EXPOSIÇÃO “SOMOS SOMAS” — PAULO SABINO — OI FUTURO FLAMENGO
10 de setembro de 2019

(Convite da exposição “Somos Somas”, que inaugurou no dia 5 de agosto e que encerraria no dia 15 de setembro, mas foi prorrogada até 22 de setembro)

(No entrada do centro cultural, o anúncio da exposição e o curador, Alberto Saraiva)

(Montagem do anúncio)

(Foto que originou o cartaz da entrada do centro cultural — Américo Vermelho)

(Abertura da exposição “Somos Somas”, 5 de agosto — ao fundo, painel de 11 metros de largura que reproduz parte da minha biblioteca — Fotos: Americo Vermelho)

(No painel de 11 metros de largura que reproduz parte da minha biblioteca — Foto: Americo Vermelho)

(A coordenadora geral da exposição, Shirley Fioretti, e a produtora executiva, Veralu de Andrade — Foto: Americo Vermelho)

(O assessor de imprensa do projeto, George Patiño, e a responsável pelo painel da biblioteca e anúncio da entrada do Oi Futuro, Sandra Fioretti — Foto: Americo Vermelho)

(Foto: Americo Vermelho)

(O gerente-executivo de Cultura, Roberto Guimarães, e o acadêmico Antonio Carlos Secchin — Foto: Americo Vermelho)

(O poeta e professor Eucanaã Ferraz — Foto: Americo Vermelho)

(Os poetas Jorge Salomão e Alice Monteiro — Foto: Americo Vermelho)

(Na 1ª foto, na porta da galeria; na 2ª, dentro da galeria: Mariana Roquette-Pinto, Charles Gavin, Claudia Roquette-Pinto e Paulo Henriques Britto — Foto: Americo Vermelho)

(Os poetas Eduardo Macedo e Christovam de Chevalier — Foto: Americo Vermelho)

(Os poetas Mauro Santa Cecília, Luis Turiba e Christovam de Chevalier — Foto: Americo Vermelho)

(A poeta Thereza Rocque da Motta e os poetas Cláudio Cacau e Luis Turiba — Foto: Americo Vermelho)

(A cantora, compositora e pianista Maíra Freitas — Foto: Americo Vermelho)

(O poeta Tanussi Cardoso — Foto: Americo Vermelho)

(A minha caboclinha e mãe Jurema Armond — Foto: Americo Vermelho)

(O poeta Márcio Catunda — Foto: Americo Vermelho)

(Os poetas Victor Colonna e Thassio Ferreira — Foto: Americo Vermelho)

(A poeta Rosalia Milsztajn e o poeta Salgado Maranhão — Foto: Luciana Queiroz)

(Eu e Alberto Saraiva, o curador “marlindo” que se pode querer — Foto: Luciana Queiroz)

(A entrada da galeria, com texto sobre a exposição — Foto: Luciana Queiroz)

(Dentro da galeria, público com os vídeos projetados — Fotos: Luciana Queiroz)

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Oi Futuro apresenta exposição do poeta carioca Paulo Sabino
 
Imagens de artistas e poetas como Charles Gavin, Mabel Velloso, Claudia Roquette-Pinto, Péricles Cavalcanti, Maíra Freitas, Carlos Rennó, Ricardo Silvestrin e Adriano Nunes lendo poesias de Sabino serão projetadas nas galerias do Centro Cultural a partir de 5 de agosto
 
 
O Oi Futuro inaugura dia 5 de agosto, segunda-feira, a exposição “SOMOS SOMAS”, do poeta e jornalista Paulo Sabino, dentro do Programa Poesia Visual e Digital, com curadoria de Alberto Saraiva. A exposição vai ocupar o térreo e o 2° piso do Centro Cultural Oi Futuro, no Flamengo, e tem patrocínio da Oi, Prefeitura do Rio de Janeiro e Secretaria Municipal de Cultura, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura – Lei do ISS, com apoio cultural do Oi Futuro.
 
“SOMOS SOMAS” alterna poemas gravados em celular pelo próprio Sabino e convidados virtuais. Charles Gavin, ex- Titãs, Mabel Velloso, Claudia Roquette-Pinto, Ricardo Silvestrin, Maíra Freitas, Péricles Cavalcanti, Adriano Nunes, Carlos Rennó, entre outros, têm suas imagens projetadas em grandes formatos. Os poemas inéditos do autor serão exibidos em três monitores, que ficam localizados no térreo do centro cultural.
 
Conhecido como agitador cultural e promotor de saraus de poesia no Rio, Sabino faz sua primeira exposição individual. Na galeria 2 do Oi Futuro, o artista convida outros amantes da palavra para participar das obras apresentadas, criando uma rede de pessoas em torno da poesia. Em um grande painel no térreo do centro cultural será reproduzida a biblioteca do artista, cenário constante em seus vídeos poéticos, postados regularmente nas redes sociais.

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(Exposição: Somos Somas. Vídeo: Painel biblioteca. Local: Centro Cultural Oi Futuro. Período de tempo: 05/08 a 22/09/2019.)

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(Exposição: Somos Somas. Edição de vídeo: Joao Oliveira, Alberto Saraiva e Paulo Sabino. Local: Centro Cultural Oi Futuro. Período de tempo: 05/08 a 22/09/2019. Poema: Um para dentro todo exterior. Autor: Paulo Sabino.)

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NO JARDIM BOTÂNICO
7 de maio de 2015

Jardim Botânico_Rio de Janeiro

(Foto do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.)
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“Oi querido Paulo, adorei seu entusiasmado texto! Que bom! Obrigado. Viva seu Blog!”  (Péricles Cavalcanti)

 

tantas coisas lindas, exuberantes, para ver, para sentir, para tocar, num jardim botânico, numa tarde de sol (bichos, plantas, cores, sons, formas, odores, texturas), tantas coisas acesas aos sentidos… no entanto, quando a palavra ilumina, seja no lugar que for, a palavra realmente pode ser a coisa mais bonita entre outras tantas coisas bonitas.

“a consciência é uma lanterna que a solidão acende no anoitecer, pra gente ver que nem tudo é treva, que pode haver sentido em viver”.

o poeta leu a frase supracitada, frase iluminista, iluminada, no meio-dia quente de uma trilha, entre um refrigerante & um piquenique, no jardim botânico de brasília.

a frase supracitada estava escrita numa placa ao léu, a esmo, no sol a pino, no meio-dia quente, e, embaixo da frase, tinha uma assinatura da madame de estaël (madame de staël foi uma intelectual francesa, escritora & ensaísta, do final do século XVIII – início do século XIX, que acreditava nos ideais do iluminismo francês & os propagava em suas obras).

o poeta confessa não ter lido mais nada desta autora, porém nunca mais esqueceu a frase, pois ela foi a coisa mais bonita que o poeta viu ali — no jardim botânico.

tantas coisas lindas, exuberantes, para ver, para sentir, para tocar, num jardim botânico, mas quando a palavra ilumina, seja no lugar que for, a palavra realmente pode ser a coisa mais bonita entre outras tantas coisas bonitas: “a consciência é uma lanterna que a solidão acende no anoitecer, pra gente ver que nem tudo é treva, que pode haver sentido em viver”.

que frase linda de se ler num jardim botânico! uma grande luz entre luzes!

beijo todos!
paulo sabino.
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(autor: Péricles Cavalcanti.)

 

 

NO JARDIM BOTÂNICO

 

A consciência é uma lanterna
que a solidão acende no anoitecer
pra gente ver que nem tudo é treva
que pode haver sentido em viver

Li essa frase iluminista
no meio-dia quente de uma trilha
entre um refrigerante e um piquenique
no Jardim Botânico de Brasília

Estava escrita numa placa
no sol-a-pino assim ao léu
e tinha uma assinatura embaixo
da Madame de Staël

Não li mais nada desta autora
mas nunca mais eu me esqueci
pois foi a coisa mais bonita
que eu vi ali
que eu vi ali
que eu vi ali

no Jardim Botânico
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(do site: Soundcloud. canção: No Jardim Botânico. autor & intérprete: Péricles Cavalcanti.)

LANÇAMENTO DO LIVRO “O VOO DAS PALAVRAS CANTADAS”, DE CARLOS RENNÓ
6 de agosto de 2014

Carlos Rennó_O voo das palavras cantadas

(Na foto, a capa do livro “O voo das palavras cantadas”, de Carlos Rennó, editora “Dash”.)
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prezados,

no dia 14 de agosto (quinta-feira), a partir das 19h, na livraria argumento, no leblon (rio de janeiro), o meu querido amigo, o jornalista poeta letrista tradutor & pesquisador musical carlos rennó, lança o seu livro intitulado “o voo das palavras cantadas”, pela editora dash, ao custo de R$ 42,00.

o livro é uma reunião de textos sobre canção que priorizam, dão maior ênfase à poesia da música popular.

como bem anuncia o grande rennó:

 

“Em foco, as obras de grandes compositores-letristas surgidos na primeira metade do século vinte (Orestes Barbosa, Noel, Lamartine, Caymmi; Gershwin, Porter, Berlin); nos anos 1960 (Caetano, Gil, Chico, Tom Zé, Dylan, Lennon etc.); as relações entre poesia literária e de canção; Vinicius; além de uma diversidade de criadores — de Itamar aos Racionais, Peninha a Aldo Brizzi.”

 

a partir das 21h, pocket show com lívia nestrovski & fred ferreira.

abaixo, aos senhores, os textos escritos (só por craques!) à introdução da obra.

beijo todos!
paulo sabino.
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(do livro: O voo das palavras cantadas. autor: Carlos Rennó. editora: Dash.)

 

 

INTRODUÇÃO

“Um Catulo da canção”

 

O poeta-crítico Carlos Rennó escolheu, para ser fertilizado com seu talento e empenho, o terreno da canção popular. Interessado fundamentalmente em poesia, e convicto de que “é possível se fazer poesia de verdade a partir da conjugação de letras e músicas”, situa-se e transita, de modo tão à vontade como é possível apenas a quem conhece o ofício “desde dentro”, no profundo e pleno vale da palavra cantada, área antiga de confluência — que já foi inseparabilidade — de duas artes irmãs.

Quando comenta letras, composições, compositores ou intérpretes, Rennó o faz como criador que é, dedicado prioritariamente à realização ou ao reconhecimento da “correspondência sempre desejável […] que se pode instaurar entre as frases verbais e musicais”. De certo modo, toda a sua ação, tanto criadora como crítica, volta-se ao “casamento, enfim, de letra e música” e, particularmente, aos “instantes em que uma e outra coisa parecem falar exatamente a mesma linguagem”: para ele, a canção é uma “arte em que palavras e sons devem dizer o mesmo, traduzindo-se”.

Tal encontro buscado reflete-se em outros encontros, realizados: no próprio conteúdo deste livro, em que a reflexão, a sensibilidade e a criação se conjuminam; na noção de poesia que impregna a obra, orientada pela ideia da relação entre som e sentido; nas atividades artísticas do autor, letrista e versionista, poeta que recria como quem cria, e cria como quem recria (cioso da necessidade de diálogo com as tradições e invenções referenciais); ou em sua procura da dissolução dos limites entre o alto e o baixo repertórios e entre a cultura “erudita” e a “popular”: nesse sentido, Carlos Rennó escolheu — para jogar e ser craque — o campo em que a poesia de nosso tempo (e de outros tempos) alcança, no mais amplo público, sua presença plena e indistinta.

Neste trabalho (de um Catulo, ao mesmo tempo latino e Da Paixão), documento de uma vida de elaboração e labor, muito se poderá colher — como fruta madura a ser apreciada — de quase tudo sobre a arte da palavra e da palavra cantada.

Marcelo Tápia (poeta e ensaísta)

 

*

“Erudição popular, leveza e seriedade” 

 

História descontínua da canção popular brasileira e farta fatura do percurso crítico de seu autor, são os dois eixos principais deste livro: a afirmação do valor da invenção e o privilégio dado às obras em que as letras de canção, sem deixar de servirem às melodias com eficácia, ultrapassam-nas, planando no céu da autossuficiência — eis o voo da palavra cantada.

Tomando como modelo crítico os concretistas e Pound, sua matriz valorativa, Carlos Rennó é alheio, entretanto, àquela hybris vanguardista drástica, capaz de ver muito mais e um pouco menos ao mesmo tempo. Sua abertura irrestrita permite-lhe compreender fenômenos estéticos para além dessa matriz, sem preconceitos, mas também sem condescendências.

No fundo de tudo, a convicção de que a canção popular é a gaia ciência capaz de aliar invenção e mercado, vanguarda e massas. Daí o permanente contraponto entre as canções brasileira e americana, lugares máximos desse cruzamento de linguagens.

Sempre atento aos lances de isomorfia das canções — o hoje desvendado mistério de que falava Augusto de Campos —, os textos de Rennó são eles mesmos isomórficos, apresentando qualidades análogas às de seu objeto cultural: erudição popular, alta informação sem esforço, seriedade da leveza e leveza da seriedade.

Francisco Bosco (ensaísta e letrista)

 

*

“A sofisticação da poesia da canção”

 

Carlos Rennó é letrista com uma vasta folha de serviços prestados à canção brasileira. Parceiro de muitos e autor de algumas pérolas a quatro mãos com Arrigo Barnabé, Gil, Lenine ou Chico César, Rennó agora surge com esta boa nova surpresa: pequenos ensaios cujo foco principal é a poesia da canção, em toda a sua sofisticação e magnitude, fazendo ruir o tolo Fla-Flu entre poesia literária e letra de música, discussão que até hoje ocupa espaço nos debates culturais, seja na mesa do bar ou no simpósio acadêmico.

A ênfase de Rennó é no emaranhado de possibilidades criativas e soluções estéticas (instintivas ou calculadas, não importa) que os cancionistas / poetas trazem em sua bagagem. E seu olhar analítico é de um rigor microscópico: “Depois, quase no final, temos essa marcada e marcante sucessão de tês, além de dois efes”, frisa ele, ao discorrer sobre o emprego de aliterações na obra inicial de Chico Buarque (neste caso em especial, fala de “Pedro Pedreiro”).

Assim é Rennó, meticuloso em sua busca sherlockiana pelas tramas e mistérios da música popular — alguns / algumas insondáveis. Instigar é seu papel, e seu objeto de estudo são os grandes craques da canção. Orestes Barbosa, Caymmi, Mautner, Tom Zé, Ira Gershwin e Irving Berlin, entre outros poucos, estão neste seleto escrete.

As palavras cantadas voam longe, Rennó sabe.

Zeca Baleiro (cantor e compositor)

 

*

“Atenção concentrada, cuidadosa e amorosa”

 

Conheço Carlos Rennó há mais de 30 anos e, desde então, me impressionam os seus olhos fundos que, na verdade, depois entendi, significam que sua atenção, para com as coisas para as quais eles se voltam, é sempre concentrada, cuidadosa e amorosa.

Seja nos seus artigos para jornais e livros, sobre música, poesia, cantores, compositores e poetas, seja nas suas letras de canções ou nas suas versões de standards da canção norte-americana, percebe-se o mesmo cuidado. E esse cuidado começa com o uso sempre correto e consciencioso da nossa língua. E é isso tudo que se pode ver neste livro.

Há alguns anos, ele me deu o prazer de escrever o release de imprensa de meu disco Sobre as Ondas e, ali, com as qualidades de sempre de seu texto, ele destacou, no meu estilo de compor e fazer discos, características nunca antes notadas. Também, por isso, espero que este pequeno comentário possa retribuir um pouco da alegria que ele me deu ao escrever aquelas palavras.

Péricles Cavalcanti (cantor e compositor)

 

*

“Uma lupa rigorosa e minuciosa”

 

Conheço Carlos Rennó da época do Lira Paulistana, aquele teatro, etc… Música, festas, vida, trabalho. “Ah, o Rennó faz letras e macrobiótica”, dizíamos. Com o tempo aprendi que o Rennó… faz. Quando o vi brilhando com “Escrito nas Estrelas”, torci junto. Quando lançou Cole Porter — Canções, Versões, torci mais ainda. Vibrei quando ele induziu Itamar Assumpção a cantar Ataulfo Alves. Não sou bom em poesia, fanopeia, melopeia, logopeia. No máximo, Sesc Pompeia. Mas havia algo naquele cara. Trabalhando com ele, entendi que era rigoroso. Lendo-o, percebi que era minucioso, pesquisador, sério. Passei a ouvir o que não havia visto até então. Seu texto é uma lupa macrobiótica que permite dezenas, quiçá centenas, de mastigações de cada palavra, rimas, intenções. E mais, revela o interesse, saudável interesse, em mostrar um pouco disto que chamamos de vida. A reunião de suas matérias, seus escritos, já se fazia imprescindível. Elas juntas num só ser.

Luiz Chagas (músico e jornalista)

NASCE O SOL & NÃO DURA MAIS QUE UM DIA
21 de julho de 2013

Pôr do sol

 

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nasce o sol & não dura mais que um dia.

depois da luz solar, impreterivelmente, chega a noite escura.

com a chegada da noite, toda a formosura do mundo morre em sombras.

assim como o dia morre com a chegada da noite & suas sombras, a alegria acaba quando chega a tristeza.

porém, se o sol acaba todo dia, por que nascer? por que não dura a formosura da luz solar, que abarca com seus dedos-raios toda a beleza que há?

como a beleza assim se transfigura? por que o mundo, tão belo, encoberto por tristes sombras? por que a alegria, uma hora, acaba em tristeza? por que não perene a felicidade?…

como o gosto da pena, da dor, do sofrimento, assim se fia, como o gosto da pena, da dor, do sofrimento, assim se trama, como o gosto da pena, da dor, do sofrimento, é urdido?…

e também: como o gosto da pena, isto é, como a escrita do poeta, pode fiar, tramar, urdir, criar, algum tecido poético — tecido trançado por palavras — verdadeiramente belo, verdadeiramente feliz, se o mundo é, como se sabe, tramado em tristezas, se no mundo, um dia, as belezas se encerram?…

ainda que desejemos muito que assim não seja, sabemos que falta a firmeza da constância no sol & sua luz, sabemos que a constância não se dá na formosura (tudo, na vida, é transitório: a beleza de um rosto, o amor, a idade, a vida dos amigos), sabemos que na alegria cabe, um dia, uma hora, a tristeza.

o mundo começa pela total ignorância. o conhecimento humano se dá através da transmissão das experiências dos nossos antecessores aos seus sucessores. aqueles que nos antecedem, com as suas vivências, deixam um legado de informações sobre o mundo, permitindo, às próximas gerações, a geração de conhecimentos ainda mais amplos.

hoje sabemos que qualquer dos bens do mundo, por natureza, tem a firmeza somente na inconstância.

hoje sabemos que qualquer dos bens do mundo, por natureza, tem a inconstância como a única constante.

(tudo muda, o tempo todo, no mundo.)

(saibamos aproveitar o transitório & o que ele nos traz de bom & feliz.)

beijo todos!
paulo sabino.
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(do livro: O canto das musas — poemas para conhecer, ler, recitar e cantar. autores: Aline Evangelista Martins, Cibele Lopresti e Péricles Cavalcanti. organização: Zélia Cavalcanti. autor do poema: Gregório de Matos. editora: Companhia das Letras.)

 

 

NASCE O SOL E NÃO DURA MAIS QUE UM DIA

 

Moraliza o poeta nos ocidentes do Sol a inconstância dos bens do mundo.

Nasce o sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a Luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas, no Sol, e na Luz, falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.

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Gregório de Matos Guerra nasceu em Salvador, Bahia, em 1633 ou 36 — não se sabe ao certo —, e morreu em Recife, Pernambuco, em 1696. Aos catorze anos foi estudar em Lisboa, Portugal, onde se formou advogado. Lá começou a trabalhar junto à corte, mas desde sempre demonstrou aptidão para as sátiras, forma que o autor mais utilizou. Por zombar de políticos, religiosos e pessoas influentes na sociedade de sua época, foi chamado de Boca do Inferno. Em 1681, depois de colecionar inimizades, foi mandado de volta a Salvador, onde continuou a se portar como um crítico incansável. Indispondo-se com pessoas influentes, terminou exilado em Angola, onde também zombou dos poderosos. Para afastá-lo daqueles a quem ele podia incomodar, foi enviado de volta para Recife, onde morreu um ano depois. Gregório de Matos foi um dos primeiros a usar palavras de origem indígena e africana em suas produções, por isso o estudo de sua obra colabora para a reflexão sobre o momento inaugural da literatura brasileira.

PÉROLAS PÉRICLES
9 de junho de 2013

Péricles Cavalcanti

 

(Na foto, o poeta-compositor Péricles Cavalcanti.)
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Aos fãs de música & poesia, IMPERDÍVEL!

Diálogo entre Paulo Sabino & um dos MAIORES poetas-compositores do Brasil, PÉRICLES CAVALCANTI:

Paulo Sabino escreve:

 

“Acabei de saber que você deu carta branca para o projeto do Adriano [Nunes], em parceria comigo, de reunirmos todos os seus poemas-canções num livro!

ESTOU EMOCIONADO DE PENSAR QUE FAREI ESTE BELÍSSIMO TRABALHO!

Tô tremendo, tô chorando, tô pulando por dentro, tô sei lá!

Imagina, organizar toda a obra de um dos MAIORES poetas-compositores do Brasil, meu Deus, que HONRA!”

 

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Péricles Cavalcanti responde:

 

“Eu, também, fiquei feliz com isso, querido Paulo. Vamos nessa!!!!
Um beijo, sempre.”

 

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É isso mesmo, senhores! O GRANDE poeta ADRIANO NUNES bolou o projeto de reunir, em livro, todos os poemas-canções do SUPERLATIVO poeta-compositor PÉRICLES CAVALCANTI, livro que será feito com o máximo de rigor, cuidado, carinho & atenção, e me convidou para a empreitada(!).

A obra vai se chamar “PÉROLAS PÉRICLES” & será lançada no ano próximo pelo selo Vidráguas, da GRANDE & QUERIDA amiga professora & poeta CARMEN SILVIA PRESOTTO.

Além de trazer todas as letras do cancioneiro desse EXTRAORDINÁRIO cantor & poeta-compositor (entre elas as aclamadas “Porto Alegre”, gravada por Adriana Calcanhotto & Tulipa Ruiz, “Clariô”, gravada por Gal Costa, e “Elegia”, parceria de Péricles & Augusto de Campos, gravada por Caetano Veloso), o livro “PÉROLAS PÉRICLES” contará com textos críticos (meus & do Adriano), além de depoimentos de artistas & do próprio autor.

Salve a poesia! Salve Péricles! Salve Adriano! Salve Carmen!

Beijo todos!
Paulo Sabino.

CANTO MANEIRO
4 de junho de 2013

Rio do Braço

(O ser do rio: nunca nos banhamos no mesmo rio…)
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eis, aqui, o canto maneiro, aqui, um modo de cantar bacana:

eu canto à maneira índia. eu canto à maneira negra. eu canto à maneira grega. eu canto à maneira gregoriana.

eis, aqui, o canto maneiro: todas as maneiras do cantar cabem no meu canto. todas as vozes a minha garganta abriga. porque belezas são complementares, não excludentes. e porque o que é belo ganha mais, fica melhor, porque existe o diferente. o mundo nos estampa isso a toda hora: a quantidade de formas & cores & elementos & texturas da natureza mostra que a beleza — num sentido mais amplo — está na diversidade.

eu canto de todas as maneiras (índia negra grega gregoriana): eis o canto maneiro: todas as vozes a minha voz abriga.

eu canto à maneira de heráclito: o fogo, o transe, a transmigração.

eu canto à maneira de heráclito: o ser do rio — nunca nos banhamos no mesmo rio.

heráclito: filósofo pré-socrático; parte do princípio de que tudo está em movimento, nada pode permanecer estático — tudo se move, tudo se movimenta, exceto o próprio movimento (heráclito é considerado por muitos o pai da “dialética”). heráclito cria no princípio do devir incessante, acreditava no princípio da transformação constante das coisas. aqui, um seu fragmento célebre: “não é possível entrar duas vezes no mesmo rio, nem tocar duas vezes uma substância mortal no mesmo estado; graças à velocidade do movimento, tudo se dispersa  e se recompõe novamente, tudo vem e vai”. o filósofo pré-socrático atribuía a um elemento a responsabilidade da existência de todas as coisas mundanas em mudança: o fogo.

fogo: elemento que ilumina, que tira as coisas da escuridão, elemento que aquece.

somos como o rio: nunca as mesmas águas, sempre outras a passar. nunca somos os mesmos, vamos nos modificando com o passar do tempo (nascimento, infância, pré-adolescência, adolescência, as idades adultas & velhice), sempre metamorfoses ambulantes, sempre na transmigração, na alteração de domicílio — um dia, descobrimos que a “casa” que nos abriga não nos serve mais & precisamos abandoná-la por outra que nos dê a devida guarida, por outra que nos dê a devida acolhida.

o ser do rio: nunca nos banhamos no mesmo rio (nunca as mesmas águas, sempre outras a passar, o rio está em contínuo fluir)…

eu canto à maneira eletrônica, eu canto ao modo moderno de cantar, eu canto para o que é criação da inteligência humana, eu canto para a ciência, eu canto para os avanços tecnológicos & científicos que podem  melhorar a qualidade das nossas vidas.

eis, aqui, o canto maneiro: cantar à maneira índia, negra, grega, gregoriana: cantar a todas as maneiras de cantar.

eis, aqui, o canto maneiro: cantar à maneira de heráclito: o fogo, o transe, a transmigração, o ser do rio (nunca nos banhamos no mesmo rio…).

eis, aqui, o canto maneiro: cantar à maneira eletrônica, utilizar-se de tudo que no mundo está, seja velho, seja novo, seja o que for, a fim de cantar, e cantar bem, cantar com a voz emocionada, para que tudo o que é cantado exista em sintonia com o bem-estar do mundo, para que tudo o que é cantado esteja afinado com o bom da vida. tudo dentro do tom.

o canto maneiro: o canto que abriga, que acolhe, que oferece morada.

beijo todos!
paulo sabino.
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(do encarte do cd: Mulheres de Péricles. artista: Vários. autor dos versos. Péricles Cavalcanti. selo: Joia Moderna.)

 

 

CANTO MANEIRO

 

Eu canto à maneira índia
Negra, grega, gregoriana
Eu canto à maneira de Heráclito
O fogo, o transe, a transmigração
O ser do rio
Nunca nos banhamos no mesmo rio
Eu canto à maneira eletrônica
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(do site: Youtube. áudio extraído do álbum: Mulheres de Péricles. artista: Vários. canção: Canto maneiro. autor da canção: Péricles Cavalcanti. intérprete: Juliana Perdigão. selo: Joia Moderna.)

QUEM NASCEU?
10 de janeiro de 2013

Bebê

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o mundo visto sem figuras de retórica, a existência entendida sem figuras de linguagem:
 
costumamos dizer: o sol nasceu. a lua nasceu. o dia nasceu.
 
nascer: na acepção literal do verbo, segundo o dicionário houaiss, “passar a ter vida exterior no mundo”.
 
o sol, a lua, o dia, estes não nascem; o sol, a lua & o dia são elementos que compõem o mundo, elementos que estão já no mundo, em sua vida exteriorizada. 
 
portanto: o sol nasceu, a lua nasceu, o dia nasceu: é tudo mentira (tais elementos não nascem). é tudo figura (de retórica): quem nasceu, segundo a acepção literal do termo (“passou a ter vida exterior no mundo”), fui eu; quem nasceu, segundo a acepção literal do termo (“passou a ter vida exterior no mundo”), foi você. somos nós, bichos, quem nascemos.
 
e a gente (que nasce), diferentemente da planta (que brota), não sabe bem como nasceu a raça humana, qual é exatamente a sua origem, a gente (que nasce) não sabe bem como surgiu a vida que gerou as vidas que geraram a vida humana, e a gente nem sabe por que nasceu, e a gente nem sabe se, de fato, existe alguma razão, algum fundamento, que justifique a existência humana.
 
o mundo visto sem figuras de retórica, a existência entendida sem figuras de linguagem:
 
à mãe natureza, o templo do pai.
 
o templo do pai para a mãe natureza.
 
mãe: na acepção literal da palavra, segundo o dicionário houaiss, “mulher que deu à luz, que cria ou criou um ou mais filhos”.
 
pai: na acepção literal da palavra, segundo o dicionário houaiss, “homem que deu origem a outro; genitor, progenitor”.
 
na existência que fundamos, também chamamos “pai” a — suposta — força criadora do universo.
 
no entanto, a natureza não é mãe (na acepção literal da palavra) mas um conjunto de elementos do mundo natural — mares, montanhas, animais etc. 
 
e, caso exista alguma força criadora do universo, tal força não seria pai (na acepção literal da palavra) mas o elemento/agente físico que teria originado o universo que, por sua vez, promove a sua contínua expansão.
 
portanto: para a mãe natureza o templo do pai: é tudo mentira (a natureza não é mãe nem é pai a — suposta — força criadora do universo). é tudo figura (de retórica): quem tem mãe, segundo a acepção literal da palavra (“mulher que deu à luz, que cria ou criou um ou mais filhos”), sou eu; quem tem pai, segundo a acepção literal da palavra (“homem que deu origem a outro; genitor, progenitor”), é você. somos nós quem temos mãe, somos nós quem temos pai, que, embora não fiquem o resto das suas vidas do nosso lado (meu pai já partiu…), é impossível esquecer.
 
(pai & mãe seguem conosco o resto da jornada.)
 
o mundo visto sem figuras de retórica, a existência entendida sem figuras de linguagem:
 
quem nasceu? eu? você? minha mãe? seu pai? o sol? a lua? o dia?
 
quem é mãe? quem é pai? você? eu? a natureza? a — suposta — força criadora do universo?
 
a existência, aos nossos olhos miúdos & erráticos, é uma grande alegoria.
 
(é tudo mentira. é tudo figura.)
 
beijo todos!
paulo sabino.
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(autor: Péricles Cavalcanti.)
 
 
 
QUEM NASCEU?
 
 
O sol nasceu
A lua nasceu
O dia nasceu
O sol nasceu
 
É tudo mentira
É tudo figura
 
O sol nasceu
A lua nasceu
O dia nasceu
O sol nasceu
 
É tudo mentira
É tudo figura
 
Quem nasceu fui eu
Quem nasceu foi você
E a gente não sabe bem como
E nem sabe por quê
 
Pra mãe natureza
O templo do pai
Pra mãe natureza 
O templo do pai
 
É tudo mentira
É tudo figura
 
Pra mãe natureza
O templo do pai
Pra mãe natureza 
O templo do pai
 
É tudo mentira
É tudo figura
 
Quem tem mãe sou eu
Quem tem pai é você
Que embora não fiquem com a gente
É impossível esquecer 
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(do site: Youtube. áudio extraído do cd: Mulheres de Péricles. artista: Vários. canção: Quem nasceu? intérprete: Laura Lavieri. autor da canção: Péricles Cavalcanti. selo: Joia Moderna.)
 

ACONTECEU: PORTUGAL, MEU AVOZINHO
16 de outubro de 2012

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a língua portuguesa é uma das grandes paixões da minha vida.

  
acho-a linda, sofisticada, elegante, adoro sua sonoridade, as palavras que a moldam.
 
sou, de fato, um seu apaixonado.
 
(a língua é minha pátria. o que penso, o modo de processar as coisas, penso, processo, em português. paulo sabino existe em língua portuguesa. nenhuma pátria me pariu. quem me pariu, e continua parindo, é a língua.)
 
e a herança da língua que tanto me encanta, e que canto tanto, devo a portugal, meu avozinho.
 
só por isso, só pela língua (e por conseqüência: só por camões, por pessoa, por al berto, por eugénio, por sophia, por natália, e por tantos outros), já me é válida a herança portuguesa.
 
o que, hoje, conhecemos como brasil, tem a sua gênese a partir da chegada dos portugueses. portugal, pai do brasil. eu, como filho deste solo, como mais um filho do solo brasileiro, tenho portugal de avô.
 
portugal, pai desta terra conhecida por brasil, portanto, portugal, meu avozinho, como foi que temperaste — qual o ponto? — esse gosto misturado de saudade & de carinho?
 
(ter saudades é viver. e o português é saudades.)
 
portugal, pai desta terra conhecida por brasil, portanto, portugal, meu avozinho, como foi que temperaste — qual o ponto? — esse gosto misturado de pele branca & de pele trigueira — gosto de áfrica & de europa, que é o da gente brasileira?
 
(gosto de samba & de fado, portugal, meu avozinho.)
 
brasil, grande mundo de ternura (& de agrura!), brasil, grande mundo feito da miscigenação de três continentes, de três mundos — tupã, deus, oxalá…
 
foram os portugueses os grandes responsáveis pelo encontro (marcado a ferro fogo luta sangue) dos três continentes no solo que viu nascer este a que chamamos brasil. portugal, pai do brasil, portanto, meu avozinho de carinhos & castigos, meu avozinho de bênçãos & maldições, meu avozinho de amores & açoites.
  
nos dias atuais, passados tantos anos, a relação entre portugal & o seu filho brasil & os filhos do seu filho brasil é de admiração mútua, entendida a força das suas culturas — no teatro, na dança, na música, na literatura.
 
nos dias atuais, passados tantos anos, a relação de admiração mútua aconteceu.
 
a relação de admiração mútua (portugal – brasil) aconteceu com o passar dos anos, com o passar do tempo — só o tempo fez a cama, como em todo grande amor.
 
o amor brasil – portugal foi chegando de mansinho, se espalhou devagarinho, foi ficando até ficar. sem maiores encantamentos — sem um sino para tocar, sem que o chão tivesse estrelas, sem um raio de luar.
 
a relação de admiração mútua (portugal – brasil) simplesmente: aconteceu.
 
a prova está aqui, nesta publicação: manuel bandeira, um neto ilustre, louvando em versos o seu avozinho de além-mar; também o poeta-compositor péricles cavalcanti & um seu poema-canção, em roupagem de fado, na interpretação da cantora portuguesa cristina branco.
 
(gosto de samba & de fado, portugal, meu avozinho.)
 
beijo todos!
paulo sabino.
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(do livro: Estrela da vida inteira. autor: Manuel Bandeira. editora: Nova Fronteira.)
 
 
PORTUGAL, MEU AVOZINHO
 
 
Como foi que temperaste,
Portugal, meu avozinho,
Esse gosto misturado
De saudade e de carinho?
 
Esse gosto misturado
De pele branca e trigueira,
— Gosto de África e de Europa,
Que é o da gente brasileira?
 
Gosto de samba e de fado,
Portugal, meu avozinho.
Ai Portugal que ensinaste
Ao Brasil o teu carinho!
 
Tu de um lado, e de outro lado
Nós… No meio o mar profun-
                    do…
Mas, por mais fundo que seja,
Somos os dois um só mundo.
 
Grande mundo de ternura,
Feito de três continentes…
Ai, mundo de Portugal,
Gente mãe de tantas gentes!
 
Ai, Portugal, de Camões,
Do bom trigo e do bom vinho,
Que nos deste, ai avozinho,
Este gosto misturado,
Que é saudade e que é carinho!
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(autor: Péricles Cavalcanti.)
 
 
ACONTECEU
 
 
Aconteceu quando a gente não esperava
Aconteceu sem um sino pra tocar
Aconteceu diferente das histórias
Que os romances e a memória
Têm costume de contar
 
Aconteceu sem que o chão tivesse estrelas
Aconteceu sem um raio de luar
O nosso amor foi chegando de mansinho
Se espalhou devagarinho
Foi ficando até ficar
 
Aconteceu sem que o mundo agradecesse
Sem que rosas florescessem
Sem um canto de louvor
 
Aconteceu sem que houvesse nenhum drama
Só o tempo fez a cama
Como em todo grande amor
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(do site: Youtube. canção: Aconteceu. autor da canção: Péricles Cavalcanti. intérprete: Cristina Branco.)
 

CALIPSO: DIA DE FESTA NO MAR
2 de fevereiro de 2012

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dia 02 de fevereiro é dia de festa no mar.
 
eu, que não quero (nem preciso) ser o primeiro, venho saudar a rainha do meu amante maior, popularmente conhecida como iemanjá.
 
o mar é um dos maiores encantos da minha vida. não sei, sinceramente, com a profunda relação que desenvolvi com ele, como seria morar em região onde ele não pouse o seu manto azul.
 
a senhora das águas marítimas é famosa por enfeitiçar seus amantes com o seu canto de sereia, até arrastá-los para o fundo do mar sem jamais devolvê-los à terra firme.
 
os versos que seguem narram a história de um navegante que, assim como ulisses (herói da mitologia grega, protagonista da guerra de tróia no clássico poema épico atribuído a homero, odisséia), é amarrado no mastro da embarcação em que está com as orelhas tapadas para resistir ao encanto do canto das sereias marinhas.
 
ao chegar à praia, o navegante não resiste & cai nos braços de calipso.
 
calipso: na mitologia grega, é uma ninfa do mar, uma sereia.
 
calipso: gênero musical originário do caribe, com ritmo apropriado à dança & ao canto.
 
as linhas poéticas brincam com o sentido duplo que “calipso” pode ter (a sereia & o ritmo musical caribenho).
 
eu, paulo sabino, um homem comum, desde o primeiro contato com o mar, não tive nenhum outro vício senão dançar ao ritmo de calipso; eu caí nas graças de calipso; não resisti ao encanto de calipso; só sei dançar ao ritmo de calipso.
 
salve a deusa do mar & o seu canto! salve a senhora das águas & o seu encanto!
 
beijo todos!
paulo sabino.
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(do encarte do cd: Maré. artista: Adriana Calcanhotto. gravadora: Sony & BMG. autor dos versos: Péricles Cavalcanti.)
 
 
 
PORTO ALEGRE (NOS BRAÇOS DE CALIPSO)
 
 
Amarrado num mastro
Tapando as orelhas
Eu resisti
Ao encanto das sereias
Eu não ouvi
O canto das sereias
Eu resisti
 
Mas chegando à praia
Não fiz nada disso
Então caí
Nos braços de Calipso
Eu sucumbi
Ao encanto de Calipso
Não resisti
 
Desde então eu não tive
Nenhum outro vício
Senão dançar
Ao ritmo de Calipso
Pois eu caí
Nas graças de Calipso
Não resisti
Ao encanto de Calipso
Só sei dançar
Ao ritmo de Calipso

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(do site: Youtube. canção: Porto Alegre (nos braços de Calipso). autor: Péricles Cavalcanti. intérprete: Adriana Calcanhotto.)
 

ELIS: A PRIMEIRA DAMA DA CANÇÃO
17 de janeiro de 2012

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O meu QUERIDO amigo & TALENTOSÍSSIMO poeta-compositor PÉRICLES CAVALCANTI me apresentou este BELÍSSIMO texto, escrito por CAETANO VELOSO, sobre a GRANDE DIVA, a SOBERANA ELIS REGINA.

Este ano a maior cantora do Brasil de todos os tempos completa os seus 30 anos de morte.

Seu desenlace existencial se deu em 19 de janeiro de 1982.

Minha mãe, a minha cabocla Jurema Armond, conta que o Brasil parou para chorar a sua partida. Ela mesma diz que ficou muitíssimo triste, abalada, com a notícia.

Eu, como toda & qualquer pessoa com o mínimo de percepção musical, sei que ELIS REGINA foi a MAIOR.

Todos sabem da minha IMENSA ADMIRAÇÃO & PREDILEÇÃO por outra diva, MARIA BETHÂNIA. Mas se pensarmos, em termos acadêmicos, o que é o canto, o que pode a voz, se pensarmos nos estudos que envolvem o instrumento vocal, Elis foi a cantora que abrigou TUDO em seu timbre, com maestria de GÊNIOS profundamente talentosos: ninguém conseguiu, até hoje, condensar tão PERFEITAMENTE técnica & emoção. Quando a ouço, tenho certeza: ela, Elis, não foi, ela, Elis, É A MAIOR.

As linhas do Caetano são LINDAS, e merecem ser lidas.

Ele fala sobre a sua relação de encontros & desencontros com Elis, salientando, sempre, os seus ENORMES carinho & admiração: “eu via Elis cantar exclusivamente para me sentir bem”, declara.

Ao final do seu texto uma frase-chave, com a qual Caetano acaba por ratificar o tom (acertado, afinado, limpo) do ser de Elis: “ela me escreveu um bilhete pedindo perdão pelo que fez com ‘Gente'”.
 
Em seu livro “Sobre as letras” (ed. Companhia das Letras), o poeta-compositor explica o episódio envolvendo a (sua) canção “Gente”:
 
“No show Transversal do tempo, Elis Regina cantava ‘Gente’ como se estivesse debochando da canção, com o arranjo servindo ao deboche, e aparecia ‘Beba Gente’ escrito atrás, como se fosse Coca-cola. (…) Um pouco antes de morrer, ela me escreveu uma carta dizendo que aquilo que ela tinha feito com a minha música em Transversal do tempo tinha sido idéia dos diretores do show, que ela não queria, que, por ela, não faria aquilo, e me pediu desculpas”. 
 
Logo após o texto de Caetano, uma das gravações de Elis que conheci ainda moleque & que me fisgou pelo pé (da cabeça) – rs.
 
Lembro-me do arrepio ao ouvi-la (a referida gravação) pela primeira vez, lembro-me da minha emoção, da beleza que se revelava.
 
Os versos contam a história duma mulher que “aparece” ao mundo, que “surge” à vida, depois de uma grande desilusão amorosa. Mulher que cresceu olhando a vida sem malícia, sem maldades, até que um cabo de polícia despertou seu coração. O policial, cabo (sua patente), fê-la apaixonar-se, para, em seguida, soltá-la na rua, abandoná-la, desprezada como um cão. Depois disso, desiludida, machucada, ferida, a mulher caiu na “orgia” (termo, antes, muito utilizado para noitadas de muita farra, de muita cantoria & bebedeira, sem a forte conotação sexual que ganhou nos dias atuais).
 
Mulher “da virada” (boêmia, mulher que apronta na noite, mal vista, inclusive, por outras mulheres), esquecida por Deus, mulher que irá cada vez mais se esmolambando, cada vez mais arrastando os seus molambos (os seus farrapos) , mulher que seguirá sempre cantando na batucada da vida.

A ela, Elis, pimenta boa de ser degustada, os meus PROFUNDOS carinho & respeito!

SALVE ELIS REGINA, a PRIMEIRA DAMA da canção!
 
Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(do site: Conteúdo Livre. autor do texto: Caetano Veloso.)

 

QUEM ENTENDE DE MÚSICA SABE QUE ELA (ELIS) É UMA DAS MAIORES QUE JÁ HOUVE


Ouvi Elis pela primeira vez vendo-a na televisão. Foi em Salvador — e nós, os baianos que chegaram ao eixão na esteira da estreia de Bethânia no Opinião, já tínhamos um esboço de visão da música popular numa perspectiva brasileira. Tive reação semelhante à que muitos tiveram: finalmente uma cantora moderna, em pleno domínio de seus recursos aparecia na cena profissional — e já embalada para alcançar massas de ouvintes. Era indubitavelmente um largo passo dado. Éramos todos, Elis e nós, esforços de criação dentro do universo exigente que foi o imediato pós-bossa nova.

Sempre conto que, na minha imaginação, Bethânia, Gal, Gil e eu faríamos algo marcante. Dos quatro, Gal e eu éramos os mais radicalmente joãogilbertianos. E eu talvez mais do que Gal. Bethânia tinha um temperamento e um talento que a levavam para além das marcas estilísticas do supercool de João. Gil, por ser o que mais era capaz de apreender os acordes e as levadas de violão do mestre, sentia-se livre para cruzar a fronteira. Gal desejava entrar cada vez mais fundo no mundo desdramatizado da bossa pura. Eu, que me julgava um observador útil, capaz apenas de contribuir com acompanhamento crítico e conversas teóricas (o que não me impedia de fazer umas musiquinhas), tinha João como paradigma e, por isso, interessava-me pelo desvelamento do ser da canção como forma. Assim, o canto e violão dele se opunham, dentro de mim, ao samba-jazz dos grupos instrumentais (ou voco-instrumentais) que se desenvolveram no Beco das Garrafas. Elis, cantando na TV, num videotape dos que chegavam de avião às províncias (ainda não havia televisão em rede), era a realização brilhante do estilo que me parecia oposto ao de João.

Mas a evidência de competência, talento e desenvoltura era mais forte do que meus esquemas críticos. O fato bruto de que alguém estivesse dominando divisões complicadas das frases rítmicas e exibindo com espontânea segurança o entendimento de cada nota cantada (o modo como ela instintivamente cuidava da afinação) era em si mesmo um acontecimento na cena brasileira, um acontecimento que me obrigava a pôr tudo em novo patamar. Bem, tudo o que eu imaginava para meus três amigos era algo que tivesse esse poder — mas por outras vias, a partir de outros elementos, sempre nascidos da atenção a João. Assim, vi uma tensão natural entre nosso projeto e o acontecimento Elis. Tive quase um sentimento de ciúme. Sobretudo me senti com maiores responsabilidades e excitado por desafios mais altos.

Nada disso nunca se desmentiu. Depois de Elis, teríamos que fazer algo mais radical. Bethânia esteve sempre fora da questão, já que ela tinha um estilo assombrosamente desenvolvido e totalmente independente da estética da bossa nova. Mas ela mal tinha se decidido pela música: havia sonhado em ser atriz, escrevia e fazia joias de metal. Sua voz e sua intensidade pessoal é que a puxaram para o canto, através do interesse despertado em quem a ouvia. O modo extrovertido, o tom expressionista, que contrastava com a sobriedade da bossa nova, tudo isso ela tinha em comum com Elis. Mas eram figuras opostas. Pôr as duas em comparação, dentro da cabeça, era como contrapor Sarah Vaughan a Edith Piaf. Mas o que acontecia era que, com Elis, eu era levado a pensar assim, em termos mundiais, considerando figuras nascentes de nossa canção com divas do grande mundo.

Bem, o ambiente de criação de música popular no Brasil estava se diversificando. Era a época de Edu — e Nara tinha aberto o leque do repertório, saindo das salas sofisticadas e indo ao morro e ao sertão. Mas, fosse Edu, Nara ou nós, todos parecíamos treinados em ambientes de teatro, cineclubes e diretórios acadêmicos. Elis era uma menina que gostava de Ângela Maria e se tornara um fenômeno infantojuvenil em Porto Alegre. A evidência de seu talento chamou a atenção de produtores que sonharam em fazer dela uma nova versão de Celly Campello, o que resultou em quatro LPs que, depois do estouro de “Arrastão”, foram banidos de sua discografia oficial — não tão diferente assim do que aconteceu com o 78 RPM de João, gravado no início dos anos 50. Seja como for, Elis vinha do mundo da música comercial, enquanto Nara , Edu e nós vínhamos dos ambientes intelectualizados.

O Beco das Garrafas e Armando Pittigliani compuseram a Elis genial que, logo formatada por Solano Ribeiro, veio a ser aquela espantosa explosão de “musician ship” que eu vi na TV.

Todos os encontros e desencontros que tive com Elis tiveram esse histórico como pano de fundo. Rogério, seu irmão, me deu de presente os quatro LPs pré-“Arrastão”, numa época em que eu, deslumbrado pelo prazer que dava assistir aos shows dessa cantora que nunca estava fora de sintonia com a música, via mais de uma vez seus espetáculos. Desde que voltei de Londres (coincidindo, em parte, com o período em que ela mostrou sua versão do cool), eu via Elis cantar exclusivamente para me sentir bem. Ela influenciou gerações de cantores, lançou multidões de autores, briguei com a “Veja” por causa do modo como essa revista publicou a notícia da sua morte (briga que nunca mais achei jeito de desfazer), e hoje a gente sabe que Björk a admira, que quem entende de música no mundo sabe que ela é uma das maiores que já houve. Ela me escreveu um bilhete pedindo perdão pelo que fez com “Gente”. E saúdo sua memória com um amor muito pessoal, particular e cheio de conteúdos peculiares.
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(autores: Ary Barroso / Luiz Peixoto.)
 
 
NA BATUCADA DA VIDA
 
 
No dia em que eu apareci no mundo
Juntou uma porção de vagabundo
Da orgia
De noite teve samba e batucada
Que acabou de madrugada
Em grossa pancadaria
 
Depois do meu batismo de fumaça
Mamei um litro e meio de cachaça
Bem puxado
E fui adormecer como um despacho
Deitadinha no capacho
Na “Porta dos Enjeitados”
 
Cresci olhando a vida sem malícia
Quando um cabo de polícia
Despertou meu coração
E como eu fui pra ele muito boa
Me soltou na rua, à-toa
Desprezada como um cão
 
E hoje que eu sou mesmo da virada
E que eu não tenho nada, nada
Que por Deus fui esquecida
Irei cada vez mais me esmolambando
Seguirei sempre cantando
Na batucada da vida
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(do site: Youtube. canção: Na batucada da vida. autores: Ary Barroso / Luiz Peixoto. intérprete: Elis Regina. áudio extraído do álbum: Elis (1974). gravadora: Universal Music.)