CANÇÃO
10 de dezembro de 2012

Décio Pignatari

(O poeta Décio Pignatari.)
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Em homenagem ao poeta Décio Pignatari, falecido no último dia 02 do corrente mês, sem o devido reconhecimento da sua sofisticada obra poética por parte dos seus pares (jornalistas, críticos literários & poetas), sem, ao menos, quando vivo, 1 prêmio de literatura, poeta à parte de todas as loas & de todos os salves por conta das suas audácia, capacidade & perspicácia criativas, poeta à parte de todas as loas & de todos os salves por conta da inveja & do medo de parte da classe literária (alguns poetas, críticos literários, jornalistas, são tão inseguros que temem a perda dos seus espaços com a chegada de alguém com excesso de talento), em homenagem, portanto, a um poeta rechaçado, quando vivo, por sua pletora de talento (acorda, Brasil!), este poema que, neste momento, chega oportuno, vestindo o “Prosa em poema” tão bem como se uma luva fosse.
 
Décio, com todos os seus feitos poéticos, não deve nada a ninguém.
 
Somos nós quem devemos a ele por tudo & tanto. Uma, apenas uma das provas está aqui, no livro de onde saiu o poema que lhes segue, livro onde Décio Piganatari traduz 214 poemas de 31 poetas diferentes, passando pelos hinos do Rig-Veda, pelos poetas-santos de Xiva, por Safo, por Íbico, por Catulo, pelos poetas da dinastia Tang, até chegar em George Byron, Robert Browning, Arthur Rimbaud & Guillaume Apollinaire, entre outros.
 
Décio Pignatari: uma usina de luz, de sabedoria, de conhecimento. 
 
Com sua espada, que foi sua caneta a disparar versos (arma com a qual lutou), foi um bravo — mas sem ofensa a ninguém.
 
Em mim, ninguém pô-lo-á chinfrim, e deixo este poema como uma espécie de epitáfio à sua vida de braços dados à poesia, coisa que realmente deve importar, coisa com a qual Décio Pignatari se importou durante toda a sua existência.  
 
A ele, os meus agradecimentos por suas imensidão & generosidade.    
 
Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(do livro: 31 poetas 214 poemas — Do Rig-Veda e Safo a Apollinaire. autor do poema: Robert Burns. tradução, notas e comentários: Décio Pignatari. editora: Companhia das Letras.)
 
 
 
CANÇÃO
 
 
Tenho mulher só pra mim
Não divido com ninguém
Ninguém vai me pôr chinfrim
Não ponho chifre em ninguém 
 
Tenho um real pra gastar
Graças a quem? A ninguém
Não tenho nada a emprestar
Não empresto de ninguém
 
Eu não sou senhor de escravo
Nem escravo de ninguém
Com minha espada sou bravo
Mas sem ofensa a ninguém
 
Quero ser o alegre amigo
Sem tristeza por ninguém
Ninguém se importa comigo
Não me importo com ninguém
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