
o sagrado no salgado.

No rio que segue
o curso líquido dos mistérios
da linguagem,
um cardume de versos
anuncia o mar.
______________________________________________________

(do site: Youtube. lançamento do livro “Ópera de nãos”, do poeta Salgado Maranhão. Paulo Sabino recita “Lacre 10”, do poeta Salgado Maranhão. data: 07/03/2016.)

 

LACRE 10  (Salgado Maranhão)

Sou um ladrão de luas,
um salteador de azuis.

Exibo essas credenciais
inúteis
a todos que me interpelam.

Aos fuzileiros,
…………………..aos sacerdotes,
aos mentecaptos;

sem que nada altere
o arrulhar do vento
e o coice do mar.

Sem donatário ou domínios.
Insisto em reger esta ópera
de nãos.

Se sangue há em mim,
é nas veias,
………………não nas mãos.
______________________________________________________

(do site: Youtube. lançamento do livro “Ópera de nãos”, do poeta Salgado Maranhão. Paulo Sabino recita “Clivagem”, do poeta Salgado Maranhão. data: 07/03/2016.)

 

CLIVAGEM  (Salgado Maranhão)

Canto para renascer
na pedra
com a semente que o mar
roubou dos náufragos; canto
para repartir com a brisa
a lúdica sesmaria da palavra.

Um atlas abriu seus galhos
para acolher meus reinos:
uma geometria de farrapos;
um tigre com o sol entre as patas.

E sigo esse rio de letras
como se chão em chamas:
a poesia me despiu
para explodir com os astros.

MINHA SEREIA, RAINHA DO MAR
2 de fevereiro de 2016

Paulo Sabino_Pés à beira-mar

Ipanema_Cagarras & Stand Up Paddle

(O elemento que mais fascina, o elemento do puro delírio, o elemento que vira a cabeça, de Paulo Sabino: água marinha: mar: útero às vistas: berço de todas as existências.)
______________________________________________________

dia 2 de fevereiro é dia de festa no mar. portanto, deixo, aqui, a minha saudação à rainha do elemento que mais me fascina, elemento do meu delírio, elemento que vira a minha cabeça: o mar.

dia 2 de fevereiro: dia de saudar iemanjá, a grande mãe de todos os orixás.

muito me impressiona que tanto a ciência quanto as lendas africanas convirjam — ainda que por caminhos díspares — ao dizer que a origem & o desenvolvimento dos seres — os primeiros indícios de vida — se deram com o/no mar, se deram com as/nas águas marinhas.

o mais abundante elemento natural deste planeta azul, água para onde correm todas as águas, útero às vistas, criatório de tantas & diversas vidas, onde a mãe-d’água iemanjá permite que boiemos como quando no ventre de nossas mães-da-terra.

eu, até hoje, não aprendi a viver sem água & sem o mar à minha contemplação.

(e espero nunca aprender!)

em sua homenagem, uma compilação de textos & dois poemas-canções (com direito ao áudio das canções) que traçam o perfil & contam um pouco dos mitos que envolvem a mais prestigiosa entidade feminina da mitologia & dos cultos africanos.

salve minha mãe-d’água iemanjá!
salve a rainha do meu amante mor: o mar!

beijo todos!
paulo sabino.
______________________________________________________

(do: Dicionário do folclore brasileiro. autor: Luís da Câmara Cascudo. editora: Global.)

 

 

IEMANJÁ.  Mãe-d’água dos iorubanos. Orixá marítimo, a mais prestigiosa entidade feminina dos candomblés da Bahia. Recebe oferendas rituais, festas lhe são dedicadas, indo embarcações até alto-mar atirar presentes. Protetora de viagens, no processo sincrético das deusas marinhas passou a ser Afrodite, Anadiômene, padroeira dos amores, dispondo uniões, casamentos, soluções amorosas. Sua sinonímia é grande: Janaína, Dona Janaína, Princesa do Mar, Princesa do Aiocá ou Arocá, Sereia, Sereia do Mar, Oloxum, Dona Maria, Rainha do Mar, Sereia Mucunã, Inaê, Marbô, Dandalunda. Tem o leque e a espada como insígnias; seus alimentos sagrados são o pombo, o milho, o galo, o bode castrado; as cores rituais são o branco e o azul (…). Protege, defende, castiga, mata. Por vezes se apaixona. Tem amantes, os quais leva para o fundo do mar. Nem os corpos voltam. É ciumenta, vingativa, cruel, como todas as égides primitivas. A festa de Iemanjá na cidade de Salvador é em 2 de fevereiro, Nossa Senhora do Rosário. Nos candomblés e xangôs é representada, no salão exterior das danças, como uma sereia.
______________________________________________________

(do livro: Mitologia dos orixás. autor: Reginaldo Prandi. editora: Companhia das Letras.)

 

 

IEMANJÁ AJUDA OLODUMARE NA CRIAÇÃO DO MUNDO

 

Olodumare-Olofim vivia só no Infinito,
cercado apenas de fogo, chamas e vapores,
onde quase nem podia caminhar.
Cansado desse seu universo tenebroso,
cansado de não ter com quem falar,
cansado de não ter com quem brigar,
decidiu pôr fim àquela situação.
Libertou as suas forças e a violência
delas fez jorrar uma tormenta de águas.
As águas debateram-se com rochas que nasciam
e abriram no chão profundas e grandes cavidades.
A água encheu as fendas ocas,
fazendo-se os mares e oceanos,
em cujas profundezas Olocum foi habitar.
Do que sobrou da inundação se fez a terra.
Na superfície do mar, junto à terra,
ali tomou seu reino Iemanjá,
com suas algas e estrelas-do-mar,
peixes, corais, conchas, madrepérolas.
Ali nasceu Iemanjá em prata e azul,
coroada pelo arco-íris Oxumarê.
Olodumare e Iemanjá, a mãe dos orixás,
dominaram o fogo no fundo da Terra
e o entregaram ao poder de Aganju, o mestre dos vulcões,
por onde ainda respira o fogo aprisionado.
O fogo se consumia na superfície do mundo e eles apagaram
e com suas cinzas Orixá Ocô fertilizou os campos,
propiciando o nascimento das ervas, frutos,
árvores, bosques, florestas,
que foram dados aos cuidados de Ossaim.
Nos lugares onde as cinzas foram escassas,
nasceram os pântanos e nos pântanos, a peste,
que foi doada pela mãe dos orixás ao filho Omulu.
Iemanjá encantou-se com a Terra
e a enfeitou com rios, cascatas e lagoas.
Assim surgiu Oxum, dona das águas doces.
Quando tudo estava feito
e cada natureza se encontrava na posse de um dos filhos de Iemanjá,
Obatalá, respondendo diretamente às ordens de Olorum,
criou o ser humano.
E o ser humano povoou a Terra.
E os orixás pelos humanos foram celebrados.

 

 

IEMANJÁ DÁ À LUZ AS ESTRELAS, AS NUVENS E OS ORIXÁS

 

Iemanjá vivia sozinha no Orum.
Ali ela vivia, ali dormia, ali se alimentava.
Um dia Olodumare decidiu que Iemanjá
precisava ter uma família,
ter com quem comer, conversar, brincar, viver.
Então o estômago de Iemanjá cresceu e cresceu
e dele nasceram todas as estrelas.
Mas as estrelas foram se fixar na distante abóboda celeste.
Iemanjá continuava solitária.
Então de sua barriga crescida nasceram as nuvens.
Mas as nuvens perambulavam pelo céu
até se precipitarem em chuva sobre a terra.
Iemanjá continuava solitária.
De seu estômago nasceram então os orixás,
nasceram Xangô, Oiá, Ogum, Ossaim, Obaluaê e os Ibejis.
Eles fizeram companhia a Iemanjá.

 

 

IEMANJÁ É NOMEADA PROTETORA DAS CABEÇAS

 

Dia houve em que todos os deuses
deveriam atender ao chamado de Olodumare para uma reunião.
Iemanjá estava em casa matando um carneiro,
quando Legba chegou para avisá-la do encontro.
Apressada e com medo de atrasar-se
e sem ter nada para levar de presente a Olodumare,
Iemanjá carregou consigo a cabeça do carneiro
como oferenda para o grande pai.
Ao ver que somente Iemanjá trazia-lhe um presente,
Olodumare declarou:
“Awojó orí dorí re.”
“Cabeça trazes, cabeça serás.”
Desde então Iemanjá é a senhora de todas as cabeças.

 

 

IEMANJÁ MOSTRA AOS HOMENS O SEU PODER SOBRE AS ÁGUAS

 

Em certa ocasião, os homens estavam preparando
grandes festas em homenagem aos orixás.
Por um descuido inexplicável, se esqueceram de Iemanjá,
esqueceram de Maleleo, que ela também se chama assim.
Iemanjá, furiosa, conjurou o mar
e o mar começou a engolir a terra.
Dava medo ver Iemanjá, lívida,
cavalgar a mais alta das ondas
com seu abebé de prata na mão direita
e o ofá da guerreira preso às costas.
Os homens, assustados, não sabiam o que fazer
e imploraram ajuda a Obatalá.
Quando a estrondosa imensidão de Iemanjá
já se precipitava sobre o que restava do mundo,
Obatalá se interpôs, levantou seu opaxorô
e ordenou a Iemanjá que se detivesse.
Obatalá criou os homens e não consentiria na sua destruição.
Por respeito ao Criador, a dona do mar acalmou suas águas
e deu por finda sua colérica revanche.
Já estava satisfeita com o castigo imposto
aos imprudentes mortais.

 

 

IEMANJÁ IRRITA-SE COM A SUJEIRA QUE OS HOMENS LANÇAM AO MAR

 

Logo no princípio do mundo,
Iemanjá já teve motivos para desgostar da humanidade.
Pois desde cedo os homens e as mulheres jogavam no mar
tudo o que a eles não servia.
Os seres humanos sujavam suas águas com lixo,
com tudo o que não mais prestava, velho ou estragado.
Até mesmo cuspiam em Iemanjá,
quando não faziam coisa muito pior.

Iemanjá foi queixar-se a Olodumare.
Assim não dava para continuar;
Iemanjá Sessu vivia suja,
sua casa estava sempre cheia de porcarias.
Olodumare ouviu seus reclamos
e deu-lhe o dom de devolver à praia
tudo o que os humanos jogassem de ruim em suas águas.
Desde então as ondas surgiram no mar.
As ondas trazem para a terra o que não é do mar.

 

 

IEMANJÁ AFOGA SEUS AMANTES NO MAR

 

Iemanjá é dona de rara beleza
e, como tal, mulher caprichosa e de apetites extravagantes.
Certa vez saiu de sua morada nas profundezas do mar
e veio à terra em busca do prazer da carne.
Encontrou um pescador jovem e bonito
e o levou para seu líquido leito de amor.
Seus corpos conheceram todas as delícias do encontro,
mas o pescador era apenas um humano
e morreu afogado nos braços da amante.
Quando amanheceu, Iemanjá devolveu o corpo à praia.
E assim acontece sempre, toda noite,
quando Iemanjá Conlá se encanta com os pescadores
que saem em seus barcos e jangadas para trabalhar.
Ela leva o escolhido para o fundo do mar e se deixa possuir
e depois o traz de novo, sem vida, para a areia.
As noivas e as esposas correm cedo para a praia
esperando pela volta de seus homens que foram para o mar,
implorando a Iemanjá que os deixe voltar vivos.
Elas levam para o mar muitos presentes,
flores, espelhos e perfumes,
para que Iemanjá mande sempre muitos peixes
e deixe viver os pescadores.
_____________________________________________________

(do encarte do cd: Mar de Sophia. artista: Maria Bethânia. autor dos versos: Paulo César Pinheiro. gravadora: Biscoito Fino.)

 

 

IEMANJÁ RAINHA DO MAR

 

Quanto nome tem a Rainha do Mar?
Quanto nome tem a Rainha do Mar?

Dandalunda, Janaína,
Marabô, Princesa de Aiocá,
Inaê, Sereia, Mucunã,
Maria, Dona Iemanjá.

Onde ela vive?
Onde ela mora?

Nas águas,
Na loca de pedra,
Num palácio encantado,
No fundo do mar.

O que ela gosta?
O que ela adora?

Perfume,
Flor, espelho e pente
Toda sorte de presente
Pra ela se enfeitar.

Como se saúda a Rainha do Mar?
Como se saúda a Rainha do Mar?

Alodê, Odofiaba,
Minha-mãe, Mãe-d’água,
Odoyá!

Qual é seu dia,
Nossa Senhora?

É dia dois de fevereiro
Quando na beira da praia
Eu vou me abençoar.

O que ela canta?
Por que ela chora?

Só canta cantiga bonita
Chora quando fica aflita
Se você chorar.

Quem é que já viu a Rainha do Mar?
Quem é que já viu a Rainha do Mar?

Pescador e marinheiro,
Quem escuta a Sereia cantar.
É com o povo que é praieiro
Que Dona Iemanjá quer se casar.
______________________________________________________

(do site: Youtube. áudio extraído do álbum: Mar de Sophia. artista & intérprete: Maria Bethânia. canção: Iemanjá Rainha do Mar. música:Pedro Amorim. versos: Paulo César Pinheiro. gravadora: Biscoito Fino.)


______________________________________________________

(do encarte do cd: Gal canta Caymmi. artista: Gal Costa. autor dos versos: Dorival Caymmi. gravadora: PolyGram.)

 

 

RAINHA DO MAR

 

Minha sereia, rainha do mar
Minha sereia, rainha do mar
O canto dela faz admirar
O canto dela faz admirar

Minha sereia é moça bonita
Minha sereia é moça bonita
Nas ondas do mar
Aonde ela habita
Nas ondas do mar
Aonde ela habita

Ai, tem dó
De ver o meu penar
Ai, tem dó
De ver o meu penar
______________________________________________________

(do site: Youtube. áudio extraído do álbum: Gal canta Caymmi. artista & intérprete: Gal Costa. canção: Rainha do Mar. autor da canção: Dorival Caymmi. gravadora: PolyGram.)

A POESIA É NECESSÁRIA — A VIRGEM INÚTIL
26 de janeiro de 2016

Azul_Ambiente
______________________________________________________

“Muito bem! Forte abraço.”

(Antonio Carlos Secchin — poeta, tradutor, crítico literário & membro da Academia Brasileira de Letras — ABL)

 

 

tudo é matéria para o poema. tudo interessa & instiga o verso. qualquer assunto. qualquer acontecimento. qualquer pensamento. tudo serve de alimento ao poema. por isso a liberdade total dos versos: o poema não está preso a nada; e não estando preso a nada, pode absolutamente tudo. pois em tudo o poeta enxerga a possibilidade dos versos & o encanto de deus (do sublime, do divino): na moça que passa perante seus olhos, no menino de sunga verde parado em frente à grandeza do mar, na queda de uma folha, no salto de um gato ou na vida pacata & sem grandes arroubos da mulher virgem, que não lhe pertenceu, que não quis entregar-se a você.

ela, a mulher virgem, não foi de ninguém & sabe que não pertence nem a ela mesma, pois a sua vida, como a vida de todos nós, não está propriamente nas suas mãos — não sabemos nunca o que nos guarda o futuro, o que nos aguarda na próxima esquina, não sabemos quando morreremos, não sabemos nada.

a mulher virgem foi criança que não brincou & moça que não namorou. hoje é mulher que não tem desejos. com uma vida pacata & sem grandes arroubos, a mulher virgem será velha sem passado, sua vida é sem histórias para contar — ela só gosta de estar deitada, olhando não sabe pra onde.

a mulher virgem passa horas sem pensar, passa dias sem comer, passa anos sem mexer, no quarto azul que lhe deram. ela nasceu nele, vive nele & nele, talvez, morrerá, se não aparecer aquele que ela sempre esperará sem cansaço, sem tédio, sem prostração, aquele que fará a mulher virgem levantar, andar & pensar (para além do seu quarto azul), aquele que ensinará à mulher virgem o nome de seus pais & das partes do seu corpo, aquele que revelará, a ela, a sua própria vida, o seu próprio mundo.

a mulher virgem espera alguém que talvez não venha mas que ela sabe que existe, porque sabe da própria existência. assim como ela existe, virgem inútil, que nunca fez muito da sua vida, vida sem propósitos & arroubos, por que não existir aquele que a fará levantar & que lhe ensinará? se, no mundo, existe a possibilidade do grande absurdo que é a sua vida, por que não haveria espaço para aquele que ela sempre esperará sem  cansaço?

existir, a mulher virgem sabe que ele existe. porém, ela também sabe que não basta existir; ela sabe que, para além da existência de um & de outro, há de haver a grande magia do encontro.

beijo todos!
paulo sabino.
______________________________________________________

(do site: Youtube. Paulo Sabino recita “A virgem inútil”, poema de Ismael Nery. Em 26/01/2016.)

______________________________________________________

(do livro: A poesia é necessária. seleção de poemas: Rubem Braga. autor do poema: Ismael Nery. organização do livro: André Seffrin. editora: Global.)

 

 

A VIRGEM INÚTIL

 

Eu não lhe pertenci porque não quis.
Não fui de ninguém, nem sou minha.
Nasci no dia 9 de julho de 1909
E não sei quando morrerei.
Fui criança que não brincou
E moça que não namorou.
Sou mulher que não tem desejos.
Serei velha sem passado,
Só gosto de estar deitada
Olhando não sei p’ra onde.
Passo horas sem pensar,
Passo dias sem comer,
Passo anos sem mexer
No quarto azul que me deram.
Nasci nele, vivo nele e nele talvez morrerei,
Se não aparecer aquele
Que sempre esperarei sem cansaço,
Que me fará levantar, andar e pensar,
Que me ensinará o nome de meus pais e das partes do meu corpo.
Eu espero alguém que talvez não venha
Mas que sei que existe,
Porque sei que existo.

O MUNDO ESPECIAL DO POETA
15 de janeiro de 2016

Leme_Janeiro 2016

(O menino de sunga verde parado em frente à grandeza do mar.)
______________________________________________________

há quem tenha conhecido um grande poeta & tenha sofrido uma decepção: por não achar o poeta “poético”, por não achar o poeta inspirador, por não achar o poeta um ser que ilumina. isso, porque, no tempo em que esteve com o poeta, não lhe ouviu uma palavra sobre poesia, mas, unicamente, ao sabor da conversa, comentários sobre sapatos de homem & desastres de automóvel.

“nunca falam os poetas de poesia?”, pergunta quem se decepcionou com o poeta. sim, eles falam de poesia. cada homem tem costume de falar do seu ofício, e o poeta é um homem como os outros. mas acontece que, além de ser um homem como os outros, e sem deixar de sê-lo, o poeta tem isto de grave & especial: ser um homem a quem tudo concerne, ser um homem a quem tudo diz respeito, ser um homem a quem tudo interessa, ser um homem a quem tudo é adequado, e de tudo o poeta tira seu mel & seu fel.

o menino que passa com um barulhento carrinho feito de caixotes, a trazer verduras da feira; os operários da construção, que, depois de almoçar no botequim da esquina com uma cerveja preta, ficam um pouco sentados na calçada, conversando à-toa; e o próprio carrinho feito de caixotes, e a própria garrafa de cerveja preta — tudo é matéria do poeta, tudo é interessante ao poeta, tudo é adequado ao poeta. o peixe não concerne, não diz respeito, ao motorista (a quem dirige um automóvel), nem a mangueira concerne, diz respeito, ao cirurgião (a quem trabalha com cirurgias em hospitais & clínicas). mas, ao poeta, tudo concerne, tudo diz respeito, tudo interessa, tudo se adéqua, e no pedaço de jornal velho que o vento arrasta pelo chão, o poeta se inspira tão bem quanto naquela moça que saiu às compras, na manhã fria do bairro, com calças compridas & um suéter vermelho.

tudo é matéria para o poema. tudo interessa & instiga o verso. qualquer assunto. qualquer acontecimento. qualquer pensamento. tudo serve de alimento ao poema. por isso a liberdade total dos versos: o poema não está preso a nada; e não estando preso a nada, pode absolutamente tudo.

o que pode acontecer é de determinado assunto, ou acontecimento, ou pensamento, ter de esperar muitos anos para entrar em um verso do poeta, como podem entrar de repente. pois em tudo o poeta enxerga a possibilidade dos versos & o encanto de deus (do sublime, do divino): na moça que passa perante seus olhos, no menino de sunga verde parado em frente à grandeza do mar, na queda de uma folha ou no salto de um gato.

quando o poeta fala de sapatos, de trânsito ou de futebol, não está disfarçando: o último jogo do flamengo, a corrida dos ônibus depois do túnel & a cor dos sapatos — tudo se filtra na alma do poeta. tudo.

(tudo é matéria para o poema. tudo interessa & instiga o verso. qualquer assunto. qualquer acontecimento. qualquer pensamento. tudo serve de alimento ao poema. por isso a liberdade total dos versos: o poema não está preso a nada; e não estando preso a nada, pode absolutamente tudo.)

tudo é matéria para o poema: inclusive você, que se decepcionou com o poeta & que ele pode ter incorporado, silenciosamente, no seu mundo. e quando amanhã o poeta escrever “uma tarde castanha”, ele se lembrará de seus cabelos & de sua voz serena.

não desame o poeta por ele não ser poético; isso não é seu ofício, ser “poético” não é a função do poeta: ser “poético”, ser “inspirador”, ser “iluminado”, é a função do poema.

beijo todos!
paulo sabino.
______________________________________________________

(do site: Youtube. Paulo Sabino lê a carta-crônica “O mundo especial do poeta”, do cronista & jornalista capixaba Rubem Braga. Em 14/01/2016.)

______________________________________________________

(do livro: A poesia é necessária. seleção de poemas: Rubem Braga. autor do texto: Rubem Braga. organização do livro: André Seffrin. editora: Global.)

 

 

O MUNDO ESPECIAL DO POETA

 

Carta a uma velha amiga que me disse ter conhecido um grande poeta, que é meu amigo; e ter sofrido uma decepção:

“Querida —

Não achou você poético o poeta; e até se queixa  de que, no tempo em que esteve em sua mesa, não lhe ouviu uma palavra sobre poesia, mas, unicamente, ao sabor da conversa, comentários sobre sapatos de homem e desastres de automóvel, quando você gostaria de conversar sobre William Shakespeare.

É, na verdade, um pouco mortificante. Nunca falam os poetas de poesia?, me pergunta você. Bem, eles falam. Cada homem tem costume de falar de seu ofício, e o poeta é um homem como os outros. Mas acontece que, além de ser um homem como os outros, e sem deixar de sê-lo, ele tem isso de grave e especial que é ser um homem a quem tudo concerne e de tudo tira seu mel e seu fel. Esse menino que passa com um barulhento carrinho feito de caixotes, a trazer verduras da feira; aqueles operários da construção, que, depois de almoçar no botequim da esquina com uma cerveja preta, ficam um pouco sentados na calçada, conversando à-toa, à espera do sinal para o trabalho; e o próprio carrinho de tábuas de caixote, e a própria garrafa de cerveja preta — tudo é matéria do poeta. Não concerne o peixe ao motorista nem a mangueira ao cirurgião; mas ao poeta tudo concerne, e nesse pedaço de jornal velho que o vento arrasta pelo chão ele se inspira tão bem quanto naquela moça que saiu às compras, na manhã fria do bairro, com calças compridas e um suéter vermelho. Apenas há isto: que a esse farrapo de jornal ou aos olhos verdes dessa moça, pode acontecer que tenham de esperar muitos anos para entrar em um verso do poeta, como podem entrar de repente, atravessando um braço de mar de 1938 ou a tarde de um agosto antigo. A moça tão linda julga ir onde quer, ao sabor de sua fantasia; na verdade ela é guiada por um controle remoto que a faz passar perante o poeta. Este pelo menos assim o crê: vê gestos de Deus na queda de uma folha ou no salto de um gato.

Quando o poeta fala de sapatos, de trânsito ou futebol, não está disfarçando: o último jogo do Flamengo, a corrida dos ônibus depois do túnel e a cor dos sapatos, tudo se filtra na alma do poeta. Tudo; e com certeza também você, que ele pode ter incorporado silenciosamente no seu mundo. E quando amanhã escrever “uma tarde castanha”, se lembrará de seus cabelos e de sua voz serena.

Não o desame pois, por não ser poético; isso não é seu ofício: ele é poeta. Adeus.”

 

RUBEM BRAGA
Rio, 1954/1983

AGRADECIMENTOS: 10ª EDIÇÃO DO SARAU DO LARGO DAS NEVES
24 de dezembro de 2015

Paulo Sabino_Sarau Lgo das Neves_Dezembro 2015 1

Largo das Neves_Igreja

Largo das Neves_Música Sarau Dez 2015
______________________________________________________

“Parabéns pelo conjunto de incansáveis e qualificadas atividades em prol da poesia!”

(Antonio Carlos Secchin — poeta, tradutor, crítico literário & membro da Academia Brasileira de Letras — ABL)

 

 

 

Queridos,

Como descrever as minhas vivências, como definir o encerramento, neste 2015, do sarau do Largo das Neves, que coordeno & organizo com uma turma linda de amigos, no bairro de Santa Teresa (Rio de Janeiro), como agradecer devidamente toda a beleza da noite do evento, ocorrido em 22 de dezembro?…

Começo pela belíssima luz do fim do dia? ou pela dindinha lua, soberana no céu? ou pela quantidade de pessoas comemorando & celebrando a vida com poesia?

Eu realmente não sei… O que sei é que depois de ouvir tanta coisa linda sobre a importância do sarau na vida de algumas várias pessoas, a certeza de que devemos continuar aportou no meu coração, no meu sentimento, de maneira contundente.

Praça lotada, muita gente dizendo poesias lindas lindamente, a generosidade dos mestres do “tambor de crioula” (sim, também teve tambor de crioula!) que pediram a continuidade do sarau por mais tempo, a felicidade estampada nos sorrisos que recebi de cada participante da grande farra literária, o fechamento com o super grupo musical — formado por amigos — que tomou conta do largo fazendo da praça um grande salão de dança ao fim de tudo.

Eu, hoje, sou amor da cabeça aos pés.

Bem-vindos sempre, pessoas queridas, amigos pruma vida inteira, muitíssimo obrigado por fazerem da minha vida algo maior, por ter vocês & a poesia tão presentes.

Presente maior da vida!

Janeiro do ano que chega tem mais!

2015 contente para a poesia!

(Este ano, o “Prosa Em Poema” já alcançou a marca das mais de 103 mil — 103.000 — visualizações!)

O Sarau do Largo das Neves voltará em 2016 com a corda toda, é só aguardar!

No embalo desta alegria que me habita, aproveito para desejar, a todos que festejam, belas noites de festejos.

A minha mensagem aos senhores: mesmo o mundo sendo um grande bocejo, um grande tédio, de tanto que o homem já pesquisou & já apreendeu sobre as coisas mundanas, permitam chegar até vocês a impressentida essência do bem-estar & procurem uma alegria na flor do cotidiano, na beleza & no perfume do dia-a-dia: no vôo de um pássaro & de uma canção: Poesia!

Poesia: a arte, ao meu ver, mais capacitada a nos fazer voar, viajar!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
______________________________________________________

(do livro: Receita de Ano Novo. autor: Carlos Drummond de Andrade. editora: Record.)

 

 

MENSAGEM

 

Todas as coisas foram pesquisadas,
Conferidas, catalogadas em séries.
Não resta mais nenhum prodígio
No seio da Terra, no seio do ar.
O mundo é um bocejo.
Entretanto (como explicar?)
Chega de manso, infiltra-se em nossas paredes
De casa, de carne,
Impressentida essência
(Melodia, memória)
E nos subjuga: Natal.

 

 

PROCURO UMA ALEGRIA

 

Procuro uma alegria
na mala vazia
do fim do ano
e eis que tenho na mão
— flor do cotidiano —
o voo de um pássaro
e de uma canção.

ALL STAR: ESTRANHO SERIA SE EU NÃO ME APAIXONASSE POR VOCÊ
15 de dezembro de 2015

Cássia Eller

All Star Azul
______________________________________________________

“Ô meu bem, obrigada. Me emocionei com sua homenagem à Cássia. Vou te mandar o que escrevi quando a perdemos. Beijos poéticos procê, Paulo!”

(Elisa Lucinda — poeta, atriz & dramaturga)


“Querido Paulo Sabino,

Elisa Lucinda merece amplo reconhecimento . Sua poesia arrebata, não trai . Sou sua leitora e já me pronunciei sobre ela em diversas ocasiões.

O abraço afetuoso da

Nélida Piñon”.

(Nélida Piñon — escritora & membro da Academia Brasileira de Letras — ABL)

 

Estou com ela muito presente na minha cabeça.

Se entre nós, ela teria aniversariado há pouco. O título do seu último álbum (eu possuo absolutamente todos, inclusive o de gravações avulsas), lançado depois da sua morte, é a data do seu aniversário — 10 de dezembro.

Quem me conhece, os amigos do peito, sabe que, depois de Maria Bethânia, a grande responsável por trazer poesia à minha vida, a intérprete/cantora que mais me emociona, mais me comove, por quem sou louco de paixão até hoje, é ela — Cássia Eller.

Cássia, até hoje, faz uma falta abissal na minha existência, como nenhuma cantora até então. Assim como Bethânia, tinha a capacidade de revelar belezas — antes ocultas — nas canções que escolhia para cantar, simplesmente pelo seu modo de mastigá-las & devolvê-las ao ouvinte/espectador.

Para mim, foi a maior que tivemos. Nunca fabricaremos algo tão potente quanto Bethânia & Cássia.

Por tanto, por tudo, em sua homenagem, esta canção, feita para ela por um amigo & parceiro de estrada. Uma canção que me emociona muitíssimo, porque eu realmente gostaria de tê-la conhecido, gostaria imensamente de ter tido a chance de uma conversa, um bate-papo.

A canção é uma declaração de amor à amizade que envolveu, muito rapidamente, o autor & a grande intérprete das suas canções.

Uma curiosidade: à época em que trabalhei num programa de tv exibido pela extinta TV Educativa (TVE – RJ), que é a mesmíssima época do lançamento desta canção, a chefe geral do meu setor, e também diretora do programa de cuja equipe fiz parte, era vizinha da Cássia. De fato, Cássia morava em Laranjeiras, no 12º andar (minha ex-chefe & a Cássia foram vizinhas de porta).

Essa “proximidade” da minha ex-chefe com a Cássia — vizinhas de porta — me trazia uma certa sensação de “intimidade” com a cantora, pelas “histórias de vizinhança” que me chegavam.

(Estranho, mas me sinto como um velho amigo da Cássia…)

Vivas a ela, vivas à sua voz, vivas à sua presença na minha vida!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
______________________________________________________

(do encarte do cd: Para quando o arco-íris encontrar o pote de ouro. artista: Nando Reis. autor dos versos: Nando Reis. gravadora: Warner Music.)

 

 

ALL STAR

 

Estranho seria se eu não
me apaixonasse por você
O sal viria doce para os novos lábios
Colombo procurou as Índias
mas a Terra avisto em você
O som que eu ouço são as gírias
do seu vocabulário

Estranho é gostar tanto
do seu All Star azul
Estranho é pensar que o bairro das
Laranjeiras
Satisfeito, sorri
Quando chego ali
E entro no elevador
Aperto o doze que é o seu andar
Não vejo a hora de te encontrar
E continuar aquela conversa
Que não terminamos ontem
E ficou pra hoje

Estranho mas já me sinto
como um velho amigo seu
Seu All Star azul combina com o meu,
preto, de cano alto
Se o homem já pisou na Lua
como ainda não tenho o seu endereço?
O tom que eu canto as minhas músicas
pra tua voz parece exato

Estranho é gostar tanto
do seu All Star azul
Estranho é pensar que o bairro das
Laranjeiras
Satisfeito, sorri
Quando chego ali
E entro no elevador
Aperto o doze que é o seu andar
Não vejo a hora de te encontrar
E continuar aquela conversa
Que não terminamos ontem

Laranjeiras
Satisfeito, sorri
Quando chego ali
E entro no elevador
Aperto o doze que é o seu andar
Não vejo a hora de te encontrar
E continuar aquela conversa
Que não terminamos ontem
E ficou pra hoje
______________________________________________________

(do site: Youtube. áudio extraído do álbum: Para quando o arco-íris encontrar o pote de ouro. artista & intérprete:Nando Reis. canção: All Star. autor da canção: Nando Reis. gravadora: Warner Music.)


______________________________________________________

(do site: Youtube. artista & intérprete:Cássia Eller. canção: All Star. autor da canção: Nando Reis.)