OCUPAÇÃO POÉTICA — TEATRO CÂNDIDO MENDES (3ª EDIÇÃO) — VÍDEOS: ALICE CAYMMI & DANILO CAYMMI
25 de março de 2016

Ocupação Poética_3ª edição 16

(Alice Caymmi)

Ocupação Poética_3ª edição 17

(Danilo Caymmi)

Ocupação Poética_3ª edição 15

(Danilo & Alice Caymmi)

Alice Caymmi_Aniversário

(No aniversário da Alice, alguns dias atrás)
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A quem desejar, 5 vídeos da 3ª edição do projeto “Ocupação Poética”, ocorrido no dia 24 de fevereiro (quarta-feira), no teatro Cândido Mendes (Ipanema – RJ), com a participação de um elenco estelar: Geraldo Carneiro, Bruce Gomlevsky, Tonico Pereira, Vitor Thiré, Maria Padilha, Camilla Amado, Luiza Maldonado, Luana Vieira, Danilo Caymmi & Alice Caymmi.

Nos vídeos desta publicação, os versos do grande homenageado da noite, o refinado poeta & dramaturgo, além de querido amigo, Geraldo Carneiro, e um poema-canção do mestre baiano Dorival Caymmi: em 3 vídeos, a cantora & compositora Alice Caymmi recita os poemas “O elogio dos soníferos”, “Conspirações” & “Dissonância”, todos do Geraldo Carneiro. No quarto & último vídeo da artista, ela canta a “Canção da noiva”, do poeta-compositor — seu avô — Dorival Caymmi. No quinto & último vídeo desta postagem, o cantor & compositor Danilo Caymmi, além de falar divertidamente sobre o seu pai no cinema (um verdadeiro “galã russo”), interpreta, juntamente com a Alice, a “Canção do amor rasgado”, nascida da parceria entre o Danilo Caymmi & o Geraldo Carneiro.

Mais vídeos chegarão!

Divirtam-se!

Beijo todos!
Paulo Sabino.
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Alice Caymmi recita O elogio dos soníferos, poema de Geraldo Carneiro.)

 

O ELOGIO DOS SONÍFEROS  (Geraldo Carneiro)

 

soníferos eu lanço contra as feras

que me devoram a solidez do sono.

a solidão em si não me apavora.

os outros são o inferno, o purgatório

e às vezes são também o paraíso.

não sei do inverno que virá ou não

virá, ainda não formei juízo.

aliás, juízo sempre me faltou

e há de faltar, espero, até a morte,

esse capítulo da história natural,

contra o qual não farei rebelião.

amparo metafísico? não tenho.

invejo o céu, a dança das esferas,

morro de inveja do Ptolomeu,

vagando a salvo nas cosmologias

com Deus no centro, o resto ao seu redor.

não tenho centro, cetro ou direção.

a mim só não me falta coração
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Alice Caymmi recita Conspirações, poema de Geraldo Carneiro.)

 

CONSPIRAÇÕES  (Geraldo Carneiro)

 

alguma coisa se desprende do meu corpo

……………………………………………………..e voa

não cabe na moldura do meu céu.

sou náufrago no firmamento.

o vento da poesia me conduz além de mim

o sol me acende

…………………………….estrelas me suportam

Odisseu nos subúrbios da galáxia.

amor é o que me sabe e o que me sobra

outro castelo que naufraga

como tantos que a força do meu sonho

quis transformar em catedrais.

ilusões? ainda me restam duas dúzias.

conspirações de amor, talvez não mais
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Alice Caymmi recita Dissonância, poema de Geraldo Carneiro.)

 

DISSONÂNCIA  (Geraldo Carneiro)

 

depois do dia em que você morreu

(ou só morreu aqui dentro de mim)

enlouqueci, fiquei fora de si,

exorbitei, gastei exorbitâncias,

as ânsias do passado e do futuro.

em suma, eu me matei ou me morri

depois ressuscitei e recitei

meus paradoxos, minhas paralaxes,

perdi a fé, o centro, o astro rei

os para-lamas da minha sintaxe,

só me restando como contraforte

o dom de me entranhar noutras criaturas

e fabricar fragmentos de poesia,

eu kamikaze de mim mesmo

extravagando a esmo à-toa ao léu

sem direção, sem coração, sem lua

desorbitado para além de mim
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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Alice Caymmi canta Canção da noiva, poema-canção de Dorival Caymmi.)

 

CANÇÃO DA NOIVA  (Dorival Caymmi)

 

É tão triste ver partir
Alguém que a gente quer
Com tanto amor
E suportar a agonia
De esperar voltar

Viver olhando o céu e o mar
A incerteza a torturar
A gente fica só
Tão só
A gente fica só
Tão só

É triste esperar…
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(do site: Youtube. áudio extraído do álbum: Caymmi visita Tom. artistas: Tom Jobim / Dorival Caymmi. canção: Canção da noiva. autor: Dorival Caymmi. intérprete: Stella Caymmi. gravadora: Universal Music.)


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(do site: Youtube. projeto: Ocupação Poética [3ª edição] — Teatro Cândido Mendes. local: Rio de Janeiro. data: 24/02/2016. Danilo Caymmi & Alice Caymmi cantam Canção do amor rasgado, poema-canção de Danilo Caymmi & Geraldo Carneiro.)

 

CANÇÃO DO AMOR RASGADO  (Geraldo Carneiro)

 

Meu amor, te amo

Quantas mil vezes te amo

Mar que se instalou dentro de mim

Meu amor, te quero

Mesmo quando não te quero

Meu céu é quando estás perto de mim

De tanto sonhar com tuas artes

Me dispersei, não sei de mim

Sim, me descobri

Só conheci a solidão

Antes de ter a luz do teu amor
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(do site: Youtube. áudio extraído do álbum: Alvear. artista & intérprete: Danilo Caymmi. canção: Canção do amor rasgado. música: Danilo Caymmi. poema: Geraldo Carneiro. gravadora: Biscoito Fino.)

 

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NO “FLA X FLU”, POESIA: A CASA QUE NÃO É MINHA
22 de outubro de 2014

Chave & Fechadura

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a vida, impreterivelmente, é feita de escolhas.

a fim de alcançar determinado objetivo, muitas vezes, algumas outras possibilidades, possibilidades de outros tantos caminhos, têm de ser deixadas para trás.

escolher é viver. o tempo inteiro, na vida, somos expostos a escolhas, aceitemos ou não. porém, as escolhas, em muitos casos, são inteiramente dispensáveis.

nos casos em que as escolhas são inteiramente dispensáveis & que, mesmo assim, escolhemos, podemos criar, ainda que sem intenção, verdadeiras disputas futebolísticas entre as coisas, onde nos obrigamos a escolher uma delas como quando escolhemos um time de futebol — flamengo OU fluminense — para vibrar & torcer & se emocionar.

determinadas questões não carecem de escolhas.

para determinadas questões, escolhas erguem muros espessos no caminho.

ao meu olhar, as belezas dispostas no mundo não carecem de escolhas. ao meu olhar, as belezas dispostas no mundo nasceram para serem complementares & não excludentes.

costumo dizer isto aqui sempre: a existência é um grande barato pela variedade de belezas que apresenta: variedade de bichos, de plantas, de mares, de rios, de rochas, de cores, de sons, de cheiros, de pessoas.

não seria diferente com as artes: com a arte da palavra, com a arte da música, com a arte do esporte.

portanto, por que escolher:

drummond ou joão cabral? chico ou caetano? anderson silva ou minotauro?

pepê ou rico de souza (dois grandes surfistas brasileiros)? mário de andrade ou oswald de andrade?

pepeu gomes ou armandinho (dois exímios guitarristas)? selton mello ou wagner moura? cartola ou nelson cavaquinho?

nelson piquet ou ayrton senna? clarice lispector ou cecília meireles? paula ou hortênsia (duas feras do basquete)?

mônica ou cebolinha? titãs ou os paralamas do sucesso? joão gilberto ou tom jobim? chacrinha ou sílvio santos? maysa ou elis regina?

antonio cicero ou waly salomão? renato russo ou cazuza? mundo livre s.a. ou nação zumbi?

determinadas questões não carecem de escolhas.

para determinadas questões, escolhas erguem muros espessos no caminho.

ao meu olhar, as belezas dispostas no mundo não carecem de escolhas. ao meu olhar, as belezas dispostas no mundo nasceram para serem complementares & não excludentes.

assim como, na vida, algumas coisas se tratam de escolhas, outras coisas, não; há aquelas para as quais não há o poder de escolha, não há opção: trata-se de sina ou maldição, não se pode afirmar ao certo o que seja.

não fui eu quem escolhi a poesia, não fui eu quem optei por ela. foi a poesia quem me escolheu, foi a poesia quem optou por mim. porque não está nas minhas mãos o poder de decidir quando adentrar a casa da poesia. é a poesia quem escolhe a hora da visita do poeta. não é o poeta o responsável pela decisão.

desse modo, a casa da poesia, essa casa não é minha: a casa da poesia pertence somente à poesia.

minha chave, a chave da minha casa, não serve à casa da poesia, não cabe em sua casa. desconheço a fechadura, desconheço o dispositivo de destrancar a sua porta, e, conseqüentemente, desconheço a metragem, o tamanho, da sua sala (até porque a sala de estar muda de metragem, altera de tamanho, a cada visita realizada).

tudo me é estranho, tudo me é diferente, tudo me é irreconhecível, na casa da poesia.

a cada visita, uma nova casa, uma grande surpresa: nunca se sabe o que encontrar na casa: metragem desconhecida, o teto que nada me diz, o ar estranho da cozinha, o quarto que não é meu, a cama em que nunca dormi, um ambiente que causa certo desconforto — não é certamente confortável estar entre as paredes da casa poética, sem saber se tal construção lírica é segura ou se pode desabar a qualquer momento.

essa casa não é minha.

ser poeta não é opção: é sina ou é maldição.

às coisas que não se tratam de sina, de maldição, nem de escolhas (como quando escolhemos um time de futebol — flamengo OU fluminense — para vibrar & torcer & se emocionar), abrigá-las todas dentro da morada do ser: a existência é um grande barato pela variedade de belezas que apresenta: variedade de bichos, de plantas, de mares, de rios, de rochas, de cores, de sons, de cheiros, de pessoas.

aproveitemos todas!

beijo todos!
paulo sabino.
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(do livro: A sombra do faquir. autor: Mauro Sta. Cecília. editora: 7Letras.)

 

 

FLA X FLU

 

Drummond ou João Cabral
Caetano ou Chico
Anderson Silva ou Minotauro
Pepê ou Rico

Mário ou Oswald
Pepeu ou Armandinho
Selton ou Wagner
Cartola ou Nelson Cavaquinho

Piquet ou Senna
Clarice ou Cecília
Paula ou Hortênsia
Mônica ou Cebolinha

Titãs ou Paralamas
João Gilberto ou Tom Jobim
Chacrinha ou Sílvio Santos
Maysa ou Elis

FHC ou Lula
Antonio Cicero ou Waly
Renato Russo ou Cazuza
Mundo Livre ou Nação Zumbi.

Escolhas erguem muros espessos no caminho.

 

 

ESSA CASA NÃO É MINHA

 

Minha chave aqui não cabe
desconheço a fechadura
e a metragem desta sala.
O teto não me diz nada
o ar da cozinha é estranho.
Claro que não é o meu quarto
onde me deparo agora.
Nunca dormi nesta cama,
nem me sinto bem aqui
depois de todos esses anos.

Ser poeta não é opção
é sina ou é maldição.

NUVENS
15 de julho de 2014

Nuvens

Nuvens & Cadeia de montanhas

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Céu, tão grande é o céu
E bandos de nuvens que passam ligeiras
Pra onde elas vão, ah, eu não sei, não sei

(Canção: Dindi. Versos: Aloysio de Oliveira. Música: Tom Jobim.)

 

 

eu sempre fui um admirador de muitas coisas da natureza.

o mar é o meu amante maior, é a coisa que mais me fascina, que mais prende a minha atenção.

uma outra coisa que me fascina é árvore, ser carregado de folhas & dramaticidade. suas ramificações & galhos, juntamente com as suas folhas, dispõem-se aos meus olhos como braços & mãos em poses dramáticas, em poses teatrais.

coisa também que me fascina é pedra, sua constituição maciça, inteiriça, inerte, inanimada, silenciosa, parada no tempo, pregada ao chão.

e, por fim, coisa também fascinante, que é o inversamente proporcional às pedras, é nuvem.

pelo motivo inverso ao das pedras (sua constituição maciça, inteiriça, inerte, inanimada, silenciosa, parada no tempo, pregada ao chão), eu adoro olhar nuvens. desde muito novo.

para descrever as nuvens, eu necessitaria ser muito rápido — numa fração de segundo, deixam de ser as que são, tornam-se outras.

é próprio delas não se repetir nunca nas formas, matizes, poses & composição.

sem o peso de nenhuma lembrança, as nuvens flutuam, sem esforço, sobre os fatos mundanos.

elas — as nuvens — lá podem ser testemunhas de alguma coisa?

logo se dispersam para todos os lados.

comparada com as nuvens, passageiras & ligeiras & mutáveis por demais, a vida, que também é passageira & ligeira & mutável por demais, parece muito sólida, parece quase perene, quase ininterrupta, praticamente eterna.

perante as nuvens, até a pedra parece uma irmã em quem se pode confiar, devido à sua constituição maciça, inteiriça, inerte, inanimada, silenciosa, parada no tempo, pregada ao chão.

já elas, as nuvens — são primas distantes & inconstantes.

(é próprio delas não se repetir nunca nas formas, matizes, poses & composição.)

que as pessoas vivam, se quiserem, e, em seqüência, que cada uma, que cada pessoa, morra: as nuvens nada têm a ver com toda essa coisa muito estranha a que chamamos: existência.

sobre a tua vida inteira, caro leitor, e sobre a minha vida, ainda incompleta, elas, as nuvens, passam pomposas, como sempre passaram.

as nuvens não têm obrigação de conosco findar.

as nuvens não precisam ser vistas para navegar.

nuvens: é próprio delas não se repetir nunca nas formas, matizes, poses & composição. sem o peso de nenhuma lembrança, as nuvens flutuam, sem esforço, sobre os fatos mundanos.

pelo motivo inverso ao das pedras (sua constituição maciça, inteiriça, inerte, inanimada, silenciosa, parada no tempo, pregada ao chão), eu adoro olhar nuvens (numa fração de segundo, deixam de ser as que são, tornam-se outras). desde muito novo.

a cabeça nas nuvens, os olhos no céu: a tentativa, em solo, dos mais altos vôos.

beijo todos!
paulo sabino.
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(do livro: Poemas. autora: Wislawa Szymborska. seleção & tradução: Regina Przybycien. editora: Companhia das Letras.)

 

 

NUVENS

 

Para descrever as nuvens
eu necessitaria ser muito rápida —
numa fração de segundo
deixam de ser estas, tornam-se outras.

É próprio delas
não se repetir nunca
nas formas, matizes, poses e composição.

Sem o peso de nenhuma lembrança
flutuam sem esforço sobre os fatos.

Elas lá podem ser testemunhas de alguma coisa —
logo se dispersam para todos os lados.

Comparada com as nuvens
a vida parece muito sólida,
quase perene, praticamente eterna.

Perante as nuvens
até a pedra parece uma irmã
em quem se pode confiar,
já elas — são primas distantes e inconstantes.

Que as pessoas vivam, se quiserem,
e em sequência que cada uma morra,
as nuvens nada têm a ver
com toda essa coisa
muito estranha.

Sobre a tua vida inteira
e a minha, ainda incompleta,
elas passam pomposas como sempre passaram.

Não têm obrigação de conosco findar.
Não precisam ser vistas para navegar.

LANÇAMENTO DO LIVRO “DOLORES DURAN”, DE RODRIGO FAOUR
31 de outubro de 2012

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senhores,

na semana próxima, dia 08 de novembro (quinta-feira), às 19h, na livraria da travessa do shopping leblon, no rio de janeiro, o meu queridíssimo amigo, o jornalista, produtor, pesquisador musical & escritor rodrigo faour, lançará o livro “dolores duran — a noite e as canções de uma mulher fascinante”, pela editora record, contando a trajetória de uma das principais artistas do cancioneiro popular brasileiro.
 
dolores duran foi de suma importância à sua época porque ela marca o início das mulheres numa atividade até então restrita aos homens: a atividade da composição. na década de 50, não havia mulheres compositoras de música popular, apenas cantoras, intérpretes. foi dolores duran quem abriu as portas para todas as mulheres compositoras que surgiram desde então; ela é a grande precursora. 
 
mais informações sobre o lançamento do livro “dolores duran — a noite e as canções de uma mulher fascinante”, de rodrigo faour, na foto-convite que segue acima.
 
aproveitando a oportunidade, deixo-os com os versos & uma das minhas canções preferidas da dolores.
 
esta versão aqui, para mim, é imbatível. não só por conta da emoção concentrada de nana caymmi, na medida do que pedem os versos!, como também pela participação, na gravação de nana, do grande parceiro de dolores duran na composição: o meu maestro soberano antônio carlos jobim. 
 
deliciem-se com o regalo! 
 
salve dolores duran!
salve tom jobim!
salve rodrigo faour!
 
beijo todos!
paulo sabino.
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(autora dos versos: Dolores Duran.)
 
 
 
POR CAUSA DE VOCÊ
 
 
Ah, você está vendo só
Do jeito que eu fiquei
E que tudo ficou
Uma tristeza tão grande
Nas coisas mais simples
Que você tocou
A nossa casa, querido
Já estava acostumada
Guardando você
As flores, na janela, sorriam, cantavam
Por causa de você
Olhe, meu bem, nunca mais 
Nos deixe, por favor
Somos a vida e o sonho 
Nós somos o amor
Entre, meu bem, por favor
Não deixe o mundo mal
Lhe levar outra vez
Me abrace simplesmente
Não fale, não lembre
Não chore, meu bem
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(do site: Youtube. áudio extraído do cd: A noite do meu bem — as canções de Dolores Duran. artista & intérprete: Nana Caymmi. canção: Por causa de você. versos: Dolores Duran. música: Tom Jobim. participação ao piano: Tom Jobim. gravadora: EMI.)