OCUPAÇÃO POÉTICA — TEATRO CÂNDIDO MENDES (3ª EDIÇÃO) — VÍDEOS: CAMILLA AMADO, GERALDO CARNEIRO, VITOR THIRÉ & LUIZA MALDONADO
23 de março de 2016

Ocupação Poética_3ª edição 26

(Camilla Amado & Geraldo Carneiro)

Ocupação Poética_3ª edição 18

(Vitor Thiré & Luiza Maldonado)
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A quem possa interessar, 3 vídeos da 3ª edição do projeto “Ocupação Poética”, ocorrido no dia 24 de fevereiro (quarta-feira), no teatro Cândido Mendes (Ipanema – RJ), com a participação de um elenco estelar: Geraldo Carneiro, Bruce Gomlevsky, Tonico Pereira, Vitor Thiré, Maria Padilha, Camilla Amado, Luiza Maldonado, Luana Vieira, Danilo Caymmi & Alice Caymmi.

Em todos os vídeos desta publicação, textos do grande homenageado da noite, o requintado poeta & dramaturgo, além de querido amigo, Geraldo Carneiro: nos 2 primeiros vídeos, a atriz Camilla Amado, juntamente com Geraldo Carneiro, recita “Miragem em abismo”, “Filosofia” & “O sopro da deusa”. No terceiro & último vídeo, o ator Vitor Thiré & a atriz Luiza Maldonado interpretam um trecho da peça “Romeu e Julieta”, do poeta & dramaturgo inglês William Shakespeare, na tradução do Geraldo Carneiro & sob a direção do ator & diretor Bruce Gomlevsky.

No primeiro vídeo, no vídeo que abre as publicações, notem que falo sobre um imbróglio, com gritos da platéia: o teatro lotou & algumas pessoas, depois de iniciado o espetáculo, não conseguiram entrar — não havia mais assentos disponíveis. No entanto, ao fim de tudo, tudo deu certo & todos se acomodaram.

Mais vídeos chegarão!

Divirtam-se!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Camilla Amado e Geraldo Carneiro recitam Miragem em abismo e Filosofia, poemas de Geraldo Carneiro.)

 

MIRAGEM EM ABISMO  (Geraldo Carneiro)

 

não sei de que tecido é feito o ser.

meus planos sonhos enganos

se tecem na fábrica da vida

e se destecem na arquitetura do caos.

vou criando edifícios em que me

…………………………………..demoro

e de onde salto em busca de não sei.

meu ser é parte dessa miragem

…………………………………..em abismo

um espelho em que me não vejo

e em me não vendo acendo a chama

que se chama desejo.

 

talvez do outro lado exista um cais.

sei que sempre existe certa distância

…………………………………..entre mim

e o circo da minha circunstância

 

FILOSOFIA  (Geraldo Carneiro)

 

o tempo é uma ficção criada há pouco

…………………………………………………tempo.

será desinventada no futuro

onde as rosas prescindem do jardim.

o tempo do relógio é uma miragem

tão irreal quanto qualquer camelo

passando no buraco de uma agulha.

metáforas são flores do pensamento

pensadas para que se possa pressentir

que o tempo é uma aventura aqui,

…………………………………………………agora

que se eterniza ou sequer agoniza:

se precipita no caos

de onde as naus nunca regressarão

porque haveria sempre um tempo a mais

entre uma nau e a ideia do seu cais.
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Camilla Amado e Geraldo Carneiro recitam O sopro da deusa, poema de Geraldo Carneiro.)

 

O SOPRO DA DEUSA  (Geraldo Carneiro)

 

me deleito no leito da poesia

a deusa que me acolhe com constância.

as outras, conforme a circunstância,

a fome de inventar o vento-amor.

sopro suas velas e ela se revela

em sua precariedade e seu esplendor.

é um rito que repito sem saber

se outra mão ampara a minha mão,

se sou ou se não sou conquistador

dessas conquistas feitas só de éter.

minhas palavras nunca foram minhas,

mas foram me forjando com sua força

até que me tornasse esse não-ser

feito de arquiteturas sem lugar

senão no reino-sonho que fundei.

essas palavras sopram-me presságios

e nelas plantarei os meus naufrágios.
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Vitor Thiré e Luiza Maldonado interpretam um trecho da peça Romeu e Julieta. autor da peça: William Shakespeare. tradução: Geraldo Carneiro. direção de cena: Bruce Gomlevsky.)

 

(trecho da peça: Romeu e Julieta. autor: William Shakespeare. tradução: Geraldo Carneiro.)

 

De     ROMEU E JULIETA

(A cena do balcão: Romeu contempla Julieta à janela, oculto no jardim da mansão dos Capuletos.)

 

— Romeu

Que luz é essa que irrompe na janela?
Será o nascente, e Julieta é o sol?
Levanta, sol, e assim mata essa lua,
Que já está pálida com a dor da inveja
Por seres tão mais bela do que ela.
[…]
É a minha amada, oh sim: é o meu amor.
Quisera ela soubesse o que ela é!
Ela fala, ainda quando não diz nada.
Seu olhar discursa: quero responder.
Sou um atrevido: não é a mim que ela fala.
Duas dentre as estrelas mais bonitas
Que há em todo o céu, por terem outros deveres,
Deixaram esplandecendo os olhos dela
Em suas esferas, até que voltassem.
E se seus olhos estivessem lá,
E elas aqui? O brilho do seu rosto
Causaria vergonha nas estrelas,
Como o brilho do dia faz com as velas,
Seus olhos lá no céu brilhariam tanto
Que até os passarinhos cantariam,
Pensando que não fosse mais noite.
Como ela ampara o rosto sobre a mão!
Ah, se eu fosse essa luva em sua mão,
Se eu pudesse tocar aquele rosto!

— Julieta

Ai de mim!

— Romeu

(à parte, encantado)  Ela fala!
Fala de novo, anjo esplendoroso,
Pois esplandeces tanto nesta noite
Suspenso acima da minha cabeça,
Como se fosse um mensageiro alado
Do céu, diante dos olhos encantados
Dos mortais, que se inclinam pra admirar-te
Quando cavalgas nuvens vagarosas
E sobre o seio do ar vais navegando.

— Julieta

Ó Romeu, Romeu. Por que és Romeu?
Nega teu pai, recusa esse nome;
Senão, é só jurar-me o teu amor,
E eu já não serei uma Capuleto.

— Romeu

(à parte)
Escuto mais, ou devo responder?

— Julieta

É só teu nome que é meu inimigo.
Tu és tu mesmo, não és um Montéquio.
O que é um Montéquio? Não é mão, nem pé,
Nem braço ou rosto, ou qualquer outra parte
Que a alguém pertença. Encarna um outro nome.
O que há num nome? O que chamamos rosa
Com outro nome perde o seu perfume?
[…]
Romeu, despe o teu nome, e em vez do nome,
Que não faz parte do teu ser,
Toma posse completa de mim mesma.

— Romeu

Tomo posse de ti por tua palavra!
Basta que tu me chames meu amor,
E então serei de novo batizado.
De hoje em diante, não serei Romeu.

— Julieta

Quem és que sob a tela desta noite
Assim penetras no meu pensamento?

— Romeu

Por um nome não posso apresentar-me.
Meu nome, minha querida, é detestável
Pra mim mesmo, porque é teu inimigo.
Se eu o tivesse escrito, eu o rasgaria.

— Julieta

Ainda não escutei nem cem palavras
Da tua voz, mas já sei qual é o seu som.
Será que não és Romeu e não és Montéquio?

— Romeu

Nenhum dos dois, se a ti desagradam.

— Julieta

Como chegaste aqui, me diz? Por onde?
Os muros do pomar são muito altos,
Difíceis de escalar, vai ser tua morte,
Se algum parente meu te achar aqui.

— Romeu

Saltei esses muros com as asas do amor.
Não há limites de pedra contra o amor.
E o que o amor não conquista, quando ousa?
Teus parentes não podem me conter.

— Julieta

Se eles te virem aqui, vão te matar.

— Romeu

Tem mais perigo morando em teus olhos
Que em cem de suas espadas. Só me basta
Que me olhes com doçura e isso me guarda
Contra qualquer inimizade deles.

— Julieta

Por nada quero que te vejam aqui.

— Romeu

Tenho o manto da noite que me esconde.
Se não me amares, deixa que me encontrem.
Prefiro que o ódio acabe com a minha vida,
Que a morte adiada, sem o teu amor.

— Julieta

Quem te ensinou a vir a este lugar?

— Romeu

O amor foi quem me fez investigar,
Me aconselhou, e eu lhe emprestei meus olhos.
Não sou navegador, mas se estivesses
Na praia mais distante deste mundo,
Ao vasto mar eu me aventuraria
Para alcançar essa mercadoria.

— Julieta

Sabes que a máscara da noite está em meu rosto,
Senão eu coraria de vergonha
Por teres escutado o que eu falei.
Quisera ter mantido a cerimônia,
Quisera desmentir o que eu já disse.
Mas adeus, compostura! Tu me amas?
Já sei que dirás sim, e aceitarei
Tua palavra. Ainda que, se jurasses,
Podia ser que te mostrasses falso.
Dizem que as falsas juras dos amantes
Fazem Júpiter rir. Gentil Romeu,
Se tu me amas, proclama a tua fé.
Ou, se julgares que sou muito fácil,
Serei malvada e te direi que não,
Para que tenhas que me cortejar.
Senão, belo Montéquio, nem pensar!
Sinceramente, eu estou apaixonada;
Por isso podes me julgar leviana.
Mas acredites que sou mais sincera
Do que essas que simulam mais recato.
Confesso que eu seria mais discreta,
Se não escutasses sobre o meu amor
Sem que eu soubesse. Eu te peço perdão.
Não consideres um amor leviano
Esse que a escura noite assim mostrou.

— Romeu

Senhora, por essa bendita lua
Que enche de prata as copas destas árvores,
Eu juro…

— Julieta

…………..Não, não jures pela lua,
Que muda a cada mês em sua órbita,
Para que teu amor não mude igual.

— Romeu

Então por que é que eu vou jurar?

— Julieta

………………………………………………..Por nada.
Ou se quiseres jura por ti mesmo,
Porque és o deus da minha adoração.
E vou acreditar.

— Romeu

Se o meu amor —

— Julieta

(cortando)
Não jura, não.
Embora eu tenha em ti minha alegria,
Não me alegra essa aliança em meio à noite,
Tão brusca, repentina e tão imprevista,
Como um relâmpago que logo apaga
Antes que alguém proclame a sua luz.
Boa noite, amor. Que o sopro do verão
Transforme esse botão de amor em flor
Quando nos encontrarmos outra vez.
Boa noite, e que tenhamos toda a calma
Tanto em teu coração quanto em minha alma.

— Romeu

Vais me deixar assim insatisfeito?

— Julieta

Mas que satisfação querias hoje?

— Romeu

Que nós trocássemos juras de amor.

— Julieta

Já fiz as minhas, antes que pedisses.
E ainda quero fazê-las outra vez.

— Romeu

Você as retiraria, amor? Por quê?

— Julieta

Só pra ser franca, e fazê-las de novo.
Mas só estou desejando o que já tenho.
A generosidade em mim é um mar:
Meu amor por ti é fundo e é infinito,
Quanto mais dou, mais tenho para dar.
(Julieta ouve o chamado da Ama.)
Ouvi um barulho em casa. Adeus, amor.
[…] Sejas sincero, meu doce Montéquio.
Fica um pouquinho mais, eu volto já.

(Julieta sai)

— Romeu

Ó noite abençoada, tenho medo
Que, por ser noite, seja tudo um sonho
Doce demais para ser verdadeiro.

(Julieta reaparece)

— Julieta

Três palavras, Romeu, depois boa noite.
Se as tuas intenções de amor são sérias,
Se o teu propósito é o casamento,
Manda comunicar-me quando e onde
Pretendes realizar a cerimônia,
Por quem te procurar da minha parte,
Que eu depositarei tudo o que tenho
Aos teus pés, para então seguir contigo
Até o final do mundo, meu senhor.

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OCUPAÇÃO POÉTICA — TEATRO CÂNDIDO MENDES (3ª EDIÇÃO) — VÍDEOS: PAULO SABINO & BRUCE GOMLEVSKY
15 de março de 2016

Ocupação Poética_3ª edição 20

(Paulo Sabino)

Ocupação Poética_3ª edição 19

(Bruce Gomlevsky)
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Aos interessados, 5 vídeos da 3ª edição do projeto “Ocupação Poética”, ocorrido no dia 24 de fevereiro (quarta-feira), no teatro Cândido Mendes (Ipanema – RJ), com a participação de um elenco estelar: Geraldo Carneiro, Bruce Gomlevsky, Tonico Pereira, Vitor Thiré, Maria Padilha, Camilla Amado, Luiza Maldonado, Luana Vieira, Danilo Caymmi & Alice Caymmi.

Em todos os vídeos desta publicação, poemas do grande homenageado da noite, o requintado poeta & querido amigo Geraldo Carneiro: nos 2 primeiros vídeos, este que vos escreve recita “A voz do mar” & “Juízo final”. Ao fim do segundo vídeo, anuncio o próximo convidado: o diretor artístico da noite (juntamente com o Geraldo Carneiro), o ator & diretor Bruce Gomlevsky, que, nos próximos 3 vídeos, recita “Ilíada”, “Como fazer florescer a flor?” & “O elogio das índias ocidentais”.

Mais vídeos chegarão!

Divirtam-se!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Paulo Sabino recita A voz do mar, poema de Geraldo Carneiro.)

 

A VOZ DO MAR  (Geraldo Carneiro)

 

na nave língua em que me navego

só me navego eu nave sendo língua

ou me navego em língua, nave e ave.

eu sol me esplendo sendo sonhador

eu esplendor espelho especiaria

eu navegante, o antinavegador

de Moçambiques, Goas, Calecutes,

eu que dobrei o Cabo da Esperança

desinventei o Cabo das Tormentas,

eu que inventei o vento e a Taprobana,

a ilha que só existe na ilusão,

a que não há, talvez Ceilão, sei lá,

só sei que fui e nunca mais voltei

me derramei e me mudei em mar;

só sei que me morri de tanto amar

na aventura das velas caravelas

em todas as saudades de aquém-mar
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Paulo Sabino recita Juízo final, poema de Geraldo Carneiro.)

 

JUÍZO FINAL  (Geraldo Carneiro)

 

amou três ou quatro sereias, sempre

marinheiro de primeiro naufrágio;

jurou em falso, disse meias verdades;

perambulou em busca do sublime,

sem nunca descobrir o Santo Graal;

andou atrás de um deus que fosse cômodo;

como esse deus não se desencantasse,

cantou a lua e outras deusas inconstantes;

refratário às ciências, desconfia

que o Sol gira ao redor da Terra

e o homem é um animal fadado à extravagância;

às vezes sofre acessos de grandeza,

supõe-se demiurgo e pandemônio,

mas o mundo sempre se rebela

contra suas mal fundadas esperanças

e o reduz à sua insigne insignificância.
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Bruce Gomlevsky recita Ilíada, poema de Geraldo Carneiro.)

 

ILÍADA  (Geraldo Carneiro)

 

nunca andei diante dos muros

…………………………………………de Troia

a não ser como parte do pensamento

de Zeus, que jamais dorme.

amei no entanto uma mulher que foi

morar do outro lado do Oceano

por quem chorei uns dois mediterrâneos

embora fosse um choro sem lágrimas.

 

não conheço a alegria do regresso.

meu coração perdeu todas as guerras.

meus navios partiram para nunca.

mas confio que os deuses são benignos

e os meus adeuses formam a cidade

em que ancorei meu barco:

e fico aqui na minha ilha-Ílion

enquanto eles desfilam em triunfo.
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Bruce Gomlevsky recita Como fazer florescer a flor?, poema de Geraldo Carneiro.)

 

COMO FAZER FLORESCER A FLOR?  (Geraldo Carneiro)

 

casar ou não casar, esta é a questão,

é assim aqui ou no Cazaquistão,

que eu chamaria de Casarquistão,

ou, se você quiser, Quiserquistão;

o que está fora de questão é amar-te,

mesmo que fosse em Vênus ou em Marte;

mas, se eu pudesse escolher, acredite,

escolheria o reino de Afrodite,

não sei se por qualquer superstição

vinda, sei lá, de algum Seilaquistão,

ou por amor de outras mitolorgias,

dos orixás da Grécia ou da Bahia;

não que lá em Marte fosse amar-te menos:

mas eu preferiria amar-te em Vênus

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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Bruce Gomlevsky recita O elogio das índias ocidentais, poema de Geraldo Carneiro.)

 

O ELOGIO DAS ÍNDIAS OCIDENTAIS  (Geraldo Carneiro)

 

ó cunhãs, ó indiazinhas em flor

quisera ser o vosso Pero Vaz

cronista das vergonhas saradinhas

naufragar nestas Índias do Ocidente

cheio de fantasias orientais

ser vosso fauno sem après-midi

cevado (ai de mim) a aipim e cauim

até me converter num querubim

e, numa patuscada bem pagã,

(Cubanacan ao fundo no atabaque),

oferecer o corpo em holocausto

para sentir, com a graça de Tupã,

os vossos dentes me mascando a carne

nhaque     nhaque     nhaque

OCUPAÇÃO POÉTICA — TEATRO CÂNDIDO MENDES (3ª EDIÇÃO) — FOTOS & VÍDEO DE ABERTURA
1 de março de 2016

Ocupação Poética_3ª edição 09

(Casa lotada na 3ª edição deste projeto)

Ocupação Poética_3ª edição 02

Ocupação Poética_3ª edição 03

Ocupação Poética_3ª edição 24

(Os participantes desta 3ª edição do projeto: Vitor Thiré, Luiza Maldonado, Danilo Caymmi, Paulo Sabino, Geraldo Carneiro, Camilla Amado, Maria Padilha, Alice Caymmi, Luana Vieira, Bruce Gomlevsky & Tonico Pereira)

Ocupação Poética_3ª edição 20

(Paulo Sabino: lendo poemas & o “MC” — Mestre de Cerimônias — da noite)

Ocupação Poética_3ª edição 19

(O ator & diretor Bruce Gomlevsky)

Ocupação Poética_3ª edição 26

(A atriz Camilla Amado & o homenageado da noite, Geraldo Carneiro)

Ocupação Poética_3ª edição 18

(O ator Vitor Thiré & a atriz Luiza Maldonado em trecho de “Romeu e Julieta”, de Shakespeare, tradução de Geraldo Carneiro)

Ocupação Poética_3ª edição 15

(Danilo & Alice Caymmi em dueto de canção nascida da parceria entre Danilo Caymmi & Geraldo Carneiro)

Ocupação Poética_3ª edição 21

(A atriz Maria Padilha interpretando sonetos de Shakespeare na tradução de Geraldo Carneiro)

Ocupação Poética_3ª edição 22

Ocupação Poética_3ª edição 12

(O mestre Tonico Pereira & a atriz Luana Vieira na encenação do poema épico “Fabulosa jornada ao Rio de Janeiro”, recém-lançado em livro por Geraldo Carneiro)

Ocupação Poética_3ª edição 04

(Com os grandes & queridos Tonico Pereira & Maria Padilha)

Ocupação Poética_3ª edição 07

(Com os diretores artísticos da noite: Bruce Gomlevsky & Geraldo Carneiro)

Ocupação Poética_3ª edição 05

Ocupação Poética_3ª edição 06

(Com o grande homenageado da noite, o poeta, tradutor & dramaturgo Geraldo Carneiro)

Ocupação Poética_3ª edição 29

(Ao final de tudo, no camarim, Fernandinha Oliveira & Adil Tiscatti, os administradores do teatro Cândido Mendes, e nossos amigos que ajudaram a lotar a sala nesta 3ª edição)
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“Querido Paulo,

Foi uma noite adorável.

Agradeço a você, pela delicadeza, pela compreensão da poesia, pela pluri-competência.

Saiba que você ganhou pelo menos um amigo, talvez muitos outros.

Espero que tenhamos outras oportunidades de saborear noites tão felizes.

Obrigado por tudo e grande abraço,
Geraldo”.

(Geraldo Carneiro)

 

“Foi lindo Paulo Sabino…Tonico Pereira e Geraldinho mais que brilharam… a jovem que contracenou com Tonico também esteve maravilhosa… parabéns para todos pq tudo estava perfeito.

Ah, me esqueci do Danilo… ele é realmente o máximo.”

(Guilherme Zarvos — poeta & fundador do CEP 20.000)

 

“UMA POESIA ENCANTANTE

poesia culta perfumada por tiradas de amor & humor. bem colocada como uma flor na primavera: lírica & prosaica. poesia que surpreende como um drible de Garrincha. nem moderna nem pós: poesia sem nós pra nós que nos faz vestir cada palavra dita e nos impulsiona ao aplauso e ao bem-estar da surpresa inebriante que só a boa poesia causa. poesia charmosa e manhosa de Geraldo Carneiro.

o teatro Cândido Mendes se encheu de gente para o recital ‘Ocupação Póetica’, um sarau organizado por Paulo Sabino, que ganhou um novo e surpreendente formato com vários convidados interpretando poemas do homenageado. seu estilo saboreado em várias e diferentes vozes. entre os convidados, as atrizes Maria Padilha, o cantor Danilo Caymmi e sua filha Alice Caymmi, além do fantástico ator Tonico Pereira que, só de cuecão vermelho, interpretou um texto bufo macunaímico do poeta intitulado ‘Fabulosa jornada ao Rio de Janeiro’.

uma noite onde a deusa Poesia ganhou um novo status e falou mais alto.

tiramos o chapéu.”

(Luis Turiba — poeta & fundador da revista BRIC-A-BRAC)

 

 

 

Queridos,

Nem sei como iniciar… talvez eu só tenha mesmo que agradecer, agradecer, agradecer & agradecer imensamente, tudo o que a Poesia, minha Musa Eterna, minha Amante Maior, tem trazido à minha vida.

A 3ª edição do projeto “Ocupação Poética”, no teatro Cândido Mendes (Ipanema), como eu pressentia, foi linda, esplendorosa, um desbunde!

Como é de costume quando vivo intensamente um momento regado a rimas & versos, no dia seguinte ao evento eu era — e ainda sou! — o puro sumo do amor, no dia seguinte ao evento eu era — e ainda sou! — amor da cabeça aos pés!

Casa lotada, público quente, participantes pra lá de talentosos & especiais, comemorando os 40 anos de produção literária do grande poeta, tradutor & dramaturgo — hoje também um grande & querido amigo meu — Geraldo Carneiro!

Eu só sei de uma coisa: quanto mais melhor! A idéia é de que a “Ocupação Poética”, no teatro Cândido Mendes (Ipanema), aconteça bimestralmente!

Fernandinha Oliveira, Adil Tiscatti, Rafael Roesler Millon, Geraldinho Carneiro, Bruce Gomlevsky, Tonico Pereira, Vitor Thiré, Maria Padilha, Camilla Amado, Luiza Maldonado, Luana Vieira, Danilo & Alice Caymmi, amigos que foram assistir, público de modo geral, obrigadíssimo por tudo, por toda a beleza que ficou impressa na minha memória & no meu coração.

Temos vídeos das apresentações! Irei, com mais calma & tempo, disponibilizando aos interessados.

Aqui, o vídeo & o poema de abertura desta 3ª edição do projeto & mais um outro poema, que complementa o lido por mim.

Viva a Poesia! Viva a “Ocupação Poética”! Vida longa ao projeto!

Valeu!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Abertura desta ediçãoPaulo Sabino recita Madrigal triste, poema de Geraldo Carneiro.)

 

MADRIGAL TRISTE  (Geraldo Carneiro)

eu sou como o rei de um país ensolarado
e todos os vadios me devem vassalagem
assim como as mariposas, as sereias
& os moluscos da beira-mar
aos 25 anos decaptei
o busto de meu avô ex-monarca
e inaugurei uma nova ordem natural
aboli por decreto a realidade
e abdiquei também de certas pompas

a preguiça infame
jamais me permitiu demarcar
os limites de meu reino
digamos então que confino
a Leste com o Oceano Atlântico
ao Sul com o Paraíso
a Oeste com as ficções selvagens
de José de Alencar
e ao Norte com minha morte

tudo isso não me basta
(ai de mim) queria mesmo era colher
o grito pleno da tua alma cheia de tormentos

(maiores informações em Madrigal Triste,
de Charles Baudelaire)
______________________________________________________

(do livro: Poesia e prosa — volume único. autor: Charles Baudelaire. poema extraído originalmente do livro: As flores do mal. tradução de “As flores do mal”: Ivan Junqueira. editora: Nova Aguilar.)

 

 

MADRIGAL TRISTE

 

1

Que me importa que saibas tanto?
Sê bela e taciturna! As dores
À face emprestam certo encanto,
Como à campina o rio em pranto;
A tempestade apraz às flores.

Eu te amo mais quando a alegria
Te foge ao rosto acabrunhado;
Quando a alma tens em agonia,
Quando o presente em ti desafia
A hedionda nuvem do passado.

Eu te amo quando em teu olhar
O pranto escorre como sangue;
Ou quando, a mão a te embalar,
A tua angústia ouço aflorar
Como um espasmo quase exangue.

Aspiro, volúpia divina,
Hino profundo e delicioso!
A dor que o teu seio lancina
E que, quando o olhar te ilumina,
Teu coração enche de gozo!

2

Sei que o teu peito, que palpita
À sombra de amores passados,
Qual uma forja ainda crepita,
E que a garganta enfim te habita
Algo do orgulho dos danados;

Mas enquanto, amor, no que sonhas
Do Inferno a imagem não for dada,
E dessas visões tão medonhas,
Em meio a gládios e peçonhas,
De pólvora e ferro animada,

Sempre de todos te escondendo,
Denunciando em tudo a desgraça
E à hora fatal estremecendo,
Não houveres sentido o horrendo
Aperto do asco que te abraça,

Não poderás, rainha e escrava,
Que apenas me amas com pavor,
Nos abismos que a noite escava,
Dizer-me, a voz trêmula e cava:
“Sou tua igual, ó meu Senhor!”

OCUPAÇÃO POÉTICA — TEATRO CÂNDIDO MENDES (3ª EDIÇÃO) — O TIME COMPLETO
17 de fevereiro de 2016

(Aqui, o elenco completo desta 3ª edição do projeto “Ocupação Poética”, coordenado por este que vos escreve.)

Geraldo-Carneiro

(Geraldo Carneiro)

Maria Padilha

(Maria Padilha)

Camila Amado

(Camila Amado)

Foto Atriz

(Danilo Caymmi)

Alice Caymmi

(Alice Caymmi)

Tonico Pereira

(Tonico Pereira)

Bruce Gomlevsky

(Bruce Gomlevsky)

Vitor Thiré

(Vitor Thiré)

 

Luiza Maldonado

(Luiza Maldonado)

Luana Vieira

(Luana Vieira)
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(A atriz Yasmin Gomlevsky, que participaria desta edição, não mais poderá participar & foi substituída pela atriz Luiza Maldonado.)
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Anotem na agenda, espalhem a notícia, compartilhem esta publicação!

Dia 24 DE FEVEREIRO (quarta-feira), às 20H: a 3ª edição do projeto OCUPAÇÃO POÉTICA, coordenado por ESTE QUE VOS ESCREVE, no teatro CÂNDIDO MENDES (Ipanema – Rio de Janeiro), com leituras dos poemas & das traduções do poeta, letrista, tradutor & dramaturgo GERALDO CARNEIRO.

Além do poeta, a noite contará com participações para lá de ESPECIAIS:

– da atriz MARIA PADILHA;
– da atriz CAMILA AMADO;
– da atriz LUIZA MALDONADO;
– da atriz LUANA VIEIRA;
– do ator TONICO PEREIRA;
– do ator & diretor BRUCE GOMLEVSKY;
– do ator VITOR THIRÉ;
– do cantor & compositor DANILO CAYMMI;
– da cantora & compositora ALICE CAYMMI.

Junto às leituras de poemas, serão encenados um trecho de ROMEU E JULIETA, de WILLIAM SHAKESPEARE, na tradução de GERALDO CARNEIRO, e o poema-épico FABULOSA JORNADA AO RIO DE JANEIRO, publicado na recém-lançada antologia poética SUBÚRBIOS DA GALÁXIA, que comemora os 40 anos de produção literária do poeta homenageado.

 

SERVIÇO

Ocupação Poética – Teatro Cândido Mendes

Coordenação: PAULO SABINO

Direção artística: GERALDO CARNEIRO, BRUCE GOMLEVSKY

Quarta-feira (24/02)

Participantes: BRUCE GOMLEVSKY, PAULO SABINO, MARIA PADILHA, CAMILA AMADO, LUIZA MALDONADO, LUANA VIEIRA, TONICO PEREIRA, VITOR THIRÉ, DANILO CAYMMI, ALICE CAYMMI

Horário: 20h
Entrada: R$ 40,00 (inteira) / R$ 20,00 (meia)
Vendas antecipadas na bilheteria do teatro a partir do dia 17/02
End.: Joana Angélica, 63 – Ipanema, Rio de Janeiro. Tel.: (21) 2523-3663.

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(do livro: Subúrbios da galáxia — antologia poética. autor: Geraldo Carneiro. editora: Nova Fronteira.)

 

 

BALADA DO IMPOSTOR

 

sou um impostor, um dia saberão
que simulei tudo o que sempre fui.
sou uma ficção, meu sangue é só linguagem
meu sopro é uma explosão que vem de dentro
em forma de palavra.
quando já não for mais, serei eu mesmo.
enquanto tardo, trapaceio contra o tempo,
a máquina que vai me devorando,
e vou passando como tudo passa
em busca de uma graça que ultrapasse
o círculo da minha circunstância
o espelho que não seja senão o outro
esse que me habita e que me espreita
e, não sendo eu, me acata os meus espantos

OCUPAÇÃO POÉTICA — TEATRO CÂNDIDO MENDES (3ª EDIÇÃO) — 1ª CHAMADA
16 de fevereiro de 2016

Geraldo-Carneiro

(Geraldo Carneiro)

Maria Padilha

(Maria Padilha)

Camila Amado

(Camila Amado)

Foto Atriz

(Danilo Caymmi)

Alice Caymmi

(Alice Caymmi)

Tonico Pereira

(Tonico Pereira)

Bruce Gomlevsky

(Bruce Gomlevsky)
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(Acima, os nomes confirmados para a 3ª edição do projeto “Ocupação Poética”, coordenado por este que vos escreve. Além dos confirmados, há nomes a confirmar — por isso esta é a 1ª chamada.)
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Anotem na agenda, espalhem a notícia, compartilhem esta publicação!

Dia 24 DE FEVEREIRO (quarta-feira), às 20H: a 3ª edição do projeto OCUPAÇÃO POÉTICA, coordenado por ESTE QUE VOS ESCREVE, no teatro CÂNDIDO MENDES (Ipanema – Rio de Janeiro), com leituras dos poemas & das traduções do poeta, letrista, tradutor & dramaturgo GERALDO CARNEIRO.

Além do poeta, a noite contará com participações para lá de ESPECIAIS:

– da atriz MARIA PADILHA;
– da atriz CAMILA AMADO;
– do ator & diretor BRUCE GOMLEVSKY;
– do cantor & compositor DANILO CAYMMI;
– da cantora & compositora ALICE CAYMMI.

O destaque da noite fica para o ator TONICO PEREIRA, que, dirigido pelo ator & diretor BRUCE GOMLEVSKY, interpretará o poema-épico FABULOSA JORNADA AO RIO DE JANEIRO, poema publicado na recém-lançada antologia poética SUBÚRBIOS DA GALÁXIA, que comemora os 40 anos de produção literária do Geraldo Carneiro.

 

SERVIÇO

Ocupação Poética – Teatro Cândido Mendes

Coordenação: PAULO SABINO

Quarta-feira (24/02)

Participantes: GERALDO CARNEIRO, PAULO SABINO, MARIA PADILHA, CAMILA AMADO, DANILO CAYMMI, ALICE CAYMMI, BRUCE GOMLEVSKY, TONICO PEREIRA (entre outros)

Horário: 20h
Entrada: R$ 40,00 (inteira) / R$ 20,00 (meia)
Vendas antecipadas na bilheteria do teatro a partir do dia 17/02
End.: Joana Angélica, 63 – Ipanema, Rio de Janeiro. Tel.: (21) 2523-3663.

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(do livro: Subúrbios da galáxia — antologia poética. autor: Geraldo Carneiro. editora: Nova Fronteira.)

 

 

SOBRE A NATUREZA

 

nunca soube me tornar civilizado,
faço no máximo as simulações.
sou selvagem na selva do meu peito
a chama que se chama coração:
me parto e me arremesso contra o céu
contrário a qualquer força que me oprima.
sou meu sistema-sol e girassol.
só não me basto em matéria de amor
a esfera-céu que sempre me pretendo.
meu desconcerto é parte de meu ser.
renuncio à arte de apartar da vida
tudo que não lhe pertença.
não sei quem diz por mim a minha fala
mas sua voz é semelhante à minha
e às vezes nela até me reconheço
como a lua girando no seu curso

 

OCUPAÇÃO POÉTICA – TEATRO CÂNDIDO MENDES: O EVENTO
4 de agosto de 2015

Poetas Ocupação Poética Cândido Mendes

(Os participantes do projeto “Ocupação Poética”: em pé: Salgado Maranhão, Adriano Espínola, Antonio Carlos Secchin, Alex Varella & Antonio Cicero; abaixados: Paulo Henriques Britto & Paulo Sabino.)

Ocupação Poética_Plateia 2

Ocupação Poética_Plateia

(Casa cheia — platéia do teatro Cândido Mendes.)

Adriana Calcanhotto e Paulo Sabino

(Na platéia, uma das minhas musas, a cantora & compositora Adriana Calcanhotto.)

Ocupação Poética_Geraldo Carneiro & Paulo Sabino

(Paulo Sabino & um dos grandes mestres da poesia, que estava na platéia, Geraldo Carneiro, rosados.)
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Na primeira foto, o TIMAÇO de poetas escalado para o projeto “OCUPAÇÃO POÉTICA – TEATRO CÂNDIDO MENDES” (Ipanema – RJ), acontecido nos dias 31/07, 01/08 & 02/08.

Só CRAQUES! Bateram um bolão!

O projeto foi tão bonito, tão emocionado, tudo deu tão certo, que surgiu a idéia (e o mais bacana: a idéia partiu dos próprios poetas participantes!) de fazermos, neste mesmo formato, um fim de semana em SÃO PAULO!

Estou SUPER animado & vou batalhar para que este desejo (de todos nós!) se torne realidade!

Eu sou PURA GRATIDÃO! Só tenho a agradecer a TODOS OS MESTRES que confiaram em mim, de peito aberto, para a coordenação dos saraus, todos EXUBERANTES!

Vamos que vamos, porque, no que depender de mim, levaremos POESIA aos quatro cantos do mundo!

“A poesia sopra onde quer”, versejou Murilo Mendes. E eu concordo plenamente.

(Em breve, videozinhos com algumas leituras.)

Aos senhores, uma das poesias da seleção do poeta Alex Varella, poesia que fez bastante sucesso na sua leitura. E muito divertida, bem-humorada, leve, como foi todo o evento.

Beijo todos!
Paulo Sabino.

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(autor: Décio Escobar.)

 

 

VICENTE

 

 

Dei à minha morte o nome de Vicente.
Anotei Vicente num cartão
e guardei Vicente no bolso do paletó.
Para cima e para baixo eu ando com Vicente;
Vicente é um silogismo, uma consumição, mas
não chega a ser a dor.
Encontro Vicente quando vou pegar o ônibus,
o lotação, a entrada para o teatro; Vicente
transita de um bolso para outro,
misturou-se com os meus papéis,
o meu passaporte, a minha identidade, o telefone
da Margarida… o diabo.
Vicente anda amarfalhado, apalpado, usado;
dobro e desdobro Vicente.
Um dia
eu perco Vicente
na rua, na praia, no escritório,
e vai e alguém acha Vicente — e pronto, e eu
fico ETERNO.

PRINCIPALMENTE: A VOZ DO MAR
17 de abril de 2014

O mar & sua voz

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sempre fui bem tratado, sempre fui tratado bem, com carinho, com respeito, sempre vontades satisfeitas. por isso mesmo, sempre fui bem tratado, sempre fui muito tratado, sempre fui bastante tratado, como um príncipe.

com isso, fui me afeiçoando aos privilégios, aos florilégios (às coleções de flores devidamente escolhidas), às vilegiaturas (às férias que se passa fora dos centros urbanos, no campo, na praia, na montanha, no deserto), que me couberam neste reino — que é a vida — etéreo (sublime, magnífico, elevado, e também vaporoso) & ao mesmo tempo deletério (aviltante, insalubre, danoso).

a vida, sabe-se, possui a sua faceta exuberante como também a faceta cariada, feia, cheia de tristezas.

além disso, neste reino que é a vida, etéreo & deletério, o esquecimento é tão inevitável quanto a vida & a morte é toda feita de mistério.

a vida é uma coisa da qual não se pode dispor. não conhecemos o suficiente para saber, apreender, o que é a existência mundana & universal — a morte, para nós, ainda é um mistério, não se sabe muito a respeito dela, para onde vamos, se é que vamos para algum lugar além das nossas sepulturas, nem nunca podemos ter a apreciação total das nossas próprias vidas, pois, pelo caminho, vamos deixando acontecimentos para trás, justamente porque o esquecimento é tão inevitável quanto a vida.

procuro ouvir a minha sorte, procuro ouvir o que me destina o destino (será que existe destino?), nos meus búzios, como o — poeta olavo — bilac ouvia suas estrelas (vide o poema feito pelo poeta, “ouvir estrelas”), coisa que nunca ouvi, mas compreendi (a minha sorte), mesmo não tendo credo acreditável, mesmo não tendo crença crível, mesmo não tendo credo no qual se possa confiar & acreditar.

assim, bicho homem sem credo no qual se possa confiar & acreditar, fui construindo meu edifício sobre essa arquitetura de quimeras (na vida, sempre fui bem tratado, sempre fui tratado bem, com carinho, com respeito, sempre vontades satisfeitas, e, por isso mesmo, sempre fui bem tratado, sempre fui muito tratado, sempre fui bastante tratado, como um príncipe), cujo arquiteto (o arquiteto dessa arquitetura de quimeras que é a vida: “deus”, ou como quer que se chame a força criadora do universo) talvez fosse cego (construindo tal arquitetura às escuras), ou gênio (construindo tal arquitetura com total entendimento do que construía), ou talvez fosse, simplesmente, ausente (simplesmente inexistente, e a vida, um grande capricho do acaso).

neste reino etéreo & deletério, fundo a minha voz, inauguro o meu canto: na nave língua em que me navego, só me navego “eu”, como “nave”, sendo língua.

(“navego”: na palavra em destaque, duas outras palavras cabem, duas outras palavras formam a palavra “navego”: “nave” + “ego”, que é o mesmo que “eu”. é na língua que posso, através das palavras, me fazer “nave”, e, com elas, o “ego” “navego”.)

na nave língua em que me navego, língua na qual em/barco, só me navego “eu” (“ego”), como “nave”, sendo língua.

a língua é minha pátria. eu canto, falo, declamo, exponho, penso, logo existo, em língua portuguesa.

me navego em língua, “nave” & “ave”.

(“navego”: na palavra em destaque, além de caberem as palavras “nave” & “ego”, uma outra também cabe: “ave”.)

em língua me navego, “nave” que me permite viajar caminho afora, “ave” que me leva em suas asas, na minha tentativa de vôos altos por sobre a vida.

eu sou sol, luz, eu esplendo, eu resplandeço, eu brilho intensamente, sendo sonhador (afinal, fui construindo meu edifício sobre essa arquitetura de quimeras), eu, sendo esplendor, sendo brilho intenso, eu espelho especiaria, sou como o conjunto de temperos que dá aroma & sabor, eu, navegante (dos mares da vida), sou o antinavegador de moçambiques, goas, calecutes, o antinavegador porque nunca me aventurei a descobertas ultramarinas, o antinavegador porque nunca me prontifiquei a vencer os mares em busca de reinos perdidos & tesouros inexplorados, eu, que dobrei & venci o cabo da esperança (sentimento de quem confia na realização daquilo que deseja), eu, que desinventei o cabo das tormentas (das tempestades violentas, das situações conturbadas & perturbadoras), eu, que inventei o vento que me carregou nas minhas andanças, eu, que inventei a “taprobana”, a ilha que só existe na minha ilusão (“taprobana” é o nome pelo qual a ilha de sri lanka era conhecida na antigüidade), eu, que inventei a ilha que não há, talvez “ceilão”, sei lá (“ceilão” foi como a ilha de sri lanka foi denominada até 1972), eu, que inventei o mapa, o astrolábio, a embarcação, a rota, só sei que fui em busca dos meus interesses & sonhos & nunca mais voltei.

me derramei & me mudei em mar — virei a sua voz, me transformei no seu canto, só sei que me morri de tanto amar na aventura das velas caravelas (por todo o fascínio que sempre me despertaram as grandes navegações & suas expedições mundo afora), só sei que morri de tanto amar em todas as saudades de aquém-mar, em todas as saudades que ficam, que permanecem, na parte de cá, neste lado daqui, de quem nunca se lançou em aventuras de além-mar, de quem, viajando em sonhos & desejos, fundou o seu edifício neste reino etéreo & deletério, fundou o seu edifício sobre essa arquitetura de quimeras, cujo arquiteto talvez fosse cego, ou gênio, ou, simplesmente, ausente.

beijo todos!
paulo sabino.
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(do livro: Poemas reunidos. autor: Geraldo Carneiro. editoras: Nova Fronteira / Fundação Biblioteca Nacional.)

 

 

PRINCIPALMENTE

 

sempre fui bem tratado como um príncipe
e fui me afeiçoando aos privilégios
aos florilégios e às vilegiaturas
que me couberam neste reino etéreo
e deletério, porque o esquecimento
é tão inevitável quanto a vida
e a morte é toda feita de mistério.
procuro ouvir a sorte nos meus búzios
como o Bilac ouvia suas estrelas,
coisa que nunca ouvi, mas compreendi
mesmo não tendo credo acreditável.
fui construindo assim meu edifício
sobre essa arquitetura de quimeras,
cujo arquiteto talvez fosse cego,
ou gênio, ou simplesmente ausente.

 

 

A VOZ DO MAR

 

na nave língua em que me navego
só me navego eu nave sendo língua
ou me navego em língua, nave e ave.
eu sol me esplendo sendo sonhador
eu esplendor espelho especiaria
eu navegante, o antinavegador
de Moçambiques, Goas, Calecutes,
eu que dobrei o Cabo da Esperança
desinventei o Cabo das Tormentas,
eu que inventei o vento e a Taprobana,
a ilha que só existe na ilusão,
a que não há, talvez Ceilão, sei lá,
só sei que fui e nunca mais voltei
me derramei e me mudei em mar;
só sei que me morri de tanto amar
na aventura das velas caravelas
em todas as saudades de aquém-mar

CONFORME A MARÉ, A MIRAGEM EM ABISMO & O SOPRO DA DEUSA
29 de novembro de 2011

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é um privilégio ser o que me cabe e o que pretendo para além de mim.
 
para além de mim pretendo diversas realizações.
 
um pássaro, bicho apto a vôos, naufraga no meu céu, um pássaro afunda, malogra-se, falha, no meu céu, e eu, mesmo assim, mesmo com o vôo fracassado do pássaro, eu continuo projetando um horizonte contra qualquer eclipse, continuo projetando ir além, ir mais adiante, contra qualquer efeito de obscurecimento.
 
já sei que vou, talvez, me estiolando, sei que vou, talvez, enfraquecendo, murchando, perdendo a cor, mas sei também que nascem flores no meu sonho e a carne se acende em gozo (e que assim seja por muito tempo).
 
quem sabe, um dia, eu saiba meus portantos, quem sabe, um dia, eu saiba, eu descubra, as minhas conclusões, quem sabe, um dia, eu saiba, eu descubra, as minhas finalidades, o que almejo de conclusivo & assertivo, e tenha, por sustento, por necessidade, a aventura de expor ao vento, de expor ao que sopra direções, essa ave-vida, vida-pássaro, e suas rotas pré-estabelecidas.
 
quem sabe, um dia.
 
por agora, enquanto não sei meus portantos, enquanto não sei os meus desfechos, enquanto não sei as minhas conclusões, as marés, com o passar dos dias, vão roendo o meu barco ao sabor das minhas navegações, a minha alegria nasce em cada porto em que me proponho ancorar, a lua segue em seu caminho, e eu, sem profecias, e eu, sem previsões, e eu, sem que saiba meus portantos, me adivinho, me decifro, me revelo, a cada passo andado; me adivinho, me decifro, me revelo, de acordo com a trilha, de acordo com a rota, que vai se mostrando no andar dos passos.
 
é um privilégio ser o que me cabe e o que pretendo para além de mim.
 
ainda assim, ainda que seja um privilégio ser o que me cabe, não sei de que tecido, de que trama, é feito o ser.
 
sei apenas que meus planos, meus sonhos, meus enganos, se tecem na fábrica da vida e se destecem, e se desfazem, na arquitetura (na estrutura & organização) do caos cotidiano.
 
na arquitetura do caos, vou arquitetando, vou criando, edifícios em que me demoro & onde moro durante um tempo (os meus abrigos existenciais) e de onde salto em busca de “não sei”, em busca de caminhos novos, de trilhas inéditas, em busca do que se desvele no próprio caminhar, em busca do que se desvele no próprio trilhar.
 
meu ser é parte dessa miragem em abismo, meu ser é parte dessa imagem de atirar-se na vida sem saber exatamente o que encontrar na esquina próxima, meu ser é um espelho em que não me vejo, espelho que não me reflete exatamente, e, não me vendo, acendo a chama que se chama: desejo. desejo pelo desconhecido, desejo pelo imponderável, desejo pelo imprevisível, desejo pelo que há de vir e que desconheço.
 
não sei muito; sei que sempre existe certa, sempre existe alguma, distância entre mim (o que sou, o que suponho ser) e o “circo” (as situações ocorridas no picadeiro que me cabe) da minha “circunstância”, ciente de que o circo da minha “circunstância” — situação, estado ou condição de coisa ou pessoa em determinado momento — é armado por fatores & atores os mais variados. 
 
não sei muito; sei que, nesta viagem intangível que é viver, me deleito no leito da poesia, a deusa que me acolhe com constância.
 
as outras deusas, pessoas amantes, estas me acolhem conforme a circunstância (que não depende só de mim), me acolhem conforme a fome, conforme a vontade, de in/ventar o vento-amor.
 
sopro as velas da poesia, sopro as velas da musa, e ela se revela em sua precariedade & seu esplendor.
 
(afinal, todo poeta avista, em seus textos poéticos, o que eles guardam de precariedade — os seus defeitos, os seus problemas — e de esplendor — as suas belezas, os seus grandes achados.)
 
escrever: rito que repito sem saber se outra mão ampara a minha mão (a mão da musa, a mão da inspiração, a mão de algum ser divino ditando os versos), rito que repito sem saber se sou ou se não sou o conquistador (único) dessas conquistas feitas só de éter, conquistas vaporosas, conquistas aeriformes, pequenas, essas conquistas de alguns (belos) versos.
 
minhas palavras nunca foram minhas, minhas palavras nunca foram suas, minhas palavras nunca foram de ninguém. as minhas palavras existem há muito tempo, as minhas palavras existem desde antes de serem minhas.
 
mesmo assim, mesmo nunca sendo minhas as minhas palavras, elas foram me forjando, elas foram me moldando, foram me criando, até que me tornasse este “não-ser”, até que me transformasse nesta criatura repleta de não-saberes, repleta de dúvidas & incertezas, um tipo de “não-ser” (porque inconstante, porque volátil, porque mutante) feito de arquiteturas sem lugar, sem espaço definido, senão no reino-sonho que fundei para mim.
 
reino-sonho: a morada das musas, a morada que me cabe.
 
as palavras ventadas pela deusa poesia me sopram presságios, me sopram futuros, me sopram acontecimentos por vir, e nelas, nas palavras ventadas pela deusa poesia, plantarei os meus naufrágios.
 
é na fundura dos versos que me afogo.
 
na poesia, ao sopro da deusa, me fundo & afundo.
 
é no céu da poesia que naufraga a minha ave-vida.
 
(graças!)
 
beijo todos!
paulo sabino.
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(do livro: Poemas reunidos. autor: Geraldo Carneiro. editoras: Nova Fronteira / Fundação Biblioteca Nacional.)     
 
 
 
CONFORME A MARÉ
 
 
é um privilégio ser o que me cabe
e o que pretendo para além de mim.
um pássaro naufraga no meu céu
e eu continuo projetando um horizonte
contra qualquer eclipse.
já sei que vou talvez me estiolando
embora nasçam flores no meu sonho
e a carne ainda se acenda em gozo.
quem sabe um dia saiba meus portantos
e tenha por sustento a aventura
de expor ao vento essa ave-vida.
as marés vão roendo o meu barco
a alegria nasce em cada porto
a lua segue em seu caminho
e eu sem profecias me adivinho
 
 
 
MIRAGEM EM ABISMO
 
 
não sei de que tecido é feito o ser.
meus planos sonhos enganos
se tecem na fábrica da vida
e se destecem na arquitetura do caos.
vou criando edifícios em que me
                                                       demoro
e de onde salto em busca de não sei.
meu ser é parte dessa miragem
                                                       em abismo
um espelho em que me não vejo
e em me não vendo acendo a chama
que se chama desejo.
 
talvez do outro lado exista um cais.
sei que sempre existe certa distância
                                                       entre mim
e o circo da minha circunstância
 
 
 
O SOPRO DA DEUSA
 
 
me deleito no leito da poesia
a deusa que me acolhe com constância.
as outras, conforme a circunstância,
a fome de inventar o vento-amor.
sopro suas velas e ela se revela
em sua precariedade e seu esplendor.
é um rito que repito sem saber
se outra mão ampara a minha mão,
se sou ou se não sou conquistador
dessas conquistas feitas só de éter.
minhas palavras nunca foram minhas,
mas foram me forjando com sua força
até que me tornasse esse não-ser
feito de arquiteturas sem lugar
senão no reino-sonho que fundei.
essas palavras sopram-me presságios
e nelas plantarei os meus naufrágios.