SOMOS TROPICÁLIA — 50 ANOS DO MOVIMENTO — 2º CICLO: LILA, MATHEUS VK & EBER INÁCIO — DOMINGO NO PARQUE (GILBERTO GIL)
22 de março de 2017

(Fotos: Elena Moccagatta)

(Na foto, os participantes desta edição — Eber Inácio, Lila & Matheus VK — na companhia de Guilherme Araújo)
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Vem que tem!

Semana próxima, nos dias 29 (quarta-feira) e 30 (quinta-feira) de março, o 2° ciclo de encontros do projeto “Somos Tropicália”, em homenagem aos 50 anos do Tropicalismo, no Gabinete de Leitura Guilherme Araújo, o grande empresário dos tropicalistas e um dos artífices do movimento, com as participações do cantor e compositor Matheus VK, da cantora e compositora Lila (tanto a Lila quanto o Matheus cantam no bloco “Fogo e Paixão”) e do poeta, escritor e ator Eber Inácio (da trupe que monta e encena os já célebres espetáculos teatrais no Buraco da Lacraia, na Lapa). Com esses participantes a tropicalidade rola solta no ar! O repertório da noite está incrível! Vem geral! Di grátis!

 

 

Serviço:

Gabinete de Leitura Guilherme Araújo apresenta –

SOMOS TROPICÁLIA – 50 anos do movimento

Lila, Matheus VK e Eber Inácio / Pocket-show e leitura de poesias
Dias 29/03 (4ª-feira) e 30/03 (5ª-feira)
A partir das 19h30
Rua Redentor, 157 Ipanema
Tel infos. 21-2523-1553
Entrada franca c/ contribuição voluntária
Lotação: 60 lugares
Classificação: livre

Link do evento no Facebook: http://www.facebook.com/events/1832965360359979/
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De presente, um poema-canção lindíssimo, que compõe o repertório das duas noites desta edição do projeto.

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(do livro: Gil — Todas as letras. organização: Carlos Rennó. depoimento: Gilberto Gil. editora: Companhia das Letras.)

 

 

Montar algo diferente, partindo de elementos regionais, baianos, para o festival da TV Record: esse era o projeto de Gil ao começar a pensar a canção. “Daí a idéia”, conta ele, “de usar um toque de berimbau, de roda de capoeira, como numa cantiga folclórica. O início da melodia e da letra da música já é tirado desses modos. Com a caracterização do capoeirista e do feirante como personagens, eu já tinha os elementos nítidos para começar a criação da história.”

“Algumas pessoas pensam que rima é só ornamento, mas a rima descortina paisagens e universos incríveis; de repente, você se depara no lugar mais absurdo. Eu, que a procuro primeiro na cabeça, no alfabeto interno — mas também vou ao dicionário —, vejo três fatores simultâneos determinantes para a escolha da rima: além do som, o sentido e o necessário deslocamento.

“Em ‘Domingo no parque’, pra rimar com ‘sumiu’, eu cheguei à Boca do Rio (bairro de Salvador). E quando eu pensei na Boca do Rio, me veio um parque de diversões que eu tinha visto, não sei quantos anos antes, instalado lá, e que, desde então, identificava a Boca do Rio pra mim: desde aquele dia, a lembrança do lugar vinha sempre com a roda-gigante que eu tinha visto lá. Aí eu quis usar o termo e anotei, lateralmente, no papel: ‘roda-gigante’. Ela ia ter que vir pra história de alguma maneira, em instantes.

“Era preciso também fazer o João e o José se encontrarem. O João não tinha ido ‘pra lá’, pra Ribeira; tinha ido ‘namorar’ (pra rimar com ‘lá’). Onde? Na Boca do Rio, pra onde o José, de outra parte da cidade, também foi. No parque vem a conformação dos caracteres psicológicos dos dois. Um, audacioso, aberto, expansivo. O outro, tímido, recuado. Esse, louco por Juliana mas sem coragem de se declarar, vivia havia tempos um amor platônico, idealizando uma oportunidade de falar com ela. Naquele dia ele chega ao parque e a encontra com João, que estava ali pela primeira vez e não a conhecia, mas já tinha cantado Juliana e se divertia com ela na roda-gigante. É a decepção total pro José, que não resiste.

“Era só concluir. A roda-gigante gira, e o sorvete, até então só, já é sorvete de morango pra poder ser vermelho, e a rosa, antes só, é vermelha também, e o vermelho vai dando a sugestão de sangue — bem filme americano —, e, no corte, a faca e o corte mesmo. O súbito ímpeto, a súbita manifestação de uma potência no José: ele se revela forte, audaz, suficiente. A coragem que ele não teve para abordar Juliana, ele tem para matar.”

“A canção nasceu, portanto, da vontade de mimetizar o canto folk e de representar os arquétipos da música de capoeira com dados exclusivos, específicos: com um romance desse, essa história mexicana. Está tudo casado.”

“‘Domingo no parque’, como ‘Luzia Luluza’ e outras do mesmo período, foi feita no Hotel Danúbio, onde eu morei durante um ano, em São Paulo. Nana [a cantora Nana Caymmi, segunda mulher de Gil] dormia ao meu lado. Nós tínhamos vindo da casa do pintor Clovis Graciano — amigo de Caymmi —, onde eu tinha rememorado muito a Bahia e Caymmi. Eu estava impregnado disso, e por isso saiu ‘Domingo no parque’: por causa de Caymmi, da filha dele, dos quadros na parede. A umas duas da manhã fomos para o hotel e eu fiquei com aquilo na cabeça: ‘Vou fazer uma música à la Caymmi, fazer de novo um Caymmi, Caymmi hoje!’. Peguei papel e violão e trabalhei a noite toda. Já era dia, quando terminei. De manhã, gravei.”
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(do livro: Gil — Todas as letras. organização: Carlos Rennó. autor: Gilberto Gil. editora: Companhia das Letras.)

 

 

DOMINGO NO PARQUE

 

O rei da brincadeira — ê, José
O rei da confusão — ê, João
Um trabalhava na feira — ê, José
Outro na construção — ê, João

A semana passada, no fim da semana
João resolveu não brigar
No domingo de tarde saiu apressado
E não foi pra Ribeira jogar
Capoeira
Não foi pra lá pra Ribeira
Foi namorar

O José como sempre no fim da semana
Guardou a barraca e sumiu
Foi fazer no domingo um passeio no parque
Lá perto da Boca do Rio
Foi no parque que ele avistou
Juliana
Foi que ele viu

Juliana na roda com João
Uma rosa e um sorvete na mão
Juliana, seu sonho, uma ilusão
Juliana e o amigo João
O espinho da rosa feriu Zé
E o sorvete gelou seu coração

O sorvete e a rosa — ô, José
A rosa e o sorvete — ô, José
Oi, dançando no peito — ô, José
Do José brincalhão — ô, José

O sorvete e a rosa — ô, José
A rosa e o sorvete — ô, José
Oi, girando na mente — ô, José
Do José brincalhão — ô, José

Juliana girando — oi, girando
Oi, na roda-gigante — oi, girando
Oi, na roda-gigante — oi, girando
O amigo João — oi, João

O sorvete é morango — é vermelho
Oi, girando, e a rosa — é vermelha
Oi, girando, girando — é vermelha
Oi, girando, girando — olha a faca!

Olha o sangue na mão — ê, José
Juliana no chão — ê, José
Outro corpo caído — ê, José
Seu amigo João — ê, José

Amanhã não tem feira — ê, José
Não tem mais construção — ê, João
Não tem mais brincadeira — ê, José
Não tem mais confusão — ê, João
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(do site: Youtube. áudio extraído do álbum: Gilberto Gil (1968). artista & intérprete: Gilberto Gil. canção: Domingo no parque. autor: Gilberto Gil. participação especial: Mutantes. gravadora: Universal Music.)

SOMOS TROPICÁLIA — 50 ANOS DO MOVIMENTO — 2º CICLO: LILA, MATHEUS VK E EBER INÁCIO
14 de março de 2017

(Fotos de divulgação — Todas as fotos: Elena Moccagatta)

(Nas fotos, os participantes do 2º ciclo de encontros: Eber Inácio, Lila e Matheus VK)

(Eber Inácio)

(Lila)

(Matheus VK)
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Para comemorar os 50 anos da Tropicália, o Gabinete de Leitura Guilherme Araújo apresentará uma série de encontros poético-musicais ao longo de 2017

 

Nos dias 29 e 30 de março (quarta e quinta-feira), a partir das 19h30, acontece a segunda etapa do ciclo de encontros “Somos Tropicália – 50 anos do movimento”, no Gabinete de Leitura Guilherme Araújo, em homenagem aos 50 anos do Tropicalismo: as surpreendentes e eletrificadas apresentações de Caetano Veloso e Gilberto Gil no Festival da TV Record em 1967 são consideradas o marco inicial do movimento na música, que se consolidou com a gravação de “Tropicália Ou Panis Et Circenses”, álbum-manifesto lançado no ano seguinte.

Para este mês de março, o projeto tem o imenso prazer de ter como participantes o ator e poeta Eber Inácio, a cantora e compositora Lila e o músico, cantor e compositor Matheus VK. Ambos, além de primos, possuem um trabalho autoral que conversa com ecos do tropicalismo, são vocalistas do bloco “Fogo e Paixão”, e Matheus é dono de sucessos como “La Malemolência” e “Pélvis”. E Eber é um dos integrantes do divertidíssimo grupo do Buraco da Lacraia, na Lapa. Juntos nas duas noites, o trio prepara uma “geléia geral” inspirada nas músicas e poesias tropicalistas que ganharão suas assinaturas em arranjos e interpretações!

 

Somos Tropicália

 

Até dezembro serão programados encontros poético-musicais que ressaltam a importância do tropicalismo na música popular brasileira, com influências que reverberam até hoje no cenário do cancioneiro contemporâneo. As noites vão misturar leituras de poemas e participações musicais em releituras do repertório tropicalista por artistas e poetas – entre novos e consagrados – que de alguma forma ecoam o movimento em seus trabalhos e carreiras.

Os encontros ocorrerão, justamente, no primeiro andar da casa onde morou o irreverente e festivo Guilherme Araújo, célebre empresário e produtor musical dos baianos no final da década de 60, considerado uma espécie de co-criador do Tropicalismo. Por vontade do próprio Guilherme, após sua morte a casa foi transformada em gabinete de leitura, funcionando também como centro cultural.

O projeto, sob coordenação, curadoria e produção do jornalista Rafael Millon e do poeta Paulo Sabino (também jornalista), é realizado em parceria com o Gabinete de Leitura Guilherme Araújo, e estreou oficialmente em fevereiro, reunindo a cantora Mãeana, o músico e compositor Bem Gil, e o poeta e agitador cultural Jorge Salomão, também em duas noites.

 

Serviço:

Gabinete de Leitura Guilherme Araújo apresenta –

SOMOS TROPICÁLIA – 50 anos do movimento

Lila, Matheus VK e Eber Inácio / Pocket-show e leitura de poesias
Dias 29/03 (4ª-feira) e 30/03 (5ª-feira)
A partir das 19h30
Rua Redentor, 157 Ipanema
Tel infos. 21-2523-1553
Entrada franca c/ contribuição voluntária
Lotação: 60 lugares
Classificação: livre

MUSEU NACIONAL DE BELAS ARTES — 80 ANOS — POEMAS & VÍDEO DO RECITAL
17 de janeiro de 2017

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(Na foto, o prédio do Museu Nacional de Belas Artes, localizado no Centro da cidade do Rio de Janeiro.)

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(Adentrando o salão nobre do Museu Nacional de Belas Artes — MNBA — para a cerimônia de 80 anos da instituição.)
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“Querido Paulo Sabino,

Belo Poeta , além de porte elegante,

Meus parabéns pela honra que lhe foi merecidamente conferida.

Teria desejado estar presente para aplaudir a ilustre instituição brasileira e o seu orador oficial.

E sua mãezinha, como está ? Minhas homenagens a ela.

O abraço carinhoso da

Nélida Piñon.”

(Nélida Piñon — escritora integrante da Academia Brasileira de Letras — ABL)

 

 

A cerimônia pelos 80 anos do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA) foi ótima, tudo correu super bem!

Trabalho bem executado, todos felizes: eu, com o que pude fazer, e os amigos & administradores do museu, pelo resultado da cerimônia. Já fui convidado, inclusive, para outros eventos da instituição (e para evento de uma instituição afim ao museu). Adorei. Às ordens para quando precisar.

Aos interessados, deixo um trechinho do recital de violino & piano, que integrou a cerimônia de comemoração dos 80 anos do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), na sexta-feira (13/01), da qual tive o imenso prazer de participar como o mestre de cerimônia de todo o evento (este videozinho foi feito por mim).

No vídeo, as musicistas Priscila Ratto (violino) & Katia Ballousier (piano) apresentam uma peça do compositor austro-húngaro Fritz Kreisler, Prelúdio & Allegro. Lindo & emocionante!

E, homenageando a instituição, dois poemas extraídos — não coincidentemente — do livro “Museu de tudo”, do mestre maior João Cabral de Melo Neto.
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segundo o dicionário houaiss, museu é a “instituição dedicada a buscar, conservar, estudar e expor objetos de interesse duradouro ou de valor artístico, histórico etc.”

penso eu que se o museu é uma instituição com tais atribuições, o museu deve suscitar reflexões sobre as sociedades que fundamos & sobre o próprio ato criativo, discutindo, o tempo inteiro, a arte, o seu valor & o ato criativo do que chamamos arte.

paul valéry, poeta, escritor & filósofo francês, no seu romance “monsieur teste”, aborda o “processo de criação artística” & coloca a reflexão sobre o “processo criador” como uma condição intransferível & essencial à própria criação. “monsieur teste” é a personalização do ideal do rigor reflexivo. paul valéry tornou-se, por isso, um símbolo do culto permanente à lucidez.

o museu como “monsieur teste”, permanentemente acordado, aceso, em vigília, insone: uma lucidez que tudo via, como se estivesse exposta à luz qualquer ou como se a lucidez estivesse exposta ao dia claro.

lucidez que, quando de noite, na escuridão, acende detrás das pálpebras o dente — que mastiga & auxilia na articulação dos sons & das palavras — de uma luz ardida, uma luz que queima, que machuca de tão intensa, uma luz nua, sem pele, extrema, pura, e que de nada serve: de nada serve porque a lucidez só serve a quem a tem; é um bem intransferível & irrevogável: porém, luz de uma tal lucidez — luz que queima, que machuca de tão intensa, uma luz nua, sem pele, extrema, pura — que mente que tudo podeis.

e nada pode tal luz lúcida: a lucidez de nada serve porque a lucidez só serve a quem a tem; é um bem intransferível & irrevogável.

assim como de nada serve fazer o que seja.

fazer o que seja, qualquer “objeto artístico” (um quadro, uma foto, um poema), é inútil. não fazer nada é inútil também. mas entre fazer & não fazer, mais vale o inútil do fazer. mas fazer para esquecer que é inútil — não, nunca: nunca o esquecer, nunca esquecer que fazer o que seja, qualquer “objeto artístico” (um quadro, uma foto, um poema), é inútil. fazer o inútil sabendo que ele é inútil fazer, sabendo que ele é realização inútil, e bem sabendo que seu sentido será sequer pressentido (o sentido da realização cabe a quem realiza, apenas ao criador — é um bem intransferível & irrevogável): ele — o fazer inútil — é mais difícil do que não fazer, mas dificilmente se poderá dizer, se poderá falar, se poderá declarar, com mais desdém, mais desprezo, mais arrogância, ou então dizer mais direto ao leitor “ninguém” — afinal, nunca se sabe quem, que leitor, as palavras alcançarão — que o feito, que o realizado inutilmente, o foi para ninguém.

o objeto artístico é confeccionado para ninguém: o artista, quando cria, pensa apenas na sua criação artística, no seu desejo de realização artística, nunca numa função para a sua criação ou para quem tal criação servirá. por isso, na arte não há o sentido utilitário, não há o sentido de utilidade, não há o sentido de útil. na acepção literal, a arte é, portanto, algo inútil, feita por alguém para nada nem ninguém.

ainda assim, uma vez confeccionado o objeto artístico (um quadro, uma foto, um poema), beber da sua fonte inesgotável de intenções desobrigadas.

arte: o mais nutritivo & saboroso alimento anímico.

beijo todos!
paulo sabino.
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(do livro: A educação pela pedra e depois. autor: João Cabral de Melo Neto. editora: Nova Fronteira.)

 

 

A INSÔNIA DE MONSIEUR TESTE

 

Uma lucidez que tudo via,
como se à luz ou se de dia;
e que, quando de noite, acende
detrás das pálpebras o dente
de uma luz ardida, sem pele,
extrema, e que de nada serve:
porém luz de uma tal lucidez
que mente que tudo podeis.

 

 

O ARTISTA INCONFESSÁVEL

 

Fazer o que seja é inútil.
Não fazer nada é inútil.
Mas entre fazer e não fazer
mais vale o inútil do fazer.
Mas não, fazer para esquecer
que é inútil: nunca o esquecer.
Mas fazer o inútil sabendo
que ele é inútil, e bem sabendo
que é inútil e que seu sentido
não será sequer pressentido,
fazer: porque ele é mais difícil
do que não fazer, e dificil-
mente se poderá dizer
com mais desdém, ou então dizer
mais direto ao leitor Ninguém
que o feito o foi para ninguém.
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(do site: Youtube. evento: 80 anos do Museu Nacional de Belas Artes. peça: Prelúdio e Allegro. autor: Fritz Kreisler. piano: Katia Ballousier. violino: Priscila Ratto. local: Rio de Janeiro. data: 13/01/2017.)

OCUPAÇÃO POÉTICA — TEATRO CÂNDIDO MENDES (8ª EDIÇÃO) — O EVENTO: FOTOS & POEMAS
11 de dezembro de 2016

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(No camarim, antes da apresentação, da esquerda para direita: Cristina Flores, Renata Corrêa, Paulo Sabino, Maria Rezende, Elizeu Braga, Renato Farias, Pedro Mann, Emílio Dantas & Leo Pinheiro — Foto: Rafael Millon)

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(O coordenador do projeto, Paulo Sabino — Foto: Elena Moccagatta)

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(Foto: Elena Moccagatta)

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(Foto: Elena Moccagatta)

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(A grande homenageada da noite, Maria Rezende, e o coordenador do projeto, Paulo Sabino — Foto: Elena Moccagatta)

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(Foto: Elena Moccagatta)

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(Foto: Elena Moccagatta)

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(Foto: Elena Moccagatta)

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(A homenageada da noite, Maria Rezende — Foto: Elena Moccagatta)

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(Foto: Elena Moccagatta)

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(Foto: Elena Moccagatta)

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(Renata Corrêa — Foto: Elena Moccagatta)

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(Renato Farias — Foto: Elena Moccagatta)

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(Mariza Leão — Foto: Elena Moccagatta)

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(Emílio Dantas — Foto: Elena Moccagatta)

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(Emílio Dantas & Leo Pinheiro — Foto: Elena Moccagatta)

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(Pedro Mann — Foto: Elena Moccagatta)

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(Cristina Flores — Foto: Elena Moccagatta)

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(Elizeu Braga — Foto: Elena Moccagatta)

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(Os agradecimentos ao final — da esquerda para direita: Leo Pinheiro, Emílio Dantas, Maria Rezende, Paulo Sabino, Renato Farias, Cristina Flores, Elizeu Braga, Renata Corrêa & Pedro Mann — Foto: Rafael Millon)

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(Após apresentação, Emílio Dantas, Paulo Sabino & Renata Corrêa — Foto: Rafael Millon)

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(Após apresentação, Paulo Sabino & Pedro Mann — Foto: Rafael Millon)

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(Após apresentação, Elizeu Braga, Paulo Sabino, Renato Farias & Mariza Leão — Foto: Rafael Millon)

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(Após a apresentação, Paulo Sabino & Maria Rezende — Foto: Elena Moccagatta)

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(Após tudo, no lançamento do mais recente livro de poesia da Elisa: Maria Rezende, Elisa Lucinda & Paulo Sabino — Foto: Rafael Millon)
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Uma pessoa nua no meio da rua
sem ser sonho
é o quê?
Pessoa desarmada
apta pra tropeços

Não há maravilha sem carne
Só o que pulsa se espatifa
É preciso estar vivo pra brilhar e pra doer

 

Que noite. Nem sei. Tô astronauta ainda. Transbordada. Agradeço loucamente a todos os convidados que aceitaram estar lá comigo e me emocionaram profundamente. Obrigada Paulinho pelo convite. Eu sou puro amor agora.

(Maria Rezende)

 

 

Queridos & Queridas,

A 8ª edição do projeto Ocupação Poética, no teatro Cândido Mendes (Ipanema), a última de 2016, em homenagem à jovem & talentosa poeta Maria Rezende (agora, ao usar o termo “jovem”, me lembro demais do seu pai, Maria!) & com participantes pra lá de especiais, fechou o ano com chave de ouro maciço! Foi realmente impactante pra todos nós que participamos e que assistimos. Como eu & a Maria resolvemos não “amarrar” muito o roteiro da noite, deixamos a edição bem solta, fluir com o andar dos minutos, e a apresentação colocou-se num lugar inesperadamente lindo & muito emocionante, incrível. Amigos meus que foram a algumas várias edições me confidenciaram que esta foi a mais emocionada & emocionante de todas. Muitos risos, muita alegria, mas a noite, sem que planejássemos, também nos reservou boas lembranças & lágrimas. Foi um deslumbre! Foi um desbunde! Foi uma catarse! Foi de uma delicadeza & sensibilidade ímpares! Teatro cheio, público quente, leve, que se permitiu embarcar na apresentação junto com todas as histórias contadas & todos os poemas lidos. Eu, hoje, como já disse à Maria, estou com os pés acima do chão, hoje certamente caminho numa nuvenzinha, tamanha leveza & tamanho contentamento por todas as vivências no palco. Eu não esperava tanto, não mesmo. Não podia sequer imaginar que o ano de 2016, com a Ocupação Poética, fecharia assim, tão mágico, tão poético! Eu, mais uma vez, por graça & obra da Poesia, Musa Maior na minha vida, sou amor da cabeça aos pés!

Agradecer demais a presença de todos os participantes & envolvidos para que o projeto acontecesse do jeito que aconteceu: Cristina Flores, Elizeu Braga, Emílio Dantas, Mariza Leão, Pedro Mann, Renata Corrêa, Renato Farias & Rafael Millon.

Agradecer sempre ao Adil Tiscatti & à Fernanda Oliveira por acreditarem no potencial do projeto. Agradecer demais à Julia Mendes de Almeida, sempre simpática & solícita nos arranjos & rearranjos das datas pro projeto (Julinha, que bom te conhecer pessoalmente!).

Mariaaaaaa, cola em mim porque agora eu não desgrudo de você!

De bônus, depois da enxurrada de emoções & beleza que foi a apresentação, pertinho do teatro uma diva tanto minha quanto da Maria lançava o seu mais recente livro de poemas, o que, inclusive, a impossibilitou de participar desta 8ª edição como convidada: Elisa Lucinda. No meu exemplar, a dedicatória que conseguiu me deixar (uma coisa que pensava ser impossível) ainda mais feliz do que já estava:

“Paulo Sabino, com meu amor pelo amor com o qual você trata nossa arte. Beijo da Elisa.”

Valeu demais, valeu por tudo, valeu imensamente! Depois dessa injeção de ânimo, que venham as edições de 2017! Já temos poetas espetaculares para o ano que se aproxima, um luxo só! Vamos que vamos!

De brinde, abaixo, deixo aos interessados dois lindíssimos poemas da Maria Rezende que tive o prazer de ler nesta noite mágica.

Até já, até lá, com mais Ocupações Poéticas!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(do livro: Bendita palavra. autora: Maria Rezende. editora: 7Letras.)

 

 

ESCREVO PORQUE ESTOU VIVA
escrevo porque é preciso
pra acordar, pra estar despida
porque o mundo não é só isso
que acontece aqui em cima

Escrevo porque não vivo
escrevo porque preciso
dessa roupa, esse colírio
escrevo pra pôr delírio
em tudo que é preto-e-branco

Escrevo pra estar viva
escrevo porque aqui minto
as belezas que não tenho
e as coragens que persigo
escrevo porque assim finjo

Escrevo contra as burrices
contra os medos que hoje sinto
escrevo a favor do sonho
escrevo pra estar livre
escrevo quando consigo
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(do livro: Carne do umbigo. autora: Maria Rezende. Edição do autor.)

 

 

MEU NORTE

 

O amor me deu um susto
o amor me deu um tapa
um soco doce
um sopro na asa
o amor me encheu de porrada

Me empurrou da bicicleta
me pôs de cama
mudou meu rumo
me deu um norte
roubou meu chão

O amor me botou no colo
deu plural pros verbos
curou minha tosse
me encheu de sede
me tirou das ruas
o amor me deu a mão

OCUPAÇÃO POÉTICA — TEATRO CÂNDIDO MENDES (6ª EDIÇÃO) — VÍDEOS: MORAES MOREIRA & ELISA LUCINDA — ENCERRAMENTO
16 de novembro de 2016

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(Moraes Moreira — Foto: Elena Moccagatta.)

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(Foto: Elena Moccagatta.)

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(Elisa Lucinda — Foto: Elena Moccagatta.)

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(Foto: Elena Moccagatta.)

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(Moraes Moreira & Elisa Lucinda — Foto: Elena Moccagatta.)

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(Foto: Elena Moccagatta.)

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(Foto: Felipe Fernandes.)

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(O quarteto fantástico da 6ª edição: Elisa Lucinda, Moraes Moreira, Paulo Sabino & Maria Rezende — Foto: Felipe Fernandes.)
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Aos interessados, os 2 últimos vídeos da 6ª edição do projeto “Ocupação Poética”, ocorrido no dia 2 de agosto (terça-feira), no teatro Cândido Mendes (Ipanema – RJ), com a participação estelar de: Elisa Lucinda, Moraes Moreira & Maria Rezende.

No primeiro vídeo desta publicação, a grande homenageada da noite, a poeta & atriz Elisa Lucinda, bate um papo descontraído com o cantor, compositor, instrumentista, poeta & membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, Moraes Moreira, que fala da sua paixão pelo livro “Fernando Pessoa, o Cavaleiro de Nada”, o primeiro romance da Elisa & finalista do prêmio São Paulo de Literatura 2015, conta a divertidíssima história de composição do seu poema-canção “Sonhei que estava em Portugal”, além de recitá-lo & recitar um outro poema-canção seu, ainda não gravado & ainda pouco conhecido porque composto recentemente, “O samba e a língua”. No segundo vídeo, a homenageada da noite recita um poema do grande homenageado por ela na noite (e por todos nós, participantes), Fernando Pessoa, um poema do seu heterônimo Álvaro de Campos. Ainda de presente, o áudio da canção “Sonhei que estava em Portugal”, na interpretação da abelha-rainha Maria Bethânia.

Mais à frente, publicarei a noite da 7ª edição do projeto, em homenagem aos 70 anos do poeta, letrista & agitador cultural, além de querido amigo, Jorge Salomão, e já aviso que está acertada a data da 8ª edição do projeto (5 de dezembro), a homenageada da 8ª edição & confirmados alguns vários convidados. Em breve maiores informações.

Divirtam-se!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [6ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 02/08/2016. Bate-papo entre Elisa Lucinda & Moraes Moreira. Moraes Moreira recita dois poemas-canções de sua autoria, Sonhei que estava em Portugal & O Samba e a Língua.)

 

 

SONHEI QUE ESTAVA EM PORTUGAL  (Moraes Moreira)

 

Sonhei que estava um dia em Portugal
À toa num carnaval em Lisboa
Meu sonho voa além da poesia
E encontra o poeta em pessoa

A lua mingua e a língua lusitana
Acende a chama e a palavra Luzia
Na via pública e em forma de música
Luzia das, luzíadas, Luzias

 

 

O SAMBA E A LÍNGUA  (Moraes Moreira)

 

O que é que une o Brasil
De norte a sul com certeza?
É o samba
E a língua portuguesa

O samba e suas vertentes
A língua e os seus sotaques
O que é que nos faz diferentes
É ter os mesmos destaques
O samba e os seus poetas
E eu morro, sim, de amores
Por essas obras completas

O samba tem a cadência
A língua a sua sintaxe
O samba é malemolência
A língua diz: não relaxe
O samba é mais popular
A língua é mais erudita
Eu ouço o povo falar
Cantar de forma bonita
O samba tem a cabrocha
A língua sua cachopa
O samba acende uma tocha
A língua muda de roupa
O samba é uma escola
A língua é Academia
No samba a gente rebola
Na língua a gente vicia
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(do site: Youtube. áudio extraído do cd: Ciclo. artista & intérprete: Maria Bethânia. canção: Sonhei que estava em Portugal. versos: Moraes Moreira. música: Moraes Moreira. gravadora: Universal Music. citação da canção: Anda Luzia. autor: João de Barro.)


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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [6ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 02/08/2016. Elisa Lucinda recita Poema em linha reta, de Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa.)

 

 

POEMA EM LINHA RETA  (Álvaro de Campos / heterônimo de Fernando Pessoa)

 

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo, neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe — todos eles príncipes — na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?

Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos — mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

PASSARINHÃO
30 de setembro de 2016

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(Gavião)
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O texto abaixo, em negrito & entre aspas, foi escrito pelo querido xará Paulo Almeida:

 

“O ‘Coletivo Chama’ nos convocou [Mais e Melhores Produções e Marketing, empresa do Paulo Almeida] para cuidar do lançamento do seu primeiro CD ‘Todo Mundo é Bom’. Um trabalho muito potente e com várias possibilidades de leitura. São muitos os recortes e muitos os motivos para ficarmos atentos a esse trabalho.

Tarefa difícil abrir caminhos para um trabalho tão profundo e tão bem produzido.

Lancei uma ideia maluca, que foi prontamente comprada por todos do coletivo que estavam naquela reunião: que convidássemos compositores, atores, literatos, editores, poetas, músicos, para uma audição aleatória de uma das faixas do CD seguidas de comentários sobre o que ouviram. Essas audições e comentários seriam filmados.

Convocamos um timaço para registrar suas impressões. Para nosso espanto, a maioria aceitou sem pestanejar.

Assim, temos comentários faixa a faixa de um disco muito saboroso.”

 

Deixo pra vocês o vídeo do qual participei, vídeo da faixa “Passarinhão”, falando sobre a faixa com um timaço (honra & alegria): com a atriz Clarice Niskier, com o pianista & compositor André Mehmari, com o professor de música da UniRio Josimar Carneiro, com a cantora Áurea Martins & com o cantor & multi-instrumentista Domenico Lancellotti.

Vale o play pra ouvir a faixa & pros comentários!
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Passarinhão: além do diálogo que o poeta-compositor mantém com o gavião, que ronda a sua localidade, assombra o seu quintal, o gavião, no poema-canção, é a personificação/personalização de um sentimento ruim, de um mau agouro, que sobrevoa o ser do poeta-compositor: passa, gavião; não arranha o coração do poeta-compositor; não assombra o seu quintal.

Passa, gavião. Por que tu, passarinhão, te aninhaste debaixo do pensamento do poeta-compositor, dentro de alguma dor do poeta-compositor, com teu rumor de rapina & teu silêncio de tumor, teu silêncio de algo que mata por dentro?, passarinhão ávido pra atiçar um sofrimento no poeta-compositor.

Sai, sai, passarinhão. Faz favor, tem compaixão.

O ovo gorado do passarinhão já agourou o poeta-compositor. O canto triste do gavião calou de dor a voz do poeta-compositor. Acabou que tu, passarinhão, ficaste mais vivo que a vida do próprio poeta-compositor, e o medo de viver, de amar, empalhou o poeta-compositor. Acabou que tu, gavião, penetraste o pesadelo do poeta-compositor, pássaro-invasor.

Passarinhão, larga o poeta-compositor & segue a trilha do acauã, abandone o quintal do poeta-compositor, para que a manhã rebrilhe na sua casa-ser.

Sai, sai, volta, não. Passa, passa, gavião, a fim de o poeta-compositor alcançar a sua redenção, a sua proteção, a sua salvação.

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(do site: Youtube. artista: Coletivo Chama. álbum: Todo mundo é bom. canção: Passarinhão. música: Thiago Thiago de Mello. letra: Thiago Amud. comentários: Paulo Sabino, Domenico Lancellotti, Áurea Martins, André Mehmari, Josimar Carneiro, Clarice Niskier.)

 

PASSARINHÃO   (Thiago Amud)

Passa, passa, gavião
Todo mundo é bom e mau
Não me arranha o coração
Não assombra meu quintal
Passo-preto, passado que não passou
Que tambor te encantou?
Que ato, que palavra oculta te perpetuou?
O teu olho vazado me divisou
Tua venta ventou
Teu bico bicou bem o músculo que atrofiou
Por que te aninhaste debaixo do meu pensamento
Dentro de alguma dor
Com teu rumor de rapina e teu silêncio de tumor
Ávido pra me atiçar um sofrimento?
Sai, sai, passarinhão
Bacurau mudou de tom
Faz favor, tem compaixão
Todo mundo é mau e bom
Passo-preto, espantalho não te espantou
Tiro não te matou
Que crime dormido em meu sangue te maravilhou?
O teu ovo gorado já me agourou
Teu canto me calou
Ficaste vivo mais que a vida, o medo me empalhou
Por qual razão desconhecida botaste tocaia?
Praga ou desamor?
Tu que és metade uma harpia, metade és um estupor
Tu que penetraste o meu pesadelo, meu invasor
Passa noite, passa arribação
Passa a terçã
Passa, passa, gavião
Me larga e segue a trilha do acauã
Que a manhã rebrilha
Sai, sai, volta não
Passa, passa, gavião
Redondilha, redenção

40 ANOS: CORAÇÃO NA BOCA, PEITO ABERTO — VOU SANGRANDO
24 de junho de 2016

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o fim de uma década, da década de 30, para o início de outra, da década de 40.

40 anos para chegar até aqui, para chegar onde cheguei.

e afirmo a quem me lê: começaria tudo outra vez se preciso fosse. a chama em meu peito ainda queima. saiba: nada foi em vão: nenhuma das tristes emoções, nenhuma das alegres emoções. 40 anos: nada foi em vão.

certamente foram necessárias todas as vivências para que o paulo sabino resultasse neste que aqui se apresenta depois de vencidas 40 primaveras.

40 primaveras: a fé no que virá & a alegria de poder olhar pra trás & ver que voltaria a viver neste imenso salão que foi & é a minha existência & seus acontecimentos.

neste imenso salão que foi & é a minha existência, a grande estrela, a musa maior, foi & é a poesia.

a experiência poética, para mim, é uma experiência existencial.

lendo poesia, interpretando os jogos semânticos criados nos, e entre os, versos, reinvento o homem que sou, e, reinventando-me, promulgo a minha constante atualização como homem, ao me perceber humano & mortal a cada ato, ao me perceber ser pensante & atuante na vida; é disso que vem a poesia.

pelo tanto que a poesia comporta, por tudo que a poesia pode, porque a poesia reinventa o homem em sua trajetória, a origem da poesia em nada difere da origem do homem, uma vez que, sem poesia, não há sequer a possibilidade do humano.

pois que a possibilidade do humano pulsa dentro da prática poética: não sabemos vivenciar o mundo sem poetizá-lo, sem mitificá-lo, sem criar metáforas & saberes fantásticos atribuídos a ele; não damos conta de tanto & criamos a poesia, os mitos & as lendas, que acabam por recriar o mundo.

em última instância: a experiência humana é experiência poética, é o modo que temos, que descobrimos, que inventamos, de viver, de experimentar, o mundo que nos cerca.

a poesia é uma condição — e condenação — do homem.

reinventando-me, a poesia me reafirma homem, mortal/ transitório/ inacabado, me reafirma ser pensante & pulsante entre as coisas.

sobretudo o verso é o que pode lançar mundos no mundo.

por ser o verso aquele que pode lançar mundos no mundo, a minha voz, a minha garganta, está sempre à disposição do canto que a poesia contém.

a possibilidade do humano pulsa dentro da prática poética: não sabemos vivenciar o mundo sem poetizá-lo, sem mitificá-lo, sem criar metáforas & saberes fantásticos atribuídos a ele: por isso faço da minha vida a minha melhor poesia.

vida & poesia, poesia & vida: duas coisas, em mim, entrelaçadas, unas, entremeadas: duas coisas que, dentro de mim, não podem ter fim: vida & poesia, poesia & vida: dois azuis no mesmo azul — meu horizonte sem nuvem nem monte.

quando eu soltar a minha voz, por favor, entenda que, palavra por palavra, eis, aqui, neste espaço, uma pessoa se entregando.

coração na boca, peito aberto — vou sangrando: são as lutas desta nossa vida que eu estou cantando: as belezas & as vilezas, as claridades & as escuridões, o caminho aberto & o muro armado.

quando eu abrir minha garganta, essa força tanta (força que carrego nas cordas vocais por cantar a vida, por cantar a poesia), tudo o que você ouvir, esteja certa de que estarei vivendo.

veja o brilho dos meus olhos & o tremor nas minhas mãos quando estou no palco do teatro, dizendo poesia, isto é, dizendo a vida através da poesia.

e se eu chorar & o sal — das lágrimas — molhar o meu sorriso, sorriso que sustento na boca com o pranto do olhar, não se espante; ao invés de espantar-se com o meu sorriso alinhado ao meu pranto, cante, que o teu canto é minha força pra cantar, que o canto de quem canta comigo é de onde extraio a minha força & vontade & coragem de cantar o meu canto: canto de vida — que é o canto da poesia.

40 primaveras vencidas & eu não me arrependo de nada nas 40 voltas em torno do sol: começaria tudo outra vez se preciso fosse, meu amor.

em mim o eterno é música (a música dos versos de um poema, a música dos versos de um poema-canção) & amor (pelo céu, pelo mar, pelo sol, pela pessoa, pela pedra, pelo bicho, pelo mato: pela vida).

eu deixar de cantar (o canto da poesia) ou deixar de gostar de você (vida): não há nada, no mundo, que possa fazer.

não há nada no mundo — nem nunca haverá.

em mim, o eterno é música & amor.

que venham mais 40 primaveras!

beijo todos!
paulo sabino.
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(do encarte do álbum: De volta ao começo. artista: Gonzaguinha. autor dos versos: Gonzaguinha. gravadora: EMI.)

 

 

SANGRANDO

 

Quando eu soltar a minha voz
Por favor, entenda
Que palavra por palavra
Eis aqui uma pessoa
Se entregando
Coração na boca, peito aberto
Vou sangrando
São as lutas dessa nossa vida
Que eu estou cantando
Quando eu abrir minha garganta
Essa força tanta
Tudo que você ouvir
Esteja certa
Que estarei vivendo
Veja o brilho dos meus olhos
E o tremor nas minhas mãos
E o meu corpo tão suado
Transbordando toda raça e emoção
E se eu chorar
E o sal molhar o meu sorriso
Não se espante
Cante
Que o teu canto é a minha força
Pra cantar
Quando eu soltar a minha voz
Por favor, entenda
É apenas o meu jeito de viver
O que é amar
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(do site: Youtube. áudio extraído do álbum: De volta ao começo. artista & intérprete: Gonzaguinha. canção: Sangrando. autor: Gonzaguinha. citação da canção: Começaria tudo outra vez. autor: Gonzaguinha. gravadora: EMI.)

OCUPAÇÃO POÉTICA — TEATRO CÂNDIDO MENDES (4ª EDIÇÃO) — ENCERRAMENTO: GERALDO CARNEIRO & MARTINHO DA VILA
6 de junho de 2016

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(Geraldo Carneiro)

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(Martinho da Vila — Foto: AgNews)

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(Martinho da Vila & Geraldo Carneiro)

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(Martinho da Vila & Geraldo Carneiro — Foto: AgNews)

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(Geraldo Carneiro & Paulo Sabino)

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(Martinho da Vila & Paulo Sabino)

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(Os participantes desta edição do projeto: Paulo Sabino, Flávia Oliveira, Wagner Cinelli, Martinho da Vila, Elisa Lucinda, Zezé Motta, Geraldo Carneiro, Tom Farias, Maria Gal, Ju Colombo, Maíra Freitas — Foto: AgNews)

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(Ao final, Martinho da Vila assinando exemplares do seu livro “Barras, vilas & amores”)

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(A dedicatória do meu exemplar: “Ao Paulo Sabino, este meu ‘Barras, vilas & amores’, com gratidão, Martinho da Vila”)
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“Querido
Saímos todos de alma lavada sim.
A noite foi linda, leve e feliz.
Parabéns pelo seu projeto encantador.
Que venham muitas outras edições…
Bjs
Cléo”

(Mensagem de Cléo Ferreira, esposa do Martinho da Vila, recebida no dia seguinte ao evento)

 

 

Aos interessados, o encerramento da 4ª edição do projeto “Ocupação Poética”, ocorrido no dia 3 de maio (terça-feira), no teatro Cândido Mendes (Ipanema – RJ), com a participação de um elenco estelar: Geraldo Carneiro, Maíra Freitas, Elisa Lucinda, Zezé Motta, Maria Ceiça, Dani Ornellas, Flávia Oliveira, Wagner Cinelli, Ju Colombo, Maria Gal & Tom Farias.

Nos 2 vídeos desta publicação, gravados, montados, editados & produzidos pelo querido músico, produtor & videomaker Felipe Fernandes, a grande surpresa da noite: o poeta, tradutor & dramaturgo Geraldo Carneiro lê “Escuta, cavaquinho!”, a sua primeira parceria com o grande homenageado da noite, Martinho da Vila, parceria até então inédita, integrante do próximo álbum do Martinho, ainda em produção, poema-canção que, segundo o cantor, é a primeira faixa do disco, abre o seu novo trabalho. Na seqüência, Martinho da Vila canta a capella, pela primeira vez em público, “Escuta, cavaquinho!”, apresentando a música ao seu parceiro letrista, que ainda não a conhecia. Notem que o Geraldo Carneiro lê uma versão do poema-canção que, ao virar canção, para caber na melodia desenhada pelo Martinho, sofre algumas transformações/alterações.

Mais uma vez, agradecer imensamente a todos os envolvidos no projeto, e em especial aos participantes desta 4ª edição. Foi linda!

Aproveito para convidá-los para a 5ª edição do projeto, que acontecerá no dia 15 de junho (quarta-feira), a partir das 20h, no teatro Cândido Mendes (Ipanema), com um jovem & talentoso poeta (o mais jovem poeta a integrar o projeto) & participantes muito especiais.

Deixarei, aqui no blog, todas as informações sobre a próxima edição.

Espero que os senhores tenham se divertido tanto quanto nós, participantes, nos divertimos realizando.

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [4ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 03/05/2016. Geraldo Carneiro lê o poema-canção Escuta, cavaquinho!, parceira de Geraldo CarneiroMartinho da Vila. imagens/montagem/edição/produção do vídeo: Felipe Fernandes.)

 

ESCUTA, CAVAQUINHO!   (Geraldo Carneiro/Martinho da Vila)

 

Escuta, cavaquinho, as minhas preces
Senão o tempo passa, a gente esquece
Esquece de aprontar a fantasia
De celebrar a dor e a alegria

Toca comigo pra que o nosso sonho se realize
Ou pelo menos guarde um press-release
Pra que no futuro possam ler
Que houve dois seres que se amaram tanto
Que misturaram a alegria e o pranto

Eu, violão, e você, cavaquinho
Eu, no bordão, e você, no chorinho
Sem saber se era noite ou se era dia
Felicidade?
A gente nem sabia
Só sabia que vivia no presente
Esse país que é todo eternidade
Com esse sol desfilando em céu aberto
E o resto ganhando forma de saudade
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [4ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 03/05/2016. Martinho da Vila canta a capella a canção Escuta, cavaquinho!, parceira de Geraldo CarneiroMartinho da Vila. imagens/montagem/edição/produção do vídeo: Felipe Fernandes.)

 

ESCUTA, CAVAQUINHO!  (Geraldo Carneiro/Martinho da Vila)

 

Escuta, cavaquinho, as minhas preces
Senão o tempo passa e a gente esquece
Esquece de aprontar a fantasia
De celebrar a dor e a alegria.

Toca pra que um sonho realize
Ou pelo menos guarde um press-release
Pra que um futuro possam ler
Que somos seres que se amam tanto
E que misturam alegria e pranto

Eu, violão, você, cavaquinho
Eu, na canção, você no chorinho
Sem acordar se era noite ou se era dia
Felicidade?
Uma utopia
Que a gente curtia e vivia no presente
Desse país que é todo eternidade
Com esse sol desfilando em carro aberto
E o futuro muito incerto mas já cheio de saudade

LANÇAMENTO DO LIVRO “ÓPERA DE NÃOS”, DO POETA SALGADO MARANHÃO — O EVENTO (FOTOS & VÍDEOS)
10 de março de 2016

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(Paulo Sabino)

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(O poeta Carlos Dimuro & a atriz & cantora Zezé Motta)

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(A atriz Nathalia Timberg & o poeta & letrista Salgado Maranhão)
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“Querido Poeta Paulo Sabino, você é o tipo de pessoa que sempre leva brilho aonde vai. Pelo seu talento e simpatia, pela sua enorme generosidade no primado do afeto. Super obrigado, irmão!”

(Salgado Maranhão — poeta & letrista)

 

 

Queridos,

Segunda-feira (07/03), mais uma noite de esplendor, onde a Poesia reinou absoluta:

Lançamento do “Ópera de nãos”, o mais recente livro de poemas do sofisticado poeta & letrista Salgado Maranhão, com direito a um recital “litero-musical” & as participações, entre outros, das grandes atrizes Nathalia Timberg & Zezé Motta, do músico Zé Américo Bastos, dos poetas (e grandes amigos) Cristiano Menezes & Luis Turiba & deste que vos escreve.

Algumas canções do poeta foram tocadas & cantadas & alguns dos seus poemas foram ditos pelos convidados do grande anfitrião da noite.

Muito me honrou ter dito, a pedido do Salgado, um mesmo poema que a grande diva da dramaturgia Nathalia Timberg também disse, um poema do poeta Carlos Dimuro (organizador de todo o evento) em homenagem ao Salgado Maranhão, e recebido um super elogio da atriz, pelo meu modo de utilizar a palavra, e do próprio autor do poema, Carlos Dimuro, que me disse que eu fui a pessoa que até hoje melhor disse o seu poema intitulado “Um rio salgado”.

Alegria & satisfação imensas.

Eu disse um total de quatro poemas: três poemas do “Ópera de nãos” (“Lacre 10”, “Lacre 11” & “Clivagem”) & um poema do Carlos Dimuro (“Um rio salgado”).

Amigos novos, projetos novos, trabalhos todos muito bonitos estão por vir — em breve vocês tomarão conhecimento do que se tratam esses trabalhos.

O que tenho hoje a fazer é, mais uma vez, agradecer à Poesia, Musa Maior da minha existência, tudo de maravilhoso que me tem acontecido.

Agradecer ao Salgado Maranhão a confiança, o respeito & o carinho em mim depositados. Agradecer ao poeta & organizador da noite Carlos Dimuro os tantos elogios que ouvi entre encabulado & orgulhoso. Agradecer às atrizes Nathalia Timberg & Zezé Motta as lindas palavras & o olhar doce que me lançaram durante todo o evento. Agradecer à presença de vários grandes amigos que ajudaram a encher o salão do Hotel Golden Tulip Regente, em Copacabana, onde aconteceu o evento. Agradecer à Vida a oportunidade de vivenciar esses momentos que me são tão caros.

Muita coisa bacana por vir, muita coisa bonita a realizar. Cabeça & coração a mil.

Valeu!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(do site: Youtube. lançamento do livro “Ópera de nãos”, do poeta Salgado Maranhão. Paulo Sabino recita “Um rio salgado”, do poeta Carlos Dimuro. data: 07/03/2016.)


UM RIO SALGADO  (Carlos Dimuro)

Para Salgado Maranhão

 

Apesar de navegar sereias,
não é doce
o rio que corta
o teu poema.

Sabem-se salgados
os escombros que se escondem
sob as escamas da tua escrita.
E o que em ti é peixe,
se debate em guelras e guerras
numa incansável
respiração boca a boca
com a palavra.

A salinidade ancestral
de tuas águas,
refinada pelos deuses,
tempera o profano:
o sagrado no salgado.

No rio que segue
o curso líquido dos mistérios
da linguagem,
um cardume de versos
anuncia o mar.
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(do site: Youtube. lançamento do livro “Ópera de nãos”, do poeta Salgado Maranhão. Paulo Sabino recita “Lacre 10”, do poeta Salgado Maranhão. data: 07/03/2016.)

 

LACRE 10  (Salgado Maranhão)

Sou um ladrão de luas,
um salteador de azuis.

Exibo essas credenciais
inúteis
a todos que me interpelam.

Aos fuzileiros,
…………………..aos sacerdotes,
aos mentecaptos;

sem que nada altere
o arrulhar do vento
e o coice do mar.

Sem donatário ou domínios.
Insisto em reger esta ópera
de nãos.

Se sangue há em mim,
é nas veias,
………………não nas mãos.
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(do site: Youtube. lançamento do livro “Ópera de nãos”, do poeta Salgado Maranhão. Paulo Sabino recita “Clivagem”, do poeta Salgado Maranhão. data: 07/03/2016.)

 

CLIVAGEM  (Salgado Maranhão)

Canto para renascer
na pedra
com a semente que o mar
roubou dos náufragos; canto
para repartir com a brisa
a lúdica sesmaria da palavra.

Um atlas abriu seus galhos
para acolher meus reinos:
uma geometria de farrapos;
um tigre com o sol entre as patas.

E sigo esse rio de letras
como se chão em chamas:
a poesia me despiu
para explodir com os astros.

LANÇAMENTO DO LIVRO “ÓPERA DE NÃOS”, DO POETA SALGADO MARANHÃO — SARAU “LITERO-MUSICAL”
4 de março de 2016

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(O convite para o lançamento — clique com o mouse na foto para ampliá-la)

Salgado Maranhão

(O poeta Salgado Maranhão)

Zezé Motta

(A atriz & cantora Zezé Motta)

Nathalia Timberg

(A atriz Nathalia Timberg)

Egberto Gismonti

(O violonista & compositor Egberto Gismonti)

Paulo Sabino Cabelo Curto

(O poeta Paulo Sabino)
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Um convite a todos:

Na próxima segunda-feira, dia 7 de março (07/03), a partir das 19h30, no Hotel Golden Tulip Regente (Av. Atlântica, 3716, Copacabana), o lançamento do livro “Ópera de nãos”, do sofisticado poeta & letrista Salgado Maranhão, com um grande sarau “litero-musical” & as participações, entre outros, das atrizes Zezé Motta & Nathalia Timberg & dos músicos instrumentistas Egberto Gismonti & Zé Américo Bastos.

Paulo Sabino, este que vos escreve, foi convidado pelo poeta Salgado Maranhão a participar do sarau, lendo alguns poemas do livro & prestando uma homenagem ao poeta Carlos Dimuro, curador das exposições que também fazem parte do evento.

(Maiores informações no convite para o lançamento, postado como a primeira foto desta publicação.)

Aos interessados, um dos poemas que lerei no referido acontecimento.

Beijo todos!
Paulo Sabino.
______________________________________________________

(do livro: Ópera de nãos. autor: Salgado Maranhão. editora: 7Letras.)

 

 

14. CLIVAGEM

 

Canto para renascer
na pedra
com a semente que o mar
roubou dos náufragos; canto
para repartir com a brisa
a lúdica sesmaria da palavra.

Um atlas abriu seus galhos
para acolher meus reinos:
uma geometria de farrapos;
um tigre com o sol entre as patas.

E sigo esse rio de letras
como se chão em chamas:
a poesia me despiu
para explodir com os astros.