OCUPAÇÃO POÉTICA — TEATRO CÂNDIDO MENDES (10ª EDIÇÃO) — RICARDO SILVESTRIN E CONVIDADOS — O EVENTO, FOTOS, MATÉRIA & POEMA
15 de setembro de 2017

(O convite da 10ª edição do projeto Ocupação Poética — homenagem ao poeta e compositor gaúcho Ricardo Silvestrin)

(Casa cheia, público quente, que abraçou a divertida e sagaz e direta e sofisticada poesia do homenageado da noite — Foto: Luciana Queiroz)

(Casa cheia, público quente, que abraçou a divertida e sagaz e direta e sofisticada poesia do homenageado da noite — Foto: Luciana Queiroz)

(O coordenador do projeto, Paulo Sabino — Foto: Luciana Queiroz)

(O coordenador apresentando o homenageado, Ricardo Silvestrin — Foto: Luciana Queiroz)

(Ricardo Silvestrin em ação — Foto: Luciana Queiroz)

(O homenageado, mostrando o seu lado compositor, acompanhado do violonista André Barros — Foto: Luciana Queiroz)

(Antonio Carlos Secchin — Foto: Luciana Queiroz)

,

(Foto: Luciana Queiroz)

(Antonio Cicero — Foto: Luciana Queiroz)

(Foto: Luciana Queiroz)

(Luis Turiba — Foto: Luciana Queiroz)

(Foto: Luciana Queiroz)

(Noélia Ribeiro — Foto: Luciana Queiroz)

(Foto: Luciana Queiroz)

(Leoni — Foto: Luciana Queiroz)

(Foto: Luciana Queiroz)

(Eduardo Tornaghi — Foto: Luciana Queiroz)

(Foto: Luciana Queiroz)

(Tavinho Paes — Foto: Luciana Queiroz)

(Foto: Luciana Queiroz)

(Mano Melo — Foto: Luciana Queiroz)

(Foto: Luciana Queiroz)

(Salgado Maranhão — Foto: Luciana Queiroz)

(Foto: Luciana Queiroz)

(Encerrando a noite, o homenageado — Foto: Luciana Queiroz)

(Ricardo Silvestrin e Kleiton Ramil — Foto: Luciana Queiroz)

(A turma toda nos agradecimentos finais; da esquerda pra direita: Kleiton Ramil, Ricardo Silvestrin, Eduardo Tornaghi, Mano Melo, Salgado Maranhão, Tavinho Paes, Noélia Ribeiro, Luis Turiba, Antonio Carlos Secchin, Antonio Cicero, Leoni, Paulo Sabino e André Barros — Foto: Luca Andrade)

(Destaque na coluna “Gente Boa”, do carderno cultural do jornal O Globo, a 10ª edição do projeto Ocupação Poética — Fotos: Marcos Ramos)

(Destaque na coluna “Gente Boa”, do carderno cultural do jornal O Globo — Fotos: Marcos Ramos)

(Destaque na coluna “Gente Boa”, do carderno cultural do jornal O Globo, a 10ª edição do projeto Ocupação Poética — Fotos: Marcos Ramos)
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Foi lindo! Que momento, que vivência!

A cada noite como a que tivemos, na 10ª edição do projeto Ocupação Poética no teatro Cândido Mendes de Ipanema, ocorrida na segunda-feira (11/09), em homenagem ao grande poeta e letrista e cantor gaúcho Ricardo Silvestrin, o coração só faz transbordar alegria e fé na poesia, no que ela pode de afeto, de alcance, de projeção. Tá faltando Poesia no cardápio nosso de cada dia! No que depender de mim, tendo sempre esta turma da pesada juntinho de mim (porque não acredito, mesmo!, que ninguém é nada sozinho), a Poesia vem gostosa, como o prato principal de todos nós. Que assim seja!

O meu muito obrigado a todos os participantes: Antonio Cicero, Antonio Carlos Secchin, Eduardo Tornaghi, Salgado Maranhão, Tavinho Paes, Noélia Ribeiro, Leoni, Luis Turiba, Kleiton Ramil, Mano Melo; e ao público, quente, risonho e festivo. O público abraçou a bela e sagaz e direta e sofisticada poesia do Silvestrin. Uma alegria imensa. Gente que encomendou livro em site pós evento. Lindo de saber. E vamo que vamo!  Valeu demais!

Aos interessados, deixo, na íntegra, o poema que fez sucesso na voz do cantor e compositor Leoni e que foi citado (ver fotos acima) na matéria jornalística.

Dia 13 de novembro acontece a 11ª edição do projeto. Mais à frente, maiores informações.

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(do livro: Metal. autor: Ricardo Silvestrin. editora: Artes e Ofícios.)

 

 

deus descansou
e esse foi o seu vacilo
achou que o jogo estava ganho
e o mundo então deu naquilo
deus lavou as mãos
disse se virem
já fiz a minha parte
pensam que é mole
tirar um mundo da cartola
se querem perfeito
nada feito
tô fora
e se foi pelo infinito
sem dar ouvidos
aos gritos
de deus do céu
deus nos proteja
deus nosso senhor
onde anda
por hoje o criador
pelo universo
de banda
gozando a aposentadoria
que ganhou em sete dias
fez um mundo imperfeito
mas bate no peito
e diz
se não gostarem
façam outro
devolução não aceito
já fiz o homem
à minha imagem e semelhança
pra continuar
no meu lugar
a lambança

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FESTIVAL CCBB (BRASÍLIA) — QUANTO MAIS TROPICÁLIA, MELHOR — FOTOS (RIO DE JANEIRO & BRASÍLIA), ROTEIRO & TEXTO SOBRE O FESTIVAL
5 de setembro de 2017

(Paulo Sabino — Foto: Rogério von Krüger)

(Com Gilberto Gil ao fundo — Foto: Karina Zambrana)

(Com Gilberto Gil ao fundo — Foto: Karina Zambrana)

(Foto: Karina Zambrana)

(Foto: Luis Turiba)

(Foto: Luis Turiba)

(Céu — Foto: Rogério von Krüger)

(Foto: Rogério von Krüger)

(Fernanda Takai — Foto: Rogério von Krüger)

(Pato Fu — Foto: Rogério von Krüger)

(Pedro Luís — Foto: Rogério von Krüger)

(Foto: Rogério von Krüger)

(Tom Zé, sua banda e equipe do festival — Foto: Karina Zambrana)

(Tom Zé, a banda e o público de 3 mil pessoas)
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Imagine-se subindo ao palco de um festival de música para dizer poesia para uma platéia de 3 mil pessoas e ver, lá de cima, as 3 mil pessoas comprando o seu barulho… Gente, é lindo demais, meu coração realmente não contenta! Brasília, te amo! Obrigadíssimo por tudo! Por cada olhar, por cada abraço, por cada aperto de mão, por cada palavra de felicitação, por cada pergunta a respeito do meu trabalho com a literatura. Isso me abastece de ânimo e coragem pra persistir e prosseguir neste caminho que venho trilhando. Sim, não é só a “carcaça” do poeta que brilha com a purpurina, a alma também!

Tantas lindas lembranças eu trago comigo, momentos mágicos, de muita beleza, que não fugirão de mim. Valeu demais, Brasília! 2 dias lindos pra este poeta que deseja apenas dividir as coisas que realmente importam na sua vida. Valeu, Rio de Janeiro! Valeu, “Festival CCBB Quanto mais Tropicália, melhor”! Valeu, Monica Ramalho! Valeu, equipe Baluarte Cultura! Valeu, Tom Zé, mestre dos mestres! Valeu, Pato Fu! Valeu, Céu! Valeu, Pedro Luís e A Parede! Valeu, público, que me mostrou que poesia dá pé, sim! Valeu, Poesia, minha Musa maior! Eu quero mais! Eu quero sempre!

(É preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte.)

Aos interessados, o roteiro e os poemas das noites do festival.

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(roteiro das noites do Festival CCBB Quanto Mais Tropicália, Melhor. datas e locais: 18 e 19/08 — Rio de Janeiro; 02 e 03/09 — Brasília. artistas: Pato Fu, Céu, Pedro Luís e A Parede e Tom Zé. roteiro e seleção de textos: Paulo Sabino. autores dos textos: Rogério Duarte e Alberto Pucheu.)

 

 

O meu boa noite a todos. Pra quem não me conhece, me chamo Paulo Sabino, sou poeta e farei às honras de mestre de cerimônias do festival.
 
Lerei pra vocês um texto do designer gráfico, escritor, músico e um dos pensadores e criadores da Tropicália, Rogério Duarte, publicado na contracapa do disco tropicalista de Gilberto Gil, de 1968, onde, na capa, o Gil veste o fardão dos membros da Academia Brasileira de Letras.

 

TEXTO DE GILBERTO GIL PSICOGRAFADO POR ROGÉRIO DUARTE

Eu sempre estive nu. Na Academia de Acordeão Regina tocando La Cumparsita, eu estava nu. Eu só sabia que estava nu, e ao lado ficava o camarim cheio de roupas coloridas, roupas de astronauta, pirata, guerrilheiro. E eu, do mais pobre da minha nudez, queria vestir todas. Todas, para não trair minha nudez. Mas eles gostam de uniformes, admitiriam até a minha nudez, contanto que depois pudessem me esfolar e estender a minha pele no meio da praça como se fosse uma bandeira, um guarda-chuva. Mas não há guarda-chuva contra o amor, contra os Beatles, contra os Mutantes. Não há guarda-chuva contra Caetano Veloso, Guilherme Araújo, Rogério Duarte, Rogério Duprat, Dirceu, Torquato Neto, Gilberto Gil, contra o câncer, contra a nudez. Eu sempre estive nu. Com o fardão da Academia, eu estava nu. Minha nudez Raios X varava os zuartes, as camisas listradas. E esta vida não está sopa e eu pergunto: com que roupa eu vou pro samba que você me convidou? Qual a fantasia que eles vão me pedir que eu vista para tolerar meu corpo nu? Vou andar até explodir colorido. O negro é a soma de todas as cores. A nudez é a soma de todas as roupas.

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Agora lerei um poema pra vocês, de um poeta lá do Rio, chamado Alberto Pucheu, poema que adoro ler porque serve muito como metáfora à vida. Porque, assim como acontece no mar, na vida há momentos em que estamos surfando na crista da onda dos acontecimentos, e outros em que tomamos um verdadeiro caldo, um verdadeiro caixote, uma verdadeira vaca, dos acontecimentos. E nesses momentos de turbulência, é preciso calma e paciência para não afogar e morrer na praia. E eu acho que o Brasil e o mundo atravessam, hoje, um momento histórico de caldos e turbulências. Por isso, este poema é dedicado a todos nós, brasileiros e residentes do Brasil, como um sopro de ânimo e resistência a este momento que atravessamos.

 

É PRECISO APRENDER A FICAR SUBMERSO – ALBERTO PUCHEU

 

É preciso aprender a ficar submerso
por algum tempo. É preciso aprender.
Há dias de sol por cima da prancha,
há outros, em que tudo é caixote, vaca,
caldo. É preciso aprender a ficar submerso
por algum tempo, é preciso aprender
a persistir, a não desistir, é preciso,
é preciso aprender a ficar submerso,
é preciso aprender a ficar lá embaixo,
no círculo sem luz, no furacão de água
que o arremessa ainda mais para baixo,
onde estão os desafiadores dos limites
humanos. É preciso aprender a ficar submerso
por algum tempo, a persistir, a não desistir,
a não achar que o pulmão vai estourar,
a não achar que o estômago vai estourar,
que as veias salgadas como charque
vão estourar, que um coral vai estourar
os miolos – os seus miolos –, que você
nunca mais verá o sol por cima da água.
É preciso aprender a ficar submerso, a não
falar, a não gritar, a não querer gritar
quando a areia cuspir navalhas em seu rosto,
quando a rocha soltar britadeiras
em sua cabeça, quando seu corpo
se retorcer feito meia em máquina de lavar,
é preciso ser duro, é preciso aguentar,
é preciso persistir, é preciso não desistir.
É preciso aprender a ficar submerso
por algum tempo, é preciso aprender
a aguentar, é preciso aguentar
esperar, é preciso aguentar esperar
até se esquecer do tempo, até se esquecer
do que se espera, até se esquecer da espera,
é preciso aguentar ficar submerso
até se esquecer de que está aguentando,
é preciso aguentar ficar submerso
até que o voluntarioso vulcão de água
arremesse você de volta para fora dele.

É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de Temer a morte***

 

(***Citação de Divino-maravilhoso, parceria de Caetano Veloso e Gilberto Gil.)

SOMOS TROPICÁLIA — 50 ANOS DO MOVIMENTO — 7° CICLO: DAÍRA, CLAOS MÓZI E GIRAS GERAIS
29 de agosto de 2017

(Fotos: Floriza Rios)

(Os participantes desta edição: Daíra + Claos Mózi + Giras Gerais)
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*** Para comemorar os 50 anos da Tropicália o Gabinete de Leitura Guilherme Araújo apresentará uma série de encontros poético-musicais ao longo de 2017 ***

*** Nesta edição, a cantora Daíra e a banda Giras Gerais apresentarão músicas do repertório tropicalista, além de canções que compõem os seus repertórios, e o poeta, compositor e cantor Claos Mózi, um dos integrantes da Giras Gerais, dará o tom poético da noite com vários dos seus poemas e outros tropicalistas ***

Nos dias 30 e 31 de agosto (quarta e quinta-feira), a partir das 19h30, acontece a sétima etapa do ciclo de encontros Somos Tropicália – 50 anos do movimento, no Gabinete de Leitura Guilherme Araújo, em homenagem aos 50 anos da Tropicália: as surpreendentes e eletrificadas apresentações de Caetano Veloso e Gilberto Gil no Festival da TV Record em 1967 são consideradas o marco inicial do movimento na música, que se consolidou com a gravação de “Tropicália Ou Panis Et Circenses”, álbum-manifesto lançado no ano seguinte.

Para esta edição de agosto, o projeto tem como participantes a cantora Daíra e a banda Giras Gerais, que tem Claos Mózi, um dos integrantes da banda, como o poeta convidado. Para esta celebração poético-musical inédita, os artistas foram convidados a montar um roteiro no qual interpretarão alguns clássicos da Tropicália, sem deixar, é claro, de incluir obras autorais que se inspiram ou conversem com as influências do movimento. Junto às canções, poemas onde percebemos o legado constituído pelo Tropicalismo.

Cantora, criada nas praias oceânicas de Niterói, Daíra começou sua carreira ainda criança, cantando na TV – no programa semanal “Gente Inocente” (TV Globo), ganhando o primeiro lugar em sua primeira aparição em rede nacional – e no teatro musical. Também foi premiada em concursos e festivais até a adolescência. Aos 21 anos, foi considerada atriz revelação como protagonista no musical “Baby (broadway)”, sendo aclamada pela crítica e pelo público. Hoje se destaca na cena de música brasileira com seu disco de estreia “Flor” (2014), selecionado no Prêmio da Música Brasileira de 2015, e seu novo show só com canções de Belchior, em parceria com o selo Porangareté. Sua voz e interpretação expressivas arrebataram grandes mestres da música internacionalmente incensados, entre eles, Roberto Menescal, com quem gravou uma série de discos para o Japão e logo a convidou para gravar no programa “Som Brasil”, ao seu lado; e o maestro Arthur Verocai, que a escalou para ser sua cantora principal em seus shows dentro e fora do Brasil. Lançou recentemente uma série de vídeos ao vivo do seu show de estreia, “Flor pela Estrada”, hoje está rodando com o show “Daíra canta Belchior” e prepara dois discos para o ano que vem. “Tropicalismo foi o que eu comi no café da manhã das minhas pesquisas musicais na adolescência, e ainda almoço Gal, Bethânia e Caetano”, declara a artista.

A banda niteroiense Giras Gerais aposta num som mesclado: faz bricolagem de sons histórico-mundiais com forte influência do rock e do samba. Mantém claramente um diálogo com seus antecessores e mestres de formação: Milton Nascimento, Novos Baianos, Secos e Molhados, Caetano, Gil, Mutantes, Tom Zé, Jorge Ben, Jards Macalé, Itamar Assumpção. As poesias de Claos Mózi, porém, recriam novas paisagens sonoras e imagéticas. É formada, desde 2007, pelos seguintes componentes: Claos Mózi, compositor e cantor (e o poeta desta edioção); Ivo Vargas, cantor e violonista; Nando Rocha, cantor e guitarrista; Raphael Buzunga, baixista; Ivan Farah, cantor, percussionista, flautista e saxofonista; Pedro Brum, baterista e Elias Rosa, percussionista. Conta também com a presença quase frequente da cantora Júlia Vargas, uma importante novidade da MPB atual, apadrinhada por Ivan Lins e Milton Nascimento. Giras Gerais passou por palcos importantes como Circo Voador, Teatro Odisséia, Sesc Niterói, Godofredo Rio, entre outros. Participou de programas de TV, festivais e diversos eventos, como o projeto “Mola” e o Encontro Regional dos Estudantes de Arquitetura (EREA). O trabalho autoral consiste numa mistura das influências musicais, não devendo ser enquadrada em apenas um estilo, mas concretizando a sua propriedade no hibridismo e na originalidade musical. “Acolhemos o convite do Paulo Sabino para participar do ‘Somos Tropicália’ com muita alegria e consentimento artístico, tendo em vista o processo destrutivo por qual passa nossa cultura, sendo achatada pela indústria cultural e ignorada e coibida pelo Estado. As vozes não podem se calar! Um espaço a mais de ampliação da cultura e mostra dos novos artistas, inspirados ou não na Tropicália, é sempre uma excelente arma de resistência a tudo isso”, disparam os integrantes da Giras Gerais.

Até dezembro serão programados encontros poético-musicais que ressaltam a importância da Tropicália na música popular brasileira, com influências que reverberam até hoje no cenário do cancioneiro contemporâneo. As noites vão misturar leituras de poemas e participações musicais em releituras do repertório tropicalista por artistas e poetas de diferentes gerações – entre novos e consagrados – que de alguma forma ecoam a Tropicália em seus trabalhos e carreiras.

O projeto, sob coordenação, curadoria e produção do jornalista Rafael Millon e do poeta Paulo Sabino (também jornalista), é realizado em parceria com o Gabinete de Leitura Guilherme Araújo, e estreou oficialmente em fevereiro, reunindo a cantora Mãeana, o músico e compositor Bem Gil, e o poeta e agitador cultural Jorge Salomão. Em março o projeto recebeu os cantores e compositores Lila e Matheus VK junto com o ator e poeta Eber Inácio. Em abril se apresentou o quarteto composto pela cantora Juliana Linhares junto com cantor e compositor Mihay, o ilustre poeta Salgado Maranhão e o músico Hélio Moulin. Em maio foi a vez de Letícia Novaes e Arthur Braganti, dupla integrante da recém extinta banda “Letuce”, junto com o poeta e jornalista Luis Turiba. Em junho, o projeto recebeu a atriz cantora e compositora Mari Blue, o multi-instrumentista e pesquisador musical Marcelão De Sá, o poeta, cantor e compositor João Bernardo e o baterista, percussionista e regente Lourenço Vasconcellos. Na mais recente edição, a de julho, o projeto contou com os cantores e compositores Aline Lessa, Pedro Mann e Grillo e com a poeta, atriz e performer Betina Kopp.

Serviço:
Gabinete de Leitura Guilherme Araújo
SOMOS TROPICÁLIA – 50 anos do movimento
Agosto (7ª edição): com Daíra, Claos Mózi e Giras Gerais / Pocket-show e leitura de poesias
Dias 30/08 (4ª-feira) e 31/08 (5ª-feira)
A partir das 19h30
Rua Redentor, 157 Ipanema
Tel infos. 21-2523-1553
Entrada: R$ 1,00
Lotação: 60 lugares
Classificação: livre

FESTIVAL CCBB (RIO DE JANEIRO) — QUANTO MAIS TROPICÁLIA, MELHOR — FOTOS & TEXTO SOBRE O EVENTO
23 de agosto de 2017

(Platéia do “Festival CCBB Quanto Mais Tropicália, Melhor” — Foto: Rogério von Krüger)

(Foto: Rogério von Krüger)

(O poeta e mestre de cerimônias do festival Paulo Sabino — Foto: Jerusa Moura)

(Foto: Rogério von Krüger)

(Foto: Rogério von Krüger)

(Foto: Rogério von Krüger)

(Foto: Rogério von Krüger)

(No camarim, Pato Fu e Paulo Sabino: brilhando a blusa da Fernanda Takai)

(Destaque na coluna “Gente Boa”, do caderno cultural do jornal “O Globo” — 22/08 — para o festival e seu mestre de cerimônias, o poeta Paulo Sabino)

(Coluna “Gente Boa”, jornal O Globo — 22/08)

(Figurino tropicalizante)

(Coluna “Gente Boa”, jornal O Globo — 22/08)

(Coluna “Gente Boa”, jornal O Globo — 22/08)

(Parte da equipe de produção tropicalizante: na ponta esquerda, o assessor de imprensa do festival e o organizador e curador do “Somos Tropicália” ao meu lado, Rafael Millon; da esquerda pra direita, as minhas chefas: minha Xuxú Paula Brandão, Monica Ramalho e Fabiana Costa)

(Xuxú Paulo Sabino e o seu Xuxuzinho Tito)

(Flagra do Xuxuzinho na platéia)
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(Texto sobre a primeira noite do festival — 18/08: shows da banda Pato Fu e da cantora e compositora Céu.)

Eu nem sei o que escrever pra início de conversa… Porque a noite de ontem, sexta (18/08), foi tão linda, tão linda, tão linda, que qualquer coisa que eu escreva certamente estará aquém de todas as minhas vivências no “Festival CCBB Quanto mais Tropicália, melhor”. Depois de cada texto apresentado, eu ia pra platéia pra assistir aos shows. E o que eu recebi de abraços, olhares carinhosos, palavras elogiosas e generosas, me abasteceu de alegria e fé na poesia até 2030! Gente que chorou, que se emocionou com as leituras, que me disse que o festival não seria o mesmo sem poesia. Muita troca linda, muito amor envolvido. Eu só tenho a agradecer, agradecer e agradecer. Porque a noite de ontem, dizendo poesia pra centenas de pessoas, me deu muito a certeza de que o meu caminho vai mesmo de encontro à Palavra. É isso mesmo o que quero e tenho que fazer da minha vida. Os meus agradecimentos pra lá de especiais à Monica Ramalho e equipe Baluarte Cultura pelo convite e pelo imenso prazer que foi pisar o palco e me deparar com aquela massa de pessoas para dizer poesia. E pensar que hoje, sábado (19/08), tem mais! Hoje é dia da PLAP (Pedro Luís e A Parede) e do mestre (Tom Zé). Mais uma noite que promete.

(Texto sobre a segunda noite do festival — 19/08: shows do Pedro Luís e A Parede e do mestre Tom Zé.)

Alegria alegria! Divino-maravilhoso! O segundo e último dia do “Festival CCBB Quanto mais Tropicália, melhor”, acontecido ontem, sábado (19/08), foi a confirmação da beleza de todo trabalho feito com amor e dedicação. Um mar de gente ainda maior que na sexta e, mais uma vez, a imensa alegria de fazer esse mundão de pessoas silenciar para ouvir poesia e se emocionar com o poder da palavra, que, para mim, é o grande poder transforma/dor. Eu não sei como é que faz pra desligar, pra baixar a adrenalina que ainda me percorre, depois de tudo o que vivenciei nesses 2 dias em que disse poesia para centenas de ouvintes. O grande Tom Zé, no palco, fez questão de dizer e repetir (duas vezes!) que ficou impressionado com o silêncio da platéia para escutar poesia. Pedro Luís e A Parede, que abriu esta segunda noite, me disse do barato de ver uma platéia concentrada, ouvindo poesia. Eis o poder da palavra: o grande poder transforma/dor. E, ao me juntar ao público para assistir aos shows, mais uma enxurrada de palavras e olhares carinhosos. Poesia, minha amada, minha vida, minha musa, como te agradecer tamanha generosidade? Como te agradecer tamanho benefício em minha vida? Estado de graça com o meu ofício, com a minha escolha. E pensar que daqui a duas semanas embarco com toda essa trupe para repetirmos a dose no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília! Alô alô, Brasília, já já tamos aí (2 e 3 de setembro)! Mais uma vez e sempre, agradecer o convite da curadora do festival, Monica Ramalho, e da equipe Baluarte Cultura, que assina a direção geral. Obrigadíssimo a confiança em mim depositada. Valeu demais! Quanto mais serpentina, quanto mais purpurina, quanto mais Tropicália, melhor!

(Texto sobre O Convite para participar do festival.)

Foi Paulinha Brandão quem me fez o convite para participar como mestre de cerimônias do “Festival CCBB Quanto mais Tropicália, melhor”. Independente dessa questão profissional, somos amigos de longa data e admiradores dos trabalhos que fazemos; ela, produtora cultural; eu, poeta. Por conta de uma história do comecinho da nossa amizade, jovens universitários, quiseram o bom momento vivido e o carinho já existente que virássemos, eu, ela e o seu namorado à época, Xuxús um do outro. Desse amor pelos meus Xuxús, nasceu o meu, o nosso Xuxuzinho, que esteve na plateia do festival, me ouvindo dizer poesia. E o mais bacana: depois batemos um papo sobre a poesia que eu disse. Ele precisava entender algumas passagens do poema. É muito amor envolvido… Paulinha, numa conversa nossa, me disse que nunca o termo “divino-maravilhoso” fez tanto sentido na sua vida. Nas nossas vidas. E puxando a sardinha tropicalista pro nosso lado: eu sou amor da cabeça aos pés!
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Dias 2 e 3 de setembro, estamos no CCBB de Brasília para mais 2 momentos de pura epifania.

Até lá!
Beijo todos!
Paulo Sabino.

FESTIVAL CCBB (RIO DE JANEIRO) — QUANTO MAIS TROPICÁLIA, MELHOR
10 de agosto de 2017

(As atrações do festival “Quanto Mais Tropicália, Melhor”)

 

 

(Pato Fu)

(Céu)

(Pedro Luís e A Parede — PLAP)

(Tom Zé)

(Paulo Sabino)

(Na revista Isto é: “Quanto Mais Tropicália, Melhor”, “Tropicália, Um Disco Em Movimento” e “Somos Tropicália”)
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(Texto da produção do festival)

 

O CCBB Rio vai homenagear os 50 anos do tropicalismo com o “Festival CCBB Quanto Mais Tropicália, Melhor”, a ser realizado nos dias 18 e 19 de agosto na Praça do Centro Cultural Correios.

Com patrocínio do Banco do Brasil, curadoria de Monica Ramalho e direção geral da Baluarte Cultura, serão quatro shows: Pato Fu, Céu, Pedro Luís e A Parede (PLAP) e Tom Zé. No roteiro, clássicos tropicalistas e sucessos de cada artista.

SHOWS na sexta, 18 de agosto:
Pato Fu
Céu

SHOWS no sábado, 19 de agosto:
Pedro Luis e a Parede (PLAP)
Tom Zé

Nos intervalos dos shows, o poeta super querido Paulo Sabino vai recitar textos da época e contemporâneos — um deles, escrito pelo designer Rogério Duarte —, com figurino e projeções, sim, senhor!

“Sou um grande fã de tudo o que representa a Tropicália e estou feliz por fazer parte do festival ao lado dessas feras todas, e do Tom Zé, um tropicalista nato. Tudo divino-maravilhoso”, exulta Sabino, que está à frente de outra homenagem ao movimento desde fevereiro (e até dezembro): o ‘Somos Tropicália’, realizado mensalmente no Gabinete de Leitura Guilherme Araújo, em Ipanema.

Local: Praça do Centro Cultural Correios
Rua Visconde de Itaboraí, 20 – Centro, Rio de Janeiro

Abertura dos portões: 22h
Início dos shows: 23h

Ingressos:
R$ 20 (inteira)
R$ 10 (meia entrada)
A venda na bilheteria do CCBB e pelo site www.eventim.com.br
Vendas a partir do dia 7 de agosto

Classificação indicativa: 18 anos

FOTOS E O EVENTO — LANÇAMENTO “DO QUARTO” (SANDRA NISKIER FLANZER) + RECITAL DE POESIA (PAULO SABINO)
3 de agosto de 2017

(Paulo Sabino e Sandra Niskier Flanzer)

 

(Casa lotada)

(Nélida Piñon)

(Antonio Carlos Secchin e Antonio Cicero)

(Marcelo Pies)

(A dedicatória pra mim)
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“Paulo, querido:

Sua presença, sua companhia, e mais especialmente sua voz, estão comigo neste lançamento.

Te encontrar foi um presente!

Que a gente lance, se lance, nesse lance, livre e livro, como a vida quer de nós.

Um beijo enorme e muito, muito obrigada!”

(Sandra Niskier Flanzer — 30/06/17)

 

 

A noite de segunda-feira, 31/07, com o lançamento do novo livro de poemas da psicanalista e poeta Sandra Niskier Flanzer, “Do quarto” (ed. 7Letras), na Casa do Saber, foi linda!

A poeta me convidou para fazer um recital de poesia que foi o meu primeiro vôo solo, a primeira vez que me apresentei sem dividir o palco, coisa que AMO fazer. Eu, chato que sou (acredito ser assim pra muita gente), acho que poderia fazer melhor, que não dei conta do recado de uma maneira satisfatória (pra mim). Mas, apesar dessa impressão (minha), recebi palavras muito carinhosas, muito generosas, de quem assistiu e veio falar comigo ao final. A Sandra também me contou que recebeu palavras muy elogiosas sobre o sarau que pensamos juntos e o meu desempenho com as palavras.

Para além disso, soube de uma história bacanérrima: de uma pessoa que não conheço e que estava no recital e que trabalha com um grande amigo meu e que por conta de uma foto do recital no celular do meu grande amigo comentou com ele que esteve nesse recital na segunda-feira (31/07) e que foi “sensacional” (palavra do meu amigo) e um tanto mais de palavras calorosas. Saldo pra lá de positivo. Por isso, por esse retorno do público, estou muito feliz com esta primeira apresentação sozinho.

A Sandra lotou o espaço merecidamente, porque o seu livro, “Do quarto”, é de uma beleza rara na poesia, muito sofisticado, e porque mesclamos as leituras com poemas de grandes autores (Adélia Prado, Drummond, João Cabral, Gullar, Pessoa, Antonio Cicero, Antonio Carlos Secchin, Armando Freitas Filho), desenvolvendo um papo poético bem bacana entre os versos. Por tanto, por tudo, aqui para agradecer demais demais demais o convite da Sandra, a oportunidade deste momento e a confiança depositada na minha voz. Agradecer demais demais demais a presença dos amigos, e, especialmente, dos mestres — também amigos — que lá estiveram: os membros da Academia Brasileira de Letras (ABL) Nélida Piñon, Antonio Carlos Secchin e Antônio Torres, o poeta, letrista e filósofo Antonio Cicero, o membro da Academia Carioca de Letras (ACL) Adriano Espínola e o figurinista de cinema, teatro e publicidade Marcelo Pies. A vontade pede mais momentos como o vivenciado na segunda 31/07.

Valeu demais!
Salve a Poesia!
Salve a sua existência na minha!

De presente, uma poesia incendiária da Sandra, que chama pela chama, pelo calor, pela luz, que a poesia alastra a quem desejar a sua chama, o seu calor, a sua luz.

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(do livro: Do quarto. autora: Sandra Niskier Flanzer. editora: 7Letras.)

 

 

CHAMA POESIA

 

Tu estejas aí
Enquanto estiver aqui
Não arredarei pé
Atravessarei feriado
Os ócios do ofício
E o fim da semana
A produzir labaredas
Lavas que atiçam chamas
Centelhas a chamar fogueiras
Estarei no entre flamas,
Laboredas combustíveis
Incinerando o edredom
Queimando a cama parada
Em meio ao fogo cruzado
Assim, tu estejas aí,
Minha cara litera-dura
Segura-me com tua brasa
Aquece-me em minha casa
Pois te apago e a pago
Incendiária e sem diária.

LANÇAMENTO “DO QUARTO” (SANDRA NISKIER FLANZER) + RECITAL DE POESIA (PAULO SABINO)
25 de julho de 2017

(Na foto, o convite para o lançamento)
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Na próxima segunda-feira, dia 31 de julho, a partir das 19h, na Casa do Saber (shopping Leblon — av. Afrânio de Melo Franco, 290, loja 101, 1º piso), a poeta e psicanalista Sandra Niskier Flanzer lança o seu mais novo livro de poesia, “Do quarto”, pela editora 7Letras.

Recebi, da autora, o convite, que muito me honra e alegra, para fazer um recital, onde lerei poemas do livro entrelaçados a poemas de outros poetas que inspiraram a criação de algumas peças poéticas ou que conversam com as leituras da noite. Então, além dos novos poemas da Sandra Niskier Flanzer, teremos a leitura de Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Antonio Cicero, Armando Freitas Filho, Fernando Pessoa, entre outros.

O lançamento começa às 19h e o recital, às 20h. Todos mais que convidados.

De brinde, deixo, aqui, um dos poemas “Do quarto” da Sandra, um poema lindo, que fiz questão de selecionar para a leitura, que nos incita a aproveitar a vida, a gastá-la, a usá-la, a deixá-la escorrer, a roê-la, a raspá-la, a fincar as unhas no umbigo do mundo, a fim de que o tempo que nos cabe valha a pena, valha a dor, valha a lágrima, valha a risada, valha a alegria, valha o bem-estar; a fim de que o tempo que nos cabe, em sua inutilidade (pois a vida, em si, não possui sentido, a não ser o sentido que damos a ela de acordo com os nossos objetivos e desejos), seja satisfatório, a ponto de gostarmos da vida, a ponto de gostarmos das nossas experiências vidafora, almadentro.

(A vida gosta de quem gosta da vida, não nos esqueçamos nunca desta lição.)

Venham! Eu e a Sandra esperamos vocês!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(do livro: Do quarto. autora: Sandra Niskier Flanzer. editora: 7Letras.)

 

 

IN UTILIZAR

 

Gastar, gastar, usar a vida
Deixar que escorra, provar da bica
Gastar, roer, raspar do fundo
Fincar as unhas no umbigo do mundo.
Cravar as mãos, roçar, pegar,
Ir ao encontro de, ralar, ralar
Usar agora, desgastar, se engastar
No tempo breve que passa justo.
Perder, perder, ceder ao outro
O resto pífio desse plano torto
De achar que vivo é o que se encaixa
Quando é a morte que se guarda em caixa.
Porvir, puir, e por ir, desperdiçar
Do impossível, cruzar a faixa
Fuçar o real que no acaso sobrar
E torná-lo inútil a ponto de gostar.

SOMOS TROPICÁLIA — 50 ANOS DO MOVIMENTO — 6° CICLO: ALINE LESSA, BETINA KOPP, PEDRO MANN E GRILLO
17 de julho de 2017

(Todas as fotos: Elena Moccagatta)

(Aline Lessa)

(Betina Kopp)

(Pedro Mann)

(Grillo)

(A trupe na companhia de Guilherme Araújo)
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***Para comemorar os 50 anos da Tropicália o Gabinete de Leitura Guilherme Araújo apresentará uma série de encontros poético-musicais ao longo de 2017***

***www.facebook.com/somostropicalia/***

***Nesta edição, os cantores, compositores e instrumentistas cariocas Aline Lessa, Pedro Mann e Grillo apresentarão músicas do repertório tropicalista, além de canções autorais, na companhia da poeta, performer e atriz Betina Kopp, que apresentará ao público a sua poesia sempre acompanhada de suas performances pra lá de tropicalistas***

Nos dias 19 e 20 de julho (quarta e quinta-feira), a partir das 19h30, acontece a sexta etapa do ciclo de encontros “Somos Tropicália – 50 anos do movimento”, no Gabinete de Leitura Guilherme Araújo, em homenagem aos 50 anos da Tropicália: as surpreendentes e eletrificadas apresentações de Caetano Veloso e Gilberto Gil no Festival da TV Record em 1967 são consideradas o marco inicial do movimento na música, que se consolidou com a gravação de “Tropicália Ou Panis Et Circenses”, álbum-manifesto lançado no ano seguinte.

Para esta edição de julho, o projeto tem como participantes a cantora, compositora e instrumentista Aline Lessa, os também cantores, compositores e instrumentistas Pedro Mann e Grillo, e a poeta, performer e atriz Betina Kopp. Para esta celebração poético-musical inédita, os artistas foram convidados a montar um roteiro no qual interpretarão alguns clássicos da Tropicália, sem deixar, é claro, de incluir obras autorais que se inspiram ou conversem com as influências do movimento. Junto às canções, poemas e performances onde percebemos o legado constituído pelo Tropicalismo.

Aline Lessa, cantora, compositora e instrumentista carioca, lança pela gravadora Biscoito Fino e pelo selo Garimpo, ainda em 2017, o seu segundo álbum autoral, que contou com a produção de Domenico Lancellotti. Com uma pegada que transita entre o rock, o pop e o experimental, o disco foi construído, conceitualmente, com o auxílio de artistas de outros segmentos – do teatro e das artes visuais – e contou com músicos como Bem Gil, Elisio Freitas, Lourenço Vasconcellos, Alberto Continentino, Pablo Arruda, entre outros. Integrou por seis anos, e foi responsável por boa parte das composições, a banda de rock alternativo “Tipo Uisque”, onde também tocava teclado e fazia backings. A partir de 2014, deu um tempo nas composições em inglês e se enveredou pela carreira solo, entregando-se às influências caseiras e serestas que ouvia com o seu pai. Em 2015, nasceu seu primeiro álbum solo, que leva o seu nome, e em português. Bem recebido por crítica e público, o trabalho figurou em algumas listas de melhores do ano e recebeu atenção de veículos especializados. Também produziu o projeto “Fio”, ao lado de Elisio Freitas, onde reinterpretava canções de Chico Buarque e Vinicius de Moraes. Os videos do projeto, lançados com exclusividade pela página “Brasileiríssimos”, alcançaram milhões de visualizações.

Cantor, compositor e instrumentista, o carioca Pedro Mann vem traçando um caminho único e plural no cenário da música brasileira. Pedro é baixista há alguns anos, tendo já acompanhado e dividido o palco com Gilberto Gil, Roberta Sá, Geraldo Azevedo, Forróçacana e Pedro Luís. É fundador do “Bondesom”, grupo que vem inspirando o cenário da música instrumental carioca há mais de uma década. Com a banda tem três discos lançados: “Bondesom” (2007), “Procurando Lola” (2011) e “Três” (2014). O lado autor ganhou força e Mann começou a ser gravado por cantores como Matheus VK, Thaís Gulin, Angelo Paes Leme e Antonia Adnet. Em 2013 lançou o seu primeiro disco solo, “O Mundo Mora Logo Ali”, apresentando canções autorais e autobiográficas. No segundo semestre de 2016, Pedro Mann iniciou a turnê de seu segundo disco, “Cidade Copacabana”, produzido por Lucas Santtana e Duani. O disco representa uma expansão da consciência musical do compositor, trazendo uma sonoridade mais urbana e eletrônica. “Fiquei muito feliz com o convite para participar desse resgate estético musical. Sinto que a Tropicália influencia muito a minha arte porque é um jeito de ver o mundo com ousadia, integrando as nossas polaridades num caldeirão alquímico e transformando a mistura em algo genuíno. Acho que o resgate do espírito tropicalista é de extrema importância nos dias de hoje, onde a intolerância está dando as caras”, dispara.

Depois de seu primeiro CD e DVD “História de Samba”, o cantor e compositor carioca Grillo assume agora o rótulo de “MPB pra dançar” e lança este ano seu novo EP autoral “O Baile Chegou”. Neste trabalho, as suas referências de samba e bossa nova se misturam a ritmos como soul, charme e rap. Sopros e beatboxes se entrelaçam às percussões de mestre Marçal sob a produção musical do DJ Meme. As canções falam sobre gratidão, festas e amores perdidos. Exaltam o empoderamento feminino e celebram a diversidade e o amor. “Na minha visão o movimento da Tropicália representou um marco na história da música brasileira. A introdução de guitarras, a ousadia das letras super antenadas com a política da época e as cores nas roupas, cenários e artes de capa, revelavam o nascimento de uma atitude comportamental de liberdade cultural da qual os jovens podiam finalmente se apropriar sem perder o seu sotaque tupiniquim”, avalia o artista.

Betina Kopp é poeta, performer, apresentadora e atriz formada pela CAL. Artista múltipla, criou as performances “Corpinturadas”, “PQP – Poesia Que Para”, “Poesia Para Degustar” e “Poiesis”, apresentando-se nos mais variados lugares, como em festivais de arte e cultura na Bahia e em Pernambuco, no Complexo do Alemão (Rio de Janeiro) e na PUC de diversos estados (RJ, PR, RS). No teatro, participou de trabalhos onde se destacam “Diálogos com Lorca”, dirigida por Lu Grimaldi, “Contos de amor e morte”, dirigida por José Luiz Junior, e “Vão Paraíso” e “Escola de Molières”, ambas dirigidas por Amir Haddad. Integrante da Companhia Bando, atua no espetáculo de dança-teatro “Revoada”. Fez participações em variadas produções de televisão (programas, séries e novelas). Integrante do grupo “Voluntários da Pátria”, coletivo que promove o projeto dinâmico que mistura música e poesia para jovens e que circulou por 11 estados do país, Betina Kopp gravou os áudio-livros “Baú do Raul”, “A cabeça de Medusa” e “Morangos Mofados”, além de ter publicado seu livro de poesia “Beco” (Rubra Editora). “O Tropicalismo permanece vivo, ecoa inspirações e alimenta criações. Participar desta homenagem é uma honra. Rever nossa história é necessário, vibrar as influências e fazer reverberar a resistência que é ser artista em qualquer época”, afirma a artista.

O projeto, sob coordenação, curadoria e produção do jornalista Rafael Millon e do poeta Paulo Sabino (também jornalista), é realizado em parceria com o Gabinete de Leitura Guilherme Araújo, e estreou oficialmente em fevereiro, reunindo a cantora Mãeana, o músico e compositor Bem Gil, e o poeta e agitador cultural Jorge Salomão. Em março o projeto recebeu os cantores e compositores Lila e Matheus VK junto com o ator e poeta Eber Inácio. Em abril se apresentou o quarteto composto pela cantora Juliana Linhares junto com cantor e compositor Mihay, o ilustre poeta Salgado Maranhão e o músico Helio Moulin. Em maio foi a vez de Letícia Novaes e Arthur Braganti, dupla integrante da recém extinta banda “Letuce”, junto com o poeta e jornalista Luis Turiba. Em junho, a mais recente edição recebeu a atriz cantora e compositora Mari Blue, o multi-instrumentista e pesquisador musical Marcelão De Sá, o poeta, cantor e compositor João Bernardo e o baterista, percussionista e regente Lourenço Vasconcellos. 

Aguardamos vocês!

Serviço:


Gabinete de Leitura Guilherme Araújo apresenta —

SOMOS TROPICÁLIA – 50 anos do movimento

Julho: com Aline Lessa, Pedro Mann, Grillo e Betina Kopp / Pocket-show e leitura de poesias
Dias 19/07 (4ª-feira) e 20/07 (5ª-feira)
A partir das 19h30
Rua Redentor, 157 Ipanema
Tel infos. 21-2523-1553
Entrada: R$ 1,00
Lotação: 60 lugares
Classificação: livre

Link do evento no Facebook: http://www.facebook.com/events/133368910584620/
Página do projeto no Facebook: http://www.facebook.com/somostropicalia/

SOMOS TROPICÁLIA — 50 ANOS DO MOVIMENTO — 5º CICLO: MARI BLUE, JOÃO BERNARDO, MARCELÃO DE SÁ E LOURENÇO VASCONCELLOS — O CREDO (MARI BLUE)
19 de junho de 2017

(Os participantes da 5ª edição: da esquerda para direita: Marcelão De Sá, Mari Blue, João Bernardo e Lourenço Vasconcellos — Fotos: Elena Moccagatta)

(Nota da coluna “Parada Obrigatória”, da revista “Zona Sul”, jornal O Globo)
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*** Para comemorar os 50 anos da Tropicália o Gabinete de Leitura Guilherme Araújo apresentará uma série de encontros poético-musicais ao longo de 2017 ***

*** www.facebook.com/somostropicalia/ ***

Nesta edição, a atriz, cantora e compositora Mari Blue e o cantor e compositor João Bernardo apresentarão músicas do repertório tropicalista, acompanhados do percussionista e compositor Lourenço Vasconcellos e do músico Marcelão de Sá, que, além de tocar, fará uma apresentação mostrando ao público algumas pérolas tropicalistas escondidas pelo tempo

Nos dias 21 e 22 de junho (quarta e quinta-feira), a partir das 19h30, acontece a quinta etapa do ciclo de encontros “Somos Tropicália – 50 anos do movimento”, no Gabinete de Leitura Guilherme Araújo, em homenagem aos 50 anos da Tropicália: as surpreendentes e eletrificadas apresentações de Caetano Veloso e Gilberto Gil no Festival da TV Record em 1967 são consideradas o marco inicial do movimento na música, que se consolidou com a gravação de “Tropicália Ou Panis Et Circenses”, álbum-manifesto lançado no ano seguinte.

Para esta edição de junho, o projeto tem como participantes a cantora, compositora e atriz Mari Blue, o cantor e compositor João Bernardo, o percussionista e compositor Lourenço Vasconcellos e o músico Marcelão de Sá. Para esta celebração poético-musical inédita, os artistas foram convidados a montar um roteiro no qual interpretarão alguns clássicos da Tropicália e outras famosas canções lançadas bem depois do movimento mas que preservam o espírito tropicalista. Isso sem deixar, é claro, de incluir obras autorais que se inspiram ou conversem com as influências do movimento. E também, antes do início do show, o músico Marcelão de Sá fará uma apresentação na qual mostrará pérolas tropicalistas escondidas do grande público, através de alguns dos vários vinis da sua coleção pessoal, verdadeiras raridades.

Mari Blue é destaque da cena da música independente. Radicada no Rio, a mineira é uma artista versátil, elogiada por artistas consagrados como Marina Lima e Kiko Loureiro. Iniciou sua carreira no teatro (estudou Artes Cênicas na Unirio e UFRJ), mas se aprofundou na música. Tem três álbuns lançados e vem sendo premiada em importantes festivais como o Festival Nacional da Canção, o Festival da Canção Francesa, o Femurc e o Festival de Clipes e Bandas, onde recebeu três prêmios em 2017. Também fará parte este ano do WebFestiValda, que acontecerá em julho. “Para mim, participar do ‘Somos Tropicália’ é uma celebração de um encontro artístico que aconteceu no passado através de um outro encontro presente”, declara a artista.

João Bernardo é poeta, cantor e compositor. Assim como a Mari Blue, é mineiro (de BH) radicado no Rio. Com 3 cds gravados e com lançamento agendado para novembro no Teatro Ipanema do seu quarto disco, João vem sendo gravado por vários artistas da nova geração, como Mãeana, Liniker, Duda Brack, Ana Ratto, Julia Bosco, Ana Clara Horta com Pedro Luis, Matheus von Kruger, entre outros. Ganhou o prêmio de Melhor canção de 2016 das rádios MEC e Nacional, e sua música “Queria me enjoar de você” se tornou um webhit após o lançamento do vídeo realizado pela cineasta Clara Cavour. A música ganhou vários covers país afora. “Gil e Caetano estão entre os artistas que mais escutei e que mais me influenciaram vida afora. Revolucionários na música e no comportamento, deram um ‘chega pra lá’ na caretice nacional. A MPB nunca mais foi a mesma. Poder celebrar os 50 anos do movimento na casa do Guilherme Araújo é pra mim simbólico demais. Sinto afinidade total”, alegra-se ao falar.

Marcelão De Sá toca desde os 9 anos de idade. Participou de várias bandas na década de 90, a mais atual sendo a “Dinda”, ao lado de João Bernardo, participante desta edição do projeto. Ao longo da sua carreira, tocou com grandes artistas, entre eles Caetano Veloso, Gilberto Gil e Jards Macalé. Há 4 anos integra a banda de Jorge Mautner, acompanhando o poeta e cantor também em suas apresentações no formato voz e violão. “Linda oportunidade participar desse encontro divino maravilhoso! Dividir minha pesquisa e paixão por essa fase de nossa história”, diz com entusiasmo.

Lourenço Vasconcellos é baterista, percussionista e compositor, formado em Composição pela UFRJ e mestre em Jazz Studies, com foco em bateria, pela University of Louisville (UofL), EUA. Entre 2010 e 2013, integrou a Orquestra Corações Futuristas, que acompanhou o compositor e multi-instrumentista Egberto Gismonti em concertos por diversas cidades brasileiras e também na Bélgica, no Festival Europalia. Além de colaborar com o trabalho de diversos instrumentistas e cantoras cariocas, como Gabriel Geszti, Glaucus Linx e Andreia Mota, dedica-se aos seus próprios grupos “Relógio de Dalí”, “Quintal dos Ipês” e a “Banda Taranta”. Lourenço também é baterista do projeto “Iara Ira”, que reúne três grandes e jovens cantoras brasileiras, Juliana Linhares, Julia Vargas e Duda Brack. Com frequência integra o naipe de percussão da OSB como músico convidado. Atualmente é diretor musical e regente da Orquestra de sopros da Pró-Arte.

Venham todos!

De presente, abaixo, vídeo, da Mari Blue, fazendo, ao vivo, a sua belíssima — e com toque tropicalista — “O credo”, onde afirma gostar de opostos, onde afirma ter os contrários como complementares.

 

Serviço:

Gabinete de Leitura Guilherme Araújo apresenta –

SOMOS TROPICÁLIA – 50 anos do movimento

Pocket-show com Mari Blue, João Bernardo, Marcelão de Sá e Lourenço Vasconcellos / apresentação de músicas e vinis raros da tropicália por Marcelão de Sá
Dias 21/06 (4ª-feira) e 22/06 (5ª-feira)
A partir das 19h30
Rua Redentor, 157 Ipanema
Tel infos. 21-2523-1553
Entrada: R$ 1,00
Lotação: 60 lugares
Classificação: livre

Link do evento no Facebook: http://www.facebook.com/events/174187333116941/
Página do projeto no Facebook: http://www.facebook.com/somostropicalia/

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(do site: Yourube. artista e intérprete: Mari Blue. canção: O Credo. autora: Mari Blue.)

O CREDO  (Mari Blue)

me apetece a falta de estética
a falta de pretensão
as formas menos artísticas
a falta de didática
eu gosto de tirar a razão da ética
da falta de programação
eu gosto de quem  não gosta de ler
mas tem opinião
o que é real existe mas não existia
assim como quem é normal
meu almoço não é mingau
o vizinho me espia
eu gosto de liberdade
de ter o meu próprio perdão
eu não acredito na verdade
eu não tenho religião

me apetece um toque de estética
um pouco de pretensão
as muitas formas artísticas
a calma da didática
eu gosto de valorizar a ética
fazer e ter programação
eu gosto de quem gosta de ler
e tem opinião
o que é real existe mas não existia
assim como quem é normal
meu almoço não é mingau
o vizinho me espia
eu gosto de liberdade
de ter o meu próprio perdão
eu não acredito na verdade
eu não tenho religião

sim
me apetece a convicção
não dar poder
ao pudor
estender a mão

ter respeito
se não tem
amor
cuidar
aceitar o dever
fazer da dúvida a conclusão

SOMOS TROPICÁLIA — 50 ANOS DO MOVIMENTO — 4º CICLO: LETÍCIA NOVAES, ARTHUR BRAGANTI E LUIS TURIBA — JÓIA (CAETANO VELOSO)
24 de maio de 2017

(Letícia Novaes — Foto: Ana Alexandrino)

(Arthur Braganti — Foto: Ana Alexandrino)

(Luis Turiba — Foto: Ana Alexandrino)

(Os participantes + Caetano Veloso, Guilherme Araújo e Gal Costa — Foto: Ana Alexandrino)

(Nota na coluna “Gente Boa”, do caderno cultural do jornal O Globo)
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*** Para comemorar os 50 anos da Tropicália o Gabinete de Leitura Guilherme Araújo apresentará uma série de encontros poético-musicais ao longo de 2017 ***

*** www.facebook.com/somostropicalia/ ***

Nos dias 31 de maio e 01 de junho (quarta e quinta-feira), a partir das 19h30, acontece a quarta etapa do ciclo de encontros “Somos Tropicália – 50 anos do movimento”, no Gabinete de Leitura Guilherme Araújo, em homenagem aos 50 anos da Tropicália: as surpreendentes e eletrificadas apresentações de Caetano Veloso e Gilberto Gil no Festival da TV Record em 1967 são consideradas o marco inicial do movimento na música, que se consolidou com a gravação de “Tropicália Ou Panis Et Circenses”, álbum-manifesto lançado no ano seguinte.

Nesta edição de maio o projeto tem como participantes a cantora, compositora e atriz Letícia Novaes, o músico e compositor Arthur Braganti, o poeta e jornalista Luis Turiba. A noite também conta com a participação especial de Natália Carrera, guitarrista e produtora musical do novo álbum de Letícia, “Letrux Em Noite de Climão”, que será lançado em breve.

Para esta celebração poético-musical inédita os artistas foram convidados a montar um roteiro com sabor tropicalista no qual misturam textos, canções e referências de diferentes épocas e estilos e no qual entrarão sucessos de Caetano, Mutantes, Carmem Miranda, Torquato Neto e Edu Lobo e até Berlin (aquela do Take My Breath Awaaaay, hit do New Wave nos anos 80). Sem deixarem, é claro, de incluir músicas e poesias autorais que se inspiram ou conversem com as influências do movimento, como o samba “Mistura Tropicalista”, enredo que o Turiba compôs para o carnaval do bloco Mistura de Santa.

Letícia e Arthur são destaques da cena da música independente. Até pouco tempo atrás Letícia foi líder da recém extinta banda “Letuce”, um dos principais grupos deste cenário na última década, e do qual Arthur também foi integrante nos últimos anos. Multiartista reconhecida e de personalidade marcante, Letícia sempre demonstrou ter espírito tropicalista, conferindo uma assinatura própria aos resultados. “Minha carreira sempre foi uma miscelânea curiosa entre literatura, teatro e música. Sempre brinquei com as coisas mais tradicionais e ‘clássicas’ brasileiras, como o próprio pagode, que fiz versões dentro da ‘nova mpb’. Sempre me utilizei de referências cinematográficas ou teatrais, mesmo para fazer um show musical. E além disso, nunca tive nenhum temor às referências ‘gringas’, pelo contrário, abraço tudo que me emociona, seja na língua mãe ou numa língua amiga”, se diverte a artista.

E Turiba, que possui cinco livros de poesia publicados, entre eles o mais recente, “QTais”, é ganhador de dois prêmios “Esso de jornalismo”, e é um importante nome da literatura e do jornalismo brasileiros. Entusiasta e freqüentador de saraus poéticos, suas atuações em leituras de poesias são sempre potentes e cativantes, transmitindo a alegria e a animação que lhe são características. Seu bloco de carnaval no Rio de Janeiro, o “Mistura de Santa”, desfilou em 2016 com o enredo “Mistura Tropicalista”, um samba de sua autoria que ele apresentará ao público do projeto. Além disso, ele também é idealizador do Café Tropicália na 33ª Feira de Livro de Brasília, em 2017. “O Tropicalismo foi o mais importante movimento cultural da última metade do século passado. Combateu a ditadura esteticamente e revolucionou a linguagem poética brasileira com Torquato Neto à frente, como letrista de Gil, Caetano, Edu Lobo. Foi um movimento que misturou tudo: passado, presente, cinema, teatro, poesia e artes plásticas. Foi reprimidíssimo, durou pouco, mas seus ecos podem ser ouvidos até hoje”, explica Turiba.

Em junho o projeto, que tem entrada franca e se realiza sem qualquer tipo de apoio ou patrocínio, receberá a cantora Zabelê e o cantor, compositor e poeta Moraes Moreira.

Venham todos!

 

Serviço:

Gabinete de Leitura Guilherme Araújo apresenta –

SOMOS TROPICÁLIA – 50 anos do movimento

Letícia Novaes, Arthur Braganti e Luis Turiba – part.: Natália Carrera / Pocket-show e leitura de poesias
Dias 31/05 (4ª-feira) e 01/06 (5ª-feira)
A partir das 19h30
Rua Redentor, 157 Ipanema
Tel infos. 21-2523-1553
Entrada franca c/ contribuição voluntária
Lotação: 60 lugares
Classificação: livre

Link do evento no Facebook: http://www.facebook.com/events/1948758825346169/
Página do projeto no Facebook: http://www.facebook.com/somostropicalia/

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(do livro: Sobre as letras. organização e notas: Eucanaã Ferraz. comentários: Caetano Veloso.)

 

JÓIA

Deu título ao disco. É um negócio pequeno mas bonito. Fala de uma menina específica, Claudinha O’Reilegh. A gente ia ver o sol nascer em Copacabana todo dia de manhã, antes de dormir, e ela tomava coca-cola.
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jóia: objeto de material valioso trabalhado com esmero, com todo o cuidado e atenção; pessoa ou coisa muito querida ou boa; algo bacana, bonito, excelente.

uma jóia da vida: uma cena da vida: beira de maré na américa do sul. um selvagem (diz-se daquele que vive nas selvas, afastado dos aglomerados urbanos) levanta o braço, abre a mão e tira um caju para seu deleite: um momento, uma cena da vida, de grande amor: uma jóia existencial. o prazer de viver um momento de grande amor: deliciar-se com um caju colhido ao pé da árvore, ao alcance da mão.

uma jóia da vida: uma cena da vida: copacabana — palavra indígena, o nome de um bairro movimentadíssimo, além de muito extenso, na cidade do rio de janeiro; copacabana, a princesinha do mar: louca total, completamente louca, princesinha agitada, tumultuada, o avesso do que se imagina nas selvas, lugares de palavra indígena. em copacabana, ao nascer do sol, de frente pro mar (beira de maré na américa do sul), a menina, muito contente, feliz, satisfeita, toca a coca-cola na boca: um momento, uma cena da vida, de puro amor: uma jóia existencial. o prazer de viver um momento de puro amor: deliciar-se com uma coca-cola enquanto assiste ao nascer do sol.

uma jóia da vida: uma cena da vida: seja na selva, seja na cidade; seja um selvagem (diz-se daquele que vive nas selvas, afastado dos aglomerados urbanos), seja a menina de um grande centro urbano; seja um caju, fruto da natureza, seja uma coca-cola, fruto da indústria: vivenciar momentos, cenas, de grande e puro amor: eis a grande jóia da vida.

beijo todos!
paulo sabino.
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(do livro: Letra só. seleção e organização: Eucanaã Ferraz. autor: Caetano Veloso. editora: Companhia das Letras.)

 

 

JÓIA

 

Beira de mar
Beira de mar
Beira de maré na América do Sul
Um selvagem levanta o braço
Abre a mão e tira um caju
Um momento de grande amor
De grande amor

Copacabana
Copacabana
Louca total e completamente louca
A menina muito contente
Toca a coca-cola na boca
Um momento de puro amor
De puro amor
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(do site: Youtube. áudio extraído do álbum: Jóia. artista e intérprete: Caetano Veloso. canção: Jóia. autor: Caetano Veloso. gravadora: PolyGram.)