SOMOS TROPICÁLIA — 50 ANOS DO MOVIMENTO — 3º CICLO: JULIANA LINHARES, MIHAY, HELIO MOULIN E SALGADO MARANHÃO — MÃE DA MANHÃ (GILBERTO GIL)
18 de abril de 2017

(Os participantes desta 3ª etapa do projeto: em pé, Juliana Linhares e Salgado Maranhão; sentados, Helio Moulin e Miray junto ao Guilherme Araújo e à Gal Costa — Foto: Rafael Millon)
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“Bravo, Paulo Sabino. Aqueceram-me o coração sua desenvoltura e alta voltagem poética. Grato. Abs. RCAlbin”.

(Ricardo Cravo Albin — musicólogo & membro da Academia Carioca de Letras — ACL)

 

“Que massa que o Helinho vai tocar contigo [Mihay]! Adorei.”

(Tulipa Ruiz — cantora e compositora)

 

 

Alô Alô! Alegria Alegria!

Aqui para anunciar os participantes da 3ª etapa de encontros do projeto “Somos Tropicália”, em homenagem aos 50 anos do movimento que chacoalhou a música popular brasileira. O projeto vem reunindo, desde fevereiro, mensalmente, artistas da nova geração da nossa música, para a releitura das canções tropicalistas, com poetas consagrados, para a leitura de textos/poemas de bossa tropicalista.

Para esta edição de abril, o imenso prazer de receber só feras: a atriz e cantora Juliana Linhares (cantora e integrante da banda “Pietá” e do projeto “Iara Ira”, ao lado das cantoras Júlia Vargas e Duda Brack), o cantor, compositor e videomaker Mihay (o Mihay já cantou com o Chico César, excursionou com o João Donato, e tem, no seu segundo disco, participação da Tulipa Ruiz, Mariana Aydar, do Robertinho Silva, Kassin, e do próprio João Donato, entre outros), o instrumentista-violonista Helio Moulin (o Hélio é filho do monstro violonista e guitarrista da música popular brasileira e do jazz Helio Delmiro, que tocou com Elis Regina, Clara Nunes, Milton Nascimento, a diva da música norte-americana Sarah Vaughan, entre outros), e o poeta vencedor do prêmio Jabuti de poesia (o mais importante prêmio literário, pelo seu belíssimo livro “Ópera de nãos”) Salgado Maranhão.

Tudo divino-maravilhoso! Certeza de mais noites lindas para a música e para a poesia! E toda essa maravilhosidade “di grátis”!

Depois deste texto sobre o “Somos Tropicália”, um poema-canção que não é tropicalista porém foi composto por um mestre tropicalista e cantado pela musa tropicalista — Gilberto Gil e Gal Costa. Isso porque a Juliana Linhares, que é a grande cantora e intérprete que terei o prazer e a honra de receber no projeto, no espetáculo “Iara Ira”, canta com a Julia Vargas e a Duda Brack o poema-canção da publicação, poema-canção que é o meu preferido do álbum em que foi lançado, “O sorriso do gato de Alice”, da Gal. A Juliana, a Julia e a Duda abrem o “Iara Ira” com este poema-canção.

Sobre o “Somos Tropicália”: espalhem a notícia! Compartilhem a boa nova!

Esperamos todas e todos!

 

Serviço:

Gabinete de Leitura Guilherme Araújo apresenta –

SOMOS TROPICÁLIA – 50 anos do movimento

Juliana Linhares, Mihay, Helio Moulin e Salgado Maranhão / Pocket-show e leitura de poesias
Dias 26/04 (4ª-feira) e 27/04 (5ª-feira)
A partir das 19h30
Rua Redentor, 157 Ipanema
Tel infos. 21-2523-1553
Entrada franca c/ contribuição voluntária
Lotação: 60 lugares
Classificação: livre

Link do evento no Facebook: http://www.facebook.com/events/1881892262099199/
Página do projeto no Facebook: http://www.facebook.com/somostropicalia/
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(Extraído do livro “Gil — todas as letras”, organizado por Carlos Rennó, editora Companhia das Letras.)

 

para Gal Costa & Juliana Linhares

 

 

gilberto gil fez este poema-canção para gal costa, que foi dedicado à mãe da cantora, mariah costa penna, amiga do poeta-compositor & que havia morrido há pouco tempo.

a perda de uma pessoa que muito se ama, a que mais se ama, a grande amiga, aquela que sentimos ser a única pessoa a fazer absolutamente tudo & qualquer coisa para o bem-estar da cria, dos filhos: uma dor profunda, uma tristeza abissal, o recolhimento, o luto, a escuridão.

meu canto em momentos de escuridão é o meu grande amparo. minha voz é meu amparo em momentos difíceis.

minha voz, que é um aro de luz da manhã, que é um aro de luz que nasce do dia, voz solar, iluminada, voz brilhante, num momento de dor, de perda de alguém tão caro, a minha voz brota na gruta da dor.

mãe da manhã, mãe do raiar do dia, mãe da luz nascente do dia, mãe maria, mãe de todos nós, eu faria de tudo pra conservar vosso amor.

uma espécie de súplica, de pedido, à mãe da manhã, à mãe do raiar do dia, à mãe da luz nascente do dia, à mãe maria, à mãe de todos nós: pra conservar vosso amor, mãe da manhã, eu faria de tudo — a cada ano, eu faria uma romaria, eu faria uma oferenda, eu faria uma prenda, eu daria a vós uma flor. faria uma romaria, uma oferenda, uma prenda, daria uma flor — tudo para conservar o amor da mãe da manhã.

assim, na minha existência, a cada instante, teria direito a um grão, a um momento, a um pedaço, de alegria — e todos os grãos de alegria, por conservar o amor da mãe da manhã, seriam lembranças do vosso amor, lembranças do amor que a mãe da manhã me dedica.

santa virgem maria — mãe maria, mãe de todos nós —, vós que sois mãe do filho daquele que nos permite o nascer do dia, vós que sois mãe do filho daquele que nos possibilita a vida, daquele que nos determina a morte, santa virgem maria, mãe da manhã, mãe da luz, mãe solar: abençoai minha voz, meu cantar.

na escuridão da nostalgia causada pela perda de alguém que muito se ama, pela perda de alguém que nos é tão importante, tão caro, dai-nos a luz do luar.

na noite, na escuridão, na dor, na perda, no momento difícil: luz, sempre. seja qual for: solar ou lunar: luz, quero luz.

mãe da manhã, que assim seja.

beijo todos!
paulo sabino.
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(do livro: Gil — Todas as letras. organização: Carlos Rennó. autor: Gilberto Gil. editora: Companhia das Letras.)

MÃE DA MANHÃ

Meu canto na escuridão
Minha voz, meu amparo
Aro de luz nascente do dia
Brota na gruta da dor
Mãe da manhã, de tudo eu faria
Pra conservar vosso amor

A cada ano, uma romaria
Uma oferenda, uma prenda, uma flor
A cada instante, um grão de alegria
Lembranças do vosso amor

Santa Virgem Maria
Vós que sois Mãe do Filho do Pai do Nascer do Dia

Abençoai minha voz, meu cantar
Na escuridão dessa nostalgia
Dai-nos a luz do luar.

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(do site: Youtube. áudio extraído do álbum: O sorriso do gato de Alice. gravadora: BMG Ariola. artista e intérprete: Gal Costa. canção: Mãe da manhã. autor: Gilberto Gil.)

SOMOS TROPICÁLIA — 50 ANOS DO MOVIMENTO — 2° CICLO: LILA, MATHEUS VK & EBER INÁCIO — MANIFESTO PAU BRASIL (OSWALD DE ANDRADE)
29 de março de 2017

(Foto: Elena Moccagatta)

(Na foto, os participantes desta edição — Eber Inácio, Lila & Matheus VK)
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“Querido Paulo,

Acompanho com alegria o seu trabalho de poeta e de defensor da poesia.

E a mãezinha, está bem?

Beijo os dois,
Nélida Piñon”.

(Nélida Piñon — escritora integrante da Academia Brasileira de Letras — ABL)

 

 

É chegada a hora! É dia de estréia!

Hoje, quarta-feira (29/03), e amanhã, quinta-feira (30/03), acontece o 2° ciclo de encontros do projeto “Somos Tropicália”, em homenagem aos 50 anos do Tropicalismo, no Gabinete de Leitura Guilherme Araújo, o grande empresário dos tropicalistas e um dos artífices do movimento, com a presença deste trio poderoso e vitaminado: do cantor e compositor Matheus VK, da cantora e compositora Lila (tanto a Lila quanto o Matheus cantam no bloco “Fogo e Paixão”), e do poeta, escritor e ator Eber Inácio (da trupe que monta e encena os já célebres espetáculos teatrais no Buraco da Lacraia, na Lapa).

O repertório das noites está incrível e os participantes, felizes da vida com o ensaio! Venham todos!

 

Serviço:

Gabinete de Leitura Guilherme Araújo apresenta –

SOMOS TROPICÁLIA – 50 anos do movimento

Lila, Matheus VK e Eber Inácio / Pocket-show e leitura de poesias
Dias 29/03 (4ª-feira) e 30/03 (5ª-feira)
A partir das 19h30
Rua Redentor, 157 Ipanema
Tel infos. 21-2523-1553
Entrada franca c/ contribuição voluntária
Lotação: 60 lugares
Classificação: livre

Link do evento no Facebook: http://www.facebook.com/events/1832965360359979/
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De presente, excertos de um manifesto que compõe o repertório de leitura das duas noites desta edição do projeto e que inspirou deveras os tropicalistas.

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(excertos do texto: Manifesto Pau Brasil. autor: Oswald de Andrade.)

 

 

MANIFESTO PAU BRASIL

 

“A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre nos verdes da Favela, sob o azul cabralino, são fatos estéticos.

“O Carnaval no Rio é o acontecimento religioso da raça. Pau-Brasil. Wagner submerge ante os cordões de Botafogo. Bárbaro e nosso. A formação étnica rica. Riqueza vegetal. O minério. A cozinha. O vatapá, o ouro e a dança.

“Toda a história bandeirante e a história comercial do Brasil. O lado doutor, o lado citações, o lado autores conhecidos. Comovente. Rui Barbosa: uma cartola na Senegâmbia. Tudo revertendo em riqueza. A riqueza dos bailes e das frases feitas. Negras de Jockey. Odaliscas no Catumbi. Falar difícil.”

(…)

“A poesia Pau-Brasil. Ágil e cândida. Como uma criança.”

(…)

“Contra o gabinetismo, a prática culta da vida. Engenheiros em vez de jurisconsultos, perdidos como chineses na genealogia das idéias.

“A língua sem arcaísmos, sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros. Como falamos. Como somos.”

(…)

“Uma única luta – a luta pelo caminho.”

(…)

“A invenção

“A surpresa

“Uma nova perspectiva

“Uma nova escala.

“Qualquer esforço natural nesse sentido será bom. Poesia Pau-Brasil.”

(…)

“A Poesia Pau-Brasil é uma sala de jantar domingueira, com passarinhos cantando na mata resumida das gaiolas, um sujeito magro compondo uma valsa para flauta e a Maricota lendo o jornal. No jornal anda todo o presente.

“Nenhuma fórmula para a contemporânea expressão do mundo. Ver com olhos livres.”

(…)

“Uma visão que bata nos cilindros dos moinhos, nas turbinas elétricas; nas usinas produtoras, nas questões cambiais, sem perder de vista o Museu Nacional. Pau-Brasil.

“Obuses de elevadores, cubos de arranha-céus e a sábia preguiça solar. A reza. O Carnaval. A energia íntima. O sabiá. A hospitalidade um pouco sensual, amorosa. A saudade dos pajés e os campos de aviação militar. Pau-Brasil.”

(…)

“A reação contra todas as indigestões de sabedoria. O melhor de nossa tradição lírica. O melhor de nossa demonstração moderna.

“Apenas brasileiros de nossa época. O necessário de química, de mecânica, de economia e de balística. Tudo digerido. Sem meeting cultural. Práticos. Experimentais. Poetas. Sem reminiscências livrescas. Sem comparações de apoio. Sem pesquisa etimológica. Sem ontologia.

“Bárbaros, crédulos, pitorescos e meigos. Leitores de jornais. Pau-Brasil. A floresta e a escola. O Museu Nacional. A cozinha, o minério e a dança. A vegetação. Pau-Brasil.”

SOMOS TROPICÁLIA — 50 ANOS DO MOVIMENTO — 2º CICLO: LILA, MATHEUS VK & EBER INÁCIO — DOMINGO NO PARQUE (GILBERTO GIL)
22 de março de 2017

(Fotos: Elena Moccagatta)

(Na foto, os participantes desta edição — Eber Inácio, Lila & Matheus VK — na companhia de Guilherme Araújo)
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Vem que tem!

Semana próxima, nos dias 29 (quarta-feira) e 30 (quinta-feira) de março, o 2° ciclo de encontros do projeto “Somos Tropicália”, em homenagem aos 50 anos do Tropicalismo, no Gabinete de Leitura Guilherme Araújo, o grande empresário dos tropicalistas e um dos artífices do movimento, com as participações do cantor e compositor Matheus VK, da cantora e compositora Lila (tanto a Lila quanto o Matheus cantam no bloco “Fogo e Paixão”) e do poeta, escritor e ator Eber Inácio (da trupe que monta e encena os já célebres espetáculos teatrais no Buraco da Lacraia, na Lapa). Com esses participantes a tropicalidade rola solta no ar! O repertório da noite está incrível! Vem geral! Di grátis!

 

 

Serviço:

Gabinete de Leitura Guilherme Araújo apresenta –

SOMOS TROPICÁLIA – 50 anos do movimento

Lila, Matheus VK e Eber Inácio / Pocket-show e leitura de poesias
Dias 29/03 (4ª-feira) e 30/03 (5ª-feira)
A partir das 19h30
Rua Redentor, 157 Ipanema
Tel infos. 21-2523-1553
Entrada franca c/ contribuição voluntária
Lotação: 60 lugares
Classificação: livre

Link do evento no Facebook: http://www.facebook.com/events/1832965360359979/
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De presente, um poema-canção lindíssimo, que compõe o repertório das duas noites desta edição do projeto.

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(do livro: Gil — Todas as letras. organização: Carlos Rennó. depoimento: Gilberto Gil. editora: Companhia das Letras.)

 

 

Montar algo diferente, partindo de elementos regionais, baianos, para o festival da TV Record: esse era o projeto de Gil ao começar a pensar a canção. “Daí a idéia”, conta ele, “de usar um toque de berimbau, de roda de capoeira, como numa cantiga folclórica. O início da melodia e da letra da música já é tirado desses modos. Com a caracterização do capoeirista e do feirante como personagens, eu já tinha os elementos nítidos para começar a criação da história.”

“Algumas pessoas pensam que rima é só ornamento, mas a rima descortina paisagens e universos incríveis; de repente, você se depara no lugar mais absurdo. Eu, que a procuro primeiro na cabeça, no alfabeto interno — mas também vou ao dicionário —, vejo três fatores simultâneos determinantes para a escolha da rima: além do som, o sentido e o necessário deslocamento.

“Em ‘Domingo no parque’, pra rimar com ‘sumiu’, eu cheguei à Boca do Rio (bairro de Salvador). E quando eu pensei na Boca do Rio, me veio um parque de diversões que eu tinha visto, não sei quantos anos antes, instalado lá, e que, desde então, identificava a Boca do Rio pra mim: desde aquele dia, a lembrança do lugar vinha sempre com a roda-gigante que eu tinha visto lá. Aí eu quis usar o termo e anotei, lateralmente, no papel: ‘roda-gigante’. Ela ia ter que vir pra história de alguma maneira, em instantes.

“Era preciso também fazer o João e o José se encontrarem. O João não tinha ido ‘pra lá’, pra Ribeira; tinha ido ‘namorar’ (pra rimar com ‘lá’). Onde? Na Boca do Rio, pra onde o José, de outra parte da cidade, também foi. No parque vem a conformação dos caracteres psicológicos dos dois. Um, audacioso, aberto, expansivo. O outro, tímido, recuado. Esse, louco por Juliana mas sem coragem de se declarar, vivia havia tempos um amor platônico, idealizando uma oportunidade de falar com ela. Naquele dia ele chega ao parque e a encontra com João, que estava ali pela primeira vez e não a conhecia, mas já tinha cantado Juliana e se divertia com ela na roda-gigante. É a decepção total pro José, que não resiste.

“Era só concluir. A roda-gigante gira, e o sorvete, até então só, já é sorvete de morango pra poder ser vermelho, e a rosa, antes só, é vermelha também, e o vermelho vai dando a sugestão de sangue — bem filme americano —, e, no corte, a faca e o corte mesmo. O súbito ímpeto, a súbita manifestação de uma potência no José: ele se revela forte, audaz, suficiente. A coragem que ele não teve para abordar Juliana, ele tem para matar.”

“A canção nasceu, portanto, da vontade de mimetizar o canto folk e de representar os arquétipos da música de capoeira com dados exclusivos, específicos: com um romance desse, essa história mexicana. Está tudo casado.”

“‘Domingo no parque’, como ‘Luzia Luluza’ e outras do mesmo período, foi feita no Hotel Danúbio, onde eu morei durante um ano, em São Paulo. Nana [a cantora Nana Caymmi, segunda mulher de Gil] dormia ao meu lado. Nós tínhamos vindo da casa do pintor Clovis Graciano — amigo de Caymmi —, onde eu tinha rememorado muito a Bahia e Caymmi. Eu estava impregnado disso, e por isso saiu ‘Domingo no parque’: por causa de Caymmi, da filha dele, dos quadros na parede. A umas duas da manhã fomos para o hotel e eu fiquei com aquilo na cabeça: ‘Vou fazer uma música à la Caymmi, fazer de novo um Caymmi, Caymmi hoje!’. Peguei papel e violão e trabalhei a noite toda. Já era dia, quando terminei. De manhã, gravei.”
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(do livro: Gil — Todas as letras. organização: Carlos Rennó. autor: Gilberto Gil. editora: Companhia das Letras.)

 

 

DOMINGO NO PARQUE

 

O rei da brincadeira — ê, José
O rei da confusão — ê, João
Um trabalhava na feira — ê, José
Outro na construção — ê, João

A semana passada, no fim da semana
João resolveu não brigar
No domingo de tarde saiu apressado
E não foi pra Ribeira jogar
Capoeira
Não foi pra lá pra Ribeira
Foi namorar

O José como sempre no fim da semana
Guardou a barraca e sumiu
Foi fazer no domingo um passeio no parque
Lá perto da Boca do Rio
Foi no parque que ele avistou
Juliana
Foi que ele viu

Juliana na roda com João
Uma rosa e um sorvete na mão
Juliana, seu sonho, uma ilusão
Juliana e o amigo João
O espinho da rosa feriu Zé
E o sorvete gelou seu coração

O sorvete e a rosa — ô, José
A rosa e o sorvete — ô, José
Oi, dançando no peito — ô, José
Do José brincalhão — ô, José

O sorvete e a rosa — ô, José
A rosa e o sorvete — ô, José
Oi, girando na mente — ô, José
Do José brincalhão — ô, José

Juliana girando — oi, girando
Oi, na roda-gigante — oi, girando
Oi, na roda-gigante — oi, girando
O amigo João — oi, João

O sorvete é morango — é vermelho
Oi, girando, e a rosa — é vermelha
Oi, girando, girando — é vermelha
Oi, girando, girando — olha a faca!

Olha o sangue na mão — ê, José
Juliana no chão — ê, José
Outro corpo caído — ê, José
Seu amigo João — ê, José

Amanhã não tem feira — ê, José
Não tem mais construção — ê, João
Não tem mais brincadeira — ê, José
Não tem mais confusão — ê, João
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(do site: Youtube. áudio extraído do álbum: Gilberto Gil (1968). artista & intérprete: Gilberto Gil. canção: Domingo no parque. autor: Gilberto Gil. participação especial: Mutantes. gravadora: Universal Music.)

SOMOS TROPICÁLIA — 50 ANOS DO MOVIMENTO — 2º CICLO: LILA, MATHEUS VK E EBER INÁCIO
14 de março de 2017

(Fotos de divulgação — Todas as fotos: Elena Moccagatta)

(Nas fotos, os participantes do 2º ciclo de encontros: Eber Inácio, Lila e Matheus VK)

(Eber Inácio)

(Lila)

(Matheus VK)
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Para comemorar os 50 anos da Tropicália, o Gabinete de Leitura Guilherme Araújo apresentará uma série de encontros poético-musicais ao longo de 2017

 

Nos dias 29 e 30 de março (quarta e quinta-feira), a partir das 19h30, acontece a segunda etapa do ciclo de encontros “Somos Tropicália – 50 anos do movimento”, no Gabinete de Leitura Guilherme Araújo, em homenagem aos 50 anos do Tropicalismo: as surpreendentes e eletrificadas apresentações de Caetano Veloso e Gilberto Gil no Festival da TV Record em 1967 são consideradas o marco inicial do movimento na música, que se consolidou com a gravação de “Tropicália Ou Panis Et Circenses”, álbum-manifesto lançado no ano seguinte.

Para este mês de março, o projeto tem o imenso prazer de ter como participantes o ator e poeta Eber Inácio, a cantora e compositora Lila e o músico, cantor e compositor Matheus VK. Ambos, além de primos, possuem um trabalho autoral que conversa com ecos do tropicalismo, são vocalistas do bloco “Fogo e Paixão”, e Matheus é dono de sucessos como “La Malemolência” e “Pélvis”. E Eber é um dos integrantes do divertidíssimo grupo do Buraco da Lacraia, na Lapa. Juntos nas duas noites, o trio prepara uma “geléia geral” inspirada nas músicas e poesias tropicalistas que ganharão suas assinaturas em arranjos e interpretações!

 

Somos Tropicália

 

Até dezembro serão programados encontros poético-musicais que ressaltam a importância do tropicalismo na música popular brasileira, com influências que reverberam até hoje no cenário do cancioneiro contemporâneo. As noites vão misturar leituras de poemas e participações musicais em releituras do repertório tropicalista por artistas e poetas – entre novos e consagrados – que de alguma forma ecoam o movimento em seus trabalhos e carreiras.

Os encontros ocorrerão, justamente, no primeiro andar da casa onde morou o irreverente e festivo Guilherme Araújo, célebre empresário e produtor musical dos baianos no final da década de 60, considerado uma espécie de co-criador do Tropicalismo. Por vontade do próprio Guilherme, após sua morte a casa foi transformada em gabinete de leitura, funcionando também como centro cultural.

O projeto, sob coordenação, curadoria e produção do jornalista Rafael Millon e do poeta Paulo Sabino (também jornalista), é realizado em parceria com o Gabinete de Leitura Guilherme Araújo, e estreou oficialmente em fevereiro, reunindo a cantora Mãeana, o músico e compositor Bem Gil, e o poeta e agitador cultural Jorge Salomão, também em duas noites.

 

Serviço:

Gabinete de Leitura Guilherme Araújo apresenta –

SOMOS TROPICÁLIA – 50 anos do movimento

Lila, Matheus VK e Eber Inácio / Pocket-show e leitura de poesias
Dias 29/03 (4ª-feira) e 30/03 (5ª-feira)
A partir das 19h30
Rua Redentor, 157 Ipanema
Tel infos. 21-2523-1553
Entrada franca c/ contribuição voluntária
Lotação: 60 lugares
Classificação: livre

SOMOS TROPICÁLIA — 50 ANOS DO MOVIMENTO — MÃEANA, BEM GIL & JORGE SALOMÃO — O EVENTO: FOTOS & VÍDEO
22 de fevereiro de 2017

(Fotos de divulgação: Elena Moccagatta)

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(Fotos de divulgação dos convidados-participantes: Jorge Salomão, Bem Gil & Mãeana)

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(A iluminação para o projeto — Foto: Rafael Millon)

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(Casa cheia, público quente — Foto: Paulo Sabino)

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(A primeira noite do projeto: Bem Gil, Mãeana & Jorge Salomão — Foto: Thereza Eugênia)

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(Foto: Elena Moccagatta)

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(Mãeana — Foto: Elena Moccagatta)

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(Bem Gil — Foto: Elena Moccagatta)

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(Jorge Salomão — Foto: Elena Moccagatta)

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(Foto: Elena Moccagatta)

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(Bem Gil, Paulo Sabino, Rafael Millon, Mãeana & Jorge Salomão — Foto: Elena Moccagatta)
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Gente querida: a estréia do projeto “Somos Tropicália – 50 anos do movimento”, sexta-feira (17/02), no Gabinete de Leitura Guilherme Araújo, foi um axé, um arraso, maravilha total! Ficamos todos muito felizes e surpresos com a noite, porque, muito sinceramente, esperávamos que fosse bonita mas não a lindeza que foi.

Casa lotada, público quente, participativo e emocionado. Os convidados/ participantes fizeram um show pra ninguém botar defeito!

Alegria imensa pensar que nesta quinta-feira (23/02) tem mais Mãeana, Bem Gil e o poeta Jorge Salomão!

Agradecer demais a todos os envolvidos nesta empreitada: ao Alessandro Boschini a sua luz linda & delicada, ao músico & compositor George Israel a aparelhagem de som, ao Vitor Kruter o registro audiovisual, à Elena Moccagatta o registro fotográfico, e ao Gabinete de Leitura Guilherme Araújo o apoio por abrigar o projeto.

Vem geral na quinta-feira (23/02) porque tá valendo muito!

De presente aos interessados, videozinho, de 3 minutinhos, da estréia do projeto “Somos Tropicália – 50 anos do movimento”, com trechos da noite e depoimentos dos convidados participantes (Mãeana, Bem Gil e Jorge Salomão) e dos coordenadores e curadores (Rafael Millon e Paulo Sabino).

Serviço:

Gabinete de Leitura Guilherme Araújo apresenta –

SOMOS TROPICÁLIA – 50 anos do movimento

Mãena, Bem Gil e Jorge Salomão / Pocket-show e leitura de poesias
Dia 23/02 (5ª-feira)
A partir das 19h30
Rua Redentor, 157 Ipanema
Tel infos. 21-2523-1553
Entrada franca c/ contribuição voluntária
Lotação: 60 lugares
Classificação: livre

Venham!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(do site: Youtube. projeto: Somos Tropicália. participantes: Mãeana, Bem Gil & Jorge Salomão. local: Gabinete de Leitura Guilherme Araújo. data: 17/02/2017. imagens & edição: Vitor Kruter. coordenação & curadoria do projeto: Rafael Millon & Paulo Sabino.)

SOMOS TROPICÁLIA — 50 ANOS DO MOVIMENTO — MÃEANA, BEM GIL & JORGE SALOMÃO
9 de fevereiro de 2017

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(Os convidados-participantes: Jorge Salomão, Mãeana & Bem Gil.)
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Alegria alegria! Prestenção:

Dias 17 de fevereiro (sexta-feira) & 23 de fevereiro (quinta-feira) começa o ciclo de encontros “Somos Tropicália – 50 anos do movimento”, no Gabinete de Leitura Guilherme Araújo, a partir das 19h30, em homenagem aos 50 anos do Tropicalismo & do lançamento do álbum (que se tornou um clássico) “Tropicália Ou Panis Et Circenses”.

Serão encontros mensais (até dezembro) que ressaltam a importância do movimento na música popular brasileira, que reverbera até hoje no cenário do cancioneiro contemporâneo. Encontros que ocorrerão justamente no espaço que foi a casa do grande empresário & co-criador do Tropicalismo, o irreverente Guilherme Araújo.

Leituras de poemas & participações musicais com releituras do repertório tropicalista.

Para este mês de fevereiro, o imenso prazer de ter como participantes o grande poeta & agitador cultural Jorge Salomão (foto), a cantora Ana Cláudia Lomelino (Mãeana + banda Tono – foto) & o músico & compositor Bem Gil (banda Tono – foto).

A coordenação & curadoria deste super evento são do Rafael Millon & deste que vos escreve, Paulo Sabino.

De graça! Imperdível!

De presente, deixo-lhes um poema-canção de um dos grandes poetas do movimento — Torquato Neto —, com direito ao áudio na interpretação da grande musa do Tropicalismo — Gal Costa.

Serviço:

Gabinete de Leitura Guilherme Araújo apresenta –

SOMOS TROPICÁLIA – 50 anos do movimento

Mãena, Bem Gil e Jorge Salomão / Pocket-show e leitura de poesias
Dias 17/02 (6ª-feira) e 23/02 (5ª-feira)
A partir das 19h30
Rua Redentor, 157 Ipanema
Tel infos. 21-2523-1553
Entrada franca c/ contribuição voluntária
Lotação: 60 lugares
Classificação: livre
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mamãe, coragem: os filhos devem ser criados para ganhar o mundo, para serem donos dos seus caminhos, para irem além da esquina & do alcance da vista.

mamãe, coragem. mamãe, não chore. a vida é assim mesmo — eu fui embora.

mamãe, não chore. a escolha do caminho cabe a cada um. o filho escolheu: eu nunca mais vou voltar por aí.

mamãe, não chore. a vida é assim mesmo — e eu quero, mesmo, é isto aqui que escolhi para a minha vida.

mamãe, não chore. pegue uns panos pra lavar, leia um romance, escute um álbum de música, veja as contas do mercado, pague as prestações, ocupe o seu tempo com funções & tarefas que dizem respeito à sua vida. e que te façam bem. seja feliz.

ser mãe é desdobrar, fibra por fibra, os corações dos filhos. ser mãe é repartir, é desenrolar, é desmanchar as dobras dos corações dos filhos, a fim de esmiuçá-los & assim conhecê-los & assim aceitá-los. e ser feliz com as escolhas que fazem os corações & que cabem às vidas dos filhos.

mamãe, não chore. os filhos possuem as suas vontades: eu quero, eu posso, eu fiz, eu quis. escolhas dos filhos.

mamãe, seja feliz (com as suas escolhas — se puder).

mamãe, não chore. não chore nunca mais — não adianta: eu tenho sonhos para realizar, dores para sofrer, pessoas para amar & odiar, eu tenho o meu caminho, eu tenho um beijo preso na garganta (que desejo lançar ao mundo), eu tenho corações fora do peito (sonho junto a tantos outros filhos). mamãe, não chore. não tem jeito.

mamãe, não chore. pegue uns panos pra lavar, leia um romance, escute um álbum de música, tente entender tudo mais sobre tudo que acontece à sua volta, à minha volta.

eu, por aqui, vou indo muito bem, com as escolhas que fiz para mim. de vez em quando, brinco carnaval, e, na vertigem da folia, vou vivendo felicidade, vivendo felicidade na cidade que plantei para mim, que semeei para minha vida, que fundei para o meu caminho, que escolhi para habitar, cidade que não tem mais fim, de onde não mais sairei.

mamãe, coragem. mamãe, não chore. eu fui embora. eu nunca mais vou voltar por aí.

seja feliz.

beijo todos! especialmente, beijo as mães!
paulo sabino.
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(do livro: Torquatália { do lado de dentro }. autor: Torquato Neto. organização: Paulo Roberto Pires. editora: Rocco.)

 

 

MAMÃE, CORAGEM

 

Mamãe mamãe não chore
A vida é assim mesmo
Eu fui embora
Mamãe mamãe não chore
Eu nunca mais vou voltar por aí
Mamãe mamãe não chore
A vida é assim mesmo
E eu quero mesmo
É isto aqui

Mamãe mamãe não chore
Pegue uns panos pra lavar
Leia um romance
Veja as contas do mercado
Pague as prestações
— ser mãe
É desdobrar fibra por fibra
Os corações dos filhos,
Seja feliz
Seja feliz

Mamãe mamãe não chore
Eu quero eu posso eu quis eu fiz
Mamãe seja feliz
Mamãe mamãe não chore
Não chore nunca mais não adianta
Eu tenho um beijo preso na garganta
Eu tenho jeito de quem não se espanta
(Braço de ouro vale dez milhões)
Eu tenho corações fora do peito
Mamãe não chore, não tem jeito
Pegue uns panos pra lavar leia um romance
Leia Elzira, a morta-virgem,
O grande industrial

Eu por aqui vou indo muito bem
De vez em quando brinco o carnaval
E vou vivendo assim: felicidade
Na cidade que eu plantei pra mim
E que não tem mais fim
Não tem mais fim
Não tem mais fim
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(do site: Youtube. álbum: Tropicália ou Panis et circenses. artista: Vários. canção: Mamãe, coragem. letra: Torquato Neto. música: Caetano Veloso. intérprete: Gal Costa. gravadora: PolyGram.)