OCUPAÇÃO POÉTICA — TEATRO CÂNDIDO MENDES (8ª EDIÇÃO) — O EVENTO: FOTOS & POEMAS
11 de dezembro de 2016

ocupacao-poetica_8a-edicao_rafa-1

(No camarim, antes da apresentação, da esquerda para direita: Cristina Flores, Renata Corrêa, Paulo Sabino, Maria Rezende, Elizeu Braga, Renato Farias, Pedro Mann, Emílio Dantas & Leo Pinheiro — Foto: Rafael Millon)

_dns7908

(O coordenador do projeto, Paulo Sabino — Foto: Elena Moccagatta)

_dns7931

(Foto: Elena Moccagatta)

_dns7933

(Foto: Elena Moccagatta)

_dns7949

(A grande homenageada da noite, Maria Rezende, e o coordenador do projeto, Paulo Sabino — Foto: Elena Moccagatta)

_dns7959

(Foto: Elena Moccagatta)

_dns7972

(Foto: Elena Moccagatta)

_dns7975

(Foto: Elena Moccagatta)

15326445_10208851901549751_1220379732037999050_n

(A homenageada da noite, Maria Rezende — Foto: Elena Moccagatta)

_dns7984

(Foto: Elena Moccagatta)

15380513_10208851907269894_188888743442497557_n

(Foto: Elena Moccagatta)

_dns8018

(Renata Corrêa — Foto: Elena Moccagatta)

_dns8049

(Renato Farias — Foto: Elena Moccagatta)

_dns8064

(Mariza Leão — Foto: Elena Moccagatta)

_dns8103

(Emílio Dantas — Foto: Elena Moccagatta)

_dns8149

(Emílio Dantas & Leo Pinheiro — Foto: Elena Moccagatta)

_dns8199

(Pedro Mann — Foto: Elena Moccagatta)

_dns8234

(Cristina Flores — Foto: Elena Moccagatta)

_dns8266

(Elizeu Braga — Foto: Elena Moccagatta)

ocupacao-poetica_8a-edicao_rafa-3

(Os agradecimentos ao final — da esquerda para direita: Leo Pinheiro, Emílio Dantas, Maria Rezende, Paulo Sabino, Renato Farias, Cristina Flores, Elizeu Braga, Renata Corrêa & Pedro Mann — Foto: Rafael Millon)

ocupacao-poetica_8a-edicao_rafa-5

(Após apresentação, Emílio Dantas, Paulo Sabino & Renata Corrêa — Foto: Rafael Millon)

ocupacao-poetica_8a-edicao_rafa-6

(Após apresentação, Paulo Sabino & Pedro Mann — Foto: Rafael Millon)

ocupacao-poetica_8a-edicao_rafa-7

(Após apresentação, Elizeu Braga, Paulo Sabino, Renato Farias & Mariza Leão — Foto: Rafael Millon)

_dns8314

(Após a apresentação, Paulo Sabino & Maria Rezende — Foto: Elena Moccagatta)

ocupacao-poetica_8a-edicao_rafa-8

(Após tudo, no lançamento do mais recente livro de poesia da Elisa: Maria Rezende, Elisa Lucinda & Paulo Sabino — Foto: Rafael Millon)
______________________________________________________

Uma pessoa nua no meio da rua
sem ser sonho
é o quê?
Pessoa desarmada
apta pra tropeços

Não há maravilha sem carne
Só o que pulsa se espatifa
É preciso estar vivo pra brilhar e pra doer

 

Que noite. Nem sei. Tô astronauta ainda. Transbordada. Agradeço loucamente a todos os convidados que aceitaram estar lá comigo e me emocionaram profundamente. Obrigada Paulinho pelo convite. Eu sou puro amor agora.

(Maria Rezende)

 

 

Queridos & Queridas,

A 8ª edição do projeto Ocupação Poética, no teatro Cândido Mendes (Ipanema), a última de 2016, em homenagem à jovem & talentosa poeta Maria Rezende (agora, ao usar o termo “jovem”, me lembro demais do seu pai, Maria!) & com participantes pra lá de especiais, fechou o ano com chave de ouro maciço! Foi realmente impactante pra todos nós que participamos e que assistimos. Como eu & a Maria resolvemos não “amarrar” muito o roteiro da noite, deixamos a edição bem solta, fluir com o andar dos minutos, e a apresentação colocou-se num lugar inesperadamente lindo & muito emocionante, incrível. Amigos meus que foram a algumas várias edições me confidenciaram que esta foi a mais emocionada & emocionante de todas. Muitos risos, muita alegria, mas a noite, sem que planejássemos, também nos reservou boas lembranças & lágrimas. Foi um deslumbre! Foi um desbunde! Foi uma catarse! Foi de uma delicadeza & sensibilidade ímpares! Teatro cheio, público quente, leve, que se permitiu embarcar na apresentação junto com todas as histórias contadas & todos os poemas lidos. Eu, hoje, como já disse à Maria, estou com os pés acima do chão, hoje certamente caminho numa nuvenzinha, tamanha leveza & tamanho contentamento por todas as vivências no palco. Eu não esperava tanto, não mesmo. Não podia sequer imaginar que o ano de 2016, com a Ocupação Poética, fecharia assim, tão mágico, tão poético! Eu, mais uma vez, por graça & obra da Poesia, Musa Maior na minha vida, sou amor da cabeça aos pés!

Agradecer demais a presença de todos os participantes & envolvidos para que o projeto acontecesse do jeito que aconteceu: Cristina Flores, Elizeu Braga, Emílio Dantas, Mariza Leão, Pedro Mann, Renata Corrêa, Renato Farias & Rafael Millon.

Agradecer sempre ao Adil Tiscatti & à Fernanda Oliveira por acreditarem no potencial do projeto. Agradecer demais à Julia Mendes de Almeida, sempre simpática & solícita nos arranjos & rearranjos das datas pro projeto (Julinha, que bom te conhecer pessoalmente!).

Mariaaaaaa, cola em mim porque agora eu não desgrudo de você!

De bônus, depois da enxurrada de emoções & beleza que foi a apresentação, pertinho do teatro uma diva tanto minha quanto da Maria lançava o seu mais recente livro de poemas, o que, inclusive, a impossibilitou de participar desta 8ª edição como convidada: Elisa Lucinda. No meu exemplar, a dedicatória que conseguiu me deixar (uma coisa que pensava ser impossível) ainda mais feliz do que já estava:

“Paulo Sabino, com meu amor pelo amor com o qual você trata nossa arte. Beijo da Elisa.”

Valeu demais, valeu por tudo, valeu imensamente! Depois dessa injeção de ânimo, que venham as edições de 2017! Já temos poetas espetaculares para o ano que se aproxima, um luxo só! Vamos que vamos!

De brinde, abaixo, deixo aos interessados dois lindíssimos poemas da Maria Rezende que tive o prazer de ler nesta noite mágica.

Até já, até lá, com mais Ocupações Poéticas!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
______________________________________________________

(do livro: Bendita palavra. autora: Maria Rezende. editora: 7Letras.)

 

 

ESCREVO PORQUE ESTOU VIVA
escrevo porque é preciso
pra acordar, pra estar despida
porque o mundo não é só isso
que acontece aqui em cima

Escrevo porque não vivo
escrevo porque preciso
dessa roupa, esse colírio
escrevo pra pôr delírio
em tudo que é preto-e-branco

Escrevo pra estar viva
escrevo porque aqui minto
as belezas que não tenho
e as coragens que persigo
escrevo porque assim finjo

Escrevo contra as burrices
contra os medos que hoje sinto
escrevo a favor do sonho
escrevo pra estar livre
escrevo quando consigo
______________________________________________________

(do livro: Carne do umbigo. autora: Maria Rezende. Edição do autor.)

 

 

MEU NORTE

 

O amor me deu um susto
o amor me deu um tapa
um soco doce
um sopro na asa
o amor me encheu de porrada

Me empurrou da bicicleta
me pôs de cama
mudou meu rumo
me deu um norte
roubou meu chão

O amor me botou no colo
deu plural pros verbos
curou minha tosse
me encheu de sede
me tirou das ruas
o amor me deu a mão

OCUPAÇÃO POÉTICA — TEATRO CÂNDIDO MENDES (6ª EDIÇÃO) — FOTOS & VÍDEO DE ABERTURA: PAULO SABINO
11 de agosto de 2016

IMG_3980-1

(Instante antes do início — Foto: Felipe Fernandes)

IMG_3988-3

(Paulo Sabino — Foto: Felipe Fernandes)

DSC_0504-5

(Foto: Elena Moccagatta)

DSC_0514-6

(Foto: Elena Moccagatta)

Paulo Sabino 6ª Ocupação Poética

(Foto: Taís Campos)

DSC_0551-12

(A homenageada: Elisa Lucinda — Foto: Elena Moccagatta)

DSC_0751-36

(Foto: Elena Moccagatta)

DSC_0911-57

(Foto: Elena Moccagatta)

DSC_0892-54

(Foto: Elena Moccagatta)

IMG_4059-37

(Foto: Felipe Fernandes)

DSC_0650-26

(Maria Rezende — Foto: Elena Moccagatta)

IMG_4028-22

(Foto: Felipe Fernandes)

DSC_0772-40

(Moraes Moreira — Foto: Elena Moccagatta)

DSC_0795-44

(Foto: Elena Moccagatta)

DSC_0674-30

(Maria Rezende & Elisa Lucinda — Foto: Elena Moccagatta)

DSC_0678-1

(Foto: Elena Moccagatta)

DSC_0768-38

(Moraes Moreira & Elisa Lucinda — Foto: Elena Moccagatta)

IMG_4039-24

(Foto: Felipe Fernandes)

WP_20160802_22_23_48_Pro

(Paulo Sabino & Maria Rezende — Foto: Rafael Roesler Millon)

WP_20160802_22_24_04_Pro

(Foto: Rafael Roesler Millon)

DSC_0980-1

(Moraes Moreira & Paulo Sabino — Foto: Elena Moccagatta)

WP_20160802_22_23_25_Pro

(Foto: Rafael Roesler Millon)

IMG_3998-8

(O coordenador do projeto — Paulo Sabino — & a homenageada da noite — Elisa Lucinda — Foto: Felipe Fernandes)

DSC_0544-8

(Foto: Elena Moccagatta)

Paulo Sabino & Elisa Lucinda 6ª Ocupação Poética

(Foto: Singoala Luz)

DSC_0554-14

(Foto: Elena Moccagatta)

DSC_0547-11

(Foto: Elena Moccagatta)

DSC_0557-15

(Foto: Elena Moccagatta)

IMG_4013-14

(Foto: Felipe Fernandes)

DSC_0565-18

(Foto: Elena Moccagatta)

DSC_0969-1

(Foto: Elena Moccagatta)

WP_20160802_22_22_31_Pro

(Foto: Rafael Roesler Millon)

DSC_0964-1

(O quarteto fantástico: Elisa Lucinda, Moraes Moreira, Paulo Sabino & Maria Rezende — Foto: Elena Moccagatta)

DSC_0961-1

(Foto: Elena Moccagatta)
____________________________________________________________________

“Meu pretinho, muito obrigada, você é muito querido, espontâneo, foi uma noite mágica. Quero fazer outra o ano que vem, ou quando você puder e quiser, com a obra poética minha. Meu beijo imenso, Paulo, muito obrigada mesmo.”

(Elisa Lucinda)

 

Mensagens de espectadores da 6ª edição do projeto Ocupação Poética:

“Muito bom, ver o trabalho de Elisa Lucinda é sempre transformador, e os convidados Moraes Moreira e Maria Rezende tb colaboraram para florear o ambiente. Parabéns Paulo Sabino”.

“Foi uma noite maravilhosa meu lindo amigo, sou sua fã de seu projeto de carteirinha. Gratidão!”

“Misturar o talento e a luz de Elisa Lucinda com a genialidade de Fernando Pessoa não poderia resultar em nada menos que MARAVILHOSO!”

“Foi demais! Vou devorar o livro nas férias.”

 

 

Só me chegaram registros lindos da 6ª edição do projeto Ocupação Poética, que coordeno no teatro Cândido Mendes de Ipanema, que teve, como homenageada, no dia 2 de agosto (terça-feira), a atriz & poeta & minha diva Elisa Lucinda, que, por sua vez, homenageou o poeta Fernando Pessoa, e as participações para lá de especiais da poeta Maria Rezende & do cantor, músico & compositor Moraes Moreira.

Uma noite linda, descontraída, e cheia de conteúdo.

Todos muito felizes. As fotos traduzem a beleza & a descontração que conseguimos imprimir na apresentação.

Como base das leituras, o mais recente livro — e o primeiro romance — da Elisa Lucinda, intitulado “Fernando Pessoa, o Cavaleiro de Nada”, finalista do prêmio São Paulo de Literatura 2015.

No vídeo desta publicação, a apresentação do projeto, o poema de Carlos Drummond de Andrade em homenagem a Pessoa & o trecho do livro da Elisa escolhido por mim para a minha leitura.

Ao que tudo indica, pela mensagem da Elisa postada acima, teremos a atriz & poeta uma segunda vez no projeto. Elisa já me contou que tem livro inédito de poesia chegando na área; então a idéia é fazermos uma edição focada no seu mais recente livro de poemas! Oba!

Elisa Lucinda merece repeteco! Eu quero Elisa Lucinda mais uma vez na Ocupação Poética!

Agradecer imensamente aos participantes, Maria Rezende & Moraes Moreira, que só fizeram abrilhantar a noite ainda mais!

Mais vídeos desta edição serão publicados! É só aguardar!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
____________________________________________________________________

(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [6ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 02/08/2016. Paulo Sabino apresenta o projeto Ocupação Poética, recita As identidades do poeta, poema de Carlos Drummond de Andrade, e lê um trecho do livro Fernando Pessoa, o Cavaleiro de Nada, de Elisa Lucinda.)

 

AS IDENTIDADES DO POETA  (Carlos Drummond de Andrade)

De manhã pergunto:
Com quem se parece Fernando Pessoa?
Com seus múltiplos eus, expostos, oblíquos
em véu de garoa?
Com tripulantes-máscaras de esquiva canoa?
Com elfo imergente
em frígida lagoa?
Com a garra, a juba, o pelo amaciado
de velha leoa?

Quem radiografa, quem esclarece
Fernando Pessoa,
feixe de contrastes, união de chispas,
aluvião de lajes
figurando catedral ausente de cardeais,
com duendes oficiando absconso ritual
vedado a profanos?

Que sina, frustrado destino, foi a coroa
desse Pessoa,
morto redivivo, presentifuturo
no céu de Lisboa?

Que levava (leva) no bolso
Fernando Reis de Campos Caeiro Pessoa:
irônico bilhete de identidade,
identity card
válido por cinco anos ou pela eternidade?

Que leva na alma:
augúrios de sibila,
Portugal a entristecer,
a desastrosa máquina do universo?

Fernando Pessoa caminha sozinho
pelas ruas da Baixa,
pela rotina do escritório
mercantil hostil
ou vai, dialogante, em companhia
de tantos si-mesmos
que mal pressentimos
na seca solitude
de seu sobretudo?

Afinal, quem é quem, na maranha
de fingimento que mal finge
e vai tecendo com fios de astúcia
personas mil na vaga estrutura
de um frágil Pessoa?

Quem apareceu, desapareceu na proa
de nave-canção
e confunde nosso pensar-sentir
com desconforto de ave poesca
e doçura de flauta de Pã?

À noite divido-me:
anseio saber,
prefiro ignorar
esse enigma chamado Fernando Pessoa.
____________________________________________________________________

(trecho do livro: Fernando Pessoa, o Cavaleiro de Nada. autora: Elisa Lucinda. editora: Record.)

 

Abro a janela por onde vejo minha gênese: para revelar que mais tarde eu poderia vir a ser o mais popular, o mais conhecido poeta de língua portuguesa do mundo, nasci numa tarde nítida de fim de primavera quando o sol confirmava três horas e vinte minutos no meio do signo de gêmeos daquela brilhosa hora, no quarto andar esquerdo do número quatro do largo de São Carlos, em frente ao Teatro de Ópera do mesmo bairro. Quem ler o meu mapa astral logo interpretará com facilidade o meu destino mais do que eu fui capaz de fazê-lo. Um mês e uma semana depois houve batizado daquele bebê reluzente ao colo da satisfeita madrinha, tia Anica, na basílica dos Mártires, lá no Chiado. Maria Magdalena Pinheiro Nogueira Pessoa, a minha mãe e primeiro amor de minha vida, minha verdadeira pátria, a quem amei mais do que a minha própria pátria, e o meu pai, Joaquim Seabra Pessoa, funcionário público do Ministério da Justiça durante o dia e crítico musical do Diário de Notícias à noite, encontraram-se. O amor dos dois deu-me este nome porque nasci em 13 de junho, dia de Santo Antônio e também dia de Lisboa. Logo ele que, por batismo, era Fernando de Bulhões, o nome verdadeiro do santo de quem a minha família se afirmava parente mesmo, genealogicamente falando, e do qual reclamava consanguinidade. Pois bem, este homem recebeu, dentro da ordem franciscana, o pseudônimo de Antônio. Assim resultou em mim como Fernando Antônio Nogueira Pessoa, cujo duplo nome havia de gerar várias pessoas, outros eus meus, criados por mim com nome e obra próprios, mas isto é assunto para depois, é outro capítulo. Prefiro que nos detenhamos por agora nesta casa que fica entre uma igreja e um teatro lírico. As cenas de devoção e óperas, eu primeiro as ouvi para depois vê-las. Isto é, depois já de tê-las criado automaticamente em minha imaginação. Êh, êh, êh, êh, minha imaginação, aquela que dá facilmente partida, desde aí, ao pé de fortes impressões sonoras! Veja em que deu tamanha alegórica vizinhança: De um lado, ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia, e cada vela que se acende é mais chuva a bater na vidraça. Alegra-me ouvir a chuva porque ela é o templo estar aceso, e as vidraças da igreja vistas de fora são o som da chuva ouvido por dentro. Soa o canto do coro, latino e vento a sacudir-me a vidraça e sente-se o chiar da água no fato de haver coro. A missa é um automóvel que passa. Súbito vento sacode em esplendor maior a festa da catedral e o ruído da chuva absorve tudo até só se ouvir a voz do padre água perder-se ao longe, com o som das rodas do automóvel, e apagam-se as luzes da igreja na chuva que cessa. E tudo isto tilintando num coraçãozinho destes como é o meu.

Do outro lado, todo o teatro é meu quintal, a minha infância: o maestro sacode a batuta, aquele dia em que eu brincava ao pé dum muro de quintal, atirando-lhe com uma bola que tinha dum lado o deslizar dum cão verde, ora um cavalo azul com um jóquei amarelo. O teatro é o meu quintal, está em todos os lugares, e a bola vem a tocar a música. Tão rápida gira a bola entre mim e os músicos. O muro do quintal é feito de gestos de batuta. Todo o teatro é um muro branco de música por onde um cão verde corre atrás de minha saudade da minha infância. (…) O maestro agradece, pousando a batuta em cima da fuga dum muro, e curva-se, sorrindo, com uma bola branca em cima da cabeça, bola branca que lhe desaparece pelas costas abaixo. Prossegue a música, e eis a minha infância.

OCUPAÇÃO POÉTICA — TEATRO CÂNDIDO MENDES (4ª EDIÇÃO) — FOTOS & VÍDEOS: PAULO SABINO & TOM FARIAS
9 de maio de 2016

Ocupação Poética_4 edição_42

(Mais uma edição com a casa lotada)

Ocupação Poética_4 edição_84

(O coordenador do projeto — Paulo Sabino — & o homenageado da noite — Martinho da Vila — antes da apresentação)

Ocupação Poética_4 edição_16

Ocupação Poética_4 edição_01

Ocupação Poética_4 edição_79

Ocupação Poética_4 edição_83

Ocupação Poética_4 edição_67

Ocupação Poética_4 edição_69

(Alguns momentos do coordenador do projeto — Paulo Sabino)

Ocupação Poética_4 edição_18

(Tom Farias)

Ocupação Poética_4 edição_61

Ocupação Poética_4 edição_59

(Dani Ornellas)

Ocupação Poética_4 edição_87

Ocupação Poética_4 edição_57

(Maria Ceiça)

Ocupação Poética_4 edição_22

Ocupação Poética_4 edição_52

(Maíra Freitas)

Ocupação Poética_4 edição_54

Ocupação Poética_4 edição_53

(Wagner Cinelli)

Ocupação Poética_4 edição_62

Ocupação Poética_4 edição_56

(Zezé Motta)

Ocupação Poética_4 edição_88

Ocupação Poética_4 edição_34

(Flávia Oliveira)

Ocupação Poética_4 edição_50

Ocupação Poética_4 edição_36

(Maria Gal)

Ocupação Poética_4 edição_38

Ocupação Poética_4 edição_37

(Ju Colombo)

Ocupação Poética_4 edição_63

Ocupação Poética_4 edição_64

Ocupação Poética_4 edição_39

(Elisa Lucinda)

Ocupação Poética_4 edição_75

(Geraldo Carneiro)

Ocupação Poética_4 edição_29

(Martinho da Vila & Geraldo Carneiro)

Ocupação Poética_4 edição_74

(Martinho da Vila, Paulo Sabino & Geraldo Carneiro)

Ocupação Poética_4 edição_46

Ocupação Poética_4 edição_47

(O homenageado da noite — Martinho da Vila)

Ocupação Poética_4 edição_70

Ocupação Poética_4 edição_85

Ocupação Poética_4 edição_66

Ocupação Poética_4 edição_65

(Os participantes — Paulo Sabino, Flávia Oliveira, Wagner Cinelli, Martinho da Vila, Elisa Lucinda, Zezé Motta, Geraldo Carneiro, Tom Farias, Maria Gal, Ju Colombo & Maíra Freitas)

Ocupação Poética_4 edição_03

Ocupação Poética_4 edição_04

(O coordenador do projeto — Paulo Sabino — & o homenageado da noite — Martinho da Vila — depois da apresentação)

Coluna Gente Boa - O Globo

(Depois do evento, a super matéria da coluna “Gente Boa” — jornal “O Globo”)
______________________________________________________

Gente amada, querida,

A quarta edição do projeto Ocupação Poética, no teatro Cândido Mendes, em Ipanema, no dia 3 de maio (terça-feira), em homenagem ao grande cantor, compositor & escritor Martinho da Vila, foi um esplendor, um arraso, um desbunde!

A beleza que o elenco (estelar) imprimiu com as suas leituras do livro “Barras, vilas & amores”, o mais recente do homenageado da noite, e com as histórias que cada um possui com o autor é inenarrável, indescritível, incomensurável.

Como sempre, depois de uma noite feliz & iluminada com a palavra, com a boa literatura, até hoje eu sou amor da cabeça aos pés!

Tudo divino-maravilhoso! Só recebi as melhores palavras & os mais carinhosos elogios do que conseguimos fazer.

A impressão que tenho é de que todos que foram à apresentação saíram de alma lavada, assim como eu.

Agradecer imensamente a participação de todos os envolvidos: Tom Farias, Geraldo Carneiro, Maíra Freitas, Elisa Lucinda, Zezé Motta, Maria Ceiça, Dani Ornellas, Flávia Oliveira, Wagner Cinelli, Ju Colombo, Maria Gal & Rafael Roesler Millon.

Meu agradecimento mais que especial ao mestre Martinho da Vila, uma lição de simpatia, bom-humor, simplicidade, elegância & inteligência. À Cléo Ferreira, esposa do mestre, pessoa especial, de quem gostei imediatamente por seu sorriso encantado & seu doce olhar.

Agradecer a todos os que foram & ajudaram a fazer a quarta edição da Ocupação Poética uma noite inesquecível para este que vos escreve com o coração nas mãos.

Aos interessados, 3 vídeos do evento: o primeiro, com a abertura da noite; o segundo, com o produtor da noite, o jornalista Tom Farias, lendo o prefácio do livro do homenageado escrito por José Vicente, reitor da Universidade Zumbi dos Palmares; e o terceiro, com o coordenador do projeto, Paulo Sabino, lendo um poema-canção do Martinho da Vila.

Espero que vocês gostem. Mais vídeos chegarão.

Valeu por tudo!

Junho tem mais! Aguardo vocês para a quinta edição!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
______________________________________________________

(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [4ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 03/05/2016. Paulo Sabino apresenta o projeto Ocupação Poética.)

______________________________________________________

(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [4ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 03/05/2016. Tom Farias lê o prefácio do livro Barras, vilas & amores, escrito por José Vicente, reitor da Universidade Zumbi dos Palmares.)

 

 

UM GÊNIO DA CANÇÃO, UM ESCRITOR DE TALENTO REFINADO  (José Vicente)

 

Duas coisas me chamam bastante atenção quando se trata de escrever umas linhas como estas para um livro como este, do Martinho da Vila: a qualidade da narrativa e a história do seu autor. Aqui, a narrativa é, além da saborosa leitura que proporciona, o crème de la crème que enreda esta obra, desenvolvida em uma cadência extraordinária, com uma leveza que nos faz navegar no sabor de uma música de primeira, bem ao gosto do nosso exímio escritor. O segundo ponto tem a ver com o próprio Martinho. Passei boa parte de minha vida me deliciando com as suas canções, ora apenas como mero ouvinte, ora nos cantos de minha casa, tentando imitar a sua voz pausada, nas tiradas de muitos sambas geniais que são verdadeiras pérolas do nosso cancioneiro popular.

Mas como a vida é um eterno movimento, um verbo sempre ativo, eis-me aqui para falar de uma outra grande faceta desse genial cidadão brasileiro: a sua veia literária. Meu Deus, quanta responsabilidade! Mas lendo o seu livro, me senti envolvido por uma história que se semelha, guardadas as devidas proporções, com a de muitos brasileiros como eu ou como as de quem, porventura, ler estas linhas.

A busca de nossas origens, de nossa identidade ou de nossa ancestralidade, é o que nos move e o que nos motiva vida afora. Tem sido assim com a minha vida e com as vidas envolvidas nos projetos relacionados à Universidade Zumbi dos Palmares.

Martinho da Vila, como sambista e escritor, é desses valores que aprendemos a admirar e ter dentro do círculo de “melhor amigo”, como ser humano que é e como artista apreciado internacionalmente, pelas quizombas que provoca por aí. Mas quando se trata então do artista de muitas músicas de sucesso ou do narrador-revelação, autor de mais de uma dezena de livros e imortal da Academia Carioca de Letras, as proporções de grandeza, elevadas à culminância do respeito e do apreço, deixam aguçado em nós aquele alto sentido de responsabilidade.

Portanto, estas linhas têm o singelo papel de dizer que é e sempre será uma honra escrever sobre Martinho da Vila e sua obra. Todos sabem que não sou um literato, na estrita acepção da palavra, mas um grande admirador do nosso homenageado (…), a quem devoto o melhor do meu respeito.

Tudo isso para dizer que a leitura deste livro é um primeiro passo para se conhecer um pouco mais sobre o seu genial talento, em um momento tão especial, no qual, com muita felicidade, tornamos pública uma obra (…) sua, em uma importante parceria da SESI-SP Editora, o que torna essa iniciativa e este lançamento tão merecidamente importantes e desejados, fazendo jus a esse homem chamado Martinho da Vila.

Axé, meu irmão, valeu nosso Zumbi.
_____________________________________________________

(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [4ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 03/05/2016. Paulo Sabino recita Meu off-Rio, poema-canção de Martinho da Vila.)

 

 

MEU OFF-RIO  (Martinho da Vila)

 

Nos arredores, Cantagalo, Teresópolis
Nova Friburgo e Bom Jardim, bem no caminho
Meu off Rio tem um clima de montanha
E os bons ares vêm da serra de Petrópolis
É um lugar especial
Para quem é sentimental
E aprecia um gostoso bacalhau
O galo canta de madrugada
E a bandinha toca na praça
Na entrada há um vale
Que é encantado
Tem cavalgada, tem procissão
As cachoeiras principais de lá são duas
E a barra é limpa porque lá não tem ladrão
Tomo cachaça com os amigos
Lá em Cachoeira Alta
E na Queda do Tadeu, churrasco ao lago
Pra ir pro Carmo
Tem muita curva
E a preguiça então me faz ficar na praça
Eu nem preciso trancar o carro
A chave fica na ignição
A minha Vila fica meio enciumada
Se eu pego estrada e vou correndo para lá
Se alguém pergunta, eu não digo
Onde fica o tal lugar
Mas canto um samba para quem adivinhar
______________________________________________________

(do site: Youtube. áudio extraído do ábum: Ao Rio de Janeiro. artista & intérprete: Martinho da Vila. canção: Meu off-Rio. autor da canção:Martinho da Vila. gravadora: Sony BMG Music.)