DIARIAMENTE
9 de dezembro de 2015

Leblon_Rio de Janeiro_Praia

Som & Pausa______________________________________________________

para cada coisa, um seu equivalente, um seu correspondente: para cada coisa, algo que lhe caiba, algo que lhe convenha:

para calar a boca: (óleo de) rícino & seu gosto insuportável, deveras amargo.

para lavar a roupa: sabão em pó.

para viagem longa: jato.

para contas difíceis: calculadora.

para o pneu na lona, furado: jacaré, um tipo de ferramenta utilizada para a sua troca.

para a pantalona: nesga, que é um tecido que se costura entre as duas partes de um vestuário (calça, saia) para aumentar sua largura.

para pular a onda: litoral & seu mar.

para o lápis ter ponta: apontador.

para o pará & o amazonas, estados brasileiros da região norte: látex, substância extraída das seringueiras, árvores comuns a esses lugares.

para trazer à tona, para trazer à superfície: homem-rã, mergulhador profissional que efetua explorações submarinas, operações de resgate & salvamento.

para a melhor azeitona: ibéria, região da europa onde se localizam portugal & espanha, países produtores das melhores azeitonas & dos mais saborosos azeites.

para o presente da noiva: marzipã, doce de amêndoas utilizado como cobertura de bolo.

a folha para o outono: exclusão, estação do ano em que as folhas caem das árvores.

para todas as coisas, a fim de entendê-las, de apreender seus significados: dicionário.

para que todas as coisas fiquem prontas: paciência (no processo de execução).

para abrir a rosa: temporada (o seu processo de aprontamento até o desabrochar).

para quem não acorda: balde — de água gelada.

para a letra torta: (um caderno de) pauta.

para os dias de prova: amnésia, tamanho nervosismo diante das questões.

para quem se afoga: isopor, artefato de poliestireno que flutua em superfície líqüida.

para fechar uma aposta: paraninfo, a testemunha de uma disputa.

para quem se comporta: brinde, um prêmio pelo bom comportamento.

para a mulher que aborta: repouso absoluto.

para saber a resposta: vide-o-verso, olhar o lado oposto à pergunta, à proposição feita.

para a menina que engorda: hipofagia, que é a ingestão de quantidade insatisfatória de alimentos na tentativa de perder peso.

para a comida das orcas: krill, nome dado a um tipo de crustáceo muito semelhante ao camarão, que serve de alimento a outras espécies de baleias, tubarões & arraias.

para o telefone que toca, para a água lá na poça, para a mesa que vai ser posta: para tudo & qualquer coisa: para você, o que você gosta: diariamente.

diariamente, a você, tudo o que lhe caiba, tudo o que lhe convenha: para você, diariamente, o que você gosta.

(a fim de que a vida lhe seja feliz, a fim de que você seja grato à vida.)

(a vida gosta de quem gosta da vida.)

beijo todos!
paulo sabino.
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(do encarte do cd: Mais. artista: Marisa Monte. autor dos versos: Nando Reis. gravadora: EMI.)

 

 

DIARIAMENTE

 

Para calar a boca: rícino
Para lavar a roupa: omo
Para viagem longa: jato
Para difíceis contas: calculadora
Para o pneu na lona: jacaré
Para a pantalona: nesga
Para pular a onda: litoral
Para o lápis ter ponta: apontador
Para o Pará e o Amazonas: látex
Para parar na Pamplona: Assis
Para trazer à tona: homem-rã
Para a melhor azeitona: Ibéria
Para o presente da noiva: marzipã
Para o adidas e o conga: nacional
Para o outono a folha: exclusão
Para embaixo da sombra: guarda-sol
Para todas as coisas: dicionário
Para que fiquem prontas: paciência
Para dormir a fronha: madrigal
Para brincar na gangorra: dois
Para fazer uma toca: bobs
Para beber uma coca: drops
Para ferver uma sopa: graus
Para a luz lá na roça: 220 volts
Para vigias em ronda: café
Para limpar a lousa: apagador
Para o beijo da moça: paladar
Para uma voz muito rouca: hortelã
Para a cor roxa: ataúde
Para a galocha: verlon
Para ser moda: melancia
Para abrir a rosa: temporada
Para aumentar a vitrola: sábado
Para a cama de mola: hóspede
Para trancar bem a porta: cadeado
Para que serve a calota: volkswagen
Para quem não acorda: balde
Para a letra torta: pauta
Para parecer mais nova: avon
Para os dias de prova: amnésia
Para estourar pipoca: barulho
Para quem se afoga: isopor
Para levar na escola: condução
Para os dias de folga: namorado
Para o automóvel que capota: guincho
Para fechar uma aposta: paraninfo
Para quem se comporta: brinde
Para a mulher que aborta: repouso
Para saber a resposta: vide-o-verso
Para escolher a compota: Jundiaí
Para a menina que engorda: hipofagia
Para a comida das orcas: krill
Para o telefone que toca
Para a água lá na poça
Para a mesa que vai ser posta
Para você o que você gosta: diariamente
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(do site: Youtube. áudio extraído do álbum: Mais. artista & intérprete: Marisa Monte. canção: Diariamente. autor da canção: Nando Reis. gravadora: EMI.)

VAI SABER…
5 de junho de 2012

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a vida, sabemos, é uma caixinha de surpresas.
 
a vida é o imponderável, o imprevisível, aquilo que não se espera.
 
vivemos com os pés no presente, vivenciamos o hoje. o próximo instante, o próximo minuto, nunca sabemos o que será até que seja. o futuro, diz o dito popular, “a deus pertence”.
 
o futuro, isto é, o amanhã, vai saber…
 
em determinadas questões, determinações — ordens, mandados — não resolvem absolutamente nada.
 
com o amor é assim: não adianta pensar que “determinou” o que só o amor pode saber. pois só o amor pode saber o amor.
 
não adianta determinar o fim do amor se o amor determina não findar. não adianta determinar a insistência do amor se o amor determina não insistir.
 
só ao amor cabe o amor. ele é quem manda, ele é quem determina.
 
o mundo dá voltas. o único ponto final (de fato) é aquele que interrompe a linha vital. fora esse ponto, nenhum outro é definitivo.
 
o fato de não querer o amor hoje não é empecilho para que se queira amanhã, o fato de não querer o amor hoje (presente) não significa que, amanhã (isto é: no futuro, não importa se próximo ou distante), não se tenha do que duvidar, o fato de não querer o amor hoje não significa que, amanhã, não se tenha o que considerar, o fato de não querer o amor hoje não significa que, amanhã, não se venha a reconsiderar.
 
pois o amor, nas tantas voltas que o mundo dá, ele gosta muito de mudar, o amor, nas tantas voltas que o mundo dá, ele gosta muito de se dar, o amor, nas tantas voltas que o mundo dá, ele gosta muito de jogar, e, assim sendo, ele, o amor, pode aparecer onde ninguém poderia supor (supor no intuito de antecipá-lo, de prevê-lo), o amor (que gosta muito de mudar, de se dar, de jogar) pode aparecer onde ninguém poderia se pôr (a fim de impedi-lo, de embarreirá-lo). de repente, não mais que de repente, surpresa: eis o amor realizado de trejeitos inopinados.
 
(vai saber…)
 
como “o futuro a deus pertence” (diz o dito) & ao amor não cabem determinações, o melhor, senão o possível, é deixar ser. viver o que tiver de ser vivido. sem medos.
 
os medos não resolvem as aflições suscitadas pelo amor. 
 
viver o amor é, também, viver a dor. não viver o amor é, tal & qual, viver a dor. então, se a dor é vivenciada com ou sem a experiência do amor, acho mais saboroso vivenciá-la — a dor — amando (assim mesmo: o amor no gerúndio). 
 
deixar ser. viver o que tiver de ser vivido. sem medos.
 
aproveitar o que tiver de ser aproveitado. sem amarras.
 
beijo todos!
paulo sabino. 
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(poema-canção extraído do site oficial de: Adriana Calcanhotto. autora: Adriana Calcanhotto.)
 
 
 
VAI SABER?
 
 
para Mart’nália
 
 
Não vá pensando que determinou
Sobre o que só o amor pode saber
Só porque disse que não me quer
Não quer dizer que não vá querer
Pois tudo o que se sabe do amor
É que ele gosta muito de mudar
E pode aparecer onde ninguém ousaria supor
Só porque disse que de mim não pode gostar
Não quer dizer que não tenha do que duvidar
Pensando bem pode mesmo chegar a se arrepender
E pode ser então que seja tarde demais
Vai saber?

Não vá pensando que determinou
Sobre o que só o amor pode saber
Só porque disse que não me quer
Não quer dizer que não vá querer
Pois tudo o que se sabe do amor
É que ele gosta muito de se dar
E pode aparecer onde ninguém ousaria se pôr
Só porque disse que de mim não pode gostar
Não quer dizer que não tenha o que considerar
Pensando bem pode mesmo chegar a se arrepender
E pode ser então que seja tarde demais
Vai saber?

Não vá pensando que determinou
Sobre o que só o amor pode saber
Só porque disse que não me quer
Não quer dizer que não vá querer
Pois tudo o que se sabe do amor
É que ele gosta muito de jogar
E pode aparecer onde ninguém ousaria supor
Só porque disse que de mim não pode gostar
Não quer dizer que não venha a reconsiderar
Pensando bem pode mesmo chegar a se arrepender
E pode ser então que seja tarde demais
Vai saber?

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(áudio extraído do cd: Universo ao meu redor. artista & intérprete: Marisa Monte. canção: Vai saber? compositora: Adriana Calcanhotto. gravadora: selo Phonomotor.)
 

DE MAIS NINGUÉM
20 de dezembro de 2011

Rosa que sangra

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se ela,

se a pessoa amada,

pessoa a quem dediquei o meu amor,

me deixou, me largou, foi-se, deu no pé,

a dor (da perda) é minha, não é de mais ninguém.

aos que possuem piedade de mim, porque carrego a dor de amar, a esses eu devolvo a piedade, a esses eu devolvo a dó.

não preciso da piedade de ninguém.

eu tenho a minha dor que, mesmo difícil, mesmo pesada, é minha só, não é de mais ninguém.

se ela,

se a pessoa amada,

pessoa a quem dediquei o meu amor,

preferiu ficar sozinha, ou já tem um outro bem, se ela, a pessoa amada, me deixou, seja pelo motivo que for, a dor é minha, a dor é de quem tem.

e só a tem, a dor de amar, quem ama.

eu sou um que amo.

se nos meus braços, ela, a pessoa amada, não se aninha, a dor é “minha dor”.

de mais ninguém.

se meu mundo caiu, eu que aprenda a levantar:

aprenda a reagir & a ouvir o coração responder:

eu preciso aprender a só ser.

beijo todos!
paulo sabino.
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(autores: Arnaldo Antunes / Marisa Monte.)

 

 

DE MAIS NINGUÉM

 

Se ela me deixou, a dor
É minha só
Não é de mais ninguém
Aos outros eu devolvo a dó
Eu tenho a minha dor
Se ela preferiu ficar sozinha
Ou já tem um outro bem
Se ela me deixou
A dor é minha
A dor é de quem tem

É o meu troféu
É o que restou
É o que me aquece
Sem me dar calor
Se eu não tenho o meu amor
Eu tenho a minha dor
A sala, o quarto
A casa está vazia
A cozinha, o corredor
Se nos meus braços
Ela não se aninha
A dor é minha dor

Se ela me deixou, a dor
É minha só
Não é de mais ninguém
Aos outros eu devolvo a dó
Eu tenho a minha dor
Se ela preferiu ficar sozinha
Ou já tem um outro bem
Se ela me deixou
A dor é minha
A dor é de quem tem

É o meu lençol
É o cobertor
É o que me aquece
Sem me dar calor
Se eu não tenho o meu amor
Eu tenho a minha dor
A sala, o quarto
A casa está vazia
A cozinha, o corredor
Se nos meus braços
Ela não se aninha
A dor é minha dor
___________________________________________________________________

(do site: Youtube. áudio extraído do cd: Verde, anil, amarelo, cor de rosa e carvão. artista: Marisa Monte. autores da canção: Arnaldo Antunes / Marisa Monte. participação especial: Conjunto Época de Ouro. gravadora: EMI.)