OCUPAÇÃO POÉTICA — TEATRO CÂNDIDO MENDES (13ª EDIÇÃO) — TANUSSI CARDOSO & CONVIDADOS
27 de junho de 2018

(Coluna Parada Obrigatória, do jornal O Globo)

(Texto do poeta Luis Turiba, que foi assistir à apresentação)

(Texto da poeta Anna Maria Fernandes, que foi assistir à apresentação)

(Texto do poeta Cláudio Leal Cacau, que foi assistir à apresentação)

(Plateia lotada, quente, divertida – Foto: Luciana Queiroz)

(O idealizador, produtor e curador do projeto, Paulo Sabino – Foto: Luciana Queiroz)

(O poeta Igor Fagundes – Foto: Luciana Queiroz)

(O poeta Jorge Ventura – Foto: Luciana Queiroz)

(A poeta Noélia Ribeiro – Foto: Luciana Queiroz)

(O poeta Christovam de Chevalier – Foto: Luciana Queiroz)

(A poeta Eugenia Henriques – Foto: Luciana Queiroz)

(A poeta Carmen Moreno – Foto: Luciana Queiroz)

(O poeta Cairo Trindade e o homenageado da noite, Tanussi Cardoso – Foto: Luciana Queiroz)

(O poeta Cairo Trindade – Foto: Luciana Queiroz)

(O poeta Mano Melo – Foto: Luciana Queiroz)

(O grande homenageado da noite, o poeta Tanussi Cardoso – Foto: Luciana Queiroz)

(A turma feliz pela noite linda – Foto: Marcelo Ribeiro)

(Os participantes para as fotos finais – Foto: Marcelo Ribeiro)

(Os participantes da 13ª edição da Ocupação Poética, homenagem a Tanussi Cardoso – Foto: Luciana Queiroz)

(O coordenador do projeto, Paulo Sabino, e o homenageado da noite, Tanussi Cardoso – Foto: Rafael Millon)
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Teatro lotado, público quente, muito divertido, participantes pra lá de talentosos, homenageado feliz da vida: foi assim a 13ª edição da Ocupação Poética (18/06), homenagem aos 40 anos de carreira literária do super Tanussi Cardoso!
 
Cada vez que me vem à memória a noite da 13ª edição da Ocupação Poética, homenagem ao Tanussi Cardoso, o coração bate mais forte, o sorriso brota fácil na boca, o amor corre convicto pelo corpo. Acreditem: eu não consegui dormir de segunda (18/06) pra terça (19/06); a energia foi tamanha que a cabeça não desligava. Significa que estava cansado? Sim, muito. Muito obrigado pelo cansaço, muito obrigado pela noite não dormida. Timaço lindo, de tirar o sono! Estava sonhando acordado.
 
Viva a arte dos encontros! Viva a poesia Viva!
 
Quero agradecer imensamente aos administradores do teatro Cândido Mendes de Ipanema, Fernanda Oliveira e Adil Tiscatti; ao técnico de som e luz, no projeto desde a sua 1ª edição, Pedro Thimoteo; à fotógrafa do projeto, a nossa musa das lentes, Luciana Queiroz; à Belmira Comunicação, responsável pela assessoria de imprensa do projeto; a todos os participantes, muito e sempre; ao homenageado, por proporcionar, com a sua poética, momentos mágicos, como a noite de 18 de junho.
 
Faremos uma pausa, por causa do lançamento do meu livro de estreia na poesia, Um para dentro todo exterior, nos meses de julho e agosto, e retornamos em setembro.
 
Aos interessados, um poema, do homenageado, que tive a alegria e o prazer de ler na apresentação, poema emocionado e sofisticado como quem o confeccionou.
 
Beijo todos!
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(Do livro: Exercício do olhar. autor: Tanussi Cardoso. editora: Five Star.)
 
 
 
COMO SE NÃO FOSSE ADEUS
 
 
 
a vida se vai como o gelo se desfaz:
lento, frio, queimando as mãos.
nem as baratas me comovem mais.
nem as moscas. nem os cães.
 
(dentro de mim,
a família é um osso a estalar.)
 
pergunto se o cego que vê Deus
enxergará.
debaixo do seu peso insustentável
o amor não responde.
 
sonhei ser belo como os italianos
e, espantalho,
meu corpo se deteriora com o vento.
 
o verso e seu silêncio não me salvam.
e por mais que tente
sou menor que minha esperança.
 
entretanto, não quero escrever sobre paredes.
paredes não sangram.
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POSSE DE ANTONIO CICERO NA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS + A CIDADE E OS LIVROS
20 de março de 2018

O mais novo membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), o poeta & filósofo Antonio Cicero

Na posse do mais novo membro da Academia Brasileira de Letras, Antonio Cicero. Na foto, ao fundo, atrás do Cicero, o querido Marcelo Pies, e atrás de mim, o meu amigo & irmão de poesia Christovam de Chevalier

Com o empossado na ABL Antonio Cicero & Rafael Millon, primo do imortal

Com os irmãos lindos & queridos, Cicero & Marina Lima

Com um grande amigo & mestre, o badalado & premiadíssimo poeta Salgado Maranhão

Com um amor da vida, o meu lindo amigo & grande poeta Jorge Salomão

Com Geraldinho Carneiro, pessoa que amo, pura simpatia & diversão

Na companhia dessa dupla imbatível, mestres & amigos, Geraldinho Carneiro & Antonio Carlos Secchin

Este aqui foi o momento sofá, a hora do gesto discreto do Cicero, me chamando pra mais perto, pra sentar ao seu lado, e eu me derramando inteiro por conta das doses de uísque — ao meu lado, a doce amiga & poeta Noélia Ribeiro

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“Que linda essa história”

(Marina Lima — cantora & compositora)

 

“Que bacana, Paulo. Queria muito ter estado com vocês todos mas estou do outro lado do Atlântico, lotada de compromissos. A ABL ganhou um tesouro! Um beijo, Adriana”.

(Adriana Calcanhotto — cantora & compositora)

 

 

Sexta-feira, dia 16/03, foi dia da posse do mais novo membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), o poeta & filósofo Antonio Cicero.

Conheci o Cicero no início de 1999, quando tinha os meus 23 aninhos. 19 anos se passaram & nesses 19 anos a nossa amizade só fez crescer & florescer. Pela proximidade que acabou acontecendo, o Cicero foi uma espécie de mentor intelectual. Sempre pedi muita indicação de livros & dicionários a ele, enviava dúvidas minhas a respeito de assuntos ligados à filosofia, e o Cicero, muito generoso, sempre esteve “ali”, me auxiliando nas solicitações. Foi ele quem me fez criar o meu site literário, o “Prosa Em Poema”, site que me abriu as portas para o convívio com os grandes intelectuais & escritores que, hoje, tenho a honra & o prazer de ser amigo. Foi o Cicero o meu grande padrinho nesse sentido, porque antes de tornar o site público, anunciar que a página estava no ar, escrevi a ele, pedindo a sua avaliação, e no dia seguinte estava estampada no seu site, o “Acontecimentos”, uma publicação linda, convidando os seus leitores a conhecerem a minha página, o que garantiu ao site, logo no primeiro dia do “Prosa Em Poema”, mais de 200 visualizações.

A nossa história é muito bonita. Nunca me esqueço de quando nos encontramos num lançamento de livro & ele me disse: “Paulinho, te conheci um garoto, hoje você é um homem”. E é verdade.

Uma alegria pra sempre ter, no seu segundo livro de poesia, “A cidade e os livros”, um poema dedicado a mim, poema que inclusive leva o meu nome. Já rimos muito disso.

Por isso, na sexta, quando vi o Cicero adentrando o salão nobre da ABL, de fardão, para tomar posse, eu me emocionei & chorei disfarçadamente. É o cara de uma importância sem precedentes na minha trajetória intelectual, recebendo uma homenagem mais do que merecida dos seus pares, eleito o ocupante da cadeira de número 27 da instituição. No final da noite, antes de ir embora, o Cicero me fisgou pelo olhar & num gesto discreto me chamou para sentar ao seu lado (a última foto das dispostas acima, foi o Rafael Millon, primo do Cicero, quem nos flagrou de longe). Tocado de uísque, pilequinho, sentei junto a ele & me derramei, bem confessional. A nossa amizade & o nosso amor & a nossa admiração mútua permitem essas coisas.

Foi uma noite linda ao lado de muitos amigos. Uma noite à altura de Antonio Cicero.

(Você me abre seus braços & a gente faz um país.)

Vivas a ele, salve mais uma conquista!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(do livro: A cidade e os livros. autor: Antonio Cicero. editora: Record.)

 

 

A CIDADE E OS LIVROS

para D. Vanna Piraccini

 

O Rio parecia inesgotável
àquele adolescente que era eu.
Sozinho entrar no ônibus Castelo,
saltar no fim da linha, andar sem medo
no centro da cidade proibida, 
em meio à multidão que nem notava
que eu não lhe pertencia — e de repente,
anônimo entre anônimos, notar
eufórico que sim, que pertencia
a ela, e ela a mim —, entrar em becos,
travessas, avenidas, galerias,
cinemas, livrarias: Leonardo
da Vinci Larga Rex Central Colombo
Marrecas Íris Meio-Dia Cosmos
Alfândega Cruzeiro Carioca
Marrocos Passos Civilização
Cavé Saara São José Rosário
Passeio Público Ouvidor Padrão
Vitória Lavradio Cinelândia:
lugares que antes eu nem conhecia
abriam-se em esquinas infinitas
de ruas doravante prolongáveis
por todas as cidades que existiam.
Eu só sentira algo semelhante
ao perceber que os livros dos adultos
também me interessavam: que em princípio
haviam sido escritos para mim
os livros todos. Hoje é diferente,
pois todas as cidades encolheram,
são previsíveis, dão claustrofobia
e até dariam tédio, se não fossem
os livros infinitos que contêm.

PASSAGEM (2017/2018)
10 de janeiro de 2018

(Sempre que possível, caminho do mar, meu amante maior. Mais do que alegria, mais do que presente, uma bênção estar bem juntinho dele numa virada de ciclo. 2018 e mais os que virão, e mais os que verão.)
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“Começar o ano com um poema de Ana Martins Marques mais suas fotos e seu belo sorriso é uma ótima abertura! Grande abraço, Armando”.

(Armando Freitas Filho — poeta e pesquisador)

 

 

pense em quantos acontecimentos até chegar a este acontecimento: o de poder sentar em frente ao computador e escrever uma publicação que, ao mesmo tempo, feche o ano que passou e brinde o que acabou de chegar.

apesar dos pesares, apesar da crise política e econômica que nos assola, 2017 foi um ano bastante produtivo, cheio de projetos, conquistas e realizações bonitas. muito a agradecer.

tantos momentos até chegar a este momento: muitos projetos, muitos compromissos, fechei o ano passado de trabalho e na seqüência parti para uma viagem de descanso, muitos risos e contemplação da natureza.

o início do fim de 2017: os projetos que encerraram o ano: no dia 13 de novembro, aconteceu a última edição (do ano), a 11ª, do projeto “ocupação poética”, que homenageou o poeta e designer gráfico andré vallias e contou com a participação da cantora, performer e psicanalista Numa Ciro. uma noite linda, de casa cheia, e presenças ilustres na platéia.

(o homenageado da 11ª edição da ocupação, andré vallias — foto: luciana queiroz)

(o coordenador do projeto, paulo sabino, e a cantora, performer e psicanalista numa ciro — foto: luciana queiroz)

(o homenageado da 11ª edição, andré vallias, entre os participantes paulo sabino e numa ciro — foto: luciana queiroz)

(platéia bonita no teatro cândido mendes de ipanema — foto: luciana queiroz)

(paulo sabino, numa ciro e a professora e pesquisadora da área de literatura heloisa buarque de hollanda — foto: luciana queiroz)

(paulo sabino com a artista plástica vera roesler e o poeta, letrista e filósofo antonio cicero — foto: luciana queiroz)

um mês depois da última edição de 2017 do projeto ocupação poética, no dia 14 de dezembro participei do projeto “geleia tropical – show game”, na sala baden powell, um conceito novo de espetáculo, onde a platéia é peça fundamental da noite, pois é a platéia, através de um jogo, quem escolhe a ordem de entrada dos artistas e o que cada artista apresenta.

(divulgação com a estampa do apresentador do “geleia tropical” — foto: thiago facina)

(todos os participantes do espetáculo “geleia tropical — show game”)

no dia 19 de dezembro teve repeteco do tributo em homenagem ao negro gato de arrepiar do estácio, luiz melodia, “baby te amo”, na casa de jazz blue note.

(o poeta e mestre de cerimônias do tributo ao luiz melodia “baby te amo” — foto: laura limp)

(os artistas ao final da apresentação, segurando um grafite do grande homenageado da noite — foto: laura limp)

no dia seguinte, 20 de dezembro, fechando o ano de atividades de 2017 com chave de ouro, a última edição, a 11ª, do projeto “somos tropicália”, projeto que coordenei e produzi ao lado do jornalista rafael millon ao longo de 2017, ano em que o movimento tropicalista completou os seus 50 anos. nesta última edição, casa lotada, abarrotada, de um jeito que tive que parar um pouquinho a apresentação a fim de reacomodar as pessoas no gabinete de leitura guilherme araújo. foi mágico, uma lindeza só. para o encerramento, o projeto contou com a super cantora (e minha futura professora de canto, começamos as aulas na semana próxima!) marcela mangabeira, com os instrumentistas elisio freitas e ivo senra, e com o poeta e designer gráfico andré vallias. todas as fotos a seguir, de divulgação, são da luciana queiroz.

(andré vallias, marcela mangabeira, elisio freitas, gal costa na pintura e ivo senra)

pense em quantos outros acontecimentos, em quantos outros momentos, em quantos outros projetos para chegarmos a este acontecimento, a este momento, a este projeto: o de estar sentado de frente pro computador, escrevendo uma publicação que, ao mesmo tempo, feche o ano que passou e brinde o que acabou de chegar.

pense em quantos verões até precisamente este verão, este, em que me encontrei à beira de um mar rigorosamente igual — rigorosamente igual porque a única coisa que não muda, no mar, é o fato de ele mudar o tempo inteiro.

pense em quantas tardes e praias vazias foram necessárias para chegarmos ao vazio das praias e tardes em que estive na virada do ano.

pense em quantas línguas até que a língua fosse esta, a portuguesa, pense em quantas palavras até esta palavra, esta aqui, que encerra este texto que é a tentativa de, ao mesmo tempo, fechar o ano que passou e brindar o que acabou de chegar.

pense em quantos acontecimentos e momentos e projetos nos aguardam com o andar dos passos.

2018 promete. muita coisa boa por vir. sigamos juntos.

beijo todos!
paulo sabino.
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(do livro: O livro das semelhanças. autora: Ana Martins Marques. editora: Companhia das Letras.)

 

 

Pense em quantos anos foram necessários para
………………………………………….[chegarmos a este ano
quantas cidades para chegar a esta cidade
e quantas mães, todas mortas, até tua mãe
quantas línguas até que a língua fosse esta 
e quantos verões até precisamente este verão
este em que nos encontramos neste sítio
exato
à beira de um mar rigorasamente igual
a única coisa que não muda porque muda sempre
quantas tardes e praias vazias foram necessárias
………………………………………….[para chegarmos ao vazio
desta praia nesta tarde
quantas palavras até esta palavra, esta

SOMOS TROPICÁLIA — 50 ANOS DO MOVIMENTO — 8° CICLO: ALINE PAES, ANTONIO GUERRA, ELISIO FREITAS E NUNO RAU — FOTOS, TEXTO SOBRE O EVENTO E POEMA (NUNO RAU)
17 de outubro de 2017

(Antonio Guerra, Aline Paes, Elisio Feitas e Nuno Rau — Foto de divulgação: Luciana Queiroz)

(Foto de divulgação: Luciana Queiroz)

(Foto de divulgação: Luciana Queiroz)

(Foto: Luciana Queiroz)

(Foto: Luciana Queiroz)

(Foto: Luciana Queiroz)

(Foto: Luciana Queiroz)

(Foto: Luciana Queiroz)

(Foto: Luciana Queiroz)

(Foto: Luciana Queiroz)

(Foto: Luciana Queiroz)

(Nuno Rau, Paulo Sabino, Rafael Millon, Aline Paes, Antonio Guerra e Elisio Freitas — Foto: Luciana Queiroz)
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Algumas lindas fotos de divulgação e da linda noite da 8ª edição do projeto Somos Tropicália, ocorrida no dia 27 de setembro, que reuniu esta turma divina-maravilhosa no Gabinete de Leitura Guilherme Araújo: a cantora Aline Paes, o pianista Antonio Guerra, o multi-instrumentista Elisio Freitas (na guitarra) e o poeta Nuno Rau nas intervenções poéticas! Artistas incríveis, que fizeram mais uma noite desbunde na homenagem à Tropicália! Amor da cabeça aos pés! É muito orgulho deste projeto! Nos dias 25 e 26 de outubro (quarta e quinta) voltamos com mais uma edição. É só aguardar! Oba! Junto aos artistas, os produtores e curadores do projeto Rafael Millon e Paulo Sabino.

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“Queridos e lindos e bem vindos, aqui apenas para agradecer agradecer e agradecer a presença e o talento de vocês no projeto! A minha vontade é de correr pra produzir alguma coisa com vocês, pra não perder o ‘feeling’! Tô muito feliz. E eu, já fã do trabalho de cada um, tirando o Nuno, que conheço e é um amigo, virei fã das pessoas que vocês são. Que galera mais maravilhosa e gente boa! Que alegria trabalhar assim! Como se não bastassem talentosos, também são simpáticos, calorosos e generosos! É muita lindeza, ô gloria!

Aline Paes, Antonio Guerra, Elisio Freitas e Nuno Rau, por causa de vocês, hoje eu sou amor da cabeça aos pés! Valeu demais!

Beijo nocês tudo! Agradecer e abraçar!”

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Aos interessados, o poema do Nuno que li nesta noite do projeto e que é uma pérola em forma de versos, que trata do grande silêncio que é o mundo, o mundo mudo, a existência que, por uma necessidade vital, temos que organizar em sentidos, signos e significados. Pura sofisticação!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(do livro: Mecânica aplicada. autor: Nuno Rau. editora: Patuá.)

 

POR DENTRO, POR FORA

 

SOMOS TROPICÁLIA — 50 ANOS DO MOVIMENTO — 7° CICLO: DAÍRA, CLAOS MÓZI E GIRAS GERAIS
29 de agosto de 2017

(Fotos: Floriza Rios)

(Os participantes desta edição: Daíra + Claos Mózi + Giras Gerais)
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*** Para comemorar os 50 anos da Tropicália o Gabinete de Leitura Guilherme Araújo apresentará uma série de encontros poético-musicais ao longo de 2017 ***

*** Nesta edição, a cantora Daíra e a banda Giras Gerais apresentarão músicas do repertório tropicalista, além de canções que compõem os seus repertórios, e o poeta, compositor e cantor Claos Mózi, um dos integrantes da Giras Gerais, dará o tom poético da noite com vários dos seus poemas e outros tropicalistas ***

Nos dias 30 e 31 de agosto (quarta e quinta-feira), a partir das 19h30, acontece a sétima etapa do ciclo de encontros Somos Tropicália – 50 anos do movimento, no Gabinete de Leitura Guilherme Araújo, em homenagem aos 50 anos da Tropicália: as surpreendentes e eletrificadas apresentações de Caetano Veloso e Gilberto Gil no Festival da TV Record em 1967 são consideradas o marco inicial do movimento na música, que se consolidou com a gravação de “Tropicália Ou Panis Et Circenses”, álbum-manifesto lançado no ano seguinte.

Para esta edição de agosto, o projeto tem como participantes a cantora Daíra e a banda Giras Gerais, que tem Claos Mózi, um dos integrantes da banda, como o poeta convidado. Para esta celebração poético-musical inédita, os artistas foram convidados a montar um roteiro no qual interpretarão alguns clássicos da Tropicália, sem deixar, é claro, de incluir obras autorais que se inspiram ou conversem com as influências do movimento. Junto às canções, poemas onde percebemos o legado constituído pelo Tropicalismo.

Cantora, criada nas praias oceânicas de Niterói, Daíra começou sua carreira ainda criança, cantando na TV – no programa semanal “Gente Inocente” (TV Globo), ganhando o primeiro lugar em sua primeira aparição em rede nacional – e no teatro musical. Também foi premiada em concursos e festivais até a adolescência. Aos 21 anos, foi considerada atriz revelação como protagonista no musical “Baby (broadway)”, sendo aclamada pela crítica e pelo público. Hoje se destaca na cena de música brasileira com seu disco de estreia “Flor” (2014), selecionado no Prêmio da Música Brasileira de 2015, e seu novo show só com canções de Belchior, em parceria com o selo Porangareté. Sua voz e interpretação expressivas arrebataram grandes mestres da música internacionalmente incensados, entre eles, Roberto Menescal, com quem gravou uma série de discos para o Japão e logo a convidou para gravar no programa “Som Brasil”, ao seu lado; e o maestro Arthur Verocai, que a escalou para ser sua cantora principal em seus shows dentro e fora do Brasil. Lançou recentemente uma série de vídeos ao vivo do seu show de estreia, “Flor pela Estrada”, hoje está rodando com o show “Daíra canta Belchior” e prepara dois discos para o ano que vem. “Tropicalismo foi o que eu comi no café da manhã das minhas pesquisas musicais na adolescência, e ainda almoço Gal, Bethânia e Caetano”, declara a artista.

A banda niteroiense Giras Gerais aposta num som mesclado: faz bricolagem de sons histórico-mundiais com forte influência do rock e do samba. Mantém claramente um diálogo com seus antecessores e mestres de formação: Milton Nascimento, Novos Baianos, Secos e Molhados, Caetano, Gil, Mutantes, Tom Zé, Jorge Ben, Jards Macalé, Itamar Assumpção. As poesias de Claos Mózi, porém, recriam novas paisagens sonoras e imagéticas. É formada, desde 2007, pelos seguintes componentes: Claos Mózi, compositor e cantor (e o poeta desta edioção); Ivo Vargas, cantor e violonista; Nando Rocha, cantor e guitarrista; Raphael Buzunga, baixista; Ivan Farah, cantor, percussionista, flautista e saxofonista; Pedro Brum, baterista e Elias Rosa, percussionista. Conta também com a presença quase frequente da cantora Júlia Vargas, uma importante novidade da MPB atual, apadrinhada por Ivan Lins e Milton Nascimento. Giras Gerais passou por palcos importantes como Circo Voador, Teatro Odisséia, Sesc Niterói, Godofredo Rio, entre outros. Participou de programas de TV, festivais e diversos eventos, como o projeto “Mola” e o Encontro Regional dos Estudantes de Arquitetura (EREA). O trabalho autoral consiste numa mistura das influências musicais, não devendo ser enquadrada em apenas um estilo, mas concretizando a sua propriedade no hibridismo e na originalidade musical. “Acolhemos o convite do Paulo Sabino para participar do ‘Somos Tropicália’ com muita alegria e consentimento artístico, tendo em vista o processo destrutivo por qual passa nossa cultura, sendo achatada pela indústria cultural e ignorada e coibida pelo Estado. As vozes não podem se calar! Um espaço a mais de ampliação da cultura e mostra dos novos artistas, inspirados ou não na Tropicália, é sempre uma excelente arma de resistência a tudo isso”, disparam os integrantes da Giras Gerais.

Até dezembro serão programados encontros poético-musicais que ressaltam a importância da Tropicália na música popular brasileira, com influências que reverberam até hoje no cenário do cancioneiro contemporâneo. As noites vão misturar leituras de poemas e participações musicais em releituras do repertório tropicalista por artistas e poetas de diferentes gerações – entre novos e consagrados – que de alguma forma ecoam a Tropicália em seus trabalhos e carreiras.

O projeto, sob coordenação, curadoria e produção do jornalista Rafael Millon e do poeta Paulo Sabino (também jornalista), é realizado em parceria com o Gabinete de Leitura Guilherme Araújo, e estreou oficialmente em fevereiro, reunindo a cantora Mãeana, o músico e compositor Bem Gil, e o poeta e agitador cultural Jorge Salomão. Em março o projeto recebeu os cantores e compositores Lila e Matheus VK junto com o ator e poeta Eber Inácio. Em abril se apresentou o quarteto composto pela cantora Juliana Linhares junto com cantor e compositor Mihay, o ilustre poeta Salgado Maranhão e o músico Hélio Moulin. Em maio foi a vez de Letícia Novaes e Arthur Braganti, dupla integrante da recém extinta banda “Letuce”, junto com o poeta e jornalista Luis Turiba. Em junho, o projeto recebeu a atriz cantora e compositora Mari Blue, o multi-instrumentista e pesquisador musical Marcelão De Sá, o poeta, cantor e compositor João Bernardo e o baterista, percussionista e regente Lourenço Vasconcellos. Na mais recente edição, a de julho, o projeto contou com os cantores e compositores Aline Lessa, Pedro Mann e Grillo e com a poeta, atriz e performer Betina Kopp.

Serviço:
Gabinete de Leitura Guilherme Araújo
SOMOS TROPICÁLIA – 50 anos do movimento
Agosto (7ª edição): com Daíra, Claos Mózi e Giras Gerais / Pocket-show e leitura de poesias
Dias 30/08 (4ª-feira) e 31/08 (5ª-feira)
A partir das 19h30
Rua Redentor, 157 Ipanema
Tel infos. 21-2523-1553
Entrada: R$ 1,00
Lotação: 60 lugares
Classificação: livre

SOMOS TROPICÁLIA — 50 ANOS DO MOVIMENTO — 6° CICLO: ALINE LESSA, BETINA KOPP, PEDRO MANN E GRILLO
17 de julho de 2017

(Todas as fotos: Elena Moccagatta)

(Aline Lessa)

(Betina Kopp)

(Pedro Mann)

(Grillo)

(A trupe na companhia de Guilherme Araújo)
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***Para comemorar os 50 anos da Tropicália o Gabinete de Leitura Guilherme Araújo apresentará uma série de encontros poético-musicais ao longo de 2017***

***www.facebook.com/somostropicalia/***

***Nesta edição, os cantores, compositores e instrumentistas cariocas Aline Lessa, Pedro Mann e Grillo apresentarão músicas do repertório tropicalista, além de canções autorais, na companhia da poeta, performer e atriz Betina Kopp, que apresentará ao público a sua poesia sempre acompanhada de suas performances pra lá de tropicalistas***

Nos dias 19 e 20 de julho (quarta e quinta-feira), a partir das 19h30, acontece a sexta etapa do ciclo de encontros “Somos Tropicália – 50 anos do movimento”, no Gabinete de Leitura Guilherme Araújo, em homenagem aos 50 anos da Tropicália: as surpreendentes e eletrificadas apresentações de Caetano Veloso e Gilberto Gil no Festival da TV Record em 1967 são consideradas o marco inicial do movimento na música, que se consolidou com a gravação de “Tropicália Ou Panis Et Circenses”, álbum-manifesto lançado no ano seguinte.

Para esta edição de julho, o projeto tem como participantes a cantora, compositora e instrumentista Aline Lessa, os também cantores, compositores e instrumentistas Pedro Mann e Grillo, e a poeta, performer e atriz Betina Kopp. Para esta celebração poético-musical inédita, os artistas foram convidados a montar um roteiro no qual interpretarão alguns clássicos da Tropicália, sem deixar, é claro, de incluir obras autorais que se inspiram ou conversem com as influências do movimento. Junto às canções, poemas e performances onde percebemos o legado constituído pelo Tropicalismo.

Aline Lessa, cantora, compositora e instrumentista carioca, lança pela gravadora Biscoito Fino e pelo selo Garimpo, ainda em 2017, o seu segundo álbum autoral, que contou com a produção de Domenico Lancellotti. Com uma pegada que transita entre o rock, o pop e o experimental, o disco foi construído, conceitualmente, com o auxílio de artistas de outros segmentos – do teatro e das artes visuais – e contou com músicos como Bem Gil, Elisio Freitas, Lourenço Vasconcellos, Alberto Continentino, Pablo Arruda, entre outros. Integrou por seis anos, e foi responsável por boa parte das composições, a banda de rock alternativo “Tipo Uisque”, onde também tocava teclado e fazia backings. A partir de 2014, deu um tempo nas composições em inglês e se enveredou pela carreira solo, entregando-se às influências caseiras e serestas que ouvia com o seu pai. Em 2015, nasceu seu primeiro álbum solo, que leva o seu nome, e em português. Bem recebido por crítica e público, o trabalho figurou em algumas listas de melhores do ano e recebeu atenção de veículos especializados. Também produziu o projeto “Fio”, ao lado de Elisio Freitas, onde reinterpretava canções de Chico Buarque e Vinicius de Moraes. Os videos do projeto, lançados com exclusividade pela página “Brasileiríssimos”, alcançaram milhões de visualizações.

Cantor, compositor e instrumentista, o carioca Pedro Mann vem traçando um caminho único e plural no cenário da música brasileira. Pedro é baixista há alguns anos, tendo já acompanhado e dividido o palco com Gilberto Gil, Roberta Sá, Geraldo Azevedo, Forróçacana e Pedro Luís. É fundador do “Bondesom”, grupo que vem inspirando o cenário da música instrumental carioca há mais de uma década. Com a banda tem três discos lançados: “Bondesom” (2007), “Procurando Lola” (2011) e “Três” (2014). O lado autor ganhou força e Mann começou a ser gravado por cantores como Matheus VK, Thaís Gulin, Angelo Paes Leme e Antonia Adnet. Em 2013 lançou o seu primeiro disco solo, “O Mundo Mora Logo Ali”, apresentando canções autorais e autobiográficas. No segundo semestre de 2016, Pedro Mann iniciou a turnê de seu segundo disco, “Cidade Copacabana”, produzido por Lucas Santtana e Duani. O disco representa uma expansão da consciência musical do compositor, trazendo uma sonoridade mais urbana e eletrônica. “Fiquei muito feliz com o convite para participar desse resgate estético musical. Sinto que a Tropicália influencia muito a minha arte porque é um jeito de ver o mundo com ousadia, integrando as nossas polaridades num caldeirão alquímico e transformando a mistura em algo genuíno. Acho que o resgate do espírito tropicalista é de extrema importância nos dias de hoje, onde a intolerância está dando as caras”, dispara.

Depois de seu primeiro CD e DVD “História de Samba”, o cantor e compositor carioca Grillo assume agora o rótulo de “MPB pra dançar” e lança este ano seu novo EP autoral “O Baile Chegou”. Neste trabalho, as suas referências de samba e bossa nova se misturam a ritmos como soul, charme e rap. Sopros e beatboxes se entrelaçam às percussões de mestre Marçal sob a produção musical do DJ Meme. As canções falam sobre gratidão, festas e amores perdidos. Exaltam o empoderamento feminino e celebram a diversidade e o amor. “Na minha visão o movimento da Tropicália representou um marco na história da música brasileira. A introdução de guitarras, a ousadia das letras super antenadas com a política da época e as cores nas roupas, cenários e artes de capa, revelavam o nascimento de uma atitude comportamental de liberdade cultural da qual os jovens podiam finalmente se apropriar sem perder o seu sotaque tupiniquim”, avalia o artista.

Betina Kopp é poeta, performer, apresentadora e atriz formada pela CAL. Artista múltipla, criou as performances “Corpinturadas”, “PQP – Poesia Que Para”, “Poesia Para Degustar” e “Poiesis”, apresentando-se nos mais variados lugares, como em festivais de arte e cultura na Bahia e em Pernambuco, no Complexo do Alemão (Rio de Janeiro) e na PUC de diversos estados (RJ, PR, RS). No teatro, participou de trabalhos onde se destacam “Diálogos com Lorca”, dirigida por Lu Grimaldi, “Contos de amor e morte”, dirigida por José Luiz Junior, e “Vão Paraíso” e “Escola de Molières”, ambas dirigidas por Amir Haddad. Integrante da Companhia Bando, atua no espetáculo de dança-teatro “Revoada”. Fez participações em variadas produções de televisão (programas, séries e novelas). Integrante do grupo “Voluntários da Pátria”, coletivo que promove o projeto dinâmico que mistura música e poesia para jovens e que circulou por 11 estados do país, Betina Kopp gravou os áudio-livros “Baú do Raul”, “A cabeça de Medusa” e “Morangos Mofados”, além de ter publicado seu livro de poesia “Beco” (Rubra Editora). “O Tropicalismo permanece vivo, ecoa inspirações e alimenta criações. Participar desta homenagem é uma honra. Rever nossa história é necessário, vibrar as influências e fazer reverberar a resistência que é ser artista em qualquer época”, afirma a artista.

O projeto, sob coordenação, curadoria e produção do jornalista Rafael Millon e do poeta Paulo Sabino (também jornalista), é realizado em parceria com o Gabinete de Leitura Guilherme Araújo, e estreou oficialmente em fevereiro, reunindo a cantora Mãeana, o músico e compositor Bem Gil, e o poeta e agitador cultural Jorge Salomão. Em março o projeto recebeu os cantores e compositores Lila e Matheus VK junto com o ator e poeta Eber Inácio. Em abril se apresentou o quarteto composto pela cantora Juliana Linhares junto com cantor e compositor Mihay, o ilustre poeta Salgado Maranhão e o músico Helio Moulin. Em maio foi a vez de Letícia Novaes e Arthur Braganti, dupla integrante da recém extinta banda “Letuce”, junto com o poeta e jornalista Luis Turiba. Em junho, a mais recente edição recebeu a atriz cantora e compositora Mari Blue, o multi-instrumentista e pesquisador musical Marcelão De Sá, o poeta, cantor e compositor João Bernardo e o baterista, percussionista e regente Lourenço Vasconcellos. 

Aguardamos vocês!

Serviço:


Gabinete de Leitura Guilherme Araújo apresenta —

SOMOS TROPICÁLIA – 50 anos do movimento

Julho: com Aline Lessa, Pedro Mann, Grillo e Betina Kopp / Pocket-show e leitura de poesias
Dias 19/07 (4ª-feira) e 20/07 (5ª-feira)
A partir das 19h30
Rua Redentor, 157 Ipanema
Tel infos. 21-2523-1553
Entrada: R$ 1,00
Lotação: 60 lugares
Classificação: livre

Link do evento no Facebook: http://www.facebook.com/events/133368910584620/
Página do projeto no Facebook: http://www.facebook.com/somostropicalia/

SOMOS TROPICÁLIA — 50 ANOS DO MOVIMENTO — 5º CICLO: MARI BLUE, JOÃO BERNARDO, MARCELÃO DE SÁ E LOURENÇO VASCONCELLOS — O CREDO (MARI BLUE)
19 de junho de 2017

(Os participantes da 5ª edição: da esquerda para direita: Marcelão De Sá, Mari Blue, João Bernardo e Lourenço Vasconcellos — Fotos: Elena Moccagatta)

(Nota da coluna “Parada Obrigatória”, da revista “Zona Sul”, jornal O Globo)
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*** Para comemorar os 50 anos da Tropicália o Gabinete de Leitura Guilherme Araújo apresentará uma série de encontros poético-musicais ao longo de 2017 ***

*** www.facebook.com/somostropicalia/ ***

Nesta edição, a atriz, cantora e compositora Mari Blue e o cantor e compositor João Bernardo apresentarão músicas do repertório tropicalista, acompanhados do percussionista e compositor Lourenço Vasconcellos e do músico Marcelão de Sá, que, além de tocar, fará uma apresentação mostrando ao público algumas pérolas tropicalistas escondidas pelo tempo

Nos dias 21 e 22 de junho (quarta e quinta-feira), a partir das 19h30, acontece a quinta etapa do ciclo de encontros “Somos Tropicália – 50 anos do movimento”, no Gabinete de Leitura Guilherme Araújo, em homenagem aos 50 anos da Tropicália: as surpreendentes e eletrificadas apresentações de Caetano Veloso e Gilberto Gil no Festival da TV Record em 1967 são consideradas o marco inicial do movimento na música, que se consolidou com a gravação de “Tropicália Ou Panis Et Circenses”, álbum-manifesto lançado no ano seguinte.

Para esta edição de junho, o projeto tem como participantes a cantora, compositora e atriz Mari Blue, o cantor e compositor João Bernardo, o percussionista e compositor Lourenço Vasconcellos e o músico Marcelão de Sá. Para esta celebração poético-musical inédita, os artistas foram convidados a montar um roteiro no qual interpretarão alguns clássicos da Tropicália e outras famosas canções lançadas bem depois do movimento mas que preservam o espírito tropicalista. Isso sem deixar, é claro, de incluir obras autorais que se inspiram ou conversem com as influências do movimento. E também, antes do início do show, o músico Marcelão de Sá fará uma apresentação na qual mostrará pérolas tropicalistas escondidas do grande público, através de alguns dos vários vinis da sua coleção pessoal, verdadeiras raridades.

Mari Blue é destaque da cena da música independente. Radicada no Rio, a mineira é uma artista versátil, elogiada por artistas consagrados como Marina Lima e Kiko Loureiro. Iniciou sua carreira no teatro (estudou Artes Cênicas na Unirio e UFRJ), mas se aprofundou na música. Tem três álbuns lançados e vem sendo premiada em importantes festivais como o Festival Nacional da Canção, o Festival da Canção Francesa, o Femurc e o Festival de Clipes e Bandas, onde recebeu três prêmios em 2017. Também fará parte este ano do WebFestiValda, que acontecerá em julho. “Para mim, participar do ‘Somos Tropicália’ é uma celebração de um encontro artístico que aconteceu no passado através de um outro encontro presente”, declara a artista.

João Bernardo é poeta, cantor e compositor. Assim como a Mari Blue, é mineiro (de BH) radicado no Rio. Com 3 cds gravados e com lançamento agendado para novembro no Teatro Ipanema do seu quarto disco, João vem sendo gravado por vários artistas da nova geração, como Mãeana, Liniker, Duda Brack, Ana Ratto, Julia Bosco, Ana Clara Horta com Pedro Luis, Matheus von Kruger, entre outros. Ganhou o prêmio de Melhor canção de 2016 das rádios MEC e Nacional, e sua música “Queria me enjoar de você” se tornou um webhit após o lançamento do vídeo realizado pela cineasta Clara Cavour. A música ganhou vários covers país afora. “Gil e Caetano estão entre os artistas que mais escutei e que mais me influenciaram vida afora. Revolucionários na música e no comportamento, deram um ‘chega pra lá’ na caretice nacional. A MPB nunca mais foi a mesma. Poder celebrar os 50 anos do movimento na casa do Guilherme Araújo é pra mim simbólico demais. Sinto afinidade total”, alegra-se ao falar.

Marcelão De Sá toca desde os 9 anos de idade. Participou de várias bandas na década de 90, a mais atual sendo a “Dinda”, ao lado de João Bernardo, participante desta edição do projeto. Ao longo da sua carreira, tocou com grandes artistas, entre eles Caetano Veloso, Gilberto Gil e Jards Macalé. Há 4 anos integra a banda de Jorge Mautner, acompanhando o poeta e cantor também em suas apresentações no formato voz e violão. “Linda oportunidade participar desse encontro divino maravilhoso! Dividir minha pesquisa e paixão por essa fase de nossa história”, diz com entusiasmo.

Lourenço Vasconcellos é baterista, percussionista e compositor, formado em Composição pela UFRJ e mestre em Jazz Studies, com foco em bateria, pela University of Louisville (UofL), EUA. Entre 2010 e 2013, integrou a Orquestra Corações Futuristas, que acompanhou o compositor e multi-instrumentista Egberto Gismonti em concertos por diversas cidades brasileiras e também na Bélgica, no Festival Europalia. Além de colaborar com o trabalho de diversos instrumentistas e cantoras cariocas, como Gabriel Geszti, Glaucus Linx e Andreia Mota, dedica-se aos seus próprios grupos “Relógio de Dalí”, “Quintal dos Ipês” e a “Banda Taranta”. Lourenço também é baterista do projeto “Iara Ira”, que reúne três grandes e jovens cantoras brasileiras, Juliana Linhares, Julia Vargas e Duda Brack. Com frequência integra o naipe de percussão da OSB como músico convidado. Atualmente é diretor musical e regente da Orquestra de sopros da Pró-Arte.

Venham todos!

De presente, abaixo, vídeo, da Mari Blue, fazendo, ao vivo, a sua belíssima — e com toque tropicalista — “O credo”, onde afirma gostar de opostos, onde afirma ter os contrários como complementares.

 

Serviço:

Gabinete de Leitura Guilherme Araújo apresenta –

SOMOS TROPICÁLIA – 50 anos do movimento

Pocket-show com Mari Blue, João Bernardo, Marcelão de Sá e Lourenço Vasconcellos / apresentação de músicas e vinis raros da tropicália por Marcelão de Sá
Dias 21/06 (4ª-feira) e 22/06 (5ª-feira)
A partir das 19h30
Rua Redentor, 157 Ipanema
Tel infos. 21-2523-1553
Entrada: R$ 1,00
Lotação: 60 lugares
Classificação: livre

Link do evento no Facebook: http://www.facebook.com/events/174187333116941/
Página do projeto no Facebook: http://www.facebook.com/somostropicalia/

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(do site: Yourube. artista e intérprete: Mari Blue. canção: O Credo. autora: Mari Blue.)

O CREDO  (Mari Blue)

me apetece a falta de estética
a falta de pretensão
as formas menos artísticas
a falta de didática
eu gosto de tirar a razão da ética
da falta de programação
eu gosto de quem  não gosta de ler
mas tem opinião
o que é real existe mas não existia
assim como quem é normal
meu almoço não é mingau
o vizinho me espia
eu gosto de liberdade
de ter o meu próprio perdão
eu não acredito na verdade
eu não tenho religião

me apetece um toque de estética
um pouco de pretensão
as muitas formas artísticas
a calma da didática
eu gosto de valorizar a ética
fazer e ter programação
eu gosto de quem gosta de ler
e tem opinião
o que é real existe mas não existia
assim como quem é normal
meu almoço não é mingau
o vizinho me espia
eu gosto de liberdade
de ter o meu próprio perdão
eu não acredito na verdade
eu não tenho religião

sim
me apetece a convicção
não dar poder
ao pudor
estender a mão

ter respeito
se não tem
amor
cuidar
aceitar o dever
fazer da dúvida a conclusão

SOMOS TROPICÁLIA — 50 ANOS DO MOVIMENTO — 4º CICLO: LETÍCIA NOVAES, ARTHUR BRAGANTI E LUIS TURIBA — JÓIA (CAETANO VELOSO)
24 de maio de 2017

(Letícia Novaes — Foto: Ana Alexandrino)

(Arthur Braganti — Foto: Ana Alexandrino)

(Luis Turiba — Foto: Ana Alexandrino)

(Os participantes + Caetano Veloso, Guilherme Araújo e Gal Costa — Foto: Ana Alexandrino)

(Nota na coluna “Gente Boa”, do caderno cultural do jornal O Globo)
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*** Para comemorar os 50 anos da Tropicália o Gabinete de Leitura Guilherme Araújo apresentará uma série de encontros poético-musicais ao longo de 2017 ***

*** www.facebook.com/somostropicalia/ ***

Nos dias 31 de maio e 01 de junho (quarta e quinta-feira), a partir das 19h30, acontece a quarta etapa do ciclo de encontros “Somos Tropicália – 50 anos do movimento”, no Gabinete de Leitura Guilherme Araújo, em homenagem aos 50 anos da Tropicália: as surpreendentes e eletrificadas apresentações de Caetano Veloso e Gilberto Gil no Festival da TV Record em 1967 são consideradas o marco inicial do movimento na música, que se consolidou com a gravação de “Tropicália Ou Panis Et Circenses”, álbum-manifesto lançado no ano seguinte.

Nesta edição de maio o projeto tem como participantes a cantora, compositora e atriz Letícia Novaes, o músico e compositor Arthur Braganti, o poeta e jornalista Luis Turiba. A noite também conta com a participação especial de Natália Carrera, guitarrista e produtora musical do novo álbum de Letícia, “Letrux Em Noite de Climão”, que será lançado em breve.

Para esta celebração poético-musical inédita os artistas foram convidados a montar um roteiro com sabor tropicalista no qual misturam textos, canções e referências de diferentes épocas e estilos e no qual entrarão sucessos de Caetano, Mutantes, Carmem Miranda, Torquato Neto e Edu Lobo e até Berlin (aquela do Take My Breath Awaaaay, hit do New Wave nos anos 80). Sem deixarem, é claro, de incluir músicas e poesias autorais que se inspiram ou conversem com as influências do movimento, como o samba “Mistura Tropicalista”, enredo que o Turiba compôs para o carnaval do bloco Mistura de Santa.

Letícia e Arthur são destaques da cena da música independente. Até pouco tempo atrás Letícia foi líder da recém extinta banda “Letuce”, um dos principais grupos deste cenário na última década, e do qual Arthur também foi integrante nos últimos anos. Multiartista reconhecida e de personalidade marcante, Letícia sempre demonstrou ter espírito tropicalista, conferindo uma assinatura própria aos resultados. “Minha carreira sempre foi uma miscelânea curiosa entre literatura, teatro e música. Sempre brinquei com as coisas mais tradicionais e ‘clássicas’ brasileiras, como o próprio pagode, que fiz versões dentro da ‘nova mpb’. Sempre me utilizei de referências cinematográficas ou teatrais, mesmo para fazer um show musical. E além disso, nunca tive nenhum temor às referências ‘gringas’, pelo contrário, abraço tudo que me emociona, seja na língua mãe ou numa língua amiga”, se diverte a artista.

E Turiba, que possui cinco livros de poesia publicados, entre eles o mais recente, “QTais”, é ganhador de dois prêmios “Esso de jornalismo”, e é um importante nome da literatura e do jornalismo brasileiros. Entusiasta e freqüentador de saraus poéticos, suas atuações em leituras de poesias são sempre potentes e cativantes, transmitindo a alegria e a animação que lhe são características. Seu bloco de carnaval no Rio de Janeiro, o “Mistura de Santa”, desfilou em 2016 com o enredo “Mistura Tropicalista”, um samba de sua autoria que ele apresentará ao público do projeto. Além disso, ele também é idealizador do Café Tropicália na 33ª Feira de Livro de Brasília, em 2017. “O Tropicalismo foi o mais importante movimento cultural da última metade do século passado. Combateu a ditadura esteticamente e revolucionou a linguagem poética brasileira com Torquato Neto à frente, como letrista de Gil, Caetano, Edu Lobo. Foi um movimento que misturou tudo: passado, presente, cinema, teatro, poesia e artes plásticas. Foi reprimidíssimo, durou pouco, mas seus ecos podem ser ouvidos até hoje”, explica Turiba.

Em junho o projeto, que tem entrada franca e se realiza sem qualquer tipo de apoio ou patrocínio, receberá a cantora Zabelê e o cantor, compositor e poeta Moraes Moreira.

Venham todos!

 

Serviço:

Gabinete de Leitura Guilherme Araújo apresenta –

SOMOS TROPICÁLIA – 50 anos do movimento

Letícia Novaes, Arthur Braganti e Luis Turiba – part.: Natália Carrera / Pocket-show e leitura de poesias
Dias 31/05 (4ª-feira) e 01/06 (5ª-feira)
A partir das 19h30
Rua Redentor, 157 Ipanema
Tel infos. 21-2523-1553
Entrada franca c/ contribuição voluntária
Lotação: 60 lugares
Classificação: livre

Link do evento no Facebook: http://www.facebook.com/events/1948758825346169/
Página do projeto no Facebook: http://www.facebook.com/somostropicalia/

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(do livro: Sobre as letras. organização e notas: Eucanaã Ferraz. comentários: Caetano Veloso.)

 

JÓIA

Deu título ao disco. É um negócio pequeno mas bonito. Fala de uma menina específica, Claudinha O’Reilegh. A gente ia ver o sol nascer em Copacabana todo dia de manhã, antes de dormir, e ela tomava coca-cola.
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jóia: objeto de material valioso trabalhado com esmero, com todo o cuidado e atenção; pessoa ou coisa muito querida ou boa; algo bacana, bonito, excelente.

uma jóia da vida: uma cena da vida: beira de maré na américa do sul. um selvagem (diz-se daquele que vive nas selvas, afastado dos aglomerados urbanos) levanta o braço, abre a mão e tira um caju para seu deleite: um momento, uma cena da vida, de grande amor: uma jóia existencial. o prazer de viver um momento de grande amor: deliciar-se com um caju colhido ao pé da árvore, ao alcance da mão.

uma jóia da vida: uma cena da vida: copacabana — palavra indígena, o nome de um bairro movimentadíssimo, além de muito extenso, na cidade do rio de janeiro; copacabana, a princesinha do mar: louca total, completamente louca, princesinha agitada, tumultuada, o avesso do que se imagina nas selvas, lugares de palavra indígena. em copacabana, ao nascer do sol, de frente pro mar (beira de maré na américa do sul), a menina, muito contente, feliz, satisfeita, toca a coca-cola na boca: um momento, uma cena da vida, de puro amor: uma jóia existencial. o prazer de viver um momento de puro amor: deliciar-se com uma coca-cola enquanto assiste ao nascer do sol.

uma jóia da vida: uma cena da vida: seja na selva, seja na cidade; seja um selvagem (diz-se daquele que vive nas selvas, afastado dos aglomerados urbanos), seja a menina de um grande centro urbano; seja um caju, fruto da natureza, seja uma coca-cola, fruto da indústria: vivenciar momentos, cenas, de grande e puro amor: eis a grande jóia da vida.

beijo todos!
paulo sabino.
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(do livro: Letra só. seleção e organização: Eucanaã Ferraz. autor: Caetano Veloso. editora: Companhia das Letras.)

 

 

JÓIA

 

Beira de mar
Beira de mar
Beira de maré na América do Sul
Um selvagem levanta o braço
Abre a mão e tira um caju
Um momento de grande amor
De grande amor

Copacabana
Copacabana
Louca total e completamente louca
A menina muito contente
Toca a coca-cola na boca
Um momento de puro amor
De puro amor
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(do site: Youtube. áudio extraído do álbum: Jóia. artista e intérprete: Caetano Veloso. canção: Jóia. autor: Caetano Veloso. gravadora: PolyGram.)

OCUPAÇÃO POÉTICA — TEATRO CÂNDIDO MENDES (9ª EDIÇÃO) — ABEL SILVA E CONVIDADOS — O EVENTO & FOTOS
19 de maio de 2017

(Antes do início da apresentação, enquanto o público que não lotou, mas abarrotou a casa, se acomodava — Foto: Elena Moccagatta)

(O coordenador do projeto, Paulo Sabino — Foto: Chico Lobo)

(Foto: Rafael Roesler Millon)

(Foto: Elena Moccagatta)

(Foto: Elena Moccagatta)

(Foto: Elena Moccagatta)

(Paulo Sabino e Antonio Cicero — Foto: Elena Moccagatta)

(Antonio Cicero — Foto: Elena Moccagatta)

(Foto: Elena Moccagatta)

(Antonio Cicero e Tessy Callado — Foto: Elena Moccagatta)

(Foto: Elena Moccagatta)

(Tessy Callado — Foto: Elena Moccagatta)

(Foto: Elena Moccagatta)

(Christovam de Chevalier — Foto: Elena Moccagatta)

(Foto: Elena Moccagatta)

(Elisa Lucinda — Foto: Elena Moccagatta)

(Foto: Elena Moccagatta)

(André Trindade Silva — Foto: Elena Moccagatta)

(Foto: Elena Moccagatta)

(O grande homenageado da noite, o poeta e letrista Abel Silva — Foto: Elena Moccagatta)

(Foto: Elena Moccagatta)

(Abel Silva e Zé Carlos — Foto: Elena Moccagatta)

(Foto: Elena Moccagatta)

(Um dos grandes parceiros do homenageado, Geraldo Azevedo — Foto: Elena Moccagatta)

(Foto: Elena Moccagatta)

(Os participantes + o homenageado + o poeta-compositor Ronaldo Bastos, um dos ilustres da platéia — da esquerda para a direita: Paulo Sabino, Christovam de Chevalier, André Trindade Silva, Abel Silva, Elisa Lucinda, Zé Carlos, Antonio Cicero, Tessy Callado, Ronaldo Bastos e Geraldo Azevedo — Foto: Rafael Millon)

(Da esquerda para a direita: Paulo Sabino, Christovam de Chevalier, André Trindade Silva, Abel Silva, Elisa Lucinda, Zé Carlos e Antonio Cicero — Foto: Elena Moccagatta)

(Da esquerda para a direita: Abel Silva, Elisa Lucinda, Zé Carlos, Antonio Cicero, Tessy Callado, Ronaldo Bastos e Geraldo Azevedo — Foto: Elena Moccagatta)

(Após o evento: Geraldo Azevedo e Elisa Lucinda — Foto: Elena Moccagatta)

(Elisa Lucinda, Tessy Callado, Paulo Sabino e Christovam de Chevalier — Foto: Rafael Millon)

(Geraldo Azevedo e Paulo Sabino — Foto: Elena Moccagatta)

(Paulo Sabino, Geraldo Azevedo e Abel Silva — Foto: Elena Moccagatta)

(Paulo Sabino, Geraldo Azevedo, Abel Silva e Elisa Lucinda — Foto: Elena Moccagatta)

(Matéria de página inteira na revista “Zona Sul” do jornal “O Globo”)

(Destaque na página do “Rio Show”, caderno cultural do jornal “O Globo”)

(Destaque na coluna “Gente Boa”, caderno cultural do jornal “O Globo”)
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Caramba, caramba, caramba! Até agora meio zonzo, meio astronauta, depois da noite de 15 de maio, segunda-feira, na 9ª edição do projeto Ocupação Poética, no teatro Cândido Mendes de Ipanema, em homenagem ao poeta e letrista da música popular brasileira Abel Silva.

A casa não estava lotada; estava abarrotada de gente. Público quente, participativo, generoso, interessado e muito querido. Tanta coisa, tanta coisa, que nem sei… Agora, aqui no peito, só agradecimento e contentamento. A única coisa que desejo é produzir a próxima Ocupação Poética o mais rápido possível! Quero mais! Preciso de mais! Valeu por tudo!

Agradecer demais a todos que tornam possível este acontecimento que me é tão feliz: aos administradores do espaço, Fernanda Oliveira e Adil Tiscatti; ao meu super assessor de imprensa, que consegue nos colocar nos melhores espaços da mídia (jornais, rádios, sites), Rafael Millon; à fotógrafa do projeto, a querida Elena Moccagatta; ao artista plástico Chico Lobo, por fazer sempre as camisetas que utilizo nos meus projetos; ao técnico de som e luz, Pedro Paulo Thimoteo; a toda equipe do teatro; aos queridos e super participantes: Christovam de Chevalier, André Trindade Silva, Elisa Lucinda, Zé Carlos, Antonio Cicero, Tessy Callado e Geraldo Azevedo; ao grande homenageado da noite, o poeta, letrista e querido amigo Abel Silva. Ao público, que lotou a casa para nos prestigiar e prestigiar a poesia.

A vocês, de presente, um poema que, por problema de esquecimento do livro, não pôde ser lido na noite por mim.
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não é à base de instrumentos e ferramentas que demandem força, dor, susto, brutalidade, que armo a minha mão à feitura do poema. à feitura do poema, armo a minha mão a toque singelo, toque suave, delicado — um sopro de maresia, um susto de lucidez e luz no silêncio. pois é justamente o toque delicado, suave, singelo — um sopro de maresia, um susto de lucidez e luz no silêncio — que faz cantar na travessia, que é a nossa passagem pelo mundo, aquilo que é mudo, aquilo que não fala, que não diz, aquilo que apenas cala: o mundo, a realidade que nos cerca: a planta, o bicho, a água, a pedra, nenhum elemento natural nos diz, nos responde, nada sobre a existência, nada sobre o estar no mundo. ainda assim, cantamos — em verso e prosa — a existência, cantamos o mundo em poesia, crônica, conto, romance. eis a magia da palavra.

beijo todos!
paulo sabino.
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(do livro: poemAteu. autor: Abel Silva. editora: 7Letras.)

 

 

NASCIMENTO DO POEMA

 

Não é a esmeril
serrote ou formão
que armo a minha mão
à espera da poesia

nem a fórceps como nasci
placento de pavor
pra luz daquele dia

mas a toque singelo
sopro de maresia
susto no silêncio

que faz a ponte pênsil
do mudo em seu flagelo
cantar na travessia

SOMOS TROPICÁLIA — 50 ANOS DO MOVIMENTO — 3º CICLO: JULIANA LINHARES, MIHAY, HELIO MOULIN E SALGADO MARANHÃO — PARQUE INDUSTRIAL (TOM ZÉ)
25 de abril de 2017

(Os participantes com Gal e Caetano)

(Os participantes — em pé: Salgado Maranhão e Juliana Linhares, sentados: Helio Moulin e Mihay — com o busto do Guilherme Araújo e a fotografia da Gal — Todas as fotos: Elena Moccagatta)

(Na “Agenda da semana” do caderno cultural do jornal O Globo, um dia antes da estréia)

(Na coluna “Gente Boa”, do caderno cultural do jornal O Globo)
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Alô alô! Alegria alegria! É chegada a hora! Amanhã, quarta-feira (26/04), estréia da 3ª etapa de encontros do projeto “Somos Tropicália”, com a atriz e cantora Juliana Linhares (cantora e integrante da banda “Pietá” e do projeto “Iara Ira”, ao lado das cantoras Júlia Vargas e Duda Brack), o cantor, compositor e videomaker Mihay (o Mihay já cantou com o Chico César, excursionou com o João Donato, e tem, no seu segundo disco, participação da Tulipa Ruiz, Mariana Aydar, do Robertinho Silva, Kassin, e do próprio João Donato, entre outros), o instrumentista-violonista Helio Moulin (o Hélio é filho do monstro violonista e guitarrista da música popular brasileira e do jazz Helio Delmiro, que tocou com Elis Regina, Clara Nunes, Milton Nascimento, a diva da música norte-americana Sarah Vaughan, entre outros), e o poeta vencedor do prêmio Jabuti de poesia (o mais importante prêmio literário, pelo seu belíssimo livro “Ópera de nãos”) Salgado Maranhão.

Abaixo: o serviço completo (datas, horário, local), um vídeo feito pelo Mihay depois de um dos ensaios que ele, a Juliana Linhares (a musa do vídeo) e o Helinho Moulin fizeram para as apresentações, e um poema-canção de um gênio tropicalista.

Venham todos!

 

Serviço:

Gabinete de Leitura Guilherme Araújo apresenta –

SOMOS TROPICÁLIA – 50 anos do movimento

Juliana Linhares, Mihay, Helio Moulin e Salgado Maranhão / Pocket-show e leitura de poesias
Dias 26/04 (4ª-feira) e 27/04 (5ª-feira)
A partir das 19h30
Rua Redentor, 157 Ipanema
Tel infos. 21-2523-1553
Entrada franca c/ contribuição voluntária
Lotação: 60 lugares
Classificação: livre

Link do evento no Facebook: http://www.facebook.com/events/1881892262099199/
Página do projeto no Facebook: http://www.facebook.com/somostropicalia/

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(do site: Youtube. projeto: Somos Tropicália. participações: Juliana Linhares, Mihay, Helio Moulin e Salgado Maranhão. vídeo: Mihay. no vídeo: Juliana Linhares.)

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parque industrial: área urbanizada destinada a indústrias. mas, sob a luz tropicalista, “parque industrial” pode ser entendido como um lugar de diversão (a que são destinados os parques não-industriais), um lugar de distração, porém distração tamanha que chega a ser alienante.

parque industrial: lugar de desenvolvimento tecnológico, porém, no brasil, sob a luz tropicalista, um lugar de desenvolvimento subdesenvolvido, capenga, deficitário, pois abandona a sua população à miséria e ao subdesenvolvimento.

o “parque” industrial, o avanço da industrialização, como a salvação da lavoura: é o que vem trazer nossa redenção, nossa salvação.

temos as propagandas da indústria, enganosas, vendendo felicidade em prestações a perder de vista, distribuindo alegria padronizada e enlatada, produzindo alienação com seus reality shows e seus debates que em nada interessam.

a revista moralista, veja você, a revista lida e mantida pelo cidadão de bem, traz uma lista dos pecados da vedete, mulher que cantava e dançava nos antigos teatros-revistas e musicais. porém, não lista a violência que escorre solta nas páginas dos jornais (um banco de sangue encadernado), a violência, essa, sim, capaz de machucar, maltratar, torturar, sangrar, matar.

e, no fim das contas, tudo isso, todos os (d)efeitos colaterais são feitos aqui, no brasil, ou, como se coloca nos produtos industrias a fim de identificar a sua origem de fabricação, “made in brazil”, feito no brasil, todos os (d)efeitos colaterais desse tipo de organização econômica (que acaba por ditar a social) são produzidos pelo avanço industrial, pelo parque industrial, por esse tipo de organização consumista, onde tudo, no fim das contas, não passa de “venda e compra”.

o parque industrial: vem trazer nossa redenção?…

beijo todos!
paulo sabino.
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(do encarte do álbum: Tropicália ou Panis et circenses. autor: Tom Zé.)

 

 

PARQUE INDUSTRIAL

 

Retocai o céu de anil
Bandeirolas no cordão
Grande festa em toda a nação
Despertai com orações
O avanço industrial
Vem trazer nossa redenção

Tem garotas-propaganda
Aeromoças e ternura no cartaz
Basta olhar na parede minha alegria
Num instante se refaz

Pois temos o sorriso engarrafado
Já vem pronto e tabelado
É somente requentar e usar
É somente requentar e usar
Porque é made, made, made, made in Brazil

Retocai o céu de anil
Bandeirolas no cordão
Grande festa em toda a nação
Despertai com orações
O avanço industrial
Vem trazer nossa redenção

A revista moralista
Traz uma lista
Dos pecados da vedete
E tem jornal popular
Que nunca se espreme
Porque pode derramar

É um banco de sangue encadernado
Já vem pronto e tabelado
É somente folhear e usar
É somente folhear e usar

Porque é made, made, made, made in Brazil
Porque é made-made-made-made in Brazil
Porque é made-made-made-made in Brazil
Made in Brazil
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(do site: Youtube. álbum: Tropicália ou Panis et circenses. artista: Vários. canção: Parque Industrial. autor: Tom Zé. intérpretes: Gilberto Gil, Gal Costa, Caetano Veloso e Mutantes. gravadora: PolyGram.)