ENIGMAS

_____________________________________________________________

enigma: segundo o dicionário houaiss, “definição de algo por suas qualidades ou particularidades, mas difícil de entender”. por extensão de sentido, “texto ou parte dele, frase ou discurso cujo sentido seja incompreensível ou ambíguo”.

 enigma: segundo o dicionário aurélio, “questão proposta em termos obscuros, ambíguos, para ser interpretada ou adivinhada por alguém”. por extensão de sentido, “enunciado ambíguo ou velado”, “coisa inexplicável, aquilo que é difícil compreender; mistério”.
 
portanto, os enigmas carecem da argúcia alheia (precisam ser interpretados ou adivinhados por alguém) & da retórica. é mal de enigmas não se decifrarem a si próprios.
 
a condição dos enigmas: procuram uma qualidade em pedra & cal: 
 
os enigmas são como uma parede lisa branca, pois, a princípio, por conta das ambigüidades do que propõem, por conta das dicas obscuras, parecem uma barreira intransponível. os enigmas buscam uma qualidade em parede, em pedra, barreira branca como cal, parede branca como uma folha de papel em branco (como se nada houvesse ali).
 
no entanto, ao mesmo tempo que os enigmas procuram uma qualidade em pedra & cal, repelem-na, repelem essa qualidade que procuram, posto que todo o enigma, no fundo no fundo, por possuir uma resposta, busca a sua solução.
 
todo o enigma, por possuir uma resposta, apesar de toda a engenharia semântica em prol do silêncio, quer ser decifrado.
 
por conta da engenharia semântica dos enigmas, muitos quedam-se por aí: esguios ao tato, ocos de imagem, ferozes no seu silêncio. isto é: indecifráveis.
 
dignos & sós. 
 
existirmos: a que será que se destina?
 
este, o maior, o grande enigma bolado pela humanidade. e um enigma muito complexo, uma vez que, para ele, em princípio, não há resposta.
 
(será que a existência se destina a algo?…)
 
alguns enigmas merecem a ferocidade do seu silêncio. deixemos a busca pela resposta. vivamos. é o que nos resta. e vivamos em busca de paisagens que animem o ser.
 
lembrem-se sempre: as viagens são os viajantes.
 
beijo todos!
paulo sabino.
____________________________________________________________
 
(do livro: A estrela fria. autor: José Almino. editora: Companhia das Letras.)  
 
 
 
É mal de enigmas não se decifrarem a si próprios.*
Carecem de argúcia alheia
e da retórica.
Procuram uma qualidade
em pedra e cal.
 
(Repelem-na,
ao mesmo tempo.
Tal é a condição dos enigmas.)
 
Quedam-se por aí:
esguios ao tato,
ocos de imagem,
ferozes no seu silêncio.
 
Dignos e sós
como um concerto de violoncelo.
____________________________________________________________
 
*autor da citação no poema: Carlos Drummond de Andrade  
Anúncios

There are no comments on this post.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: