MINHA MÃE, MINHA VOZ

“Tudo são trechos que escuto: vêm dela
 Pois minha mãe é minha voz”
                                            (Caetano Veloso, Jenipapo Absoluto)
 
benvindos,
 
abaixo, três poesias delineadas em três diferentes momentos: a primeira, ainda bem jovem, com uma citação-homenagem a pessoa (o fernando); a segunda, debuxada mais à frente, com elisa lucinda à cabeça; a terceira, há menos tempo, a mais recente de todas.
 
beijo grande!
_________________________
 
(textos de paulo sabino, todos dedicados à sua mãe, jurema armond)
 
canção da minha cantiga
 
teus  olhos  tua  voz  tuas  asas
cobrem-me  com  um  manto
cujos  fios,  feitos  de  puro  remanso
próprios  para  cicatrizar  minhas  chagas
 
alçar  de  puro  amor  meu  sentimento
por  ti,  no  azul  amor  do  teu  firmamento
e  obter,  na beleza do  que  é  acessível
o  momento  de  ti,  imarcescível
 
olvidar  ao  teu  lado  consigo
os  dissabores  pregados  pela  vida
mastigar  e  cuspir  longe  a  ferida
me  faz,  sempre,  a  tua  sombra  amiga
 
primor  de  mulher  que  recebi
sou  em  ti,  por  ti  e  de  ti
essência  do  verso  apurado  e  estreme
tempo  de  eros  e  pensamento  perene
 
sou  todo  teu  como  a  lua  é  dos  amantes
arrefeces  o  caminho  dissonante
diva,  sopro  da  vida
canção  da  minha  cantiga
_________________________
 
estréia
 
te  escrevo  porque
te  mereço,
porque  és  diva,
a  dama  divina
—  mulher  maravilha
da  minha  ilha
cercada  de  carinhos
por  todos  os  lados —.
todos  os  cafunés,  todas  as  lágrimas  e  desabafos
é  onde  me  acabo  em  ti.
por  ti  meu  riso  ri,
por  isso  minha  prece,
minha  missa.
minha  oração  se  aquece
em  teus  escaninhos,  teus  desalinhos,  teus  achados.
assim  é  que  te  amasso,
                      te  acho,
                      te  cato.
porque  humana  sem  desacato.
eu  te  amo  e  é  outra  estréia,
sem  vida  histérica,
sem  amor  estéril.
pelo  contrário,  é  amor  de  império,
o  carinho  sem  enterro  e  cemitério,
a  poesia  livre  de  impropério.
és  o  meu  hemisfério,
o  meu  norte,
os  versos  sem  corte.
eu  te  amo  e  não  há  miséria,
há  beleza,  há  estética
—  revelação, reverberação
que  insiste
em  mostrar  ao  mundo  triste
que,  aqui,  o amor  existe:
firme
forte
em  riste —.
_________________________
 
conforto na morada
 
uma  vista  que  me  é  comum:
em  minha  cadeira  sentado
no  quarto  que  ocupo
e  ela,  deitada  em  seu  sofá
confortavelmente
atenta
—  olhos  suspensos  no  ar  —
                à  música
que  ventava  em  seus  sentidos.
 
no  meu  canto
vendo-a
de  canto
denso  do  canto  que  me  vinha.
 
uma  vista  que  me  é  comum
—  posto  que
ocupa  a  minha  vida:
música-mãe
,  na  morada  ,
pura  poesia
decantada.
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4 Respostas

  1. “conforto na morada” é uma pérola

    • ô, mariano,

      que beleza!…

      um beijo.

  2. Paulinho,

    Quero a sua autorização para postar o seu poema “Conforto na morada” em meu blog!

    Grande abraço,
    Adriano Nunes.

    • é claro que você a tem, meu querido e sempre benvindo!

      beijo bom e GRANDE!

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