AS APARÊNCIAS ENGANAM
11 de novembro de 2013

Fogo & Gelo

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(Esta é uma das coisas mais lindas que a música popular poderia ter feito por mim, por nós. E, nesta fase, tudo muito à flor da pele, é assim: coloco para escutar, e choro choro choro – rs.)
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As aparências enganam os que odeiam & os que amam: pois o amor & o ódio se tocam em suas extremidades: um amor, quando torna-se mágoa, é o avesso de um sentimento: oceano sem água.

O ódio, em caso de amor, só existe porque, no fundo do ser, existe algum sentimento resguardado pelo outro.

As aparências enganam os que odeiam & os que amam: porque o amor & o ódio se irmanam na fogueira das paixões: os corações pegam fogo e, depois, não há nada que os apague.

Se a combustão os persegue, as labaredas & as brasas são o alimento (aquilo que faz viver), o veneno (aquilo que faz morrer), o pão, o vinho seco (a bebida quente, que aquece & inebria, e que é, ao mesmo tempo, rascante): a recordação dos tempos idos de comunhão, dos tempos idos de união feliz — sonhos vividos de conviver…

As aparências enganam os que odeiam & os que amam: porque o amor & o ódio se irmanam na geleira das paixões: os corações viram gelo e, depois, não há nada que os degele.

Se a neve, cobrindo a pele, vai esfriando por dentro o ser: não há mais forma de se aquecer… não há mais tempo de se esquentar… não há mais nada pra se fazer senão chorar sob o cobertor…

As aparências enganam os que gelam & os que inflamam: porque o fogo & o gelo se irmanam no outono das paixões: o outono das paixões: tempo de recolhimento, tempo de quietude, tempo de reestruturação do ser: pensar & repensar o relacionamento vivenciado, pensar & repensar se o relacionamento vivenciado vale a pena, e, caso não valha mais, aprontar-se para o porvir: os corações cortam lenha e, depois, se preparam para outro inverno.

Mas, apesar dos pesares, o verão que os unira — que unira os corações agora separados — ainda vive & transpira ali (ainda vive & transpira dentro do ser, na recordação dos tempos idos de comunhão, nos sonhos vividos de conviver): nos corpos juntos, na lareira; na reticente primavera, primavera — estação da floração, do renascimento — ainda hesitante; no insistente perfume de alguma coisa — que não sabemos & não podemos definir ao certo — chamada:

AMOR.

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(autores: Tunai / Sérgio Natureza.)

 

 

AS APARÊNCIAS ENGANAM

 

As aparências enganam
Aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio
Se irmanam na fogueira das paixões
Os corações pegam fogo e depois
Não há nada que os apague
Se a combustão os persegue
As labaredas e as brasas são
O alimento, o veneno, o pão
O vinho seco, a recordação
Dos tempos idos de comunhão
Sonhos vividos de conviver

As aparências enganam
Aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio
Se irmanam na geleira das paixões
Os corações viram gelo e depois
Não há nada que os degele
Se a neve cobrindo a pele
Vai esfriando por dentro o ser
Não há mais forma de se aquecer
Não há mais tempo de se esquentar
Não há mais nada pra se fazer
Senão chorar sob o cobertor

As aparências enganam
Aos que gelam e aos que inflamam
Porque o fogo e o gelo
Se irmanam no outono das paixões
Os corações cortam lenha e depois
Se preparam pra outro inverno
Mas o verão que os unira
Ainda vive e transpira ali
Nos corpos juntos, na lareira
Na reticente primavera
No insistente perfume
De alguma coisa chamada amor
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(do site: Youtube. áudio extraído do álbum: Elis, essa mulher. artista & intérprete: Elis Regina. canção: As aparências enganam. autores da canção: Tunai / Sérgio Natureza. gravadora: WEA Music.)

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A BAHIA TEM UM JEITO…
27 de outubro de 2009

Largo do Pelourinho
 
Nas sacadas dos sobrados
Da velha São Salvador
Há lembranças de donzelas
Do tempo do imperador
Tudo, tudo na Bahia
Faz a gente querer bem
A Bahia tem um jeito
 
                                  (Dorival Caymmi, Você já foi à Bahia?)
 
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TODA SEXTA-FEIRA (Adriana Calcanhotto)
 
Toda sexta-feira
toda a roupa é branca
toda pele é preta
todo mundo canta
todo o céu magenta
 
Toda sexta-feira
todo canto é santo
e toda conta
toda gota
toda onda
toda moça
toda renda
 
Toda sexta-feira
todo o mundo é baiano
junto
 
(poema-canção extraído do cd belô velloso. artista: belô velloso. gravadora: velas)
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LÁ  E  CÁ (Lenine / Sérgio Natureza)
 
Mangueira, Ilê Aiê e viva o baticum
Quando a Padre Miguel encontra o Olodum
Caymmi com Noel, no Tom maior Jobim
A Penha, a Candelária, o Senhor do Bonfim
 
Irmão São Salvador, São Sebastião
Tamborim, berimbau na marcação
Pontal do Arpoador, final de Itapoã
Meninos do Pelô, da Flor do Amanhã
 
Diga aí, diga lá
Você já foi à Bahia, nêga? Não?
Então vá
Então vá
 
Diga lá, diga aí
Você já foi até o Rio, nêga? Não?
Tem que ir
Tem que ir
 
Rocinha faz parelha lá com Curuzu
Centelha, luz, axé, que vem do fundo azul
Do céu, do mar, de Maré até Maricá
No reino de água e sal de mãe Iemanjá
 
E é tanta coisa afim, tanto lá como cá
Tem Barras, Piedades e Jardins de Alah
São trios e afoxés
Blocos de empolgação
De arranco, negro e branco
Tudo de roldão
 
Diga aí, diga lá
Você já foi à Bahia, nêga? Não?
Então vá
Então vá
 
Diga lá, diga aí
Você já foi até o Rio, nêga? Não?
Tem que ir
Tem que ir
 
João, Benjor, Cartola
da Viola, Gil, Velô
Coqueijo, Alcyvando
Chico, Cyro, Osmar, Dodô
 
Geraldos e Ederaldos
Elton, Candeia e Xangô
Rufino, Aldir, Patinhas
da Vila, Ismael, Melô
 
Monsueto e Batatinha
Silas, Ciata e Sinhô
Salve Mãe Menininha
Clementina, voz da cor
 
(…)
 
Diga aí, diga lá
Você já foi à Bahia, nêga? Não?
Então vá
Então vá
 
Diga lá, diga aí
Você já foi até o Rio, nêga? Não?
Tem que ir
Tem que ir
 
(poema-canção extraído do cd acústico mtv – lenine. artista: lenine. gravadora: sony & bmg)