O MENINO AZUL
27 de março de 2014

O Menino Azul

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o menino azul que me habita o peito, cansado dos desmandos & injustiças cometidos por aqueles que se consideram os donos do poder (político, econômico, de informação), sufocado pelas dores & dissabores causados por aqueles que se consideram os donos do poder (político, econômico, de informação), o menino quer um burrinho para passear. um burrinho manso, que não corra nem pule, mas que saiba conversar.

o menino azul que me habita o peito quer um burrinho que saiba dizer o nome dos rios, das montanhas, das flores — de tudo o que aparecer.

o menino azul que me habita o peito quer um burrinho que saiba inventar histórias bonitas, com pessoas & bichos & com barquinhos no mar.

e os dois, o menino azul que me habita o peito & o seu burrinho, sairão pelo mundo, que é como um jardim, apenas mais largo & talvez mais comprido & que não tenha fim.

quem souber de um burrinho desses, pode escrever à rua das casas, número das portas, carta endereçada ao menino azul que não sabe ler.

o menino azul que me habita o peito não sabe ler, sabe somente sentir.

o menino azul que me habita o peito tem apenas duas mãos & o sentimento do mundo.

beijo todos!
paulo sabino.
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(do livro: Poesia completa — volume II. autora: Cecília Meireles. organização: Antonio Carlos Secchin. editora: Nova Fronteira.)

 

 

O MENINO AZUL

 

O menino quer um burrinho
para passear.
Um burrinho manso,
que não corra nem pule,
mas que saiba conversar.

O menino quer um burrinho
que saiba dizer
o nome dos rios,
das montanhas, das flores
— de tudo o que aparecer.

O menino quer um burrinho
que saiba inventar
histórias bonitas
com pessoas e bichos
e com barquinhos no mar.

E os dois sairão pelo mundo
que é como um jardim
apenas mais largo
e talvez mais comprido
e que não tenha fim.

(Quem souber de um burrinho desses,
pode escrever
para a Rua das Casas,
Número das Portas,
ao Menino Azul que não sabe ler.)

 

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SÃO SEBASTIÃO DO RIO DE JANEIRO
20 de janeiro de 2010

End of the Afternoon Mirante Dona Marta
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hoje, 20 de janeiro, é dia de são sebastião,  padroeiro da cidade de do rio de janeiro, padroeiro da cidade onde nasci & me criei.

o rio é uma cidade de cidades misturadas. é ao mesmo tempo bela & banguela, feito a (baía de) guanabara.

no asfalto, luxo & glamour. nos morros, pobreza & violência.

mesmo com todos os problemas existentes, gosto de viver aqui. céu & mar, mar & montanha, montanha & queda d’água: uma cidade mágica por abrigar muitas possibilidades de convívio com belezas naturais. esse aspecto, no rio, me fascina.

sempre que, pela via expressa do aterro do flamengo, passo pelo pão de açúcar, este bloco maciço, empedernido, gigante pela própria natureza, canto, para mim, estes versos do oswald de andrade:


ESCAPULÁRIO

No Pão de Açúcar
De Cada Dia
Dai-nos Senhor
A Poesia
De Cada Dia

 

não há um dia que não passe por esse monumento à beira-mar e não repare na sua lindeza quotidiana. a cada dia uma novidade que o próprio dia arquiteta, repaginando, a cada momento, a (belíssima) paisagem.

então, de presente à cidade (ainda) maravilhosa, seguem estes dois poemas que adoro.

(rio de janeiro, gosto de você. gosto de quem gosta deste céu, deste mar, desta gente feliz.)

beijo festivo!
paulo sabino.
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RIO DE JANEIRO

 

Louvo o Padre, louvo o Filho
E louvo o Espírito Santo.
Louvado Deus, louvo o santo
De quem este Rio é filho.
Louvo o santo padroeiro
— Bravo São Sebastião —
Que num dia de janeiro
Lhe deu santa defensão.

Louvo a cidade nascida
No morro Cara de Cão,
Logo depois transferida
Para o Castelo, de então
Descendo as faldas do outeiro,
Avultando em arredores,
Subindo a morros maiores,
— Grande Rio de Janeiro!

Rio de Janeiro, agora
De quatrocentos janeiros…
Ó Rio de meus primeiros
Sonhos! (A última hora
De minha vida oxalá
Venha sob teus céus serenos,
Porque assim sentirei menos
O meu despejo de cá.)

Cidade de sol e bruma,
Se não és mais capital
Desta nação, não faz mal:
Jamais capital nenhuma,
Rio, empanará teu brilho,
Igualará teu encanto.
Louvo o Padre, louvo o Filho
E louvo o Espírito Santo.

(extraído do livro: Estrela da Vida Inteira. autor: Manuel Bandeira. editora: Nova Fronteira.)

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SÃO SEBASTIÃO

 

São Sebastião
Tua cidade tem as curvas
Quais as curvas de um nobre violão
Não será razão de tanta música bonita
Ter-se feito em sua mão?
Ó Pai Odé
Protege as matas que circundam esse altar
Que da maré vazante ou cheia
Já se ocupa Yemanjá

São Sebastião do Rio flechado
Em seu peito atravessado
Pelas setas dos seus filhos
Queira Deus que os meninos
Achem a trilha nos seus trilhos
Inspirados na beleza do seu verde e seu anil
E mereçam a cidade estandarte do Brasil
E que outros mil poetas
Venham te cantar, meu Rio

São Sebastião
Tua cidade cor de rosa
Fez da prosa um belo samba de Noel
Se eu fosse Gardel cantaria um tango
Pelo tanto dos encantos de Isabel
Ó meu São Tomé, se alguém duvida
Passe os olhos pela Urca e o Sumaré
Onde a Imperatriz beijou a flor
Porta-bandeira da cidade mais feliz

São Sebastião do Rio flertado
Ribeirão puro, encantado
Sol no casco dos navios
Te naveguem as mais belas
E os mais belos dos bravios
Nessas águas que fizeram de Machado
Suas letras imortais
Entre copas de Salgueiros e Mangueiras tropicais
E que novas musas venham te inspirar a paz

(extraído do cd: Menino do Rio. artista: Mart’nália. selo: Quitanda. gravadora: Biscoito Fino. autor dos versos: Totonho Villeroy.)

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(do site: Youtube. Áudio extraído do álbum: Menino do Rio. artista & intérprete: Mart’nália. canção: São Sebastião. autor: Totonho Villeroy. participação especial: Maria Bethânia recita trechos de Cartão Postal. autor do poema: Vinicius de Moraes. selo: Quitanda. gravadora: Biscoito Fino.)